EU ACHO …

JUÍZO DE VALOR

A economia é uma disciplina que nasceu da filosofia moral e ética. Em A teoria dos sentimentos morais, Adam Smith delineou os pilares éticos, comportamentais e metodológicos que influenciariam toda a sua obra, inclusive A riqueza das nações. Deste seu livro nasceu a economia política, que muito mais tarde passaria a ser apenas “economia”. Hoje uma ciência social aplicada, a economia tem, assim, um longo histórico intelectual que elabora sobre sua dimensão normativa e não sobrepõe a ela nem a dimensão positiva nem as práticas positivistas adotadas em seu ensino atual. Alunos de economia, há muito, não são estimulados a pensar sobre valores, nem a formular e pôr em debate seus próprios juízos quando confrontados com diferentes escolhas de política econômica. Por esse motivo, as gerações mais novas de economistas costumam se ater aos métodos estritamente quantitativos, às análises rígidas de custo-benefício quando discutem a política econômica. A crise humanitária decorrente da pandemia põe em evidência essa grave deficiência da economia moderna.

É comum ver economistas – não apenas no Brasil – dizerem que não cabe à profissão trazer questões normativas para a discussão. O que é correto, o que é justo, o que é desejável é negligenciado em prol de análises do tipo: “vale a pena ou não?”, “quanto custa?”, “qual o ganho?”, entendendo-se por “ganho” uma recompensa estritamente monetária. Essa maneira de tratar a disciplina a empobrece e a torna enfadonha. Não economistas – que compõem a maior parte da sociedade, um alívio – costumam perguntar se algo que leem nas páginas dos jornais é justo ou correto. “É justo que o valor de minha aposentaria seja reduzido?” “É correto que eu tenha de trabalhar mais tempo para poder me aposentar?” “É desejável que empregos sejam mantidos à custa de reduções de salários?” Economistas não só não costumam ter respostas para essas perguntas, como muitas vezes se mostram refratários a elas. Tal postura, naturalmente, afasta a economia da vida das pessoas, ainda que a economia esteja o tempo todo presente nela.

Dia desses, em uma discussão sobre a renda básica, economistas deram a entender que não cabia um julgamento sobre se esses programas são ou não justos, posto que sua natureza redistributiva encerra uma questão de justiça e deve ser, por isso, arbitrada pela política, pelo Congresso Nacional. É claro que muitas políticas públicas devem ser arbitradas pelo Poder Legislativo: é como funcionam nossos sistemas democráticos. Contudo, essa constatação não exime o economista de explicitar o juízo de valor que ele efetivamente faz sobre a renda básica. É perfeitamente razoável, diria até que esperado, que o ou a economista expliquem à sociedade, sobretudo no papel de intelectuais públicos, por que a renda básica é justa, correta, desejável. Ou, caso tenham a visão contrária, por que ela não é nada disso. Neste momento, em que as pessoas estão buscando respostas que vão além daquilo que é mensurável, recolocar valores não quantificáveis no debate econômico é importante não apenas para orientar quem busca orientação, mas para tornar a economia relevante do ponto de vista de quem é por ela afetado ou afetada.

Essa fragilidade no pensamento econômico moderno não é compartilhada por alguns economistas de outras gerações. Em sua extensa obra sobre desigualdade, pobreza e desenvolvimento econômico, o grande professor Amartya Sen, vencedor do Nobel de Economia em 1998, debruçou-se sobre seus aspectos normativos, entendendo que eles não eram separáveis desses objetos de estudo. Albert Hirschman, outro grande economista e cientista social, também escrevia seus ensaios com um olhar sobre a ética e os valores de políticas públicas desenhadas para promover o desenvolvimento dos países. Não à toa, a obra desses pensadores é instigante, provocadora e resistente a tentativas reducionistas.

