A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS (DOIS) CAMIMHOS PARA O BEM-ESTAR

Conhecer mais de uma direção melhora nossas chances de êxito quanto ao destino. Para a busca do bem-estar existem dois caminhos. Você os conhece?

Talvez seja um efeito desta época do ano, mas tenho pensando bastante nas transformações da maturidade. As ruins, sempre aos berros por atenção, obrigam-me ao olhar apreciativo na busca pelos benefícios, por aquilo que se conquista com o passar dos anos e que se situa para muito além dos espelhos. É como se a cada ano um novo aspecto positivo da maturidade me fosse revelado, despertando ainda mais meu interesse pela vida e, sobretudo, pelo que ela me reserva.

Foi nessa atmosfera que comecei a refletir sobre caminhos. Caminhos que se cruzam, se fecham, se abrem, se revelam e que, acima de tudo, se sobrepõem. Houve um tempo em que eu acreditei que os caminhos eram únicos. Quanto sofrimento vivido na tentativa de descobrir o “correto, o exato, o que me protegeria dos percalços, dos enganos, o que me conduziria num atalho rumo à verdade”.

Acreditar na existência de um caminho único é condenar-se a um mundo preto e branco no qual o erro se esconde à espreita de cada acerto descuidado que nos leva à ilusão do conhecimento.

Minha vida profissional foi repleta de escolhas por caminhos que julguei únicos e que, ao longo dos anos, revelaram-se a mim como meras possibilidades em direção a um mesmo fim: psicanálise ou terapia cognitiva? Situação clínica ou organizacional? E, mais recentemente, emoções positivas ou negativas?

É comum, por exemplo, que, a partir do discurso da Psicologia Positiva, acreditemos na promoção das coisas boas (emoções, atitudes etc.) como forma de melhorar o bem-estar. Mas se esse é um   caminho verdadeiro, vale dizer que ele não é o único. Talvez no início da Psicologia Positiva o fato de enfatizar esse caminho tenha sido apenas uma estratégia de marketing ou uma forma eficaz de se contrapor a uma então chamada “psicologia convencional” que promovia a eliminação da dor como forma de promover esse mesmo bem-estar. Mas, afinal, quando o assunto é a promoção do bem-estar, qual dos dois é o melhor caminho? A eliminação daquilo que não queremos em nossas   vidas ou a busca por aquilo que desejamos? Ambos. Ainda que sob a ótica da Psicologia Positiva, não é possível negarmos a necessidade de combatermos aquilo que nos faz mal: uma emoção, uma dor, um comportamento, um velho hábito, todos eles são uma espécie de “furo no casco” do barco que é a nossa própria vida. Nesse sentido, a metáfora do barco me parece bastante interessante.  Afinal, se a nossa vida fosse um barco, colocar uma jacuzzi nesse barco a fim de torná-lo mais agradável não teria sentido se, ao mesmo tempo, ignorássemos aquele furo no casco por meio do qual litros e litros d’água nos deixassem molhados até as canelas.

Não, não existe um caminho único. E quando o assunto é a promoção do bem-estar, podemos tanto combater aquilo que nos incomoda quanto promover aquilo que desejamos, de uma simples emoção positiva a uma nova atitude perante a vida.

A maturidade tem me ensinado sobre a multiplicidade dos caminhos. Ainda assim nem todos eles    são iguais: alguns são floridos, outros, cheios de espinhos. Alguns mais curtos, outros mais longos.  Mas se é bem verdade que os dois caminhos que aqui apresentei podem levá-lo à melhoria de seu bem-estar, recomendo que tome o mais curto – e florido – que é o da positividade.

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área.

graziano@psicologiapositiva.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.