EU ACHO …

A EVOLUÇÃO HUMANA

Nas previsões sobre o futuro, é comum falar apenas dos aprimoramentos tecnológicos. Mas precisamos considerar também o desenvolvimento das pessoas

Todos os dias somos bombardeados com informações a respeito do futuro de todas as coisas. Estamos inseridos em discussões infinitas sobre como a era da inteligência artificial, da robótica, das realidades imersivas, da internet das coisas, do block chain e da poderosa computação quântica transformará totalmente nossa sociedade.

O principal impacto será na economia. O futuro das trocas financeiras, do trabalho e das relações (sejam elas pessoais, governamentais ou corporativas) sofrerá profundas e potentes mudanças.

Muitos especialistas afirmam que essas tecnologias tornarão as pessoas “desempregáveis”. Mas essas declarações só geram medo e confusão. O que não se explica é que os empregos que desaparecerão serão os que estiverem diretamente conectados com atividades repetitivas da hard economy, ou “economia dura”- cujo modelo vem da Revolução Industrial 3.0, que era baseada na escassez, no comando, no controle e na pouca possibilidade de os profissionais criarem algo que fugisse do escopo das atividades predefinidas. Os humanos eram simplesmente os recursos de uma linha de produção num mundo mais lento e dividido em caixinhas. Esse mundo ficou no passado.

Os desafios de um planeta Vuca (acrônimo em inglês de quatro características marcantes que descrevem o momento que estamos vivendo: volatilidade incerteza, complexidade e ambiguidade) não podem ser atendidos com as fórmulas econômicas da Revolução 3.0. Quando analisamos o progresso tecnológico, que é a base da atual (r) evolução, verificamos que a tecnologia é neutra. Será o uso dela que determinará quais tipos de futuro cocriaremos – que podem ir de desejável a distópico, dependendo de nossas ações.

Do encontro da internet com os dispositivos móveis, economias digitais e criativas se tornaram realidade, e a transformação digital virou um mantra. Mas estamos às vésperas de receber, em massa, tecnologias muito poderosas. Serão elas que nos libertarão dos trabalhos nos quais somos usados como máquina. Isso trará a possibilidade de viver de acordo com novas dinâmicas. É a Economia 4.0, que pode ser definida como digital, criativa acessível, confiável e compartilhada. Desse conjunto de características nascerá a soft economy, ou, como muitos gostam de nomeá-la, “economia sutil”.

É importante entender que, com a tecnologia conectando cada vez mais pessoas globalmente em redes sem intermediários, não só as máquinas estão sendo desenvolvidas mas também os humanos.

Por isso, ao pensar no futuro, é preciso colocar na balança, ainda, a evolução das pessoas. Só assim poderemos traçar cenários mais complexos sobre o trabalho, os relacionamentos, a alimentação, o entretenimento e as religiões. Só assim as pessoas poderão construir mapas para a própria evolução, entendendo que o humano é o protagonista dos progressos sociais da tecnologia.

LIGIA ZOTINI – pensadora e pesquisadora de futuro, é fundadora do Voicers. Tem uma carreira de 15 anos em tecnologia e de 20 anos em educação. ligia@voicers.com.br

OUTROS OLHARES

ONDE TUDO É PERMITIDO

Em ascensão nos EUA a rede social Parler admite todo tipo de postagem – até fake news. Liberdade para publicar qualquer coisa atrai políticos, empresários e influenciadores digitais

As redes sociais surgiram com o nobre propósito de aproximar pessoas, estimular o livre debate de ideias e garantir a qualquer um o direito de expressar valores e sentimentos. De uns tempos para cá, porém, elas se tornaram um campo minado. Em certos grupos, opiniões foram substituídas por xingamentos, o bom senso deu lugar ao ódio e o respeito desapareceu para abrir caminho ao escárnio. Como não poderia deixar de ser, a nova realidade traduziu-se em todo tipo de postagens, inclusive manifestações que flertam com a intolerância e o preconceito. Em resposta a esse movimento, plataformas como Twitter e Facebook começaram a bloquear publicações consideradas abusivas. Mas isso suscitou outra questão: as redes sociais estariam pregando a censura? Em meio à inevitável polêmica, uma nova rede social vem ganhando adeptos com a promessa de garantir liberdade de expressão a seus usuários e abrir espaço para mensagens que jamais serão censuradas – mesmo que elas sejam visivelmente controversas.

