A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O BOM DA VIDA

Verdades e mitos sobre a longevidade

Quando sua filha nasceu, Mata Zaraska estava decidida a dar-lhe apenas o melhor. “Frutinhas goji, sementes de chia, couve… Eu ficava louca vasculhando as lojas em busca dos alimentos mais saudáveis”, diz. “Todas as coisas que eu tinha certeza que a fariam viver até os 100 anos.” Então, ela pensou que o modo como levamos a vida talvez seja mais importante que o último alimento milagroso ou aparelho de ginástica. Mas, por ser uma jornalista científica com treinamento em direito, ela queria provas.

Começou a examinar centenas de trabalhos acadêmicos e a entrevistar dezenas de pesquisadores sobre experimentos radicais com ratos e macacos, e fenômenos biológicos assustadores como células zumbi (chamadas células senescentes, a matéria inchada e não totalmente morta que se acumula à medida que envelhecemos, expelindo toxinas e transformando outras células em zumbis). Sua pesquisa expandiu-se além da ciência, incluindo um campo de treinamento de longevidade português, um salão de abraços polonês e uma sessão de prensagem de flores para octogenários japoneses, antes de retornar à França, lar da mais antiga centenária certificada do mundo. Sua curiosidade resultou no livro Growing Young: How Friendship, Optimism, and Kindness Can Help You Live to 100, editora Robinson – sem previsão de lançamento no Brasil.

Quando Jeanne Calment morreu, em um lar de idosos em Arles, em 4 de agosto de 1997, com 122 anos e 164 dias, havia se tornado uma garota-propaganda da longevidade (embora alguns tenham contestado por quanto tempo ela viveu). Ela afirmou que conheceu Van Gogh e encantou os jornalistas com histórias de que fumava e bebia. “Mas eram mentiras”, escreve Zaraska. Calment só fumou durante dois anos, bem depois de completar 110. Zaraska alerta sobre as histórias de longevidade, muitas das quais podem ser produto da fantasia.

Como testemunhei o declínio de vários parentes idosos, digo a ela que tenho quase certeza de que não quero viver até os 100. Mas ela me diz que a importância de Calment não é simplesmente a sua idade, mas o fato de ter gozado de boa saúde até semanas antes de morrer: “Os estudos mostram que quanto mais você vive maior a probabilidade de permanecer em perfeita forma e morrer enquanto faz jardinagem ou patina pelo mundo”. Enquanto um ser humano médio passa quase 18% da vida em luta contra doenças, para um super centenário essa proporção cai para 5%. Embora os registros públicos mostrem que Calment veio de uma linhagem longeva, Zaraska diz que “quanto tempo vivemos é apenas de 20% a 25% hereditário”. Uma gerontologista que conhecia Calment e pesquisou seu caso afirmou que seu amor por entrevistas, e até por suas mentiras (ela admitiu que dizia aos jornalistas o que eles queriam ouvir), pode ter sido fundamental. “Ela era forte, rebelde, curiosa sobre o mundo e ferozmente independente. “Basicamente, uma otimista.

Então, quais são as suas chances, sevocê não é nada disso? Não é novidade que infelizes geralmente não vivem tanto quanto os felizes. Zaraska afirma, entretanto, que uma das formas mais prejudiciais de infelicidade é a solidão. Tudo remonta ao nosso passado de caçadores­ coletores e às diferentes estratégias necessárias para nos protegermos. A sensação de solidão sinalizava o tipo de isolamento que colocava os primeiros humanos sob risco de ataque de animais. A falta de leões, hoje isso gera um estresse constante, em fogo baixo, que pode levar à inflamação crônica, que está associada a tudo, desde câncer e artrite reumatoide a diabetes e Alzheimer.

As estatísticas que Zaraska descobriu para apoiar sua tese são surpreendentes. Adotar adieta mediterrânea, rica em frutas e legumes, azeite no lugar de manteiga, pode reduzir em 21% a probabilidade de morte prematura. Ter uma grande rede de amigos, entretanto, a reduzirá em 45%. Ter um casamento feliz reduz pela metade.

Coloque tudo junto, diz, e você pode até chegar ao “efeito Roseto”. No início dos anos 1960, os habitantes de Roseto, na Pensilvânia (EUA), apresentavam taxas muito baixas de doenças cardíacas, apesar de fumarem, beberem e adorarem salsichas cozidas em banha de porco (o excesso de peso não é, estatisticamente, um obstáculo à vida longa, desde que seu IMC não tenda à obesidade grave). O fenômeno foi atribuído à extrema sociabilidade de uma comunidade de imigrantes italianos que tinham esquecido completamente a dieta mediterrânea, mas não o estilo de vida que a acompanhava. Se eles abandonassem seus hábitos de vizinhança, alertou um médico local, sua saúde se deterioraria. E assim foi. No fim dos anos 1970, escreve Zaraska, os moradores de Roseta sucumbiram ao sonho norte-americano de casas maiores e mais afastadas, alcançadas de carro e não a pé – e tiveram uma taxa de mortalidade semelhante à de outros lugares nos Estados Unidos.

Os extrovertidos tendem a viver mais do que os introvertidos, diz Zaraska, citando pesquisas de Japão, Suécia e Holanda e Estados Unidos. Um estudo holandês afirmou que cada indivíduo a mais em uma rede de interações regulares reduzia em 2% o risco de morrer em cinco anos. Mas, mesmo que você seja muito introvertido, há coisas que pode fazer para melhorar suas perspectivas. Quais? “Não se preocupe com a falta de um amplo grupo de amigos. Cuide bem dos poucos amigos íntimos que você tem.”

Felizmente, os atributos de personalidade não são imutáveis. Eles são uma combinação de falhas e comportamentos que aumentam com o tempo e podem ser combatidos por meio de terapia, meditação e autodisciplina, embora alguns sejam mais difíceis de mudar que outros. “Se você escolher um traço de personalidade para trabalhar, a fim de aumentar suas chances, escolha a consciência”, diz ela. Conforme os atributos, é relativamente fácil mudar. “Mantenha seu escritório arrumado, organize sua gaveta de meias, prepare suas roupas na noite anterior.”

Como alguém que sempre foi um pouco desleixado no departamento de gavetas de meias, acho isso alarmante. Como a organização extrema se encaixa na ideia de uma vida familiar harmoniosa – ou de se tornar um centenário? Os conscientes são mais propensos a fazer coisas boas para eles. “Investimos tanto dinheiro em ensaios clínicos caros que prometem terapias extravagantes para reverter o envelhecimento”, ela escreve. “Mas talvez devêssemos fazer coisas que são conhecidas por funcionar, como voluntariado, fazer amigos e aprender otimismo. Se investirmos mais em ser gentis, conscientes e atenciosos, é mais provável que melhoremos as condições em que todos vivemos.”

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.