EU ACHO …

A EROSÃO DA VERDADE

A imprensa tradicional pode contribuir para reduzir a polarização e seu próprio declínio. E ajudar a democracia

As guerras e as pandemias mudam o mundo. As mudanças chegam em ritmo acelerado, trazendo enormes desafios, especialmente em um mundo polarizado e conectado. As medidas de resgate econômico tomadas pelo governo e os danos causados pela paralisação econômica nos colocaram em uma estrada árdua, ainda mais íngreme e que requer a colaboração de toda a sociedade. Mais do que nunca, o esforço conjunto é necessário e é importante uma autoavaliação crítica, para não repetirmos os erros e contribuirmos como deveríamos.

Nesse processo, a contribuição da imprensa é fundamental – amplificando e dando ressonância às pautas da nação, questionando políticas públicas, denunciando erros, apontando inconsistências de maneira isenta, ressaltando fatos e análises. Temo que, sem a devida atenção ao fenômeno da erosão da verdade, estudado pela pesquisadora Jennifer Kavanagh, da Rand Corporation, e autora do livro Truth Decay, será difícil para a imprensa cumprir o fundamental papel que lhe cabe.

Em meio a toda essa cacofonia cognitiva, é quase impossível identificar causas, estabelecer diagnósticos e remédios num ambiente de constante guerra de narrativas, em que opiniões e fatos têm fronteiras tênues ou inexistentes. Na guerra de narrativas, a imprensa tradicional foi pega no meio de uma aguda crise financeira, com seu modelo de negócios em xeque, suas receitas diminuindo, a migração para o modelo digital acontecendo e o pânico causado pelas incertezas.

Para lidar com o imenso fluxo de informações gerado pela internet, a solução encontrada pela imprensa tradicional foi se concentrar em interpretações e opiniões, afastando-se de seu papel de provedora de fatos e análises. À medida que perdia credibilidade, seus problemas financeiros se agravaram, e um círculo vicioso se criou. Na guerra de narrativas, a imprensa tradicional teve sua credibilidade abalada, e sem isso é difícil atrair clientes dispostos a pagar por um conteúdo de qualidade.

Em seu livro Davi e Golias, o jornalista Malcolm Gladwell aborda de maneira brilhante como adversários descomprometidos com o statu quo podem desenvolver estratégias e táticas de guerra criativas, que deixam o inimigo completamente impotente, por não perceber que as regras mudaram e que o jogo mudou.

Aconteceu em 2016 na eleição de Donald Trump. A imprensa tradicional foi pega de surpresa e não entendeu que o candidato Trump havia rasgado o manual das campanhas ao ir contra cada regra estabelecida e, ao contrário do que se esperava, aumentava sua visibilidade e seu apoio junto aos descontentes. Após incontáveis denúncias de todos os tipos, Trump chegou a dizer que poderia atirar em alguém na Sa Avenida e sua popularidade não seria abalada. A imprensa tradicional reagia com indignação, como se isso fosse suficiente para frear o candidato. Seria… sob as regras antigas, mas o jogo tinha mudado e Trump havia definido as novas regras.

Em seu livro, Gladwell cita como os ingleses ficavam indignados com o ataque a seus oficiais, algo proibido pelo acordo feito entre as grandes potências europeias e solenemente desconsiderado pelos revolucionários americanos, que os abatiam como patos num lago.

As regras mudaram e, a meu ver, a imprensa tradicional ainda não entendeu isso e tende a repetir seus erros na guerra de narrativas. Há 20 anos, uma autoridade ser pega em uma mentira seria embaraçoso e isso teria um alto custo. Hoje, com o exército de robôs a disseminar narrativas conflitantes, dúvidas são plantadas e, como há mais opiniões do que fatos e análises, é uma questão de tempo para o efeito da denúncia se diluir.

Como os revolucionários americanos, que simplesmente desconsideravam as regras do Velho Mundo, os políticos atuais se defendem com campanhas de contrainformação. A indignação da imprensa tradicional só aumenta a exposição deles e abre espaço para contra-ataques mais virulentos, aumentando o ruído.

É quase impossível extinguir esse círculo vicioso quando não existe um consenso sobre os fatos mais básicos. A imprensa tradicional pode (e deve) combater a erosão da verdade, comprometendo-se e promovendo fatos e análises, deixando claro quando sua posição reflete opinião e definindo claramente a fronteira entre uma coisa e outra. Ciente de que seus leitores são impactados pelo próprio viés de confirmação, ou seja, pela busca seletiva de informações que atestem a própria crença, não existe remédio além de fatos e análises, fatos e análises, repetidos como um mantra!

