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AS MAIORES VÍTIMAS

A pandemia vai dobrar o número de famintos e levar a uma explosão dos excluídos do mundo

A pandemia expôs e intensificou profundas desigualdades no mundo todo, e a verdadeira extensão do problema ainda não está clara, segundo um novo e importante relatório. A crise nos países mais pobres ameaça escalar para uma catástrofe conforme aumentam a perda de empregos e a insegurança alimentar. “Os impactos econômicos, sociais e políticos apenas começam a se revelar”, descreve o relatório – Building Back with Justice: Dismantling lnequalities After Covid-19″ (“Reconstruir com Justiça: Derrubando as Desigualdades Depois da Covid·19”), da Christian Aid, a ser publicado no fim deste mês.

Sem uma ajuda urgente, o número de seres humanos que enfrentam a fome aguda poderá dobrar para 250 milhões em 2020. Alguns países têm enfrentado grandes aumentos no custo da alimentação. Em algumas partes do Afeganistão, por exemplo, os preços do trigo subiram 20%. Na Índia, 80 milhões de trabalhadores migrantes perderam o emprego nas cidades, deixando-os famintos e sem teto, e suas famílias sem remessas de dinheiro cruciais.

Os tratamentos de saúde rotineiros, como imunização e obstetrícia, foram gravemente interrompidos. “Em muitos países, a interrupção do atendimento de saúde não ligado ao coronavírus poderá causar mais mortes que o próprio vírus”, aponta o relatório. Asprecauções contra a Covid-19; como lavar as mãos com frequência, são mais problemáticas em países com saneamento insuficiente. Segundo o estudo, 3 bilhões de indivíduos – cerca de 40% da população global – não têm acesso a instalações básicas para lavar as mãos em casa. Na Etiópia e na República Democrática do Congo, o segundo e o quarto países mais populosos da África, menos de 10% dos habitantes podem lavar as mãos em casa.

Nove em cada dez estudantes em todo o mundo perderam parte de sua educação. Muitos – especialmente as meninas – nos países mais pobres nunca voltarão a estudar. “A experiência da epidemia de Ebola no Oeste da África mostra que o fechamento das escolas leva a índices mais altos de abandono permanente dos estudos por meninas e um aumento no trabalho infantil, negligência, abuso sexual, gravidez na adolescência e casamento precoce.” O relatório acrescenta: “Há crescente evidência de que as mulheres estão suportando o maior peso social e econômico durante a crise”.

As mulheres fazem a maior parte do trabalho de assistência social e de saúde, e tendem a atuar nas funções menos remuneradas nesses setores. Elas têm maior propensão a trabalhar na economia informal, enfrentar uma carga de trabalho maior em casa e ficar mais expostas à violência em momentos de crise econômica.

O relatório salienta o contraste no modo como os países mais ricos mobilizaram enormes quantias para apoiar suas economias com a reação nos países mais pobres sufocados por uma enorme dívida. Alemanha e Itália gastaram mais de 25% do PIB na estabilização econômica, enquanto os africanos Malaui, Quênia e República Democrática do Congo aplicaram menos de 1%.

Os repagamentos da dívida dos países mais pobres foram suspensos de 1° de maio até o fim deste ano, mas a Christian Aid solicita um “cancelamento abrangente por 12 meses do principal da dívida e juros de 76 países de baixa renda”. O cancelamento da dívida, segundo a instituição, “poderá ser uma das maneiras mais rápidas de liberar recursos para alguns países mais afetados pela pandemia e seus impactos econômicos”. A Christian Aid também quer ver a redução dos abusos fiscais e evasão fiscal, e a adoção de impostos sobre a riqueza. Por exemplo, na Índia, um imposto de 4% sobre as 953 famílias ultra ricas poderia levantar pouco mais de 1% do PIB, permitindo que o governo duplicasse seu orçamento de saúde, diz o documento.

A pandemia precisa de ação coordenada nos níveis global, nacional e local, mas a reação foi “mais caracterizada pela concorrência do que pela colaboração”. A ONU e algumas instituições financeiras internacionais foram postas de lado, com os governos dando prioridade às respostas nacionais. A recuperação da crise deve ser verde e sustentável, diz o relatório. “O nível de desafio não deve ser subestimado. A crise também demonstrou, no entanto, que os governos podem intervir decisivamente quando a escala de uma emergência é clara e o público apoia a ação. O objetivo deve ser desacoplar o crescimento das emissões de gases de efeito estufa, reduzir as emissões globais pela metade até 2030 e ser livres de carbono em 2050”.

No prefácio do relatório, Jayati Ghosh, um importante economista do desenvolvimento, diz que visão e ambição são necessárias para evitar a catástrofe e “permitir uma recuperação global de base ampla e equitativa, que transforme radicalmente nossas relações econômicas e sociai e se concentre nos seres humanos e no planeta”.

***HARRIETE SHERWOOD

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.