EU ACHO …

O VÍRUS DA DESIGUALDADE NA EDUCAÇÃO

A defasagem entre os estudantes de baixa renda e os de instituições particulares requer de políticos e empresários atitudes que revertam a condenação dos menos favorecidos

A pandemia do novo coronavírus tem se revelado nada democrática no Brasil. Se a Covid-19 atinge a todos, indiscriminadamente, ela faz muito mais vítimas, causando milhares de mortes, entre as pessoas de menor renda. Como a doença desconhece classe social, a estatística revela apenas a nossa trágica e histórica desigualdade. Não que ela fosse anteriormente ignorada, mas a realidade sinistra das cerca de 90.000 mortes em poucos meses sublinha o drama nacional como poucas vezes ocorreu na história do país.

Nada e ninguém estão imunes ao poder destrutivo do inimigo comum. Invisível e descomunal como é, no entanto, tal poder tem sido amplificado pelo fator humano, que insere na triste equação a variável social. A diferença está entre ter ou não acesso a água encanada e esgoto tratado; entre ter ou não residência com cômodos suficientes para evitar aglomeração; entre ter ou não alternativa ao transporte público lotado. A crise sanitária espalha suas ventosas terríveis em todos os ambientes, da família à empresa, do espaço privado ao público, da fábrica à loja.

O setor educacional não é exceção. Com a pandemia, a desigualdade social no Brasil se tornou ainda mais escancarada em nossas escolas, justamente aquele que seria o meio mais adequado para se atingir o fim de maior justiça nessa seara, mediante o acesso democratizado à formação intelectual de uma nova geração. Em vez de cumprir sua melhor vocação, porém, o universo escolar acrescenta um item lamentável à lista de diferenças: aquela que separa os que têm dos que não têm oportunidade de frequentar escolas privadas.

Os colégios particulares conseguiram contornar bem os obstáculos colocados pela crise sem precedentes. Diante da impossibilidade de continuarem a oferecer aulas presenciais, foram ágeis ao desenvolver soluções de aprendizado remoto. Desde março, quando as atividades nas escolas foram suspensas, ferramentas digitais estão dando conta de transmitir conteúdo de qualidade a crianças e jovens matriculados em instituições privadas. É um público receptivo que, além da vontade de continuar aprendendo, tem à disposição internet com capacidade suficiente de transmitir o material didático.

O problema são os estudantes de baixa renda, sem condições de adquirir smartphones de maior potência, tablets e laptops – a parafernália eletrônica que hoje é sinônimo de aprendizado e oportunidade de ascensão social. São, em geral, jovens que também trabalham precocemente – muitos ajudando no sustento da família – e moram em casas sem a privacidade que se requer para a necessária concentração.

A defasagem acentuada entre uns e outros – entre os que têm e os que não têm – requer de políticos e empresários atitudes que revertam a condenação de tantos a um futuro incerto. A sociedade não pode assistir, inerte e anestesiada, ao desenrolar da crônica de uma calamidade anunciada.

Seria injusto, no entanto, afirmar que nada tem sido feito. Em São Paulo, a Secretaria de Educação vem realizando um trabalho exemplar para superar essa defasagem. O governo se mobilizou para criar um aplicativo que permite a interação de alunos e professores. Treinou o corpo docente e estabeleceu parcerias para mitigar os efeitos da falta de acesso à tecnologia. Uma delas foi firmada com o Grupo SEB, do qual sou fundador, para oferecer um curso preparatório, veiculado pela TV Cultura, para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a mais de 400.000 alunos da rede pública do estado. Ainda na esfera privada, o Instituto SEB oferece gratuitamente preparação para o vestibular a jovens de famílias com renda de até quatro salários mínimos, além de cursos de extensão e capacitação a seus pais. Embora sejam iniciativas pontuais, estão, acredito, na direção correta.

A pandemia gerou um forte movimento de solidariedade. Um dos sentimentos mais nobres da humanidade rompeu a retórica do politicamente correto e ganhou concretude robusta. Desde o início do isolamento social, empresas e pessoas doaram o equivalente a mais de 6 bilhões de reais em dinheiro, produtos e serviços, de acordo com a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR). O brasileiro mostrou que, quando necessário e urgente, reage com generosidade e à altura do desafio.