Trata-se do Parler (falar, em francês), rede social criada em 2018 pelo programador americano John Matze. Dois anos depois de nascer, ela está em plena ascensão graças, sobretudo, aos apoiadores de Donald Trump, que migraram em massa para a plataforma depois que o Twitter passou a moderar com regularidade os posts do presidente americano, acusando-o de propagar fake news. Outro fator decisivo foi uma decisão tomada pela rede social Reddit, que baniu em junho uma seção do site com 750.000 seguidores que era dedicada à criação de memes em favor de Trump. Ações como essas revoltaram os usuários das redes convencionais, levando-os a buscar alternativas para propagar suas ideias. O Parler fisgou a oportunidade, oferecendo exatamente o que os incomodados procuravam: liberdade para escrever o que bem entenderem.

Não demorou para que brasileiros bloqueados pelas regras cada vez mais rígidas do Twitter e Facebook aderissem à debandada. Estão cadastrados no Parler o presidente Jair Bolsonaro e dois de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro, além do guru da família, Olavo de Carvalho. Flávio anunciou a criação de sua conta no Parler pelo próprio Twitter: “Siga-me no Parler, a rede social que tem como prioridade a liberdade de expressão”, tuitou o Zero1, ao comandar a revoada conservadora para a rede. Se comparado aos 3 bilhões de usuários do Facebook ou aos mais de 330 milhões do Twitter, o Parler tem uma base de usuários modesta. Mas ela cresce rapidamente: de janeiro a julho, o número de adeptos dobrou, chegando a 13 milhões de pessoas. O atrativo para os bolsonaristas foi reforçado depois que o Twitter e o Facebook deletaram perfis acusados de disseminar fake news. No dia 8 de julho, a rede de Mark Zuckerberg removeu 88 contas e perfis falsos que, segundo a empresa, estavam organizados para gerar desinformação e enganar usuários na plataforma. Em 24 de julho, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), influenciadores de direita, entre eles os blogueiros Bernardo Kiister e Allan dos Santos e o empresário Luciano Hang, tiveram seus perfis no Twitter bloqueados para acessos vindos do Brasil. Para onde migraram? Todos foram para o Parler.

Na tentativa de trazer diversidade de ideias para a nova rede social, o fundador John Matze anunciou o pagamento de 20.000 dólares a personalidades com mais de 50.000 seguidores em redes sociais que defendessem políticas à esquerda e topassem se juntar à plataforma. Ninguém aceitou a proposta. “Nunca tivemos o objetivo de ser pró-Trump”, disse Matze. Seja como for, a verdade é que o Parler avança, mas transita por um caminho tortuoso: sob o pretexto da liberdade de expressão, permite que discursos odiosos tenham vez.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 07 DE SETEMBRO

CORRUPÇÃO, UM CÂNCER SOCIAL

Respondeu-lhes [aos publicanos]: Não cobreis mais do que o estipulado (Lucas 3.13).

A corrupção é um câncer que está matando a sociedade brasileira. As famílias sentem-se exploradas pela corrupção endêmica e sistêmica dos poderes constituídos. Pagamos os impostos mais altos do planeta, e vemos pouco retorno. Somos a sexta maior economia do mundo, e temos uma das mais perversas distribuições de renda conhecidas. Somos uma nação rica e um povo pobre. Nossos recursos caem no ralo da corrupção. Os partidos políticos perderam sua ideologia e servem apenas para lotear o poder e facilitar a roubalheira. Entram governos e saem governos, mas a inclinação criminosa da corrupção continua como parasita, devorando os recursos destinados à saúde, à educação, à segurança e ao progresso. Neemias, governador de Jerusalém, mostrou que é possível ser um político íntegro. Por causa do seu temor a Deus e do seu amor ao povo, ele não roubou os cofres públicos nem permitiu que os escalões do seu governo roubassem. Quando homens avarentos e corruptos sobem ao poder, o povo geme, as famílias são roubadas e a injustiça campeia. Deus abomina a riqueza mal adquirida. Deus abomina a opressão. Devemos posicionar-nos firmemente contra toda espécie de corrupção, seja no governo, na igreja ou na família.

