EU ACHO …

MASCULINIDADE TÓXICA

Os homens precisam superar as velhas convicções de “macho”

Um grupo de homens está no bar, tomando cerveja. Passa uma mulher. Eles fazem comentários em voz alta. Ou assobiam, a chamam de “gostosa”. Todos sentem-se na obrigação de participar. Não fazer parte da turma é sinal de “fraqueza”, de ser menos “macho”. A necessidade de corresponder a parâmetros de masculinidade pesa sobre os homens. A tal ponto que está surgindo a tendência, ainda pequena, de discutir esses estereótipos. Seria uma contrapartida masculina ao feminismo.

Quando foi que você ouviu pela primeira vez a expressão “seja homem”? Também já escutei, em muitas rodas masculinas, o comentário: “Aquele lá não é homem”. A frase é utilizada para se referir a quem exibe atitudes frágeis ou expõe suas emoções. Segundo o documentário The Mask You Live ln (“A máscara em que você vive”), da americana Jennifer Siebel Newsom, o menino aprende que na vida deve:

*** ser bom em esportes,

*** ficar muito rico,

*** fazer sexo com o máximo possível de mulheres.

Muitos garotos sofrem bullying por não serem bons jogadores de futebol. Se um deles joga mal, os outros dizem que “joga que nem mulher”. O que está sendo ensinado a esses meninos sobre as mulheres quando se usa essa frase? Tenho um conhecido minimizado na família porque é bancado pela mulher. Os parentes chegam a dizer que ele é um “gigolô”. Mas, se o homem sustenta a mulher, acham supernatural. Homem tem de ser o “provedor”. Pior ainda, para ser “macho” é preciso fazer sexo com muitas mulheres. Eu sei de casos de executivos que, em festas das empresas, são praticamente obrigados a sair com prostitutas para não ficarem mal diante dos colegas. Houve um bem-casado que, para não trair a mulher, pediu à profissional que mentisse, e passou a noite conversando com ela. A verdade é que boa parte dos homens aprende sexo por meio de filmes pornô. A imagem que eles formam da relação e da mulher, como objeto de uso, é fortíssima. Quanto a eles próprios, assim como um ator pornô, “devem” performar na cama. Há também outra forte convicção masculina, que ainda está para ser realmente derrubada: “Só homem gosta de sexo”. Quando ele depara com uma mulher que gosta, sente que existe algo de errado com ela. O mundo está mudando, eu sei. Mas ainda falta.

Até a ministra falou que menino veste azul e menina veste rosa. É uma convenção. Mas reforça estereótipos. Se o garoto chora na escola, ele acaba sofrendo bullying e até apanha dos coleguinhas. O horrendo ditado “homem de verdade não chora” continua valendo. Desde pequeno, o menino aprende que deve mascarar a emoção, a dor, a própria fragilidade. Tudo o que é associado à mulher é demérito, como o serviço doméstico. Se alguém voltar sete gerações atrás, vai encontrar inúmeras histórias de abuso e violência, dos homens contra as mulheres, as famílias e, principalmente, contra quem é “diferente”. A masculinidade é tóxica para os próprios homens. Mas também mata as mulheres. A libertação desses parâmetros criará sujeitos mais plenos. Os homens estão começando a falar, e espero que não se calem mais.

*** WALCYR CARRASCO

OUTROS OLHARES

A FICÇÃO VIROU REALIDADE

empresa americana lança cabine para a projeção de hologramas, o que deverá popularizar a tecnologia de apresentações tridimensionais consagrada na saga Star Wars

A cena é uma das mais marcantes do primeiro filme da saga Star Wars, de 1977, depois batizado de Episódio IV: Uma Nova Esperança. Luke Skywalker está limpando o robô R2-D2 e acidentalmente descobre o holograma da princesa Leia, que clama por ajuda. Pela primeira vez a técnica de projeção de imagens tridimensionais, criada pelo húngaro Dennis Gabor, era apresentada ao grande público, o que ajudou o longa a conquistar uma legião de fãs. A inovação demorou para emplacar. Em 2012, o cantor americano Snoop Dogg dividiu o palco de um festival com o rapper Tupac, morto em 1996 — ele estava presente na forma de um holograma. Em 2019, a Microsoft lançou um holograma tradutor, que converte o inglês para qualquer outro idioma. As iniciativas, porém, estavam restritas às grandes apresentações musicais ou a projetos corporativos, mantendo-se inacessíveis a pessoas comuns. Agora isso está prestes a mudar.

