EU ACHO…

TECNOLOGIA NÃO É PEDAGOGIA

Os avanços tecnológicos são apenas mecanismos de transmissão

Com grandes dificuldades, Guglielmo Marconi tentava vender aos navios o seu telégrafo sem fio. Mas eis que, em 1912, um iceberg entrou na rota do Titanic. Graças ao telégrafo embarcado, um cargueiro nas proximidades captou o SOS e resgatou 700 passageiros. No fim das contas, o iceberg vendeu mais equipamentos do que conseguiria algum mago de marketing.

Apesar dos loquazes arautos de tecnologias redentoras, a escola sempre deu as costas a elas. O cinema vai revolucionar a escola! Com o rádio a escola chega a qualquer grotão! Com a TV a escola não será a mesma! Entram em cena os computadores na educação, e lá se vão cinquenta anos de tentativas. Agora é a nuvem. O que têm em comum esses inventos revolucionários é o seu fracasso retumbante no ensino acadêmico. Nada deu certo. Ou foi ignorado ou não mostrou resultados (como é o caso do computador na aula). Como qualquer organização, a escola tem sua cultura, suas práticas consagradas e, igualmente, ferozes mecanismos para defendê-las. Não é um reles computador que mudará seus hábitos seculares. Com um peteleco, a tralha vai para o armário e nunca mais é vista. Ou enguiça e ninguém conserta.

Não prestam essas inovações? Prova de seu valor é a sua adoção nos cursos profissionais, naqueles oferecidos nos programas de educação corporativa e em tudo que não é o ensino acadêmico. Bravamente, a escola resistia.

A Covid-19 foi o iceberg que se chocou com essas escolas. O serviço foi feito por um bicho desse tamanhinho. Depois de rejeitar, negacear e empacar, da noite para o dia as instituições de ensino foram obrigadas a se bandear para a educação a distância, cuja íntima convivência com a tecnologia vinha de bom tempo.

Quem se persignou, vendo na tecnologia coisa do diabo, de uma hora para outra passou a pilotar computadores, PowerPoints, Zoom, Blackboard, chats e tudo o mais que há por aí. Bem feito, pois a tecnologia tem muito a oferecer (tudo que foi citado acima pode ter o seu lugar).

No entanto, é preciso não cometer um outro pecado. Tecnologia não é pedagogia. É apenas uma mecânica de transmitir conteúdos. Não é a pizza, mas apenas o seu entregador.

O YouTube congela e conserva imagens digitais. Serve para tudo, até para ensinar, desde tabuada até medicina genômica. Pode propor a decoreba. Mas, no “ensino invertido”, permite implementar uma pedagogia eficaz. Nela, o aluno vê o vídeo e depois discute na aula. O YouTube é apenas o meio de transporte.

Confundir o entregador com a pizza é achar que, introduzindo tecnologia, tudo estará resolvido. Não estará. O mais reluzente tablet pode estar a serviço de decorar as capitais da Ásia Central. Mas dá certo quando é o canal para estratégias de ensinar conteúdos de forma criativa. Devemos também entender: tecnologia não é agente de mudança. E tecnologia comprada não vem com as ideias necessárias para o seu bom uso.

Primeira lição: lamentamos, mas há mudanças que requerem uma tragédia para ser implementadas. Segunda: tecnologia na educação é apenas meio de transporte, nem redentora nem portadora de uma boa pedagogia.

***CLAUDIO DE MOURA CASTRO

OUTROS OLHARES

PERDENDO O GÁS

A Coca-Cola procura alternativas para reverter a contínua queda de vendas causada pela rejeição dos millennials aos refrigerantes e agravada pela pandemia