GESTÃO E CARREIRA

DIAMANTES NO DESERTO

Com a criação do polo conhecido como Silicon Wadi, uma espécie de Vale do Silício, Israel se afirma como referência na indústria da inovação

Vales marcados pela intensa aridez parecem ter se tornado ambientes ideais para o florescimento de frutos típicos do século XXI: os produtos tecnológicos. O maior centro de inovação do planeta se encontra em uma região seca da Califórnia. Todos os anos o Vale do Silício concentra 50 bilhões de dólares de investimentos de alto risco, usualmente destinados a startups – quase metade do montante movimentado dentro dos Estados Unidos -, além de 15% da produção de patentes deste país. A renda média de um morador da região ultrapassa os 110.000 dólares (em torno de 460.000 reais). Amais de 10.000 quilômetros de distância de lá no Oriente Médio, o Deserto de Negueve, em Israel, vê crescer, sobre seu solo abrasador, um complexo industrial que põe o território em disputa direta com a cidade chinesa de Shenzhen pelo posto de segundo maior polo de inovação do mundo. O oásis tecnológico leva o nome de Silicon Wadi (em hebraico, wadi significa vale). Nele proliferam companhias de ponta, que se espalham ainda pela costa litorânea nos arredores de Tel-Aviv, fazendo dessa pequeníssima nação com menos de 10% da área do Estado de São Paulo e população pouco maior que a da cidade do Rio de Janeiro, um sinônimo de progresso.

A flora de Wadi é composta de 8.400 companhias do setor; a cada ano, outras 1.000 se somam a elas. Na última década,1.210 startups daquele mínimo pedaço do globo foram adquiridas por multinacionais de peso, em acordos que superaram o valor total de 110 bilhões de dólares. “Foi por isso que passamos a ser apelidados de “startup Nation” (Nação Startup), disse, em pleno Silicon Wadi, o cientista político Israelense Ran Natanzon, cujo cargo no governo soa melhor em inglês: head of innovation & country branding (algo como “líder de inovação e marca no país) do Ministério de Relações Exteriores. “Israel é a única nação a ter uma função pública dessa natureza, destinada a promover a indústria tecnológica, o que revela como estamos à frente nesse aspecto”, comentou ele.

Como Israel transformou um deserto árido em centro de inovação mundial? Responde Natanzon, especialista em vender tal faceta do país: “Trata-se de uma combinação dos seguintes fatores, todos igualmente essenciais: somos uma nação altamente militarizada; mantemos à indústria em ligação com as pesquisas acadêmicas, o governo atua para fomentar o setor, há operação ativa de fundos de investimentos e multinacionais; e existe uma proliferação de startups”.

“Todo israelense, homem, ou mulher, é obrigado a servir no Exército ao completar 18 anos. O que não quer dizer, no entanto, que o contingente completo vá para a linha de frente. Há, por exemplo, uma unidade a 8.200 integrante do Corpo de Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador. “Essa tropa fornece veteranos hábeis em trabalhar com segurança de dados digitais e em outras áreas do mercado da tecnologia, explicou o engenheiro israelense Lavy Shtokhamer, ele mesmo um oficial reformado da 8.200. “Saem preparados para trabalhar em postos cujos salários são altíssimos.”

Shtokhamer chefia o Cert (Time de Resposta Cibernética Emergencial, na tradução da sigla), uma divisão que mescla agentes ligados ao governo e representantes de empresas parceiras, como a IBM em ações contra ataques de hackers que têm como alvo Israel, ou, como vem sendo mais frequente sistemas de companhias privadas. “Monitoramos criminosos virtuais pelo mundo afora e trocamos informações com governos e multinacionais em um momento no qual tem sido determinante defender-se de assaltos digitais”, resumiu o engenheiro.