Há alguns dias, a empresa americana Portl apresentou uma cabine que permite a projeção de hologramas em tamanho real para todos os lugares. A invenção é revolucionária: trata-se da primeira máquina portátil capaz de “teletransportar” pessoas de carne e osso. Graças à tal cabine, a imagem do indivíduo pode ser projetada a milhares de quilômetros de distância, desde que o receptor tenha acesso a alguma fonte de energia e conexão de internet. “Estamos cumprindo uma promessa de longa data”, disse David Nussbaum, CEO da Portl e inventor do equipamento. “A ideia dos hologramas é antiga: apresentamos essa tecnologia desde Star Wars e De Volta para o Futuro. Agora, finalmente podemos abrir as portas de um novo mundo para o consumidor.”

O mundo novo custará caro. Segundo Nussbaum, a cabine será vendida inicialmente por 60.000 dólares ó cerca de 325.000 reais -, mas a ideia é lançar no ano que vem máquinas mais acessíveis. A tecnologia permite várias aplicações. Ela pode tornar reuniões de trabalho mais dinâmicas, mesmo com profissionais posicionados em cidades diferentes, ampliar o alcance de comícios políticos (o candidato fala de Washington mas sua imagem, digamos, aparece em Los Angeles) e abrir novos horizontes para palestrantes, sem a necessidade de que estejam presentes fisicamente no auditório. Sem contar, claro, as possibilidades abertas para o ensino a distância e a telemedicina, que ganharam novo impulso na crise do coronavírus. Nussbaum também prevê que, em breve, celebridades irão até a casa dos fãs usando a técnica da holografia. Star Wars, enfim, chegou à vida real.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 11 DE SETEMBRO

O VENTO E O MAR OBEDECEM À JESUS

E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança (Marcos 4.39).

As tempestades da vida são inevitáveis, imprevisíveis e inadministráveis. No entanto, elas não vêm para nossa destruição, mas para nosso fortalecimento. Depois de ensinar sobre as parábolas do reino, às margens do mar da Galileia, Jesus ordenou aos discípulos que passassem à outra margem. Quando estavam no meio do percurso, foram surpreendidos por furiosa tempestade. Os discípulos ficaram alarmados e gritaram: Mestre, não te importa que pereçamos? (v. 38). Jesus despertou do sono, acalmou o mar, mandou o vento aquietar-se e confrontou os discípulos: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé? (v. 40). Os discípulos deveriam ter fé, e não medo, justamente por causa da ordem de Jesus para passarem à outra margem e da presença do Mestre com eles. Aquele barco não poderia naufragar com o Criador dos céus e da terra. Depois que o mar se acalmou, os discípulos, atônitos, perguntavam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem? (v. 41). As tempestades da vida são inevitáveis, imprevisíveis, inadministráveis, mas também são pedagógicas. Não vêm para nos destruir, mas para nos fortalecer na fé. As tempestades são maiores do que nossas forças, mas estão totalmente sob o controle de Jesus.

GESTÃO E CARREIRA

ATRAÇÃO RECÍPROCA

Empresas usam ferramenta de marketing para se tornar desejadas – e conhecidas pelos profissionais que querem contratar. Conheça o Inbound Recruiting

Para resolver essa questão, uma estratégia está tomando conta das organizações: o inbound recruiting. O termo foi criado em alusão ao inbound marketing, estratégia que consiste em criar diferentes tipos de conteúdo para uma marca (como artigos, vídeos, e-books e podcasts) para atrair clientes e construir um relacionamento com quem pode se tornar um consumidor no futuro.

E é exatamente no relacionamento que essa técnica se baseia. A ideia é se aproximar dos talentos em potencial muito antes de recrutá-los. Para isso, as empresas utilizam as redes sociais e seus sites de carreira para divulgar informações relevantes para o público de interesse – e fogem do tradicional anúncio “venha trabalhar conosco”. O pulo do gato é conectar propósitos. “O profissional que se identifica com os valores comunicados vai consumindo aquele conteúdo e passa a admirar a marca. Com isso, a chance de ele se candidatar a uma vaga é muito maior”, diz Vanessa Cepellos, professora de gestão de pessoas na FGV-Eaesp.

