EU ACHO …

QUE EDUCAÇÃO VAMOS CONSTRUIR?

O isolamento social trouxe à tona algo que já estávamos percebendo: as escolas não estão preparadas para desenvolver os jovens para o futuro

Nesses 150 dias de quarentena por causa do novo coronavírus, muitos de nós vivemos tudo junto e misturado cm nossa casa – inclusive a educação dos filhos. E certamente essa experiência deixou claro que o futuro demandará outras qualidades e especialidades educacionais. Embora não seja novidade que muitas das escolas do país ainda estão presas ao “paradigma do conteúdo”, foi grande o impacto de ver nossas crianças e jovens estudando dentro de casa. É inquietante que elas sejam incentivadas a memorizar, durante horas a fio, diferentes conteúdos, desde as etapas de reprodução da água viva até fórmulas matemáticas complexas. Tudo porque o currículo escolar não pode ser perdido e porque ainda estamos presos a um conceito antigo de educação.

Mas talvez tudo isso gere um lado positivo para o futuro. Quero acreditar que esse quadro de complexidade imposto às escolas e às famílias esteja trazendo à tona os principais pontos que deverão ser discutidos no mundo pós-pandemia. Muita coisa está sendo testada agora, mas o maior saldo do que vivenciamos passará pela construção de planos de educação híbridos. Isso quer dizer que o saber será construído entre o mundo intelectual e o emocional – e não apenas entre o mundo físico e o digital.

O futurista Thomas Frey, um dos grandes pensadores sobre nosso mundo, explica de forma bastante clara por que precisaremos revisitar nossos sistemas educacionais. Ele diz o seguinte: “Estaremos vivendo nas próximas décadas em um mundo que exigirá pessoas de maior calibre moral e ético para fazê-lo funcionar”. Para isso, professores não vão atuar apenas na transferência de conhecimentos. A função dos educadores será fazer a arquitetura dos saberes utilizando as tecnologias como meio – e não simplesmente como um fim em si.

Entendo que temos uma grande oportunidade em nossas mãos. Devemos usar este momento de isolamento social e de homeschooling para ir muito além de encontrar a melhor forma de utilizar tecnologias digitais nas escolas. Nosso papel será, principalmente, o de refletir sobre as maneiras de trazer novos valores para as jornadas educacionais, pois precisamos urgentemente de alunos podendo se desenvolver integral e humanamente. E não ficar decorando fórmulas que serão esquecidas em breve.

Eu já disse isso aqui algumas vezes, mas repito porque é algo em que acredito muito: é da conexão do melhor da tecnologia com o melhor do humano que evitaremos distopias tecnológicas e educacionais. Só assim conseguiremos, enfim, preparar nossos jovens para que se tornem criadores de novos paradigmas para um mundo que necessita urgentemente de reinvenção.

LIGIA ZOTINI – pensadora e pesquisadora de futuro, é fundadora do Voicers. Tem uma carreira de 15 anos em tecnologia e de 20 anos em educação.ligia@voicers.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.