A guerra de narrativas cria um denominador comum muito baixo, empobrece as discussões, quase elimina a busca por soluções racionais, baseadas em dados e na ciência, provocando uma paralisia política que agrava nossos problemas. Não podemos esquecer que somos um país que lê pouco. E, sem leitura, educação e senso crítico, temos um ambiente fértil para a erosão da verdade.

O ressurgimento do Washington Post com foco no jornalismo investigativo e de qualidade, e com um apego ferrenho aos fatos e análises, mostra que é esse o caminho a seguir. Com ele, o populismo mostra os pés de barro, e a imprensa tradicional, além de atrair clientes que paguem por conteúdo de qualidade, cumpre seu papel como um dos pilares da democracia.

SÉRGIO CAVALCANTI – CEO e fundador da NationSoft Tecnologia

OUTROS OLHARES

BOICOTE AO FACEBOOK

Resistente a qualquer tipo de controle de conteúdos em sua plataforma, mesmo aqueles que incitam ao ódio e à violência, a rede social perdeu mais de US$ 70 bilhões em valor com a debandada de mais de 500 anunciantes mundiais

Pressionado desde a última eleição norte-americana, em 2016, o Facebook chega agora a uma encruzilhada difícil de escapar, com o crescimento do boicote de grandes anunciantes acertando em cheio o caixa da empresa. Mais de 500 companhias mundiais de peso como Unilever, Coca-Cola, Starbucks, Microsoft, entre outras, anunciaram nesta semana a retirada de propagandas enquanto a rede social não tomar medidas para coibir a disseminação de discurso de ódio pela plataforma. A discussão não é nova. Começou com a explosão do caso da Cambridge Analytica, após a vitória de Donald Trump, que analisava os dados pessoais dos usuários do Facebook para manipulação. Mas Mark Zuckerberg resistia a qualquer controle do conteúdo por não querer assumir o que chamava de “postura de árbitro da verdade”. No entanto, o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, em maio, trouxe o problema à tona de novo e os discursos racistas deixaram o nervo exposto, mostrando que o Facebook não mudou nada em quatro anos.

E a reação não demorou, surgindo com força através do movimento #stophateforprofit (Pare o ódio pelo lucro), que prevê o boicote em resposta à falta de compromisso da plataforma. E Zuckerberg sentiu no bolso o reflexo do movimento. A empresa chegou a perder até US$ 70 bilhões em valor na bolsa. Como os anúncios representam quase 90% do seu faturamento, ela se viu sem saída e decidiu rever sua posição. Diz que, agora, vai começar a fiscalizar mensagens violentas.

A preocupação com as redes sociais vem crescendo no mundo todo, especialmente nos EUA, com a aproximação de novas eleições. Em junho, o Twitter, a rede preferida de Trump, interferiu no conteúdo do presidente, que havia publicado a frase “quando os saques começam, os tiros começam”, repetindo uma afirmação racista dita por um policial segregacionista nos anos 1960. Enquanto o Twitter se posicionava, o Facebook continuava se negando em nome da liberdade de expressão. O fato é que o Facebook é hoje a segunda maior plataforma de anúncios do mundo, atrás apenas do Google, com receita anual de US$ 69,7 bilhões. Mas os anúncios são bem pulverizados, sendo que as grandes empresas representam 6% do faturamento. O boicote, porém, chega num momento crucial, em que muitas empresas reduziram campanhas devido à pandemia. Dona de marcas como Dove, Omo e Rexona, a Unilever diz que vai fazer mudanças para gerar transparência nas plataformas digitais. Já a Coca-Cola informa que vai parar os anúncios por 30 dias para rever as políticas digitais da empresa. O Facebook respondeu que investe bilhões para manter a segurança e que já baniu 250 organizações supremacistas brancas, tanto do Facebook, como do Instagram. Mas a resposta não convenceu.