HORA DE ENCANTAR

Mais do que informar, o objetivo do inbound recruiting é encantar os futuros funcionários. Uma das maneiras de fazer isso é transformar em protagonista quem conhece muito bem a companhia: os atuais funcionários. Essa estratégia é interessante quando a empresa dá voz a quem trabalha na operação e não apenas aos executivos. Os profissionais podem, por exemplo, gravar vídeos contando sua trajetória de carreira, dar depoimentos explicando como a companhia foi importante para sua família ou se posicionar nas redes sociais como especialistas naquela área de atração.

Quando a iniciativa dá certo, a companhia atrai naturalmente quem é alinhado a seus valores, propósitos e jeito de ser – e pode criar um banco de talentos de primeira. Foi exatamente isso que aconteceu com a empresa de tecnologia e engenharia Radix, que, em 2018 começou a utilizar as ferramentas de inbound recruiting de forma intensa. Segundo a diretora de gente e gestão, Daniella Gallo, o assunto surgiu em eventos de RH e chamou a atenção da equipe de recursos humanos. A partir de então, a empresa passou a cuidar com mais atenção da página de carreira de seu site e a publicar mais ativamente em suas redes sociais, principalmente no Instagram e no LinkedIn. “Decidimos criar uma série de vídeos com relatos de nossos funcionários e divulga-los”, afirma Daniella.

Para cativar seu candidato ideal, que é um jovem curioso, autodidata e apaixonado por tecnologia, a Radix divulga conteúdo técnico e artigos e outros materiais escritos pelos funcionários. Além disso, promove reuniões mensais para falar sobre temas de tecnologia e engenharia com o público externo – assuntos relacionados à transformação digital são recorrentes nesses eventos. Com a pandemia da covid-19, os encontros presenciais tiveram de dar espaço para eventos online.

Uma iniciativa importante foi a realização de um Hackathon com três dias de duração, no ano passado. A iniciativa reuniu 60 pessoas entre programadores, designers e outras pessoas ligadas a desenvolvimento de softwares. “Vários profissionais foram contratados depois”, afirma Daniella. A agilidade no recrutamento, aliás, aumentou: o tempo médio diminuiu drasticamente nos cargos mais difíceis de encontrar, como cientistas de dados e arquitetos de software. “A gente chegava a levar mais de 40 dias para contratar um especialista, mas esse prazo caiu para cerca de 20 dias”, diz a executiva. Mesmo os inscritos que não são contratados imediatamente, mas que têm alinhamento cultural e técnico, continuam observados pela Radix. “A pessoa fica no meu radar e, quando surge a vaga, eu posso acioná-la”, diz Daniella.     

PARTE DA ESTRATÉGIA

Encontrar profissionais capacitados e que gostem dos valores organizacionais é um desafio estratégico para as companhias – afinal, recrutar errado é caro. Uma pesquisa global feita pela consultoria PwC revelou que contratações equivocadas podem elevar os custos das companhias em 19,8 bilhões de dólares ao ano,

Por isso, na ThoughtWorks, consultoria global de software, o assunto é tratado com muito cuidado e existem duas pessoas dedicadas ao marketing de recrutamento. Como a companhia demanda competências técnicas específicas, a estratégia de inbound recruiting está calcada em conteúdos produzidos pelos funcionários da empresa em temas como tecnologia e gestão e em eventos próprios ou conduzidos com parceiros nos quais ficam claros pilares importantes para a companhia, como o de inclusão.

“Quanto mais as pessoas tiverem contato com a marca, melhor.  Principalmente as que a gente gostaria de ter em nossa empresa: profissionais especializados e diversos”, afirma Tais Silva, head de recrutamento. “Sempre trazemos a questão da representatividade em nossos conteúdos, porque isso atrai e fala muito sobre a marca.”

O grande benefício de manter o contato próximo com os potenciais candidatos é aumentar a quantidade e a qualidade dos postulantes às novas vagas. Em 2019, por exemplo, o número de jovens candidatos ao programa de contratação de recém-formados e universitários da ThoughtWorks aumentou 2,5 vezes. O impacto também foi expressivo nas três carreiras em que a companhia tem dificuldade de atração. Entre desenvolvedores de software júnior em São Paulo, o número de aplicações subiu 400%, de 2018 para 2019. Para desenvolvedores mobile em todo o Brasil, o avanço foi de 90%. Já para gerentes de projeto de desenvolvimento de software em todo o país, o crescimento de 300%. Com esses índices, o número de contratações previsto para 2019, que era de 180 pessoas, subiu para 250. “Além de atrair mais, notamos que o público que se candidata é mais aderente ao perfil desejado”, explica Tais.

