A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS “LIKES” E A MENTE

As ações cerebrais diante da troca de mensagens, podem aumentar os níveis de ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”

Em tempos de redes sociais, um clic “gostei” promove uma ação positiva e motivacional no cérebro de quem curte e recebe a curtida. Mas todo cuidado é pouco com essa dinâmica de relacionamento em momentos contemporâneos, vulneráveis ao esvaziamento dos sentimentos humanos. O fato é que as pessoas possuem muitos “amigos” nas redes sociais e continuam solitárias esperando que alguém “curta” o que foi postado.

O estudo da neurobiologia do comportamento revela que o cérebro e a mente humana precisam de determinados estímulos que influenciam a autoestima, autoconfiança e a aceitação num determinado grupo de pessoas. O humano é um “animal social” que precisa intencionalmente de elogios como fator estimulante para ativar o sistema de recompensa emocional.

O cérebro humano “odora” novidades. O efeito das redes sociais nas estruturas cerebrais e mentais se dá por meio da estimulação neurobiológica do cérebro, da motivação, do desejo, do prazer, dos afetos, e essa está relacionada à produção da ocitocina, um hormônio produzido e estimulado pelo hipotálamo e armazenado na neuro-hipófise, de onde ela é liberada sob a influência de certos estímulos. A ocitocina é responsável por promover a criação de vínculos, a doação, a socialização.

A produção desse hormônio acontece quando se está na presença de bons amigos, nos relacionamentos saudáveis, quando se comemoram realizações e conquistas positivas, em situação de confraternização, empatia ou em algo que nos promova prazer, incluindo as redes sociais.

No cérebro humano, os núcleos accumbens promovem ações de recompensa e prazer, pois são responsáveis por receber estímulos, produzir sensações agradáveis devido a produção de substâncias químicas que promovem satisfação e bem-estar, estimulando a produção de dopamina.

De fato, as redes sociais provocam modificabilidade cerebral. Esse fenômeno é incontestável, pois evidências científicas demonstram que conexões neuronais são estimuladas por determinados fatores neurotróficos que estabelecem novas rotas alternativas nas células neuronais do córtex cerebral.

A neurobiologia explica que as ações cerebrais diante das redes sociais ou de uma simples troca de mensagens, em que um amigo curte o status na rede social, podem aumentar os níveis de ocitocina, conhecida como “hormônio do amor” (estimula sentimentos como empatia, generosidade e confiança e tem alta quando o indivíduo está apaixonado).

Estudos neurocientíficos revelam, quando o indivíduo compartilha informações pessoais na internet, que as regiões do cérebro envolvidas na conectividade são o córtex pré-frontal medial, amígdalas cerebrais e precuneus – regiões do cérebro envolvidas na autorreflexão e em determinados aspectos da consciência emocional.

Na verdade, o ser humano quer se sentir querido, produtivo e aceito nas suas relações, sejam elas reais ou virtuais. Mas todo cuidado é pouco quando o envolvimento emocional fica por conta das redes sociais. Se gostou dê um like.

MARTA RELVAS – é membro da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento. Docente da AVM Educacional/UCAM e da Universidade Estácio de Sá. Docente colaboradora da UFRJ/pub. Docente convidada do Instituto de Neurociências Aplicadas (INA). Livros publicados pela Wak e Editora Qualconsoante de Portugal.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.