A crise humanitária apresenta um enorme desafio para a economia como ciência e disciplina prática. Mas também lhe oferece a oportunidade de voltar a suas origens e aproximar-se novamente das pessoas – seu objeto de estudo, afinal. É um desperdício insistir em reduzi-la a uma linguagem inútil e de uso restrito apenas aos tecnocratas, em descrédito mundo afora.

MONICA DE BOLLE é pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics e professora da universidade Johns Hopkins.

OUTROS OLHARES

O QUE DIZEM AS VÍTIMAS

Um levantamento inédito mostra o perfil dos brasileiros que perderam a vida em maior número por causa da pandemia. Em comum, eles têm a cor, a idade e a falta de oportunidades

Aos 67 anos, diabético, Adelson José da Silva continuava dando expediente no trabalho do qual sempre se orgulhou, apesar da pandemia. Era motorista socorrista do Samu, em Cubatão, São Paulo, e sentia que cumpria a missão de sua vida ao ajudar a transportar pessoas em risco de morte até o hospital municipal da cidade. Logo na chegada do novo coronavirus ao país, em março, perdera seu melhor amigo para a doença. Isso fez com que sua família se preocupasse com sua saúde e requeresse seu recolhimento, por ser considerado do grupo de risco. Mas o Samu não podia prescindir de seu trabalho num período de tamanha demanda. Sem saber que estava com a doença, Adelson Silva chegou a trabalhar infectado, quando os sintomas ainda eram leves. Deu entrada no pronto-socorro em 16 de abril, com tosse e dificuldade para respirar. Em mais de 40 anos como socorrista, foi sua terceira falta Ficou 19 dias internado. Catorze, em decorrência da Covid-19. Os últimos cinco, para tratar-se da pneumonia que contraiu no hospital. Despediu-se em 5 de maio, 17 dias antes de seu aniversário.

Adelson era pardo, havia cursado até o ensino médio e vivia em área urbana. Essas características, somadas à idade e à presença de ao menos uma comorbidade, diabetes, o colocam no grupo em que, segundo dados coletados no Sistema Sivep ­ Gripe, do OpenDataSUS, mantido pelo Sistema Único de Saúde, está a vítima- padrão da Covid-19 no Brasil. Um levantamento exclusivo encomendado à consultoria Lagom Data, em que foram analisados dados de 54.488 vítimas, mostra o que dizem os mortos sobre a pandemia no Brasil. A conclusão é que, por razões socioeconômicas e sociodemográficas, a doença matou mais pobres e pardos, mais homens que mulheres e mais jovens do que em outros países onde a pandemia inviabilizou sistemas de saúde, como na Itália e na Espanha.

Esses dados, que revelam informações sobre os mortos por síndrome respiratória aguda grave (Srag) decorrente da Covid-19, deixaram de ser publicados pelo Ministério da Saúde no início de junho, logo após a última mudança de gestão, em que assumiu o general Eduardo Pazuello. No dia 16 do mesmo mês, diante da má repercussão do apagão, eles voltaram ao site, com atualização semanal. Os números do SUS são obtidos graças à inserção obrigatória das fichas de todos os pacientes (de hospitais públicos e privados) na base de dados do sistema. Por meio dessa ferramenta, é possível ler o que cada profissional da saúde escreveu na ficha de cada paciente infectado pelo novo coronavírus no Brasil. A inserção tem uma certa defasagem: na terça-feira 30, última coleta feita pela reportagem, eram contabilizadas 54.488 mortes, enquanto os números do Ministério da Saúde estavam em 60 mil.

Sexo, idade e localização são as informações mais completas nas fichas pesquisadas. Com isso, é possível saber que 96% dos pacientes que morreram de Covid-19 após serem internados no Brasil viviam em zonas urbanas e quase seis em cada dez eram homens. A cor da pele é preenchida em cerca de dois terços das fichas e, apesar das lacunas, os números evidenciam o impacto da desigualdade. Das vítimas cuja cor foi identificada, 61% constam como pardas e pretas, enquanto, segundo o IBGE, os pardos e pretos no pais representam 54%. No Norte, 86% das vítimas eram pardas e pretas, um número proporcionalmente maior do que a desses fenótipos na população da região – que é de 76%. No Nordeste, eram 82% dos mortos, mesmo sendo apenas 70% da população, de acordo com o IBGE.