Para especialistas, o impacto financeiro pode não ser tão grande, mas é impossível ignorar o efeito da perda da Unilever, segundo maior anunciante mundial, ou da Coca-Cola. A questão, no entanto, vai além do dinheiro, batendo na reputação, indicando que há problemas de controle e que o ponto central são os algorítmos, que usam inteligência artificial para manter o usuário por mais tempo na rede vendo anúncios. Estes sistemas aprendem o que o usuário gosta, passando a oferecer conteúdos relacionados. Eles também sabem que os conteúdos que provocam indignação são chaves para manter a atenção. Segundo Cris Camargo, CEO do Interactive Advertising Bureau (IAB) no Brasil, as redes sociais sempre apostaram na liberdade de expressão. Mas isso acabou trombando com princípios sociais básicos. Por isso, a entidade, presente em mais de 40 países e criada para parametrização da publicidade digital, treina há sete anos profissionais da área para que conheçam as ferramentas e, principalmente, usem filtros da chamada “brand safe”, que define critérios de onde o anúncio pode entrar. “Mas talvez seja bom essa parada para que a publicidade programática evolua”, diz. Ela cita a ferramenta de retargeting que permite ao anunciante “seguir” o internauta quando ele clica em um produto, por todas as páginas que ele abrir, mesmo que seja de violência ou pornografia. Apesar disso, Cris não acha que a publicidade digital vai perder espaço. “Será temporário, porque não se pode discriminar a tecnologia”, diz.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 25 DE JULHO

SALVO NA ÚLTIMA HORA

Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto (Isaias 55.6).

Era sexta-feira da Páscoa em Jerusalém. Às 9 horas da manhã, os soldados romanos ergueram três cruzes no topo do monte da Caveira, o conhecido Gólgota. Na cruz do centro estava Jesus, o Nazareno, e de cada lado seu, dois ladrões. No sopé da cruz, o vozerio da multidão proferindo palavras de blasfêmia tornava o quadro ainda mais sombrio. Em meio às agruras do sofrimento, o ladrão da direita foi tocado pela palavra de Jesus proferida na cruz e arrependeu-se de seus pecados. Reconheceu que era culpado e que Jesus era Salvador e Rei. Clamou por misericórdia e, a despeito de ter vivido até o portal da morte como um fora da lei, foi perdoado e salvo. O ladrão arrependido clamou: Jesus, lembra-te de mim, quando vieres no teu reino. Jesus lhe assegurou: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23.42,43). Não há casos perdidos para Jesus. Não há vida irrecuperável para o Filho de Deus. Não há situação irremediável quando se recorre ao Salvador. O ladrão crucificado à direita de Jesus reconheceu seu pecado e o confessou. Reconheceu que só Jesus salva e a ele clamou. Encontrou perdão na última hora. Recebeu a garantia do céu nos instantes finais de sua vida. Sua salvação não foi fruto de merecimento, mas de graça. O paraíso de Deus lhe foi dado não porque ele o mereceu por suas obras, mas foi um presente imerecido. A graça é maior do que o pecado!

GESTÃO E CARREIRA

ADEUS ÀS IMOBILIARIAS?

O número de startups do setor imobiliário e de construção quase triplicou nos últimos três anos. Esse crescimento abre as portas para empreendedores e demanda novos profissionais

Há alguns anos, alugar ou comprar um imóvel poderia ser um verdadeiro teste de paciência. Horas pesquisando em anúncios com poucas informações e imagens de baixa qualidade (que quase nunca correspondiam à realidade) e idas e vindas a cartórios eram rotina, sem contar a busca por um fiador – drama à parte para os locatários.

Mas o avanço da tecnologia não tardou a chegar ao mercado imobiliário. Atualmente, potenciais compradores ou locatários conseguem avaliar dezenas de imóveis em alguns minutos, fazem tours virtuais e compram ou alugam casas ou apartamentos totalmente de forma digital. “O mercado imobiliário tinha de se adaptar a essa nova realidade. Não era uma questão de escolha, mas de sobrevivência”, afirma Claudio Hermolin, vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

UM NOVO MERCADO

Embora a experiência de comprar ou alugar imóveis tenha melhorado nos últimos anos, ainda há muito o que avançar. Um exemplo disso é que, segundo estimativas do setor, uma pessoa leva, em média, mais de um ano para fechar um negócio de compra ou venda de uma propriedade.

Diante de um mercado que movimenta cerca de 200 bilhões por ano e conta com tantas dores à espera de solução, para usar o jargão dos empreendedores, não é à toa que o setor imobiliário viu explodir o surgimento de startups especializadas no ramo. De acordo com dados da Terracotta Ventures, fundo de investimentos focado em startups de construção, venda e aluguel de imóveis, o número de novas empresas no segmento quase triplicou, passando de 250 para 700 de 2017 a 2020.