Há 134 anos, o farmacêutico americano John Pemberton (1831-1888) misturou noz-de-cola, extrato de folhas de coca e água em uma fórmula secretíssima e – eureca! – inventou a Coca-Cola, o refrigerante mais popular do planeta. Nem ela, no entanto, escapou do rombo que a pandemia abriu no consumo em geral. No auge das medidas de confinamento, entre março e junho, a empresa sofreu um baque de 28% no faturamento, em relação aos meses anteriores. No mercado de ações, sua avaliação caiu 14%, em comparação ao início de 2020. Esse retrocesso tem uma explicação óbvia: metade das vendas do refrigerante se dá em restaurantes, cafés, lanchonetes e hotéis, todos fechados na quarentena mais abrangente da história. “Foi o trimestre mais difícil em mais de um século de empresa”, disse James Quincey, presidente global da companhia. O fato, porém, é que a Coca-Cola já vinha perdendo consumidores, alvejada, mais até do que as concorrentes, pela preferência da geração atual de jovens, os chamados millennials, por produtos mais naturais e sustentáveis. Segundo especialistas, a Coca-Cola está pagando o preço de ter se mantido presa à linha de bebidas, sem se expandir para outras áreas. Para efeito de comparação, durante a pandemia as perdas registradas pela Pepsi, sua principal concorrente, não passaram de 3%, justamente por causa das receitas provenientes de sua cesta de produtos alimentícios – um dos poucos setores a se expandir nestes tempos difíceis. Já a Coca-Cola, ainda que ofereça sucos, águas e leites em seu catálogo, continua a ter nos refrigerantes seu carro-chefe, e eles não param de perder o gás.

Jovens empenhados em levar vida saudável, um fenômeno global, se arrepiam diante da informação de que cada latinha de Coca carrega, em média, 35gramas de açúcar, dez a mais do que o consumo diário recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Resultado: passado o pico do mercado, nos anos 1990, o consumo de refrigerantes nos Estados Unidos teve queda de 35%, acentuada na última década (veja no gráfico abaixo). O México, maior freguês mundial de bebidas gaseificadas, criou um imposto extra sobre refrigerantes para frear o hábito, medida adotada também por França, Noruega e Portugal. “Os jovens querem bebidas e alimentos que sejam reflexo do seu estilo de vida”, diz Rochelle Bailis, da Connexity, empresa de análise de consumo.

A Coca-Cola Brasil não divulga seus resultados, mas calcula-se que a queda do faturamento acompanhou o padrão mundial, mesmo tendo a empresa montado uma operação de guerra para manter o ritmo dos negócios em meio às restrições. Um programa-piloto de vendas através do WhatsApp, comandado por inteligência artificial, fez o número de varejistas saltar de 10.000 usuários para 180.000. Também foram incentivados os combos promocionais, que unem refeições e bebidas, em serviços de delivery de comida. Mas sobreviver na pandemia não resolve o problema maior da mudança de hábitos no planeta. No Brasil, segundo pesquisa do Ministério da Saúde, houve redução de 53% no consumo regular de refrigerantes e bebidas açucaradas entre 2007 e 2018. No ano passado, a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), que reúne 58 fabricantes, incluindo Coca-Cola, Ambev e Heineken, assinou um protocolo voluntário com o governo comprometendo-se a reduzir o açúcar de seus produtos até 2022. Ciente dos novos tempos, a Coca adquiriu marcas como as bebidas de soja Ades e o iogurte Verde Campo, e lançou o Café Leão. “Adequamos nosso portfólio às diferentes demandas de uma jornada diária”, diz Flávio Camelier, vice-presidente de transformação digital da empresa no Brasil. “Nosso olhar acompanha as oportunidades de inovação, e a pandemia acelerou esse processo.”

Diante das dificuldades crescentes, a matriz americana está dando início à mais ousada revisão no portfólio da Coca-Cola das últimas décadas. Das 400 marcas principais, metade representa apenas 2% do lucro – e o presidente Quincey, em balanço recente, deixou entrever que boa parte vai sumir das prateleiras. Uma das apostas para fugir dos refrigerantes é investir na linha de bebidas alcoólicas. Em agosto, a Coca lançou nos Estados Unidos (ainda sem previsão de chegar ao Brasil) a Topo Chico, uma água com gás alcoólica à base de frutas. A novidade vem tendo boa aceitação entre os cobiçados millennials, por ter menos calorias que a cerveja e teor alcoólico semelhante. “A Coca enfrenta uma questão séria. Em um mundo em total transformação, encontra-se em baixa na maioria dos países”, analisa Roberto Kanter, especialista em varejo da Fundação Getúlio Vargas. Reinar entre os refrigerantes, definitivamente, já não tem o mesmo gosto.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 12 DE SETEMBRO

OS SINAIS DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO

… e haverá fomes e terremotos em vários lugares (Mateus 24.7b).

