EU ACHO …

O PESADELO DA TECNOLOGIA

Sempre considerei o telefone celular um mal – necessário, mas um mal – e quando deixei o jornalismo diário há cinco anos e não era mais imprescindível usá-lo, simplesmente larguei meu celular, levando ao desespero minha mulher e meus filhos. Não quero ninguém me rastreando ou me monitorando – nem um governo e muito menos uma empresa gigante que pretende ou lucrar com os dados colhidos ou tentar insistentemente me vender bugigangas de que não preciso. Quero ser o dono do meu próprio nariz, e não um boneco manipulado. Tanto no Brasil como nos Estados Unidos, estamos lidando com múltiplas crises ao mesmo tempo, e pelo bem ou pelo mal – ou melhor dito, para o bem e para o mal – a tecnologia de ponta está intimamente envolvida nas soluções. Só que a tecnologia atua de uma maneira que deve deixa todo mundo preocupado sobre o futuro da privacidade. O que estamos vendo agora é mais um passo na direção do Panóptico, o pesadelo de controle total e vigilância onipresente que se originou no século XVIII.

Por exemplo, no combate à Covid-19. Fiquei atônito quando soube que os governos estaduais aqui nos Estado Unidos conseguem identificar os lugares onde as pessoas não estão obedecendo a quarentena ou o distanciamento social, tudo isso por meio de metadados obtidos de celulares. Com os mesmos dados, o New York Times consegui mostrar que 5% da população da cidade fugiu para outro lugar, com o maior número de desertores saindo dos bairros mais ricos para se refugiar em suas casas de veraneio. Tudo bem gerar essas informações durante uma pandemia, quando são de grande utilidade pública. Mas seria muito fácil empregar as mesmas técnicas para fins políticos nefastos, como observar a formação de multidões de opositores de um governo autocrático no Irã, Síria ou Egito, e mandar tropas ou agentes à paisana infiltrar ou dispersar a aglomeração. Tenho certeza de que alguns governos já tiraram a lição e estão planejando ações desse tipo para lidar com futuros protestos. Juntar isso com dado das câmeras já ubíquas em metrópoles como Londres, Nova York e Xangai é um perigo.

A pandemia também está fortalecendo ainda mais o oligopólio do Vale do Silício. Com as pessoas recolhidas em casa, surgiram novas oportunidades para as empresas dominantes. Ninguém quer ir ao mercado comprar alimentos ou ao shopping recém-reaberto buscar máscaras ou desinfetantes, mas é fácil achar tudo na Amazon. Com os escritórios ainda fechados, as únicas opções de comunicação entre funcionários (ou entre amigos) são do tipo FaceTime, WhatsApp, Google Meet, WeChat, Zoom. Temo que esses novos hábitos vão virar permanentes e acabar com a muralha entre casa e trabalho e também com o pequeno comércio.

Por questão de princípios, nunca chamei um Uber ou um de seus rivais. Acho o modelo empresarial deles conveniente, mas inerentemente vampírico, sugando dinheiro e vida de motoristas mal pagos. Com Uber Eats e seus muitos concorrentes, minha atitude é a mesma. Tenho duas sobrinhas que dirigem um restaurante, e antes da pandemia elas pagavam entre 25% e 33% de comissão aos aplicativos de entrega. Agora, a taxa subiu para 40%. O entregador não fica com isso, claro: a parte do leão fica com alguém que não faz parte da cadeia produtiva. Será que os restaurantes vão sobreviver?

Vejo a mesma faca de dois gumes na questão das manifestações contra o racismo que vêm crescendo aqui nos Estados Unidos. Os policiais sempre foram brutais, sempre maltrataram e até mataram cidadãos, especialmente negros e latinos. E sempre mentiam nos relatórios e julgamentos. Agora, porém, o público tem a capacidade de filmar os abusos em tempo real, e ninguém pode duvidar dos fatos. As provas estão visíveis e contundentes. Mas os policiais também estão filmando tudo, e acumulando dados sobre a população.

Tenho idade suficiente para lembrar nitidamente que nos anos 1990 visionários e idealistas como John Perry Barlow aqui nos Estados Unidos e Gilberto Gil no Brasil imaginavam que a internet, “a onda luminosa”, seria uma ferramenta para a liberação do ser humano, que não ia se converter em apenas mais um instrumento para estimular o consumo e dominar o povo. Gil, aliás, tentou implementar programas para estimular a imaginação e o pensamento quando era ministro da Cultura. Mas em 2020 acho que temos de reconhecer uma verdade preocupante: sim, a tecnologia é uma faca afiada dos dois lados. Mas cuidado. Podemos nos confundir e nos cortar.

LARRY ROHTER – é jornalista e escritor, ex- correspondente do New York Times no Brasil e autor de Rondon, uma biografia

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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