GESTÃO E CARREIRA

A VITÓRIA DO TRABALHO REMOTO

O que era provisório vai se tornar permanente. O aumento de produtividade dos funcionários e a redução de custos levam empresas a adotar o teletrabalho de forma definitiva.

O trabalho remoto, por razões óbvias, cruzou o Brasil de maneira acelerada desde o início da quarentena, em março. Desconhecido na prática pela maioria e desejado por muitos profissionais, o modelo precisou ser adotado às pressas por indústrias, empresas, comércios e repartições públicas – uma das poucas boas notícias do mercado de trabalho nos últimos meses. Mais do que manter o ritmo dos negócios e evitar demissões, o teletrabalho proporcionou economia de tempo e de recursos financeiros, poupou desgastes físicos e emocionais em meio à pandemia e tem sido visto por patrões e empregados como uma alternativa segura e viável em um futuro de incertezas.

Mais do que oferecer uma nova perspectiva sobre a importância da casa na rotina das pessoas, o trabalho remoto tem propiciado aumento de produtividade dos funcionários. Pesquisa da consultoria KPMG com 700 executivos brasileiros mostra que, para 24,5% deles, houve crescimento de 20% no rendimento, enquanto quase metade deles (49,5%) afirmou que o nível de eficiência se manteve. Isso significa três em cada quatro lideranças.

O resultado não poderia ser outro. O que era provisório vai se tornar permanente em muitas empresas. Algumas delas já decretaram que o formato será definitivo, outras delegarão ao funcionário a decisão de continuar em casa ou optar por uma forma híbrida, em home office parcial, com alguns dias presenciais. O Google, gigante da tecnologia, por exemplo, surpreendeu na segunda-feira ao anunciar a extensão do sistema ao menos até 30 de junho de 2021. A posição da empresa americana, anunciada via e-mail pelo CEO, o indiano Sundar Pichai, pretende ajudar os colaboradores com crianças em casa e que poderiam ter dificuldades para retornar. A medida, no entanto, é opcional nos 70 escritórios em 50 países.

A decisão de Pichai vai beneficiar os 200 mil funcionários da organização pelo mundo. “Ninguém (dos 1 mil colaboradores brasileiros) vai ao escritório desde o dia 13 de março”, afirmou o presidente do Google no Brasil, Fabio Coelho, na quarta-feira, em live promovida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Para o executivo, a pandemia redefiniu o papel da casa na vida das pessoas, e a função da tecnologia foi essencial para que pudessem estudar, trabalhar, se informar, tomar decisões. “E quando sairmos dessa situação, aprenderemos também que podemos ter uma rotina de trabalho que combine o presencial com o a distância. Que precisamos estar com as pessoas por uma questão de socialização, de transferência de valores, de interação.”

DEFINITIVO

Na Housi, startup 100% digital especializada no aluguel de empreendimentos residenciais em nove capitais, o aumento da eficiência dos cerca de 100 colaboradores na quarentena animou o CEO Alexandre Frankel, que devolveu o espaço alugado pela empresa em um coworking em São Paulo e adotou o trabalho remoto em definitivo. A decisão garantiu à empresa uma economia mensal de R$ 100 mil apenas com o aluguel. “Quando necessitamos de um espaço físico utilizamos uma das propriedades que a Housi aluga”, disse Frankel, também fundador e CEO da construtora Vitacon.

O aumento da produtividade dos colaboradores também foi constatado pelo Banco BV. Segundo Ana Paula Tarcia, diretora de Pessoas e Cultura, as áreas de operações e crédito, por exemplo, registraram crescimento de 15% desde março. “Os setores já estavam adaptados ao modelo”, afirmou. Apesar de ter implantado o trabalho remoto aos 4 mil funcionários pelo Brasil – sendo 2,5 mil em São Paulo e o restante distribuído por 40 lojas em outros estados –, a empresa já adotava o home office havia três anos, com variação de um a três dias de atividade remota dependendo da função.
De olho nos índices sobre a evolução da pandemia pelo País, a instituição financeira planeja o retorno gradual dos funcionários aos escritórios a partir de setembro. A instituição tem realizado pesquisa com os seus profissionais para definir a retomada. Certo mesmo é que o trabalho remoto será ampliado e o BV admite enxugar a estrutura física. Já o quadro colaborativo será ampliado com a contratação de 50 pessoas.

ECONOMIA

Pesquisa on-line com 800 trabalhadores de escritórios brasileiros desenvolvida pela consultoria Robert Half revelou que, para 81,36% deles, a economia de tempo e dinheiro em deslocamentos está entre os principais atrativos do trabalho remoto. O diretor de recrutamento da empresa, Lucas Nogueira, chama atenção ainda ao fato de muitas empresas estarem repassando o valor correspondente ao vale refeição para o vale alimentação dos funcionários, o que tem ajudado na hora das compras. “Já as companhias têm reduzido os custos físicos, principalmente nos grandes centros, com a devolução de espaços de escritórios, vagas de estacionamento e o fim das taxas de condomínio e de energia elétrica”, afirmou. O Banco do Brasil, por exemplo, pretende devolver 19 dos 35 prédios de escritórios. Com 32 mil colaboradores em atividade remota, a instituição vai economizar R$ 1,7 bilhão em 12 anos. “É como se o pai tivesse jogado a criança na água. E ela teve de se virar para não afundar”, disse Nogueira, que vê duas grandes lições da pandemia ao mundo do trabalho: a capacidade de adaptação dos funcionários e das organizações e o papel relevante do “senso de dono” nas atividades futuras. “É aquele que sabe se organizar, não precisa de chefe para ficar cobrando e tem ideia do impacto do trabalho dela na empresa. Ela será mais valorizada no futuro.”

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.