Os sinais da segunda vinda de Cristo estão drapejando suas bandeiras. O alarme já foi tocado. A trombeta já está soando. Guerras, conflitos, fomes, pestilências e terremotos são avisos do céu. O terremoto que sacudiu o Japão e o tsunami que varreu algumas de suas cidades em março de 2011 ainda nos chocam. A natureza geme e se contorce de dor. Os terremotos e maremotos, além de fenômenos naturais, são também trombetas de Deus aos ouvidos da humanidade. Esses desastres provêm de causas naturais e também de intervenção sobrenatural. Os efeitos da queda atingiram não apenas a raça humana, mas também a natureza, que agora está sujeita à servidão e aguarda, com gemidos profundos, a restauração desse cativeiro (Romanos 8.20- 22). De igual forma, a igreja, tendo as primícias do Espírito, também geme à espera de sua completa redenção, quando teremos corpos incorruptíveis e gloriosos. Até mesmo o Espírito Santo está gemendo, com gemidos inexprimíveis, intercedendo por nós, em nós, ao Deus que está sobre nós (Romanos 8.26). Precisamos olhar para os fenômenos da natureza não apenas com os olhos da investigação científica, mas também com a perspectiva da fé, pois esses fenômenos são sinais da segunda vinda de Cristo.

GESTÃO E CARREIRA

SEM RISCOS E COM MENOS TRIBUTOS

Todas as empresas pagam, pelo menos, dez contribuições aos governos federal, estadual e municipal. Especialista dão orientações para que sua empresa pague somente aquilo que é obrigatório

Não à toa, o Brasil tem a maior carga tributária do mundo. O País, e aqui também se incluem os estados e municípios, mordem o equivalente a 35,07% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Um valor que atingiu recorde histórico em 2019.

Só para se ter uma ideia, são R$2,39 trilhões. Isso cantando empresas e pessoas físicas. Um avanço de 1,33% se compararmos com 2018, a maior alta desde o início da série histórica, em 1947. Os dados foram coletados pelos economistas José Roberto Afonso e Kleber de Castro, extraídos de fontes oficiais.

São pelo menos dez impostos obrigatórios em todo o País. E com a economia dando poucos sinais de recuperação – “andando de lado”, como consideram muitos -, pagar os tributos e se manter no azul é sempre uma dificuldade. “O maior problema do Brasil não é a quantidade de impostos em si, mas a complexidade do nosso sistema tributário. Temos também uma infinidade de obrigações acessórias que demandam das empresas investimentos em sistemas e capacitação de pessoal para que estejam em dia com suas obrigações tributárias”, afirma o sócio do escritório Loeser, Blanchet e Hadad Advogados, Fernando Loeser.

Mas nem tudo é notícia ruim. É possível amenizar a quantidade de impostos pagos com alguma negociação, e sem comprometer a estabilidade jurídica da empresa. O advogado tributário do escritório Nahas Advogados, Luciano Pedro da Silva, enumera algumas dicas importantes. “Aprimoramento e melhora do controle financeiro e da produção; análise comparativa entre os Regimes Fiscais Tributários; análise de possíveis benefícios fiscais; subdivisão de empresas podem fazer sentido em alguns casos”.

O especialista alerta ainda para a análise de situações em que seja viável a terceirização de atividade não essenciais e complementa: “Buscar auxílio e integração entre o Departamento Jurídico Tributário (interno ou externo) e o Departamento Pessoal e Contábil (interno ou externo) para uma análise detalhada sobre os impactos da Reforma Trabalhista”. Para ele, vale também fazer a análise junto ao Departamento Jurídico para ajuizamento de ações ou requerimentos administrativos para diminuição da carga tributária e recuperação de valores pagos a maior ou que não foram objeto de compensação ou utilização de créditos disponíveis.

INCENTIVOS

Os incentivos fiscais oferecidos pelo governo também podem ser uma saída para quem precisa reduzir a carga de tributos. São vários programas oferecidos, como a Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Federal de Incentivo ao Esporte, Fundo da Infância e Adolescência  (FIA), Fundo Nacional do Idoso (FNI), Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com deficiência (PRONAS), Programa Nacional de  Apoio à Atenção Oncológica  (PRONON) – todos em âmbito nacional.