Os dados também ajudam a dar um panorama mais detalhado de como a pandemia afetou as populações indígenas. Foram 218 mortos registrados, 40 apenas em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, considerado o município com maior proporção de índios no país e mais próximo da reserva ianomâmi. A média de idade e o sexo das vítimas não difere muito do padrão nacional: 66 anos e majoritariamente homens. Mesmo assim, a doença afetou os mais jovens e 11 vítimas foram bebês indígenas com idade entre 3 dias e 11 meses de vida. A recém-nascida, da etnia pipipã, morreu de insuficiência respiratória associada à Covid-19 no município de Floresta, no sertão de Pernambuco.

Ao analisar a média de idade das vítimas, o levantamento mostra importantes oscilações entre os estados – em Mato Grosso, 40% dos mortos tinham menos de 60 anos, enquanto no Rio Grande do Sul apenas 21% estavam nessa faixa -, e também que os brasileiros morreram mais jovens na comparação internacional. No Brasil, a média para mulheres é de 70 anos e para os homens de 67. Mas, quando se observa as idades por categorias, há maior percentual de vítimas mais jovens do que a média de países europeus. No Brasil, cerca de 6% das vítimas tinham entre 40 e 49 anos, enquanto em países como Itália, Espanha e Suécia, esse porcentual não passou de 1%. Já entre 50 e 59 anos, os brasileiros que morreram em decorrência da pandemia superavam 10% do total. Nos três países europeus, as vítimas nessa faixa etária eram menos de 5%. Na Espanha e na Itália, 40% das vítimas tinham entre 80 e 90 anos. No Brasil, essa faixa correspondia a cerca de 20% dos mortos. Nos Estados Unidos, 19% dos mortos tinham menos de 65 anos. No Brasil, 26% tinham menos de 60 anos.

O epidemiologista Guilherme Werneck, professor da Universidadedo Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ), não advoga por comparações entre países, argumentando que a população brasileira é, na essência, mais jovem do que a europeia e a americana. Mas ele aponta outros fatores, além da demografia, que ajudam a explicar a vulnerabilidade dos mais novos no Brasil. Um deles é o fato de brasileiros sofrerem de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, mais precocemente do que outras populações. Por trás disso estão hábitos pouco saudáveis, como o consumo de comida industrializada, ainda mais frequente entre as camadas mais pobres da população. “Tudo nos leva para uma população economicamente e socialmente mais vulnerável. Escolaridade reflete mais do que o conhecimento,  reflete oportunidades de emprego, renda, ocupação – que geralmente levam à informalidade, com péssimas condições de trabalho e maior exposição neste momento. É uma carga que vai se redobrando sobre essas populações, e a Covid-19 não deixaria de revelar a desigualdade que já temos” , disse.

A maior incidência das mortes decorrentes da Covid-19 em homens – 56% das vítimas são do sexo masculino, mas há estados, como Mato Grosso, em que esse percentual vai a 70% – também pode ser explicada, em determinados aspectos, por fatores sociais. “Há várias teorias para isso. Uma delas diz respeito a comorbidades não tratadas: os dois podem ter hipertensão, mas a das mulheres tende a estar mais controlada. De forma geral, sabemos que as mulheres aderem mais à medicação, procuram mais rapidamente o serviço de saúde e têm maior cuidado com a saúde do que os homens. Elas também costumam seguir mais as recomendações preventivas, no caso lavar a mão, usar a máscara, fazer distanciamento. Em geral, os homens se cuidam menos”, disse Werneck.

