GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ AJUDA O PLANETA, ELE AJUDA SEU CAIXA

Empresas preocupadas com causas socioambientais encontram clientes dispostos a pagar até um pouco mais caro por seus produtos, pois se preocupam com processos produtivos mais justos

No fim de 2019, a rainha dos baixinhos causou polêmica nas redes sociais. Xuxa postou em seu Instagram contra o peru de Natal, e a audiência não perdoou. A celebridade declarou que está na dieta vegana e já atua na proteção aos animais há algum tempo. Além da ação direta com instituições específicas, uma das marcas que levaram seu rosto por alguns anos, a Monange, não realiza testes em animais, apesar de estar abaixo do guarda-chuva da Coty, que possui alguns processos que vão na contramão dessas ações. Fato é que existem muitas maneiras de as empresas atuarem em seus processos e condução do produto, trazendo menores impactos ao meio ambiente, que tem cobrado cada dia mais o cuidado de sua população.

A boa notícia é que investir na sustentabilidade ambiental tem sido também lucrativo. Primeiro porque existe um público que se interessa em pagar um pouco mais por produtos que tenham esse viés. Uma pesquisa realizada pela Union + Webster, de acordo com a Agência Sistema FIEP, aponta que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis e que 70% dos entrevistados não se importam em pagar a mais por isso. Além disso, empreendimentos com essa preocupação têm sido mais bem avaliados por investidores. Por fim, adotar medidas que auxiliam na diminuição de uso de água e energia elétrica no seu negócio, por exemplo, pode trazer uma boa economia para o seu caixa mensalmente.

A série de documentários Desserviço ao Consumidor, disponível na Netflix, possui um episódio que mostra a atual situação relacionada ao plástico, por exemplo, ressaltando que 380 milhões de toneladas do material são produzidas anualmente em todo o planeta. Um dos pontos mais dramáticos da situação é o fato de a reciclagem do produto não ser exatamente da maneira imaginada: hoje, estima-se que apenas 9% de todo plástico já produzido foi reciclado. Isso porque, por mais que haja a separação do lixo, nem todo tipo de plástico produzido pode de fato ser reaproveitado – além disso, a biodegradação demora algumas centenas de anos para acontecer e as matérias-primas para sua fabricação podem ser tóxicas ao ser humano. Por isso, a melhor solução e, de fato, substituir por outros materiais.

PEQUENOS PASSOS

Em São Paulo, uma pequena vitória aconteceu com a lei que proíbe o fornecimento de copos, pratos e talheres de plástico na cidade. Isso quer dizer que eles não apenas não podem ser usados em bares e restaurantes como também não podem ser vendidos em supermercados. A lei entra em vigor em 1° de janeiro de 2021.  “A escolha de matéria­ prima pode ser facilmente alterada. de preferência para materiais naturais, reciclados, biodegradáveis ou uma combinação desses. No caso do setor em que atuo, é possível mudar isso até em empresas que estão sempre em busca de custos mais baixos, pois existem poliéster e poliamida biodegradáveis e reciclados”, diz a sócia-fundadora da Pantys, Emily Ewell.

Segundo ela, há muitas opções para os fornecedores e cada vez mais inovações, como os novos fios naturais, que podem trazer funcionalidades diferentes e interessantes para fazer mais produtos sustentáveis. Sua empresa é a primeira marca de calcinhas absorventes do Brasil que substitui completamente o uso de absorventes descartáveis, reduzindo, assim, até 500 unidades que seriam descartadas em um ano.

Outro documentário que mostra como a indústria pode impactar o planeta é o Explicando – O Futuro da carne. Ele ensina o quanto o consumo da proteína animal auxiliou no desenvolvimento humano em determinado momento. Porém, quando o consumo excessivo passou a se instalar no mundo, a pecuária passou a exigir espaço físico e quantidades de água que podem se tomar insustentáveis em pouco tempo. Com isso, já existem pesquisas e empresas focadas em desenvolver proteínas substitutas, inclusive em sabor, para quem não quer abrir mão do gosto de um bom churrasco. Porém, o ponto principal a ser trabalhado é o marketing desses produtos que ainda não parecem ter muita aderência do público.

Mas, além de ideias inesperadas que possam trazer novas possibilidades futuras, o que é possível a sua – pequena – empresa fazer hoje para manter o planeta a salvo? “Pelo que percebemos com a nossa experiência, a diferença entre o valor de matérias-primas mais sustentáveis para as menos não é tão grande. “Talvez você apenas tenha que repensar a parte de design, pois os processos e resultados mudam um pouco, mesmo assim é possível fazer o produto”, considera Emily.