Pois a educação, como a saúde, também se encontra abatida, de joelhos, e não é de hoje. Não podemos esperar uma crise de proporções pandêmicas para agir, sob pena de atingirmos o ponto de não retorno. A sociedade como um todo – e não apenas os estratos de menor renda – é vítima das carências do ensino público. Afinal, a desigualdade no aprendizado inviabiliza, na prática, a aplicação da meritocracia, um princípio que pressupõe condições semelhantes de competição. Com isso, o país abre mão do seu melhor potencial, para prejuízo de todos. Se nada for feito, a conta será cobrada na forma de escassez de recursos humanos que garantam um crescimento sustentável do país. Cuidar do jovem de hoje é zelar pela sociedade de amanhã. Não é tarefa só do governo. Não é obrigação só do empresário. A responsabilidade é de todos. Cada um tem de fazer a sua parte, sob pena ser condenado, moralmente, por crime de omissão.

Da perspectiva médica, a pandemia do coronavírus é imparcial, exceção feita a fatores naturais, como idade e comorbidades. Não há razão para agravarmos a situação, introduzindo um componente social. Ao contrário. A crise pode ser a catarse que faltava para nos alertar em relação a algo que estava errado desde sempre. É hora de estreitar diferenças, não de ampliá-las. É hora de diminuir abismos, não de cavar mais fundo o chão da desigualdade.

***CHALM ZAHER é empresário do setor de educação e fundador do Grupo SEB

OUTROS OLHARES

DEIXA PARA AMANHÃ

O que não foi cancelado foi remarcado. A pandemia impôs readequação do calendário de festas, manifestações e eventos de todos os tipos

A pandemia do novo coronavírus se transformou na principal razão para mudança no calendário mundial. A necessidade de se manter o distanciamento social, condição básica para se diminuir a disseminação do vírus, obrigou que os eventos convencionais tivessem suas datas mudadas. As aulas escolares, os encontros religiosos e de negócios, as feiras e exposições, as realizações esportivas e culturais, na área turística, nos passeios em parques e em museus, e até as campanhas políticas, visando às eleições municipais deste ano, foram reagendadas. O sagrado dialogo olho no olho com o eleitor teve que mudar de data: o pleito originalmente marcado para 4 de outubro foi adiado em um mês, Até mesmo o réveillon na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, pode ser cancelado por causa da pandemia.
As autoridades impuseram, já no início da quarentena, em março, mudanças que evitassem eventos com grandes aglomerações. As escolas, em geral, onde a proliferação da Covid-19 seria incontrolável se as aulas tivessem sido mantidas, estão fechadas há três meses. Em São Paulo, a previsão de retorno será gradual iniciando em setembro. Também na capital paulistana, o prefeito Bruno Covas e os vereadores anteciparam alguns feriados, com a finalidade de deixar as pessoas em casa e reduzir a circulação, o que, consequentemente, deixou as datas comemorativas descaracterizadas, mas com mais segurança para a saúde das pessoas.

Um dos principais eventos de entretenimento, a Virada Cultural, que se desenvolve por toda a cidade de São Paulo, conta com a participação de cinco milhões de pessoas, gerando uma receita de R$ 235 milhões e, talvez, seja realizada no final de setembro. Segundo Gabriela Fontana, coordenadora de programação da prefeitura paulistana, o desafio para a gestão da pasta da Cultura municipal é encontrar outras formas de chegar até as pessoas. “Vamos proporcionar conteúdo artístico sem gerar aglomeração”, diz. A intenção de respeitar os protocolos de saúde criados para que as pessoas não fiquem expostas, “os artistas podem performar em palcos móveis e o pessoal acompanhar das janelas, por exemplo”, contou. Os estudos para a realização dos eventos de rua também se baseiam nas manifestações internacionais, como o festival de música, em Paris. “Nós acompanhamos o que está sendo feito na Europa, com menos gente”, diz Fontana. No caso da Parada do Orgulho LGBT, uma das maiores manifestações populares de rua do mundo, que inicialmente se realizaria em 14 de junho, acabou migrando para internet na forma de múltiplas lives e seu formato presencial deve ser realizado em novembro.

Na esfera esportiva, o futebol é o carro chefe, correspondendo a 0,72% do PIB nacional, algo em torno de R$ 52 bilhões ao ano. Apesar de algumas iniciativas de retorno às atividades na Europa, especialmente na Alemanha, no Brasil não há previsão de voltarmos a ouvir os cânticos das torcidas, seja em estádios ou em ginásios. Para Rodolpho Luiz, professor na Escola de Propaganda e Marketing, o que os clubes e empresas devem buscar é o diálogo nesse momento de crise. “Devemos negociar melhor os patrocínios, aumentar a exposição das marcas na internet, por exemplo, pois as marcas continuam fortes”, diz.

