GESTÃO E CARREIRA

EDUCAR É PRECISO

Não existe crise nem tempo ruim quando o negócio é educação. Mais do que promissor, o setor é considerado uma das áreas mais importantes para o desenvolvimento socioeconômico do País e está se reinventando em todos os universos

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising, as redes de franquias de educação faturaram R$11,4 bilhões em 2018. Já no primeiro trimestre de 2019, a receita foi de R$2,8 bilhões, um crescimento de 8,1% em relação a igual período do ano passado.

Para se ter uma ideia do quanto o mercado de educação vai bem no Brasil além do franchising, basta considerar o fato de que ele movimenta mais de R$150 bilhões ao ano no geral. Por isso, quem está nele só tem motivos para festejar. “Principalmente pela diversidade de possibilidades que o setor oferece, mas também pelas mudanças promovidas pelo atual governo, no que diz respeito ao menor investimento na educação pública em geral, transferindo a responsabilidade para instituições privadas”, considera o diretor do EMECF Educação Empreendedora, Empreteco, especialista em Gestão de Negócios, consultor empresarial e instrutor credenciado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Márcio Cerbella.

Outro fator positivo para esse mercado lembrado por ele é a diminuição de investimento pelo governo no Financiamento Estudantil (FIES), que abre uma lacuna para as Fintechs e Pequenas Empresas do setor com a criação de Empresas Simples de Crédito (ESC). Sem deixar de lado o aparecimento crescente de novas profissões, tecnologias e tendências que aquecem a necessidade de conhecimentos, permitindo que cursos emergentes encontrem mais espaço em nichos específicos do mercado. “Mesmo em ramos alternativos, a movimentação de fusões e aquisições também está presente, com muitos participantes aumentando de tamanho e despertando interesse em fundos de ações”, ressalta o diretor do EMECF Educação Empreendedora.

O QUE É PRECISO

Uma boa notícia para quem deseja entrar nesse mercado é que não há necessidade nem exigências legislativas para que os empresários, investidores ou administradores do setor sejam formados na área. Mas facilita muito ter afinidade com o segmento, isso será um diferencial positivo na hora das principais decisões e planejamentos.

Cerbella lembra que é importante ter afinidade com a educação, lidar com pessoas e ter um perfil extremamente comercial para prospectar, captar, converter e encantar clientes.

A CEO da Toe Kids Club, Sylvia de Moraes Barros, explica que, ao capacitar um indivíduo, independentemente se é em linguagem de programação, inglês ou através de um curso profissionalizante, as empresas têm um papel fundamental para uma mudança de vida daquele aluno. Além disso, é importante levar em conta que o mercado pede uma educação de mais qualidade em todos os setores. Quando falamos de crianças, linguagem de programação é a tendência do momento, assim como a educação bilíngue. Adultos buscam cursos profissionalizantes e cursos de idiomas em formato híbrido, no qual podem frequentar parte do curso a distância, facilitando todo o processo e aumentando o aproveitamento.

As redes de educação passaram por um processo de reinvenção e de readequação para esse novo mercado e hoje estão preparadas para atender às novas demandas.

Contudo, é bom ter como foco a necessidade de encantar o cliente, tomar a sua experiência tão inesquecível que ele escolherá a sua escola. “É preciso também estar muito atento às tendências do mercado, para que o seu negócio ofereça uma lacuna que precisa ser preenchida nesse segmento”, lembra Sylvia.

DIVERSIDADE

São várias as possibilidades oferecidas no ramo da educação, entre elas a de investir em fundos de ações que contenham empresas em crescimento no setor da Educação. As opções para montar o próprio negócio no setor são ilimitadas, especialmente levando-se em conta as oportunidades geradas para superar o momento de crise no emprego e na economia que vive o País.

Um dos segmentos que mais crescem no Brasil é o de games, programação e robótica. Cerbella explica que este mercado vem em crescimento devido ao aumento do interesse de jovens, e uma ideia de negócio nessa área pode preencher algumas lacunas deixadas pela educação pública.

Os segmentos de línguas estrangeiras, especialização e pós-graduação, nas mais diversas profissões, também são promissores.

No entanto, antes de escolher qualquer um deles é necessário que o investidor tenha afinidade com o mercado de educação em que atuará.

A APOSTA DA VEZ

Para quem deseja entrar no ramo das franquias nesse setor, as notícias são ótimas. Márcio Cerbella conta que quando ainda não temos todas as competências, principalmente no que diz respeito à administração do negócio, elas se tornam uma boa escolha, pois já trazem embutidas toda metodologia e planejamento estratégico, bem como design, canais de distribuição e toda informação pertinente aos recursos e profissionais necessários ao desenvolvimento do negócio. No entanto, restringem um pouco a liberdade do empresário na tomada de decisão.

No caso da Atom, por exemplo, um franqueado não precisa ter conhecimento, pois ele é treinado a atender o público e as aulas são teletransmitidas. Os alunos assistem fisicamente na franquia ou de casa e os professores ficam na sede da empresa em Sorocaba/SP.

A CEO da Atom Educacional, Carol Paiffer, explica que o mais importante para investir em franquia é ser um investidor que olhe para o setor como oportunidade e se dedique a ganhar dinheiro com isso, sabendo que leva tempo e dedicação. ”A maioria das pessoas que investem em franquia de educação esquece que o retorno não é rápido e que é o dia a dia que constrói o negócio, e não apenas a marca. Em uma franquia, você usa o conhecimento de alguém para ter lucro. Empreender é muito difícil no Brasil, mesmo na área de educação, e montar este negócio sozinho leva anos de dedicação e investimento. Já montar uma franquia é fazer parte de um time, de uma família que quer seu sucesso e que vai ajudá-lo a prosperar”, aconselha Carol.

Na Atom, uma nova unidade franqueada requer um investimento inicial de R$90 mil. Mas há opções para todos os bolsos, sendo imprescindível pesquisar muito.

O professor do IAG Escola de Negócios da PUC-Rio, Jorge Duro, ressalta a necessidade de conhecer o franqueador, visitar alguns franqueados aleatoriamente e perguntar se eles investiriam novamente em novas unidades desta franquia. “Com domínio de uma área de conhecimento e uma boa didática, você pode montar sua escola ou centro de desenvolvimento”, indica.

Não se esqueça de pensar em produtos diferenciados, desenvolver a equipe e controlar suas finanças. Avalie segmentos do mercado não atendidos e metodologias de ensino novas como gameficação, além da análise de novas tecnologias como realidade virtual e aumentada.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.