Na sede do departamento, onde só se pode ingressar sem dispositivos eletrônicos – nem mesmo celular -, funcionam um pioneiro número de emergência, disponível para qualquer israelense pedir socorro quando acredita ter sido hackeado e programas de defesa cibernética focados em setores específicos, como o de telecomunicações e o financeiro. A rede de proteção serve tanto a companhias nacionais e estrangeiras quanto a uma coligação de 36 países, incluindo o Brasil. “Há poucos meses detectamos e repetimos uma tentativa de desativar todo o fornecimento energético de nossa nação”, revelou o Ministro de Energia de Israel, Yuval Steinitz, em apresentação na conferência de cibersegurança Cybertech, que ocorreu na última semana de janeiro em Tel-Aviv.

Asede do Cert está localizada em uma cidade que é exemplo máximo da transformação pela qual passou Israel para se tornar referência tecnológica. Até novembro de 2011, Be’er Sheva era mais célebre por ter sido apontada como palco de diversas cenas bíblicas, servindo de lar a patriarcas das religiões abraâmicas, como Isaac e o próprio Abraão. Escavações arqueológicas no local revelam que as primeiras ocupações humanas datam do século IV a.C. Na última década, o governo de Israel investiu em Be’er Sheva mais de 10 bilhões de dólares, e outros 400  milhões vieram do setor privado para construir uma série de prédios e centros de pesquisas, com foco, principalmente em ações de cibersegurança. Pelos corredores dos edifícios, rodeados de canteiros de obrais em andamento observam-se quadros que exaltam inovações realizadas no território israelense. “Grande parte das empreitadas tem início em projetos governamentais, que, depois, acabam por fornecer componentes de produtos do setor privado”, observou Shtokhamer enquanto apontava uma tela com descrições do Domo de Ferro o avançadíssimo sistema de defesa antiaérea desenvolvido pela empresa local Rafael, cujo faturamento supera os 2,3 bilhões de dólares por ano.

“Como a Startup Nation”, viramos especialistas em criar negócios novíssimos para depois vendê-los a multinacionais, sobretudo as americanas. Agora é o momento de progredirmos para uma “Scale-up Nation”, afirmou Udi Mokady, fundador e CEO da Cyber Ark, que desenvolve softwares de segurança digital para 5.000 clientes, incluindo 30% das 200 marcas mais valiosas em âmbito planetário. Scale-up – do inglês “ampliação” – é o termo usado na área para indicar quando uma startup em vez de ser adquirida por uma companhia maior, opta pelo crescimento por conta própria. Em Israel, um exemplo famoso do modelo mais vigente até agora é a Waze, fundada em 2008 e adquirida cinco anos mais tarde pela americana Google por 1,15 bilhão de dólares.

Para Mokady está na hora de as novatas pararem de se vender aos gigantes estrangeiros. Ele fala com propriedade. Criada em1999, a CyberArk recebeu uma série de ofertas contudo recusou todas e decidiu ingressar na bolsa de valores nova-iorquina Nasdaq. Hoje, vale cerca de 5,5 bilhões de dólares. “Por sermos algo como uma pequena ilha, de população reduzida no meio do deserto, nossas startups já nascem com foco no mercado global. O segredo aqui é pensar grande”, conclui Mokaday, os olhos mirando longe, através da janela de uma sala voltada para Petah Tikva, perto de Tel­Aviv, no prédio em que está seu escritório. A empresa já conta com um Q.G. em Massachusetts (EUA) e em breve estreará suas operações em Be’er Sheva – um vale de fertilidade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A GENÉTICA DO AMOR

Pesquisadores identificam variação no DNA que está associada à capacidade de demonstrar afeto. A descoberta abre caminho para a ciência decifrar a vida a dois

“Apaixonar-se por alguém está longe de ser a maior bobagem que as pessoas podem fazer – mas a força da gravidade não pode ser responsabilizada por isso.” A frase, do físico alemão Albert Einstein (1879-1955), mostra como o amor, e as relações que fazem com que o sentimento floresça entre os apaixonados, permeia todos os campos, desde o trabalho do mais famoso dos cientistas até o subjetivo mundo das artes, como longas-metragens açucarados, extensos capítulos de romances e a composição de canções que se tornam trilhas sonoras de uma vida a dois. O beijo emoldurado pelo pôr do sol que ilustra esta reportagem pode ser apenas uma cena piegas para alguns, mas para os enamorados ela surge como uma lembrança de suas próprias paixões. Na vida real, o que explica aquela sensação de frio na barriga quando realmente gostamos de alguém? O que está por trás dos corações apaixonados? Por mais que as respostas para essas perguntas sejam na maioria dos casos inconclusivas, a ciência traz algumas pistas. Além de particularidades emocionais e psicológicas de cada um, como resultado do acúmulo de experiências ao longo da vida, a facilidade ou a dificuldade para se relacionar afetivamente com outra pessoa podem estar associadas ao DNA.