Ainda que os dados contenham enormes lacunas na inserção de informações socioeconôrnicas, como escolaridade e profissão, é possível aferir, com o que se tem disponível hoje, a relação entre a mortalidade do vírus e a renda, resultando na constatação atroz de que os mais pobres, seja por precariedade da saúde, da moradia, do trabalho ou do acesso à rede hospitalar, foram as maiores vítimas da Covid-19 no país. Segundo Marcelo Gomes, pesquisador que coordena o projeto InfoGripe, da Fiocruz, a falta de oportunidade é escancarada nos aspectos mais básicos da vida em sociedade, que é o acesso à água tratada, importante fator para a multiplicação do coronavírus. Água limpa e esgoto tratado são serviços escassos na Região Norte, no sertão nordestino e nas periferias das grandes cidades, o que dificulta a prática de medidas profiláticas simples, como a lavagem das mãos. “Temos uma realidade bastante peculiar em termos de vulnerabilidade socio­ econômica e sociodemográfica, muito distinta em relação à dos países desenvolvidos”, disse o pesquisador. “Nossas zonas mais pobres têm um adensamento maior, mais gente no mesmo espaço, o que aumenta a velocidade de transmissão.”

O retrato desse cenário de desalento pode ser percebido nos números. Entre as mais de 50 mil vílimas analisadas na pesquisa, foi informada a escolaridade de 13.300 (e quase dois terços delas tinham, no máximo, o ensino fundamental completo). A baixa escolaridade, em si, não é a slntese do problema sanitário trazido pela Covid-19, mas ajuda a explicar a falta de desenvolvimento nas áreas mais afetadas – o que acaba impactan do todas as esferas de vulnerabilidade de uma população. Um índice para medir o impacto de características socioeconômicas na saúde foi criado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). Esse indicador, batizado de GeoSES, já mostra que, quanto maior o percentual de pobreza de um município, maior o risco relativo de mortalidade pelo coronavírus. Outro estudo, feito pelo site Medida SP, em que foram cmzados os dados de mais de 3 mil mortos por Covid-19 na Grande São Paulo com seus CEPs, constatou que 66% das vítimas viviam em bairros em que a renda média estava abaixo de R$ 3 mil. Nas regiões com renda superior a R$ 19 mil, foi registrado pouco mais de 1% das mortes.

O preenchimento das informações sobre comorbidades dos pacientes é mais raro nos prontuários do SUS – está em apenas um terço das fichas -, o que sugere a precariedade do atendimento, agravada pelo fato de, em muitos casos, o próprio enfermeiro que preenche a primeira ficha ser o mesmo que prestará o atendimento imediato a doentes, geralmente, em estado grave. Cardiopatia era a doença mais recorrente nas fichas: constava em 70% dos documentos preenchidos com comorbidades. Diabetes, em 60%. Obesidade, em 10%. E asma, em 5%.

Gomes, da Fiocruz, se refere ao método de obtenção dos dados como “arcaico”. Ele explica que, ainda que o país tenha um sistema nacional de saúde, o que é uma vantagem em comparação com outros países, o preenchimento de doenças de notificação compulsória, como síndromes respiratórias, é feito manualmente em fichas de papel. “Isso divide a atenção do profissional entre as tarefas de atendimento e essa ficha que é à parte do prontuário”, disse Gomes. Tais lacunas tornam impossível, segundo ele, tirar conclusões epidemiológicas sólidas no campo da ciência, ainda que possam apontar caminhos e tendências.

Epidemiologista da USP, Paulo Lotufo argumenta que as falhas em dados, diante das condições, são compreensíveis, considerando o estresse do momento e da falta de profissionais da saúde. Mas argumenta que isso não impedirá que, mais para a frente, pesquisadores consigam ter um retrato fiel e chancelado pela ciência sobre o que dizem os mortos da pandemia no Brasil. “No momento, esquece. Isso é um projeto de pesquisa, vamos pegar amostragem, prontuário, tudo. Mas, agora, não dá. As equipes médicas estão arrebentadas, estafadas. Pandemia é pandemia, depois nós vamos analisar”, disse.