IMPACTO NOS EVENTOS

Além disso, as feiras e exposições tiveram suas agendas remarcadas, a exemplo da Comic Con, evento de tecnologia, que movimenta R$ 265 milhões e que acontece em São Paulo. Ela foi remarcada de abril para a primeira semana de dezembro. No cenário internacional, a cúpula do BRICS havia sido planejada de 21 a 23 de julho, em São Petersburgo, na Rússia, mas o evento foi adiado e ainda não há uma data definida. As reuniões dos líderes de cada país que compõe o grupo são importantes para definir estratégias geopolíticas em vários setores de cooperação internacional. O que todos esperam é que a Covid-19 arrefeça e os eventos possam acontecer.

OUTROS OLHARES

BELEZA NATURAL

Cuidados com o cabelo, unhas etc. deixaram de ser prioridade para muitas mulheres, que reinventaram um novo modo de autoestima em tempos de isolamento

”Não existem mulheres feias, apenas mulheres preguiçosas”, disse a polonesa Helena Rubinstein (1872-1965), a célebre empresária do ramo de cosméticos. Revelar a própria beleza, portanto – algo indissociável de toda mulher -, dependeria apenas de não ceder a alguma eventual prostração. Por isso, tome arrumação de cabelo, pintura de unhas, batons, cremes etc. etc. Em tempos de quarentena, no entanto, com parte do planeta submetida ao distanciamento social para frear a propagação do novo coronavírus, todos aqueles cuidados deixaram de ser prioritários no dia a dia das mulheres (sim, fiquemos aqui no terreno feminino, embora o desassossego com a aparência não exclua os homens, em face, por exemplo, das portas cerradas das barbearias).

Assoberbadas de trabalho – profissional e doméstico – dentro de casa, e diante das exigências de confinamento, muitas mulheres buscam às vezes soluções inusitadas para se cuidar, como a que se vê na foto no alto, feita em Amsterdã, na Holanda. A verdade, contudo, é que elas se sentem impossibilitadas de dar a si mesmas a atenção estética, digamos desse modo, de que gostariam. Não se trata, porém, é claro, de desleixo, de desapego – ou, em uma palavra, de preguiça. E as mulheres, aos poucos, estão começando a entender isso melhor.

Para a psicanalista Joana de Vilhena Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o que está ocorrendo em virtude da pandemia é um processo de inversão de valores. “A máxima do culto ao corpo martela: ‘Para que conviver com defeitos se posso mudá-los?’. Agora, diante do novo coronavírus, que já alcançou o mundo inteiro, essa lógica não faz o menor sentido. O olhar passou a ser direcionado para a sobrevivência e não mais para a aparência”, explica ela.

Antes do afastamento social, toda vez que a publicitária Julia Velo aparecia na agência onde trabalha sem nenhuma pintura no rosto, os colegas, relata ela, chegavam a perguntar se estava doente. “Era impossível sair de casa sem colocar a máscara de mulher bem cuidada. Hoje em dia, quando me olho no espelho, sinto orgulho de tudo o que faço para cuidar de mim e da minha família, mesmo que pareça esteticamente ‘quebrada’”, assegura a jovem, que vive com o namorado em São Paulo. Fios brancos de cabelo, olheiras, espinhas — tudo passou a poder ficar exposto aos olhos de quem se acostumou a esconder as imperfeições, os “defeitos” do corpo. “É preciso se sentir bem consigo mesmo para conseguir cuidar melhor do outro, como o momento exige”, acredita a publicitária.

A opinião é compartilhada com a atriz Lila Guimarães, criadora do blog Cena Crua, no qual publica posts sobre beleza natural. Passando a quarentena em São Bento do Sapucaí (SP) com o marido e a filha de 1 ano e 9 meses, Lila aposta numa renovada da autoestima para atravessar a pandemia. “Quem faz uma máscara de argila no rosto quer ficar mais bonita, é óbvio. Mas, ao mesmo tempo, está olhando para dentro de si. Olho para o espelho e vejo o reflexo de uma circunstância histórica, o terrível surto que estamos vivendo. Então, não vou me exigir ficar incrível. Vou me exigir ficar saudável”, afirma a atriz.