Pela primeira vez, pesquisadores canadenses identificaram a presença de uma variável genética no gene CD38 como fator que torna mais natural a habilidade de demonstrar afeto e apoio ao parceiro, assim como ter uma percepção mais positiva sobre as ações dele. Em contrapartida os voluntários com outras variante genéticas tiveram mais dificuldade para demonstrar afeto de forma natural e espontânea.

A explicação pode estar relacionada a traços evolutivos que garantiram a própria continuidade da espécie “Relações próximas são decisivas par a sobrevivência humana”, diz a psicóloga canadense Jenifer Bartz, da Universidade McGill. “Os mecanismos biológicos podem ter se desenvolvido em humanos para favorecer a criação de vínculos.” É sabido que o bem-estar proporcionado por relações amorosas contribui para a saúde e até para o aumento da expectativa de vida dos indivíduos. Em outros animais, como roedores, estudos já haviam comprovado que a ocitocina, liberada pelo CD38, tem um papel relevante na conexão entre aqueles animais. Agora, os pesquisadores mostraram a mesma relação entre humanos.

Para coletar os dados, 111 casais participaram do estudo. Cada pessoa completou um formulário separadamente, com a orientação de não discutir as respostas com o parceiro. Os casais selecionados estavam juntos há no mínimo seis meses, não tinham crianças morando no mesmo lar e possuíam emprego fixo. Durante o período da pesquisa, os participantes descreveram até três interações diárias de ao menos cinco minutos com o parceiro. Para identificarem as nuances, os cientistas indicaram alguns comportamentos, como “sorri e dei risada”, “fiz um comentário sarcástico”, “pedi que o outro fizesse algo”, ou “eu cedi”. A noção de afeto foi medida de acordo com sentimentos negativos, como frustração, raiva e tristeza, e positivos, como felicidade, satisfação e diversão. Todos os participantes fizeram testes de DNA, e assim as informações foram cruzadas para identificar a predominância de determinada variação genética em certos tipos de comportamento.

Outros estudos também encontraram evidências entre características genéticas e o amor. Pesquisadores da Universidade de Pequim elucidaram a relação entre variantes do gene 5-HTLA e o estado matrimonial de seus portadores, concluindo que há uma relação significativa entre portar a forma genética CC e estar em um relacionamento duradouro. Ou seja: existem evidências científicas entre características biológicas e a probabilidade de ter um parceiro amoroso sério. Para a ciência, está muito claro que as variáveis genéticas são pequenas peças dentro de um enorme quebra-cabeça sobre a complexidade das relações interpessoais. O estudo canadense, por exemplo, mostrou que, além da maior facilidade para se conectar com outras pessoas, indivíduos com a variação CC se sentiram mais satisfeitos com a própria relação. Já aqueles com as características AA ou AC podem agir da mesma maneira, mas o processo não é tão espontâneo.

Além do risco de buscar uma explicação única para aquilo que atormenta as pessoas que tiveram o coração partido (afinal, por que meu romance não deu certo?), há uma discussão ética sobre a possibilidade de fazer testes genéticos em indivíduos que queiram encontrar sua cara-metade. No futuro, será que os aplicativos de encontros amorosos vão incluir informações genéticas ao lado dedados como profissão, preferência musical e hobbies? É improvável. O histórico das pessoas e as condições de vida interferem nas relações, inquestionavelmente. De forma prática, ter a informação sobre uma característica genética que traz efeitos positivos pode ser um norte para auxiliar os apaixonados. Mas isso não é tudo. Com ou sem os resultados sobre o DNA, o companheirismo e a parceria são elementos definidores para o sucesso no amor. E que seja infinito enquanto dure.