EU ACHO …

VIOLÊNCIAS COTIDIANAS

Nenhuma sociedade está isenta de viver sem violência

A visão de uma sociedade democrática se baseia na manutenção de certos valores e direitos iguais. Hoje, observamos que muitas ações funcionam em sentidos diretamente opostos, aumentando a tensão e a insegurança sobre os indivíduos. O desrespeito e as humilhações ligados às explorações talvez sejam os mais fortes ingredientes para manutenção dessas violências morais e físicas. Esta observação representa o empobrecimento dos nossos direitos morais e legais e, consequentemente, a nossa recusa e motivação para lutar e mudar. Pela negação da lei e da ordem como valores fundamentais, nos tornamos também indiferentes ou coniventes. Essa apatia ou suposta neutralidade transforma-se numa violência voltada contra nós mesmos e contra aqueles que dependem de nós. Nesta situação, a arte de crescer e viver com prazer e segurança vão se tornando um exercício de sobrevivência ao caos instalado. O que fazemos para nos preservamos como cidadãos, quando os valores que aprendemos e respeitamos são modificados e nos vitimizam?

A descarga da nossa agressividade não torna a nossa vida social melhor, apenas estimula nossa revolta e descontrole. Como exemplos, vemos milhares de jovens que buscam, fora da família, grupos e movimentos onde afirmam suas insatisfações. Aqui não se trata de uma revolução e, sim, de questionamentos sobre seus lugares e papéis nessa instabilidade. Muitos pensadores da modernidade nos fazem refletir que, nas últimas décadas, a sociedade brasileira convive com um tipo de violência passiva, fruto de governos corruptos que assaltam a nação. Este comportamento se manifesta na ausência dos diálogos, na indiferença e no hábito de fazermos vistas grossas para a impunidade.

Assassinatos, roubos, propinas e tantos outros crimes sem punições são esquecidos ou se tornam grandes motes para discussões judiciais. Nesta situação pensamos que a sociedade vive a violência como fruto de uma submissão ou repressão do nosso passado colonialista. Infelizmente, nossa indiferença só fortalece a negligência de nossos representantes na profunda desvalorização de valores humanos do ser e do viver. Nenhuma sociedade está isenta de viver sem violência. Ela é a expressão de suas falhas e sempre existirão, enquanto as diferenças sociais existirem. Violência gera violência. Infelizmente, só as percebemos quando voltadas contra nós. Sequer imaginamos que nós as produzimos nas ruas, no trabalho, no lar e até com aqueles que amamos. Agindo assim, não deveríamos nos surpreender quando, virando-lhes as costas, ela nos atingisse em cheio, na mesma medida.

DR. JORGE PFEIFER – é psicólogo, psicanalista e articulista.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.