Desde o início do confinamento social, a maquiadora Vanessa Rozan diz que percebeu no instituto Liceu de Maquiagem, fundado por ela na capital paulista, dois movimentos: um, de desapego dos cosméticos, com o devido detox dos produtos; e o outro, que o sucede em alguns casos, marcado pelo resgate da rotina de procurar se embelezar, só que no ambiente familiar, o que pode ajudar até a diminuir a ansiedade. “Muitas mulheres passaram a fazer maquiagem em casa para dizer: ‘Comecei o dia’”, atesta Vanessa. Anos de imagem retocada evidentemente não passam impunes, observa ela. “A hora é de autoaprendizado e reaprendizagem”, sublinha.

A lição, entretanto, não precisa ser pesada. Na quarentena, a publicitária Julia se lembrou de quando, ainda menina, usava os cosméticos da mãe. “A maquiagem voltou para o lugar da brincadeira. Não ‘tenho de’, mas pode ser divertido me ver com um batonzão vermelho.” Alguém discordaria da naturalidade dessa beleza?

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 31 DE AGOSTO

A RESTAURAÇÃO DO CAÍDO

Ora, o Deus de toda a graça… vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar (1Pedro 5.10).

Pedro negou a Jesus e desistiu de ser discípulo, mas Jesus não desistiu de Pedro. O que Jesus fez para restaurá-lo? Primeiro, Jesus tomou a decisão de procurar Pedro. A ovelha perdida não volta para o aprisco sozinha. Aqueles que tropeçam e caem não se recuperam sozinhos de suas quedas vergonhosas. Jesus nos ensina a ir ao encontro dos caídos. Precisamos tomar a iniciativa. Não é a ovelha ferida que procura o pastor, mas o pastor que vai em busca da ovelha perdida. Jesus não apenas nos ensinou essa verdade; também a praticou, dando-nos o exemplo. Segundo, Jesus tomou a decisão de não esmagar Pedro. Talvez o que Pedro mais esperasse fosse uma reprimenda severa de Jesus. Pedro havia prometido ir com Jesus até a morte, mesmo que os outros discípulos o abandonassem. Sua arrogância tornou-se notória. Achando-se mais forte que os outros, tornou-se mais fraco. Sua autoestima estava no pó. Ele se sentia o pior dos homens. Jesus, então, o procurou, mas não para esmagá-lo como uma cana quebrada. Ao contrário, preparou-lhe uma refeição, conversou com ele discretamente e fez-lhe perguntas endereçadas ao coração. Jesus abriu-lhe o caminho da cura e da restauração. É assim que Jesus faz com você também. Hoje mesmo o Senhor convida você a voltar-se para ele em arrependimento e fé.

GESTÃO E CARREIRA

DÊ O PLAY

Quando bem usados, os jogos ajudam as empresas a treinar os funcionários e a aumentar a mentalidade inovadora e o engajamento. Mas, como em todo game, a iniciativa só dá certo seguindo algumas regras

Já faz alguns anos que o mercado de games está em expansão pelo Brasil e pelo mundo. E o isolamento social decorrente da pandemia do novo coronavírus impulsionou o setor ainda mais: em março de 2020, o gasto global com jogos eletrônicos chegou a 10 bilhões de dólares, um recorde mensal, de acordo com a Superdata, empresa da consultoria Nielsen especializada em games. Mas os jogos não precisam ser usados apenas por diversão: eles são ferramentas úteis para os negócios em várias frentes, como treinamento, engajamento e inovação.

Quando se trata de educação corporativa, os jogos parecem ajudar muitos a prender a atenção dos funcionários. Uma pesquisa publicada no Journal of Education for Business, em 2018, constatou que 67% dos empregados ficam mais motivados quando participam de treinamentos gamificados. Outro levantamento, feito pela consultoria americana Talent LMS em 2019 com mais de 1.000 funcionários de empresas de diferentes segmentos mapeou que 89% das pessoas se sentem mais produtivas quando há jogos nos cursos e 88% se sentem mais felizes quando podem aprender brincando. Para Adriano Mussa, reitor da escola de negócios Saint Paul, o artifício faz ainda mais sentido para gerações jovens. “De joguinhos de celular a consoles poderosos, os games fazem parte do cotidiano e do estilo de vida dos jovens”, diz.