A empresária diz que os consumidores, atualmente, valorizam mais os materiais sustentáveis, por isso, a preferência deles tem um impacto muito grande na experiência. Então, a escolha acaba valendo a pena e o custo fica ainda menor. “Nós, por exemplo, oferecemos produtos com decomposição máxima de três anos (tecidos normais levam até 50 anos para se decompor), além de terem uma durabilidade de até dois anos de uso”, acrescenta.

O último tópico citado é um contra­ponto à conhecida obsolescência programada – elaborada em 1932, ela traz produtos criados justamente para não durarem muito tempo e gerarem maior lucro por provocarem a necessidade de uma nova compra em um período menor. Uma das vitórias para o meio ambiente neste sentido veio à tona no fim de 2019, segundo o jornal Le Monde. O Senado francês aprovou uma emenda obrigando fabricantes a oferecerem aos consumidores informações simplificadas sobre a reparabilidade dos equipamentos elétricos e eletrônicos, para que a vida útil deles seja prolongada.

COMO EU FAÇO DAR CERTO?

Na visão de Emily, a primeira coisa a se pensar é a matéria-prima, tanto do produto final quanto da embalagem e até dos materiais usados no próprio escritório – se você está usando papel reciclável ou reciclado, por exemplo. O segundo ponto é a escolha de fornecedores. “Precisamos olhar todos os processos de quem fabrica a matéria-prima que compramos. Na Pantys, trabalhamos com fornecedores de tecidos que fazem reuso de água no processo de fabricação, olhamos o tipo de tingimento que eles utili­zam, para garantir que usam combinações químicas que não eliminam toxinas no meio ambiente. Depois, vem o espaço físico. Medimos todo o consumo de água e energia, estabelecemos metas para melhorar isso ao longo do ano e montamos um plano para reduzir nosso consumo de qualquer recurso em todo o nosso processo interno”, mostra.

O último ponto é o contato com o consumidor final. “Se for possível, é legal recolher o produto depois de utilizado. No nosso caso, nós conseguimos fazê-lo reciclável, o que permite que ele seja descartado normalmente”, explica Emily. Nesse contexto, divulgar a empresa como sustentável sem entender bem o que você está vendendo e a maneira que está conduzindo a produção pode ser um tiro no pé.

A Euro Colchões também abraçou a ideia do consumo consciente e está lançando a linha EcoMind, com tecidos de fibras recicladas de alta performance. Eles são fabricados com garrafas PET coletadas a 50 quilômetros da costa de países ou áreas sem sistemas formais de reciclagem. “As empresas precisam escutar o consumidor, estar atentas aos novos hábitos de consumo, avaliar como querem se relacionar com os consumidores. A jornada rumo a um futuro sustentável é longa, mas essencial e necessária, e precisa começar já”, afirma o CEO da empresa, Maurício Aballo.

Quando o assunto é o consumo consciente e a contribuição para a preservação do nosso planeta, qualquer empresa que estiver engajada na sua visão, já com essa mudança de mindset, será reconhecida posteriormente pelo consumidor como uma empresa que não quer só vender, quer também se responsabilizar pela preservação do nosso planeta. Além disso, é preciso repensar o descarte dos produtos fabris.

Outro exemplo de quem usou a tecnologia a favor do seu negócio é a Fix it, que faz impressões em 3D com foco em soluções ortopédicas, neurológicas e reumatológicas biodegradáveis. Ela trabalha ainda com modelo de franquias e já existe em Recife, Caruaru, Natal e Chapecó. O projeto é recente, já que antes a empresa trabalhava produzindo em tamanhos genéricos e vendendo diretamente ao público final ou clinicas e hospitais. O produto é feito de filamento de PLA, um plástico termo moldável e biodegradável composto de bagaço da cana-de-açúcar, milho e beterraba, com design que se adapta à anatomia do corpo.

Atualmente, estão também focados em minimizar o tempo que se leva para produzir uma solução da Fix it, reduzindo assim o consumo de energia elétrica. E de acordo com os valores da empresa, estão implementando sustentabilidade em tudo que envolve as soluções, da fabricação até o uso pelo paciente. “Os maus hábitos da indústria em relação ao meio ambiente incluem não se preocupar com o desperdício, utilizando bastante água em seu processo ou matéria-prima de fontes não renováveis. Assim como quando não há preocupação com o design do seu produto após o uso – acredito que, elencando esses entraves da indústria tradicional, na minha opinião, são os mais fáceis de mudar”, conclui o CCO e cofundador da Fix it, Felipe Neves, formado em fisioterapia e pós-graduado em neurogerontologia.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.