No Reino Unido, em que o sistema de saúde é único e há disponibilidade de dados mais detalhados sobre as vítimas, uma associação, a OpenSAFELY Collaborative, publicou um preprint (estudo inicialmente sem revisão feita por pares) com uma análise dos prontuários eletrônicos de 17 milhões de pacientes adultos do país. O estudo foi coordenado por Ben Goldacre, pesquisador sênior do Centro para a Medicina Baseada em Evidências de Oxford, e indica que mesmo esses dados muito mais completos do que os brasileiros falham em captar variáveis que podem ser cruciais, como a exposição ao vírus no trabalho e condições de moradia da vítima.

Segundo a pesquisa, os maiores riscos de morte associados ao novo coronavírus (com base em 5.683 mortes ocorridas até 16 de abril) estavam relacionados a algum destes fatores: ser homem, ser idoso e pobre, ter diabetes descontrolado e sofrer de asma severa. Negros e asiáticos, no Reino Unido, apresentavam maior risco de morte hospitalar do que brancos. Contudo, os pesquisadores se esquivam, ainda, de traçar qualquer paralelo socioeconômico com o perfil das vítimas. Parte dessa preocupação se deve ao fato de a saúde no país ser pública e igual para toda a população, independentemente da renda ou condição social. “Ao contrário de especulações anteriores, isto é apenas parcialmente atribuível a fatores de risco preexistentes ou à pobreza”, diz o estudo.

Até chegar a seu suado posto de motorista socorrista, Adelson Silva passou por alguns percalços na vida. O primeiro deles foi sobreviver, ao migrar com os pais e 14 irmãos de Pernambuco para São Paulo, quando criança, em busca de uma vida melhor. Tornou-se motorista de ambulância e só depois fez cursos para socorrista. Casou-se e permaneceu por 45 anos com a mesma mulher. Teve dois filhos, criados graças a seu soldo no Samu, que lhe deram três netos. No dia de sua morte, em maio, foi aplaudido pelos funcionários do lado de fora do pronto-socorro enquanto seu corpo passava pela via a caminho do cemitério. Ambulâncias acompanharam o carro fúnebre em homenagem ao colega. Adelson Silva foi enterrado com o uniforme de trabalho, que ele tinha orgulho de vestir, como lembra sua filha Amanda, que já passou Natal e Ano-Novo na porta do pronto-socorro vendo o pai de plantão. Evangélico, ele tocava baixo, piano e violão nos cultos. Era um assíduo participante dos projetos sociais da igreja.

Nos últimos dias de vida, quando Adelson Silva chegou a esboçar alguma melhora, pôde receber uma visita da filha. Chorou quando ouviu que seus netos estavam com saudade. Em fevereiro, quando um deles completou 18 anos, deu o primeiro pedaço de bolo para o avô. Ele sempre dava para a avó. Mas, neste ano, foi diferente.

NEGROS MORREM MAIS

Regiões brasileiras apresentam diferenças na composição racial dos mortos pela Covid-19

O SEXO FRÁGIL DA COVID

Estados do Norte do Brasil têm mais registros de pacientes do sexo masculino entre os óbitos

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ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 22 DE JULHO

O PRIVILÉGIO DE SOCORRER OS NECESSITADOS

Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício (Provérbios 19.17).

A ganância e a avareza são características de uma sociedade materialista. Muitos pensam que a felicidade consiste em acumular para si mesmos o máximo que puderem amealhar. Para isso, tomam de assalto até mesmo o que pertence ao próximo. Surripiam o alheio. A Bíblia diz, porém, que feliz é o homem que acode ao necessitado, e não o avarento. Aquele que se compadece do pobre, Deus lhe assiste em sua aflição e lhe afofa a cama na hora da enfermidade. A generosidade é o caminho mais curto para uma vida feliz. A felicidade não é governada pelo egoísmo, mas pelo altruísmo. Não encontramos a felicidade quando retemos tudo em nossas mãos, mas quando repartimos com os necessitados o que temos nas mãos. Os generosos emprestam a Deus, que a ninguém fica devendo. Os generosos fazem uma semeadura bendita e colhem com abundância os frutos benditos dessa semeadura. Deus mesmo multiplica sua sementeira, para continuar semeando com mãos dadivosas. Quando socorremos os necessitados, Deus nos assiste em nossa aflição. Quando aliviamos o sofrimento do pobre, Deus afofa a nossa cama na hora da dor. Quando abrimos o nosso coração, as nossas mãos e o nosso bolso para repartir um pouco do que Deus nos deu, encontramos nesse gesto grande privilégio e verdadeira felicidade.