O crescimento é tanto que elas ganharam até nome: proptechs. O termo é usado para definir startups que oferecem soluções ou modelos de negócios inovadores para locatários, compradores e vendedores de propriedades. “O surgimento dessas companhias faz parte de um cenário maior, de transformação digital no setor, mas a crise financeira, que impactou duramente o mercado imobiliário entre 2014 e 2017, também contribuiu, já que obrigou empresas a inovar”, afirma Bruno Loreto, sócio diretor da Terracotta Ventures.

De olho no potencial desse mercado, os engenheiros cariocas Gustavo Vaz, de 31 anos, e Lucas Cardozo, de 37 anos, fundaram o marketplace de venda de imóveis EmCasa, em 2017. Filho de uma corretora de imóveis e com passagens por empresas do setor imobiliário, Gustavo percebeu que havia espaço para melhorar a experiência dos clientes. “Para muitas pessoas, comprar a casa própria é a transação mais importante da vida, porém, também era um dos processos mais burocráticos e complicados”, diz.

A startup tem tours virtuais em 3D e usa um algoritmo para avaliar o valor das propriedades. Com isso, a aquisição de um imóvel costuma ocorrer em cerca de 24 dias. “Também desempenhamos um papel ativo nas negociações para que ambas as partes [proprietário e comprador] tenham uma jornada mais eficiente”, diz Gustavo.

Com apenas dois anos de atuação, a EmCasa, que começou na cidade do Rio de Janeiro, já expandiu para São Paulo e aumentou de 15 para 90 o número de funcionários. Ao todo, mais de 300 imóveis foram vendidos por meio da plataforma.

Entre os próximos passos da startup está a ampliação dos serviços para outras capitais, além do lançamento de uma área de consórcios. Segundo Gustavo, a criação de soluções financeiras atreladas ao setor, inclusive, é um nicho promissor. “Esse tipo de serviço é pouco maduro no Brasil, se comparado a outros mercados, como Europa e Estados Unidos”, diz.

PARA NÃO FICAR ATRÁS

Com o avanço das startups, as imobiliárias e construtoras tradicionais são obrigadas a mudar. A mineira MRV, uma das maiores incorporadoras e construtoras da América Latina no segmento de empreendimentos residenciais e econômicos, é um exemplo. Somente nos últimos cinco anos, a empresa investiu mais de 250 milhões de reais em projetos de transformação digital.

Um deles é uma plataforma de vendas online, lançada no começo de 2020, que permite adquirir um imóvel pela internet. Todo o processo é digital: desde a simulação e a análise de crédito até visitas e a assinatura de contratos. Com a crise do coronavírus, a ferramenta, que estava disponível apenas para Belo Horizonte, foi ampliada e passou a operar em 160 cidades de 22 estados brasileiros. Por enquanto, o site não está disponível apenas em Rondônia, Pará, Roraima, Acre e Amapá.

E para competir no ramo de locação, que nos últimos anos viu fatias enormes ser abocanhadas pela startup unicórnio Quinto Andar, a MRV decidiu criar a própria proptech de aluguel de imóveis. A Luggo, lançada em 2018, loca imóveis de forma totalmente online, sem a exigência de fiador – assim como o Quinto Andar. O diferencial é que as habitações disponíveis são construídas e administradas pela própria MRV.

Atualmente, a Luggo está presente em Belo Horizonte e Curitiba e conta com três prédios residenciais, que somam 332 apartamentos. No primeiro trimestre do ano, a taxa de ocupação dos imóveis lançados foi de 95%. Até 2021, a empresa pretende expandir seus serviços para São Paulo, grande Salvador, Campinas e Porto Alegre.

“Com esses investimentos, nosso objetivo é nos consolidar como uma construtech [startup que oferece soluções tecnológicas para a cadeia produtiva da construção civil]”, afirma Rodrigo Resende, diretor de marketing da MRV. De acordo com ele, hoje a construtora aluga uma propriedade em apenas duas horas – há cinco anos, demorava, em média, uma semana. Além disso, atualmente 66% das vendas mensais da MRV são realizadas totalmente pela internet. O esforço da companhia para acompanhar os novos tempos já rendeu bons frutos. Em 2019, por exemplo, a empresa registrou o melhor primeiro trimestre de sua história, com lucro líquido de 189 milhões, um aumento de 18% se comparado ao mesmo período do ano anterior.

SERÁ O FIM DOS CORRETORES?