No Brasil, a técnica já é usada por grandes companhias, principalmente pelas startups e as que atuam nos setores de tecnologia e educação. “Praticamente todas as grandes empresas já utilizam processos gamificados em suas rotinas”, diz Laila Aaltonen, diretora da Green Hat People, multinacional sueca que atua com gamificação e microlearning.

A REGRA É CLARA

Embora seja uma prática interessante e que gera bons resultados em termos de atenção e engajamento, os games precisam ser usados com cuidado e seguir algumas regras. Se a empresa estiver com problemas como falta de colaboração entre empregados, mentalidade pouco inovadora ou desalinhamento de processos, o jogo não vai funcionar. E, pior, corre o risco de aumentar as fissuras. Além disso, o game não pode se tornar um dever. “Obrigar a jogar é má ideia”, diz Brian Burke, analista da consultoria Gartner e autor de Gamify Hour Gamification Motivates People to Do Extraordinary Things.

Também é preciso tomar cuidado com a infantilização. Abuso de personagens, excesso de cores e roteiros fabulosos podem pegar mal, dependendo da audiência que se quer atingir. “É preciso dosar o nível de ludicidade oara os diferentes públicos, primar por uma interfaxe amigável, sem muitos elementos, evitando cartuns animados e humor desnecessário”, diz Laila

Além disso, é necessário ter clareza sobre as metas por trás do jogo, para que a forma não se sobreponha ao conteúdo. “Se não houver objetivo, é só liberar o videogame, o que estimula a competição e a camaradagem. Um game precisa trazer resultado efetivo para o negócio”, explica Flora Alves, especialista em gamificação e diretora jurídica da SG Aprendizagem Corporativa.

É CARO?

Gamificação não é propriamente o jogo, mas usa de elementos de recepção (como recompensas, desafios e interatividade) dentro das empresas. Por isso, o valor de investimento varia. Os projetos mais ostensivos – como óculos de realidade virtual, drones e equipes jogando simultaneamente em vários países – podem custar até 1 milhão de reais. Mas existem alternativas bem mais em conta e que também geram ótimos resultados.

Uma delas foi usada pelo Grupo Mateus, rede de supermercados maranhense com lojas no Pará e no Piauí, que tem mais de 20.000 funcionários. A companhia precisava ampliar o alcance do Mateus, aplicativo de descontos aos clientes. Para isso, dez pessoas de diferentes áreas da empresa (RH, marketing, desenvolvimento e vendas) participaram de uma imersão numa consultoria de gamificação.

A princípio, o time chegou lá achando que o importante seria criar um desafio, em forma de jogo, para que os clientes do supermercado tivessem mais pontos de descontos no aplicativo. Conversando entre si, a equipe entendeu que o problema não era fazer o consumidor usar o app, mas aumentar o número de downloads – que estava baixo. Com as dinâmicas, concluiu-se que o desafio só seria superado envolvendo quem está no trato diário com os clientes: os operadores de caixa. Melhor ainda se eles fossem envolvidos em um jogo para aumentar o engajamento.

O game em questão demandou apenas a tecnologia do Excel. Funcionou assim: se os caixas convencessem os consumidores que já podduiam o app no celular a digitar seu CPF no momento da compra, ganhariam 1 ponto por cada cliente conquistado. O convencimento a fazer o download e a habilitação do aplicativo valia 10 pontos. Os caixas anotavam os CPFs dos clientes numa planilha e, ao fim do período estabelecido, os operadores com pontuação mais alta recebiam uma bonificação de até 100 reais. Os testes foram executados na maior loja do grupo, e os resultados surpreenderam. Em uma semana, houve um aumento de 33% nas compras feitas pelo app, e os clientes dos 15 primeiros colocados no ranking de atendimento usaram a ferramenta 400% mais. “Vamos criar um jogo para os clientes agora”, diz João Gabriel, gerente responsável pelo app.

BRINCANDO DE CEO

Com mais de 30.000 funcionários, a Gerdau encontrou na gamificação uma maneira de ajudar os empregados a desenvolver pensamento estratégico. A empresa desenvolveu o GLead, que traz situações de tomadas de decisões gerenciais e estudos de caso que auxiliam na aderência de valores entre companhia e  empregados – o algoritmo do jogo mapeia se as respostas estão mais ou menos alinhadas aos princípios da companhia, Além dos desafios, os usuários também contam com textos de apoio, gráficos e vídeos. “O game coloca os jogadores no papel de CEO de uma empresa fictícia. E eles devem tomar de 10 a 15 decisões para melhor gerir a empresa em diversas situações”, explica Lísia Simon, gerente de desenvolvimento humano da Gerdau.