GESTÃO E CARREIRA

A SAÍDA É A PARCERIA

Marcas como Nokia e Xiaomi se aliam a fabricantes nacionais para buscar espaço no mercado de celulares brasileiro

O Brasil é desafiador até para empresas que se destacam mundo afora. Por isso, fabricantes internacionais de celulares têm buscado parceiros locais para lidar com as dificuldades de um país de dimensão continental. Esse é o caso da finlandesa HMD Global, empresa responsável pelo retorno da marca Nokia ao mercado de celulares. A companhia acabou de se aliar à brasileira Multilaser para trazer ao país seu novo smartphone, o Nokia 2.3. ”Trabalhar com uma empresa local séria e bem estabelecida é uma estratégia interessante para distribuir produtos de forma eficiente e evitar armadilhas”, diz Alexandre Ostrowiecki, presidente da Multilaser. Florian Seiche, presidente mundial da HMD Global, afirma que, mesmo num momento econômico desfavorável como agora, o mercado brasileiro é prioridade para a empresa. ”O Brasil é um mercado globalmente estratégico com enorme potencial para nós e o único país importante onde ainda não estávamos presentes. No Brasil, a Nokia ainda é reconhecida como uma das marcas de celular da mais alta qualidade”, diz. Há um ano, outra empresa fazia o mesmo movimento: a chinesa Xiaomi. A companhia é a quarta fabricante que mais vende celulares no mundo, pouco atrás da Apple. A aliada em sua segunda incursão no Brasil é a mineira DL. ”Além de conhecer o mercado, é preciso conhecer o consumidor brasileiro. Às vezes, uma cor específica ajuda um produto a ser mais vendido”, diz Luciano Neto, chefe da operação da Xiaomi no Brasil. Apuramos que a Xiaomi tinha O,7% do mercado de smartphones no quarto trimestre de 2019. A Positivo Tecnologia também representa empresas internacionais, como a companhia de acessórios Anker e a marca japonesa de notebooks Vaio. Para Renato Meireles, analista sênior da consultoria IDC, as empresas brasileiras locais auxiliam as fabricantes internacionais a competir no país. ”As companhias brasileiras têm presença forte no varejo e ajudam as multinacionais a entender a cadeia de vendas do país. E, em alguns casos, a parceria de montagem local também ajuda a praticar preços menores ao consumidor”, afirma Meireles.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O MELHOR AMIGO DAS CRIANÇAS

Pesquisa científica mostra que, além de fonte de amor, cachorros de estimação são aliados no desenvolvimento emocional de jovens entre 2 e 5 anos

Pais e mães, preparem-se: as crianças ganharam um forte aliado da ciência para argumentar que ter um cachorro é, sim, de extrema importância para a família – mas, acima de tudo, para elas próprias. Um estudo realizado por cientistas da University of Western Australia (UWA) provou que jovens que convivem com cães apresentam melhor desenvolvimento emocional do que aqueles que não tiveram essa oportunidade. Em outras palavras: o cachorro da família pode ser um parceiro indispensável na criação dos filhos. De acordo com a pesquisa, crianças de 2 a 5 anos que mantêm fortes conexões com bichos de estimação demonstram menos problemas de comportamento do que seus pares. Entre outras conclusões, o estudo mostrou que elas têm 34% mais chance de apresentar comportamento pró-social. Além disso, levar o animal peludo para passear e brincar são atividades que estimulam habilidades sociais positivas e contribuem para a saúde física das crianças. Segundo o estudo australiano, os mais novos que saíram para passear com o cachorro da família acumularam, em média, 29 minutos a mais de atividades físicas por semana do que as crianças sem pet. Trata-se de uma excelente notícia para milhões de brasileiros: com 54,2milhões de caninos, o país tem a quarta maior população pet do mundo.