DO CORAÇÃO

Embora os benefícios no recrutamento sejam visíveis, os especialistas destacam que os bons resultados de longo prazo só ocorrem se a jornada do profissional dentro da empresa confirmar todos os valores que foram usados para atrai-lo. “Caso a promessa não seja verdadeira, ocorre uma frustração que causa ruptura”, destaca a executiva da ThoughtWorks.

Para não cair nessa armadilha, as empresas devem tomar alguns cuidados na hora de planejar o marketing de recrutamento. O mais importante é que toda a comunicação reflita o que realmente acontece no dia a dia da organização. “É a cultura que gera a propaganda, e não uma imagem preestabelecida na cabeça de um gestor”, diz Carolina Cabral, gerente senior  de recrutamento da consultoria Robert Half. Em outras palavras, o inbound recruiting só dá certo quando é genuino.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LADO BOM DE ENVELHECER

Cada vez mais, pessoas vivem mais e por muito mais tempo

Sabedoras que sou estudiosa, escritora e pesquisadora sobre o processo de envelhecimento, não são raras as vezes que algumas pessoas, quando me encontram, vão logo dizendo: não quero falar sobre a velhice! – Isso me dói. Me dá medo. Falemos de assuntos mais interessantes; menos fúnebres. A priori, não tenho uma plaquinha sinalizando essa temática em mim. E também não dialogamos o que o coletivo não queira, mesmo sabendo da necessidade de debatermos alterações intrínsecas a um processo inerente a todo Ser humano. Tudo a seu tempo e hora. Estamos vivendo a era do envelhecimento. O mundo, habitado por mais de 800 milhões de pessoas de 60+ está tendo que se preparar para as consequências econômicas e sociais que a situação sugere. Cada vez mais, pessoas vivem mais e por muito mais tempo. Inicia-se a era da longevidade com centenários, superiores à população da Irlanda – cerca de 329 mil. O Brasil não foge à regra. Somos mais de 208 milhões de habitantes e, destes, 30 milhões são 60+. De uma avalanche de problemas com doenças, peles vincadas, perdas de sentidos, a velhice é assombrada por poucas oportunidades no mercado e muitas intervenções médicas. Mas, se há tanta coisa ruim assim, haveria alguma boa possibilidade vinculada a esse processo, a qual pudesse ser agrupada ao coletivo dos grisalhos? Pesquisas científicas mais recentes apontam que envelhecer não significa entrar em ritmo de decadência física e mental, como aconteciam em décadas passadas. Os estereótipos de velhices sedentárias, apáticas, deselegantes, desinteressadas e ultrapassadas já ficaram para trás. Com o passar do tempo algumas habilidades vão se tornando mais eficazes que outras. Poderíamos dizer que as pessoas envelhecidas:

MAIS INTELIGENTES: capacidade de resolver problemas, ter maior vocabulário, melhor orientação espacial e memória verbal.

MAIS FORTALECIDA MEMÓRIA IMUNOLÓGICA: proteção cumulativa promovida ao longo dos anos.

ALERGIAS EM DECLÍNIO: a produção dos anticorpos tende a diminuir com a idade e, portanto, aos 60 anos há quase um total desaparecimento dos quadros alérgicos.

MAIS PRAZER SEXUAL: isso se dá pela experiência de ambos, em especial, pela maior confiança da mulher.

MENOS ENXAQUECAS: as crises se tornam mais curtas, menos intensas e menos recorrentes.

MENOS SUOR: as glândulas sudoríparas encolhem e se tornam menos numerosas.

MAIOR RESILIÊNCIA: capacidade de se recuperar de eventos estressores.

MELHOR EQUILÍBRIO EMOCIONAL: as pessoas perdoam mais, têm mente mais aberta, respeitam amplamente as diferenças, administram melhor as críticas, não julgam com tanta facilidade, silenciam com mais frequência. Enfim, existem muitos motivos para se desejar envelhecer. Privilégio este negado a muitos.

PROFA. DRA. GENI DE ARAÚJO COSTA – Pesquisadora: Envelhecimento, bem-estar e qualidade de vida. Apresentadora do Quadro Vida Ativa – Rádio Universitária. Palestrante/Comunicadora/Escritora. Contato: genicosta6@gmail.com