Além disso, o empresário pode “assumir” algumas situações, como o investimento em áreas específicas da economia, troca de ações, adequação de regime e planejamento tributário. Para aderir a alguma delas, o credenciamento deve ser feito na secretaria responsável pelo incentivo, além da apresentação de documentos em períodos específicos para comprovar o investimento na opção escolhida.

BENEFÍCIOS LOCAIS

Cada estado e município pode criar benefícios próprios para reduzir impostos que são cobrados localmente. No entanto, Loeser lembra que isso gerou outro problema. “No passado recente tivemos muitos benefícios instituídos por alguns estados e que não eram aceitos por outros, o que resultou na conhecida “guerra fiscal. “Nessa situação, muitos contribuintes acabaram tendo problemas e precisaram ingressar com medidas judiciais”, pontua. Há uma queda de braço entre governos para acabar com a agenda fiscal, porém sem nenhuma definição à vista. ”A criação e concessão de incentivos fiscais não é algo sem limites.

Ou seja, existem regras que os governos federal, estadual e municipal devem seguir para que eles sejam validados”, completa.

Não é possível detalhar exatamente quanto pode ser deduzido do tributo, pois isso depende de cada tipo de incentivo e da forma como a adesão é feita. Em alguns casos, a redução chega a 3% sobre o IRPT para quem opta pelo lucro real, ou até 7% na redução total dos impostos.

A consultora tributária da King Contabilidade, Elvira de Carvalho, reforça que o planejamento tem que ser palavra de ordem na empresa. “No final de cada ano é necessário que os empresários tenham especial atenção para decidir qual regime tributário deve prevalecer para o próximo ano. Portanto, é o momento de procurar seus contadores a fim de que estes façam as simulações necessárias para tomada de decisão quanto a melhor tributação para o ano que se inicia”, afirma.

Opinião compartilhada pelo sócio- fundador da Baril Advogados Associados, Natan Baril. “O planejamento empresarial, àquele que tem foco na definição da matriz societária, governança, funcional e contratual, com ênfase na oportunidade de planejamento tributário, é a melhor ferramenta para minimizar os resultados do negócio sob a ótica fiscal”, completa.

DE OLHO NO CALENDÁRIO

É importante salientar que a escolha pelo sistema tributário é feita sempre em janeiro, e não pode ser mudada durante o ano. Com impostos reduzidos, outra dúvida paira sobre os empresários: e quem fez acordos com REFIS, Programa de Regularização Tributária (PRT) e Programa Especial de Regularização Tributária (PERT)? Os advogados explicam que també1n é possível renegociar os valores, desde que os eventuais acionamentos e questionamentos junto ao Fisco sejam retirados.

O contabilista, economista e fundador da Attend Assessoria, Consultoria e Auditoria SIS, Sandro Rodrigues, lembra que não é possível reduzir a carga tributária desses acordos, que já são definidos no momento em que a regularização é acertada – corrigidos geralmente pela Taxa Selic, quando se fala em âmbito federal, ou por outros índices se a negociação for acertada com estados ou prefeituras. ”Quanto menor o prazo para quitar os parcelamentos, maior será a redução de juros e multas. Em alguns casos, os débitos com o Fisco Federal podem ser abatidos total ou parcialmente com créditos oriundos de prejuízos fiscais, desde que a empresa seja optante do regimento tributário do lucro real e tenha devidamente registrados nas escriturações contábeis tais prejuízos”, detalha Rodrigues.

O parcelamento não muda se a empresa trocar a tributação para uma que seja mais vantajosa. “É possível a utilização de procedimentos administrativos para reduzir ou compensar créditos alocados ou não utilizáveis, independentemente do planejamento financeiro e contábil dos parcelamentos disponíveis – em que quase sempre há boas reduções e planejamento financeiro para alinhar”, complementa Luciano Pedro da Silva.

OS IMPOSTOS NACIONAIS

PIS – Contribuição para o Programa de Integração Social

O valor pode ser de 0,65% ou 1,65%, dependendo do regime tributário e se é cumulativo ou não cumulativo.

COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

Pode ser de 3,0%, ou 7,6%, igualmente ao exposto sobre o PIS. Ainda há 0,65% para o PIS e 4% para a COFINS, quando o fato gerador for oriundo de receitas financeiras no lucro real.

IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados

A alíquota varia conforme o produto. Quanto mais necessário e básico, a quantidade é menor, podendo chegar a zero (casos de alimentos e remédios. De outro lado, se o produto é considerado “supérfluo” ou quando o governo deseja, o imposto é cobrado (exemplos: joias, perfumes, bebidas e cigarros).

DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional

É diferente conforme a atividade. Pode ser a partir de 4,5% até 19%.

SOBRE O LUCRO PRESUMIDO

IRPJ – Imposto de Renda de Pessoa Jurídica

Alíquota para base de 8% para o comércio e indústria 16% ou 32% para serviços, variando de acordo com a atividade, aplicando em seguida a alíquota de 15%, além do adicional de 10 % quando a base de cálculo ultrapassar R$60 mil por trimestre.

CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Liquido

Alíquota de 12% para o comércio e indústria e 16% ou 32% para serviços (dependendo da atividade), aplicando-se em seguida a alíquota de 9%.

SOBRE O LUCRO REAL

IRPJ

A alíquota será de 15% sobre o lucro fiscal, acrescentado ao adicional de 10%, quando a base de cálculo ultrapassar R$240 mil, exceto se foi lucro real trimestral, que o limite volta a R$60 mil.

CSLL

A alíquota será de 9% sobre o lucro com os devidos ajustes da base de cálculo da contribuição social.

IMPOSTO ESTADUAL

ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

No estado de São Paulo, eles variam de 7% até 20%, dependendo da mercadoria. Nos demais estados também são diferentes, alguns como elevados incentivos, como é o caso do Espírito Santo e Santa Catarina. As alíquotas fixas interestaduais podem ser de 4% (produtos importados) ou de 7% ou 12%, conforme o estado de destino.

IMPOSTO MUNICIPAL

ISS – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza

Em São Paulo, os percentuais variam de 2% até 5% dependendo da atividade. Nos demais municípios, tais regras são semelhantes.

OS INCENTIVOS DO GOVERNO

LEI ROUANET (atual lei deincentivo à cultura)

Criada em 1991, permite que empresas destinem parte dos tributos para o financiamento de atividades culturais, como peças de teatro, shows musicais, filmes e qualquer outra forma de manifestação cultural. Apesar de envolvida em polêmicas, é considerada a “chave” da retomada da produção cultural do País nos anos 1990.

LEI DO AUDIOVISUAL

Diferente da Rouanet, é focada no financiamento de produções audiovisuais. Isso inclui, não apenas a produção, como também a distribuição de filmes, documentários, séries e outros formatos.

LEI DE INCENTIVO AO ESPORTE

Criada em 2006, destina­ se, entre outras coisas, à aquisição de materiais e uniformes esportivos, organização de eventos e alimentação em eventos esportivos.

PROGRAMA NACIONAL DE ONCOLOGIA (PRONON)

Os recursos das empresas são destinados às pesquisas e ao tratamento de pacientes com câncer.

PROGRAMA NACIONAL DE ACESSIBILIDADE (PRONAS)

O mecanismo de funcionamento é similar ao do PRONON, no entanto aqui o foco é o apoio às pessoas com deficiência. As empresas podem destinar até 1% do valor a ser pago em impostos ao apoio à projetos nessa área.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SAIR DA DEPRESSÃO

Além das drogas, outros tratamentos têm sido eficazes no combate ao distúrbio que afeta 20% da população

Os números são preocupantes: 10 milhões de brasileiros sofrem de depressão. Estima-se que o distúrbio se manifeste em 15 % a 20% da população do planeta pelo menos uma vez durante a vida. Quem sofre a primeira crise tem 50% de chance de reincidência. Após o segundo episódio, a probabilidade sobe para 70% e a partir do terceiro pula para 90%. Apesar das estatísticas pouco animadoras, existem diversos recursos disponíveis para controlar a doença que, dependendo da intensidade, além da tristeza profunda e inexplicável, pode incluir entre seus sintomas distúrbios de sono e de apetite, irritabilidade, cansaço, perda da memória, dores de cabeça e no corpo, problemas digestivos e até mesmo pensamentos suicidas.