O movimento de modernização no mercado imobiliário não abre oportunidades apenas para empreendedores. A área de transformação digital da MRV, por exemplo, conta com 100 funcionários. “A maior parte é da área de tecnologia, mas também existem pessoas que atuam no comercial, marketing, jurídico, relacionamento com cliente e inteligência de mercado”, afirma Rodrigo.

Além de profissionais tradicionais da área de TI, como desenvolvedores de realidade virtual e de chatbots e especialistas em user experience (UX), a digitalização do ramo cria novas carreiras. Uma delas é a de gestor de propriedades urbanas, uma espécie de síndico profissional, que pode chegar a ganhar 6.000 reais por mês. Ele é responsável por melhorar a experiência de moradia dos clientes, auxiliando na utilização de serviços disponíveis nos prédios – hoje em dia, alguns condomínios mais modernos contam até com coworking, por exemplo -, além de intermediar eventuais problemas e reparos.

Porém, ao passo que surgem novas profissões e tecnologias no mercado imobiliário, muito se fala sobre a possibilidade de a carreira de corretor de imóveis desaparecer. Um levantamento da consultoria EY de 2016 chegou a cravar que a função sumiria até 2025. Entretanto, especialistas vão contra essa crença e são unânimes em afirmar que a profissão não está com os dias contados.

“As pessoas valorizam a ajuda de alguém que tenha mais experiência para tomar a decisão. O início da jornada de um locatário ou comprador pode até ser self-service, mas, na hora de bater o martelo, ter uma orientação profissional faz toda a diferença”, afirma Claudio, do Secovi-SP. Uma prova disso é que a EmCasa internalizou o time de vendas – ao contrário da maioria das startups do ramo, que utiliza corretores autônomos. Além disso, a empresa optou por recrutar funcionários de fora do mercado imobiliário. Hoje, por exemplo, o departamento comercial conta com 30 pessoas que vieram de setores como varejo e tecnologia ou de outras startups. “Estávamos em busca de profissionais que prestassem um excelente atendimento para nossos clientes, mais do que se fossem especialistas na área de imóveis”, afirma Gustavo.

A escolha da startup tem razão de ser. Por muitos anos, a profissão de corretor era vista como uma carreira que não exigia muita qualificação. Era comum, inclusive, aprender o oficio na prática, sem treinamentos formais. Porém, com o aumento da competitividade no setor, até mesmo corretores com anos de experiência no ramo estão se reinventando.

Esse é o caso do paulistano Walter Tito Bruno, de 50 anos, que trabalha como corretor há quase três décadas. Ciente de que teria de se adaptar, realizou cursos e aprendeu a usar ferramentas de marketing digital e redes sociais. Também mudou a abordagem de seu atendimento. “Hoje meu trabalho é prestar consultoria aos clientes e, de fato, entender quais são suas necessidades”, diz.

Além de usar sites como Loft, Quinto Andar e Viva Real, Walter recorre às plataformas Órulo e Tegra Parcerias, que disponibilizam tabelas de preços e promoções sobre lançamentos imobiliários. “As informações sobre os empreendimentos ficaram mais objetivas e fáceis de ser acessadas e, com isso, ficou mais rápido fechar os negócios”, afirma Walter.

E, embora a pandemia do coronavírus tenha minado as expectativas dos especialistas, que esperavam uma retomada do setor imobiliário, é certo que a tecnologia veio para ficar. A tendência é que a adoção de ferramentas digitais seja intensificada, uma vez que imobiliárias de todos os tamanhos têm recorrido ao online para continuar com os negócios durante o isolamento. Considerando que, mesmo após o surto, o novo normal será marcado por videochamadas, máscaras e distanciamento, o aperto de mãos para fechar a compra da casa nova também ficará para depois.

RAIO X DAS PROPTECHS E CONSTRUTECHS NO BRASIL

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A PSICOLOGIA NOS TRIBUNAIS

É muito comum em processos em Vara de Família ver filhos de pais em litígio ou divorciados sofrerem alienação parental por parte de um deles

Atualmente tem se discutido com regularidade sobre o fenómeno da alienação parental, que, longe de ser uma fantasia criada, é algo que surge no âmbito familiar em muitos casos de separação litigiosa e divórcios. Acontece quando um dos genitores, ou ainda quem tem a guarda ou a tutela da criança, faz pressão para que ela tome partido de um lado, destruindo a imagem do outro e causando angústia e insegurança.

