A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ENTRE O REAL E O VIRTUAL

A solidão é um problema psicossocial prevalente na sociedade moderna. Entretanto, com a hiperconectividade se tornando um hábito cada vez mais comum, até que ponto estamos mesmo tão solitários?

O ser humano é um ser social e relacional. Pesquisas da Universidade de Harvard comprovaram que o indivíduo é mais feliz quanto mais ele constrói relações íntimas e verdadeiras. No entanto, desenvolver relações afetuosas tem o seu preço. O mundo capitalista gera sempre um conjunto enorme de desejos e expectativas. Não estamos nunca satisfeitos. Queremos mais tempo, sucesso, status, casamento maravilhoso, filhos muito bem educados, corpo perfeito, um hobby, etc. Nosso grau de exigência conosco mesmo é altíssimo. Qual é o resultado dessa busca insana por ser multitarefas, dar conta de tudo ao mesmo tempo e não descansar nunca? O esgotamento e a perda da saúde mental. Isso porque estamos, no fundo, aprisionados em nossos medos, em pensamentos negativos e destrutivos, em compulsões, em dependências afetivas ou materiais. Sofremos traumas e guardamos um estoque de memórias ruins que não elaboramos ainda no processo terapêutico. Nós nos perdemos de nós mesmos. Portanto, como falar em sociedade sustentável se não conseguimos sustentar a nós mesmos? Acolher as nossas dores, as nossas falhas, aceitar que somos humanos? Muitos de nós viraram uns verdadeiros super heróis. E contaram para a gente que é possível dar conta de todas as funções que viemos acumulando nas últimas décadas.

Uma dessas dores muito conhecida nos dias de hoje é a solidão, um problema psicossocial prevalente na sociedade moderna. De acordo com as psicólogas Maria Amélia Penido e Kátia Teles, “a solidão é uma experiência universa comum, um sentimento de não pertencimento e desconexão social. Mesmo rodeado de pessoas é possível se sentir solitário, pois este é um estado subjetivo. A solidão é apontada como um fator que interfere na felicidade, maior solidão leva a maior isolamento social e a felicidade está associada à sensação de pertencimento e conexão com outros”.

Graças à tecnologia, a solidão se esconde na ilusão da rede em que milhões de pessoas em todo o mundo podem usufruir da companhia virtual do outro em chamadas de videoconferência com familiares, colegas de trabalho e amigos através dos celulares, notebooks, tablets e muita banda larga! Então a pergunta na verdade é estamos ou não estamos sós?

Essa é uma fantasia da nossa mente. Você está com você, com todo o seu passado e futuro com os inúmeros autores que pode ler?” diz a Monja Cohen.

A vida moderna nos proporcionou o uso da internet para o trabalho remoto e o convívio virtual mais intenso. A globalização, ao mesmo tempo que uniu povos, distanciou pessoas que foram morar longe, por exemplo. Se o uso dos meios digitais pode ser um mecanismo de fibra das interações sociais do mundo real, imaginem como a Internet tem sido um bom recurso para manter boa parte de produtividade do sistema econômico e aliviar as dores emocionais de quem está afastado de pessoas queridos e usa o recurso da conexão virtual para matar a saudade.

É inevitável que adquirimos novos hábitos durante uma intensa convivência digital. O convite para a nossa reflexão é: qual o legado que o uso da Internet deixa para os indivíduos e qual o impacto disso para a saúde mental de todos? Segundo a psicóloga clínica Brigitta Júlia Lang, especialista em stress pós-traumático, a questão do mundo digital não tem uma única vertente. “Toda moeda tem dois lados, ou seja, terão aqueles que por obrigação ficarão tanto tempo conectados , que vão querer voltar com toda carga em contatos pessoais presenciais e, haverá o outro grupo que, de tão habituado permanecerá prisioneiro da comunicação e eletrônica, comenta.

Especialistas alertam para os casos de novos hábitos que podem ser destrutivos a curto e longo prazo: “fazem uso excessivo, preocupam-se com a internet e ficam mais tempo on-line que o planejado. Utilizam a internet para escapar da própria vida e apresentam sintomas de estresse e depressão, além de irritação ao ter de deixar a internet”, alertam Kátia e Maria Amélia em “Relacionamentos Amorosos na Era Digital” (Editora dos Editores) organizado por Adriana Nunes e Maria Amélia Penido.

Há várias formas de desconectar-se de forma saudável. Técnicas de respiração podem ajudar a diminuir a ansiedade gerada pela falta de conexão. Para a psicóloga Andrea Perroni, que também é formada em massagem de som pela Academia Peter Hess Brasil, uma das alternativas é a meditação sonora. A técnica propõe uma paisagem sonora por meio de instrumentos terapêuticos como gongos, taças tibetanas e de cristal. “Estes sons favorecem uma pausa com qualidade meditativa e regenerativa podendo nos levar a insights, aumentar nossa capacidade de concentração, ajudar no controle da ansiedade, além de um relaxamento profundo da nossa saúde integral, física, mental e emocional, ativando nosso potencial de autocura”.

Na era da hiperconectividade, há coisas que você só vê quando desacelera. Depende muito de como lidamos com nós mesmos, se somos ou não a nossa melhor companhia. É preciso despertar a consciência e percebermos se estamos grávidos de medos e quais os gatilhos desses sentimentos. Finalmente, aprecie e sinta prazer na sua própria existência. Nutra o seu corpo e sua mente com amor. Não tire férias de si mesmo.

FLÁVIA RIBEIRO – é jornalista formada pela PUC-Rio, especialista em Marketing (ESPM). Cursou MBA em Sustentabilidade pela UFRJ. É especialista em textos sobre Psicologia.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.