Até a década de 70, quando surgiram os primeiros antidepressivos, o único tratamento disponível contra o distúrbio era a psicoterapia. Atualmente, existem mais de 60 medicamentos no mercado. Eles estão na linha de frente no combate ao problema, já que a de pressão envolve alterações neuroquímicas – embora também tenha fortes implicações psíquicas, emocionais e sociais. Do ponto de vista neurológico, o cérebro do depressivo sofre queda dos níveis dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina. Os antidepressivos restabelecem esses níveis.

Além das quatro classes de antidepressivos comercializados desde as décadas de 80 e 90, o arsenal de combate à doença ganhou novas armas em 2005, quando foram lançados no Brasil os inibidores de noradrenalina e serotonina zenlafaxina e duloxctina (pertencentes à categoria de antidepressivos atípicos). “O fato de agirem em dois neurotransmissores faz com que esses medicamentos funcionem melhor. A remissão do quadro e o início da ação são mais rápidos que os verificados com as outras classes de antidepressivos. Além disso, também diminui o número de recaídas”, explica a psiquiatra Verusca Lastoria, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo a médica, essa classe de drogas é especialmente eficiente para pacientes com depressão moderada ou grave, associada a sintomas somáticos, como dores no corpo.

TERAPIAS COMPLEMENTARES

Além da terapia farmacológica, atividades como ioga, meditação e acupuntura são cada vez mais bem­ vistas pelos especialistas como complemento para os modernos antidepressivos no combate à depressão. “Medicamento é indispensável e ao mesmo tempo insuficiente”, reconhece o psiquiatra Geraldo José Ballone, coordenador do site Psiqweb. A ciência vem descobrindo que, assim como o exercício físico, exercitar a mente pode estimular a gênese de novas células cerebrais e ajudar no tratamento de depressão, ansiedade e stress. Segundo Ballone, somente nos casos de depressão leve é possível melhorar sem medicamentos.

A ioga foi o complemento escolhido pela empresária paulistana Cláudia Pereira, de 40 anos, no combate à depressão e ao pânico. O problema começou em 1999, desencadeado por complicações financeiras. Ela evitou o tratamento durante mais de seis anos, e o caso evoluiu para crises de pânico, no começo de 2006. “Fiquei apática e passei a ter medo terrível, não sei do quê. O tele fone não podia tocar que eu achava que alguma coisa horrível tinha acontecido”, conta. Foi nesse ponto que decidiu procurar um psiquiatra e começou a tomar antidepressivo. “Voltei a ficar bem, parecia outra pessoa.” Como não sentia mais nada, a empresária decidiu abandonar a medicação e, após uma sobrecarga de trabalho, os sintomas voltaram. A solução foi novamente recorrer aos remédios, mas desta vez acompanhados da ioga. “Acho importante praticar uma atividade física, alguma coisa que faça a pessoa olhar para si e desacelerar. A depressão me fez esquecer das coisas de que eu gostava. Agora estou me tratando e tentando levar a vida menos a sério.” Ela pretende persistir nos dois tratamentos.

Outra técnica que vem sendo pesquisada para o combate à depressão é a acupuntura. “Empiricamente, ela auxilia no tratamento de depressão leve, que muitas vezes não exige o uso de remédios. Em casos mais avançados, tem sido um recurso terapêutico complementar ao tratamento clínico medicamentoso, ajudando na redução ou eliminação de efeitos colaterais potenciais e aumentando a tolerância às drogas.

Além disso, as agulhas melhoram a qualidade do sono e podem ser benéficas para tratar quadros paralelos como gastrite, dor de cabeça e tensão pré-menstrual. Elas potencializam os efeitos do tratamento e costumam acelerar a melhora”, explica o psiquiatra Francisco Carlos Machado Rocha, do departamento de psiquiatria da Unifesp, especialista em medicina chinesa e acupuntura.

Falar sobre o problema como forma de resolvê-lo ou amenizá-lo é o sistema adotado por grupos de auto- ajuda específicos para portadores de distúrbios psiquiátricos como depressão e pânico. Instituições sem fins lucrativos como a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) e a Associação Pró-Saúde Mental (Fênix) organizam reuniões semanais para pacientes e parentes, em que as pessoas partilham suas experiências. “Como não se trata de um tratamento, e sim de um coadjuvante contra a depressão, não existe orientação específica. Os participantes se encontram e trocam experiências”, explica o psicólogo Adriano Camargo, presidente executivo da Abrata. “Ao escutar relatos de vivências parecidas com as suas, as pessoas se sentem mais capazes de enfrentar seus problemas e deixam de se sentir como ETs.” Para os que preferem se expor menos, outra opção são os grupos de auto- ajuda on-line. Existem diversos espalhados pela internet.