O objetivo é fazer com que os profissionais realmente aprendam na jornada digital – e usem os novos conhecimentos para crescer na carreira. “Ao fim do jogo, todos recebem feedback com sugestões de trilhas de desenvolvimento e comportamentos mais assertivos na direção que a empresa planeja e deseja”, diz Caroline Carpenedo, diretora de pessoas da Gerdau. De acordo com a executiva, isso acelera a formação, o que faz com que os participantes sejam promovidos e convidados a participar de projetos em outras áreas.

CINCO FASES

O que considerar no processo de gamificação

1 – É NECESSÁRIO

O game só deve ser adotado para resolver um problema, e não por ser divertido

2 – CHAME OS PROFISSIONAIS

Há ciência e metodologia por trás dos games. Implantar um jogo corporativo sem embasamento ou foco corretos pode ser desperdício de tempo e de dinheiro. Por isso, contrate especialistas para desenvolver as trilhas ideais.

3 – PENSE NO PÚBLICO

Cada audiência precisa de um estilo de jogo específico para se engajar nos desafios. Fuja de games que não possam ser padronizados para as necessidades e o perfil de sua empresa.

4 – INTEGRAÇÃO PURA

Os games só têm sentido quando dão feedbacks rápidos a cada etapa superada. Além disso, os jogos geram dados interessantes sobre os usuários – que devem ser lidos pelo RH.

5 – NEM TUDO VIRA JOGO

Temas delicados ou tecnicamente muito complex0s nã0 funcionam tão bem em jogos. Assédio sexual e racismo, por exemplo, fazem mais sentido quando debatidos por meio de rodas de conversas ou palestras com especialistas.

QUE COMECEM OS JOGOS

A consultoria Talent LMS ouviu 900 profissionais para entender qual é a relação entre games e engajamento. Veja os resultados:

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

LIDANDO COM OS ERROS

Todos os dias são oportunidades para começarmos de novo

É interessante notar as diferentes formas com que Judas e Pedro lidaram com seus erros. Os dois negaram e traíram Jesus diante dos outros. Judas o vendeu aos sacerdotes fariseus e Pedro negou conhecê-lo ao ser confrontado. O objetivo era a autopreservação. A motivação, o medo. Mas eles foram diferentemente tocados por suas ações. Judas não lidou com sua falha e se enforcou. Pedro, quebrantado chorou. Judas fez justiça com suas próprias mãos, Pedro confiou no Cristo para perdoá-lo. Um terminou sua vida, o outro terminou com velha vida e começou uma nova. Pedro era de fato a rocha, mas uma rocha que quebrou, para que Cristo o alcançasse. Como um homem “quebrado”, Pedro recebeu a Graça, sendo reestabelecido como discípulo com uma nova comissão. Diante de um erro, tornamo-nos nosso promotor e juiz, sentenciamo-nos a condenação e a constante necessidade de expiação. Judas encontrou na morte, como punição máxima, a redenção de seu pecado. Pedro encontrou vida na presença de Jesus e por Sua Graça foi remido. Ações erradas não sublimam diante do perdão de Cristo, lidamos com todas as consequências, a diferença é que ao contrário de Judas, ainda que falhos, o amor de Deus permanece incondicional. Ele não muda diante de nossas escolhas, mas nós somos transformados quando escolhemos Seu perdão. Buscar o perdão de Cristo e acreditar que Ele é o único a fazê-lo é um prelúdio de profundas mudanças em nossas vidas através de Seu amor. A Palavra de Deus nos ensina que as misericórdias do Senhor se renovam em nossas vidas todas as manhãs. Diante disso, podemos concluir que todos os dias são oportunidades para começarmos de novo e isso significa que podemos escolher a forma com que lidamos com nossos desafios, como Judas, sendo nossos verdugos, ou como Pedro, nos voltando ao nosso criador, como filhos pródigos que retornam aos braços do Pai.

CÁSSIA DE FIGUEIREDO FREITAS, como Pedro, depende e busca diariamente o amor vivificador do Pai, através de Jesus, o Cristo.

cassiafreitas7@gmail.com