Para a terapeuta ocupacional Juliana Lacerda, a pesquisa chama atenção por se concentrar em uma faixa etária bastante específica. “A investigação aconteceu no pico do desenvolvimento da cognição social”, diz a especialista. “Quando a criança interage com alguém da mesma idade, ela aprende a desenvolver estratégia, se o cachorro entra como um recurso para aprimorar essas habilidades.” As vantagens, porém, não se restringem às experiências vividas na fase pré-escolar. A convivência com cães pode trazer benefícios que serão úteis também na vida adulta. “O melhor desenvolvimento da cognição na infância diminui a possibilidade de comportamento de risco, como abuso de substâncias químicas, e aumenta o sucesso em relacionamentos pessoais e de trabalho”, afirma Juliana. Outro estudo científico realizado recentemente evidenciou que a convivência intensa entre crianças a partir dos 8 anos e animais de estimação gera efeitos benéficos que se alastram pelo menos até a fase da pré-adolescência. Também há pesquisas sérias que concluíram que a competência social na vida adulta e a autoestima elevada estão associadas à presença canina antes dos 6 anos de idade ou após os 12.

A pesquisa da University of Western Australia avança ao mostrar os impactos dos cães na vida das crianças em uma fase em que elasestão desenvolvendo atributos que ficam para sempre – desde habilidades motoras, conquistadas inclusive na interação física com os animais, até emocionais. O curioso é que o estudo trata especificamente de cachorros. Gatos não foram avaliados, embora outras pesquisas tenham detectado que os bichanos ajudam no desenvolvimento de noções de responsabilidade. Em geral, estudos científicos nessa área priorizam cães por uma razão simples: graças à sua personalidade, eles costumam interagir mais com os humanos. Para Elisa Leão, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Psicossociais sobre Desenvolvimento Humano da Universidade Mackenzie, a fase entre 2 e 5 anos é a ideal para o primeiro contato com os animais de estimação. “A maturidade motora surge quando a criança aprende a se equilibrar e a reconhecer o animal como um integrante da família”, diz Elisa. “A interação é positiva, porque as crianças acabam desenvolvendo empatia nesse processo.” Em um mundo cada vez mais polarizado e intolerante, ter empatia é uma qualidade que pode ser bastante rara.

Ao mesmo tempo que a convivência com um animal de estimação é repleta de vantagens, há o outro lado da moeda que não deve ser desprezado. “Quando os bichos desaparecem ou morrem, eles contribuem para o primeiro contato com o luto”, explica a especialista do Mackenzie. ‘Isso pode ser o gatilho para o surgimento de doenças como ansiedade ou depressão.” Casos raros de agressão praticada por cachorros, como ataques e mordidas, desencadeiam fobias em pessoas mais sensíveis. Relatos mostram que traumas negativos provocados por cães às vezes duram até a vida adulta. Por isso, a convivência com os animais deve ter como base o equilíbrio – não deixar a criança ser dependente demais do ponto de vista afetivo nem permitir a construção de uma relação baseada no medo. “O cão é excelente companhia, mas trata-se de um animal e é preciso impor limites”, avisa Elisa. Isso, inclusive, ajuda no aprendizado das crianças, que passam a entender que nem tudo na vida é permitido. Outro aspecto a ser considerado na relação entre homens e bichos de estimação é a responsabilidade que as pessoas assumem ao ficar com um pet. Cachorros são fofos, mas dão trabalho, consomem recursos, precisam ser levados com frequência ao veterinário. Crianças devem entender desde cedo que brincar com os companheiros de quatro patas é bom, mas cuidar corretamente deles também é fundamental.