CASOS EXTREMOS

Além da depressão leve e moderada, existem os casos mais graves, com grande risco de suicídio. Cerca de 30% dos pacientes não respondem nem aos medicamentos mais modernos. Para esses casos, a novidade é a estimulação magnética transcraniana (EMT), aplicada ainda de forma experimental tanto no Brasil como no exterior. “A EMT pode ser usada também em casos mais leves de depressão, para diminuir o tempo de tratamento. Os efeitos colaterais são mínimos, mas há relatos de dor de cabeça nas primeiras sessões”, explica o psiquiatra Roni Broder Cohen, que conseguiu aprovação da comissão de ética da Unifesp para utilizar a técnica clinicamente. Segundo ele, o tratamento requer dez a 15 sessões de cerca de 45 minutos. “É o suficiente para 70% dos casos”, diz.

Mais antiga e polêmica, mas também eficiente para depressão grave, é a eletroconvulsoterapia, o conhecido eletrochoque. A eficácia no tratamento do transtorno é muito alta (em torno de 90%), comparada com as medicações (em torno de 70%), segundo Ballone. O psiquiatra explica que o tratamento consiste na aplicação de uma carga elétrica no cérebro, com o paciente anestesiado (é utilizada anestesia geral com duração em torno de 5 minutos). A estimulação produz uma convulsão, mas muito diferente da que ocorre na epilepsia, pois a anestesia promove relaxamento muscular. “O eletrochoque é usado como primeira alternativa para depressão grave em países nórdicos, e nos Estados Unidos é bastante aplicada. Já no Brasil, existe muito preconceito, sendo praticada somente em universidades. Trata-se de um tratamento muito seguro, com complicações mínimas, especialmente em casos em que os medicamentos são contra- indicados, como na gravidez e em pacientes idosos.”

Apesar de os médicos preferirem não usar a palavra “cura” quando o assunto é tratamento do distúrbio (assim como acontece em outras doenças crônicas, como diabetes e pressão alta), o termo- chave é “controle”. Os diversos recursos da ciência e as terapias disponíveis permitem que o paciente mantenha o controle dos sintomas e leve vida normal.

ARSENAL FARMACOLÓGICO

ANTIDEPRESSIVOS DISPONÍVEIS NO MERCADO

INIBIDORES DA MONOAMINAOXIDASE (lmao) – Foram os primeiros antidepressivos largamente usados. Eles inibem a ação de uma enzima responsável pela degradação dos neurotransmissores noradrenalina, dopamina e serotonina. Raramente são prescritos como tratamento de primeira linha porque exigem uma dieta especial para evitar interações potencialmente perigosas, embora esporádicas, com certos alimentos. No entanto, ainda são indicados como último recurso.

ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS (ADT) – Inibem a recaptação dos neurotransmissores noradrenalina e serotonina. Os ADTs têm efeitos colaterais desagradáveis como sonolência, boca seca e visão embaçada; cerca de 30% dos pacientes param de tomar o medicamento por causa desses problemas. Eles são potencialmente letais em altas doses. No entanto, ainda podem ser a melhor escolha para certos casos de depressão.

INIBIDORES SELETIVOS DE RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA (ISRS) – Drogas como Prozac e Paxil bloqueiam a recaptação da serotonina pelos neurônios pré-sinápticos. Eles substituíram os ADTs porque provocam menos efeitos colaterais e apresentam menor probabilidade de morte em casos de overdose. Mesmo assim, efeitos adversos como problemas gastrointestinais e sexuais não são raros. Indicações de que os ISRSs possam aumentar pensamentos e ações suicidas em crianças e adolescentes levaram a uma advertência obrigatória no uso do medicamento para essas faixas etárias nos Estados Unidos e à proibição para menores na Inglaterra.

ATÍPICOS – Afetam vários sistemas neurotransmissores ou usam mecanismos diferentes para o bloqueio da recaptação. Alguns exemplos são bupropion, venlaflaxina, nefazodona e mirtazapina.