Embora a alienação parental seja encontrada anteriormente ao divórcio ou separação litigiosa, ou até mesmo em crianças que não tiveram um par parental em matrimônio, o objetivo do texto é discutir sobre esse fenômeno quando existe disputa de guarda da criança ou do adolescente por um dos genitores ou família extensa.

Os efeitos psicológicos da alienação parental têm sido material de discussão e preocupação entre os saberes da Psicologia e do Direito, justamente porque os riscos são muitos. A criança que cresce sendo objeto de disputa e tendo que escolher emocionalmente seu cuidador pode apresentar uma série de dificuldades emocionais.

É importante mencionar que a alienação parental pode ser experimentada pela mãe ou pelo pai, e não somente pelo pai (homem), embora seja mais observável. Sabe-se que pai e mãe são o primeiro suporte emocional para toda criança, e como tal insubstituíveis. Sendo assim a família é considerada núcleo básico essencial e estruturante do sujeito. Como fica isso para a criança em meio a à disputa judicial?

BURACOS EMOCIONAIS

No Brasil, desde agosto de 2010, a alienação parental é definida por lei (n° 12.318, agosto/ 2010). No art.2° da lei, “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou o adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou a manutenção de vínculos”. Observamos tanto na experiência clinica quanto nas avaliações para o Judiciário uma série de buracos emocionais no mundo psíquico dessas crianças e jovens; em uma época de suas vidas em que a estabilidade emocional oferecida pelas funções parentais deveria estar presente como alicerce, mas não está.

A perícia psicológica é um exame delicado que se desenrola através da investigação clínica da personalidade associada à análise dos fatos concomitante à dos sujeitos com base nos aspectos psíquicos e subjetivos, iluminando pontos conscientes e inconscientes do funcionamento mental dentro da dinâmica emocional, experimentada nas relações entre as pessoas.

Atualmente, e cada vez mais, é uma realidade o fato de a equipe multidisciplinar trabalhar de forma cooperativa para o deslinde de um processo. Desse modo, os juízes, os psicólogos, os assistentes sociais, os promotores, compartilham, buscam entender e estudar, com o objetivo de esclarecer e encontrar novas alternativas ao sofrimento experimentado pelos envolvidos no processo. É um trabalho árduo, e o maior propósito é que se faça valer o melhor interesse da criança e do adolescente, isso significa preservá-los.

O psicólogo perito deverá exercer seu papel pautado fundamentalmente nas bases das distinções do seu trabalho, que é exercido na clínica com fins terapêuticos e na justiça com fins de contribuir efetivamente ao campo do Direito.

PROTEÇÃO À CRIANÇA

O que se observa em estudos periciais ou em atendimentos de crianças em processo de guarda é que na medida em que os pais conseguem diminuir as desavenças entre eles, e passam a respeitar a criança como tal, a própria criança começa a apresentar uma melhora emocional significativa. O que quero dizer é que o estado emocional da criança vai depender e muito do modo como os pais manejam a separação conjugal.

Em situações em que através de uma perícia a alienação parental fica comprovada, medidas deverão ser tomadas pelo magistrado a fim de proteger e fazer valer o melhor interesse da criança. Essas medidas podem ser variadas, desde o encaminhamento para atendimento psicológico, ao manejo da convivência com o alienado, até a perda da guarda da criança. Cada caso será avaliado individualmente e essa avaliação precisa ser criteriosa, cautelosa e muito séria para que os danos para a família não sejam ainda maiores.

ALIENAÇÃO ACONTECE TAMBÉM NO CASAMENTO

A título de esclarecimento, é relevante explicitar que a alienação parental pode ser observada também em situações em que o casal não está separado, mas nesse caso pode não ficar tão evidente ou pouco se falar a respeito. uma vez que todos ainda convivem sob o mesmo teto. Em situações como essa, a alienação parental não é deflagrada ou discutida porque a criança ainda não é objetivamente ou legalmente objeto de disputa entre os pais, ou seja, as brigas ainda estão no domínio doméstico do casal. Comalguma frequência se percebe ao analisar através dos estudos periciais os casos de separação litigiosa ou divórcio que aquela queixa atual de que um dos cônjuges promove alienação parental já poderia ter sido observada anteriormente, mas não havia na ocasião essa percepção. Ou seja, na reconstrução da história pregressa daquela família através da perícia se observa que a queixa é atual, mas o problema é antigo: o modo como a família convivia já demonstrava sinais disfuncionais. E que no momento da ruptura conjugal isso se deflagrou.