GESTÃO E CARREIRA

O PODER DA LINGUAGEM

Não há dúvida nenhuma quanto à importância do processo comunicativo dentro das instituições. uma falha nesse processo pode gerar sérias consequências

Um ambiente que deveria ser totalmente à prova de erros na comunicação é o da saúde. Quando um profissional de saúde comete um erro de entendimento de alguma comunicação sobre procedimentos com os usuários, o resultado final pode ser fatal.

Clarificar a comunicação é a regra geral e deve ocorrer de duas formas:

1) DA PARTE DO RECEPTOR DA MENSAGEM: o que não foi entendido deve ser perguntado ao interlocutor;

2) DA PARTE DO EMISSOR DA MENSAGEM: se não tem certeza de que o outro entendeu, peça para ele repetir o que foi dito. Simples e fácil. O grande dilema é que as pessoas que não são habituadas à clarificação temem serem taxadas de burras ou incompetentes pelos seus companheiros de equipe. Para diminuir essa rejeição comportamental e ampliar a adesão aos protocolos de uma comunicação segura, é necessário um bom investimento em treinamentos com dinâmicas de impacto.

Alguns setores levam esses procedimentos bem a sério e, mesmo assim, falhas ocorrem. Os controladores de voo, por exemplo, possuem verdadeira obsessão por uma comunicação bem estruturada. Afinal, pior ainda que no ambiente da saúde, falhas desses profissionais podem resultar em catástrofes monumentais com centenas de vítimas fatais.

Nos diversos perfis de atendimento ao cliente, uma regra também é geral: todos querem ser bem atendidos em qualquer que seja o ramo de atuação ou tipo de relacionamento. Assim, usar de estratégias na condução das palavras faz toda diferença nas trocas que ocorrem entre as partes envolvidas no processo. Saber conduzir o outro com uma boa estrutura frasal é algo exigido de todo e qualquer elemento que deseje alcançar sucesso em sua atividade.

O dr. Milton Erickson, atuante na década de 1970, pai da hipnose ericksoniana, traz esse processo comunicacional a um nível capaz de moldar uma sessão psicoterápica tornando-a única para cada paciente. Na modernidade, várias personalidades elaboraram influentes textos sobre esse mecanismo fantástico que, quando incluído no cabedal linguístico, pode transformar as fortes emoções reinantes em conflitos numa tranquila conversa entre duas pessoas.

Steve Allen, autor de vários livros sobre persuasão, explora esse tema em seu livro Persuasão e Influência. A forma como o emissor estrutura o conteúdo, como conduz as palavras positivamente, pode auxiliar de maneira significativa a interpretação do receptor, tocando-o em nível subliminar e causando grande empatia. Muitas vezes conduzindo a pessoa a efetuar uma ação, indicada pelo emissor, sem que o mesmo se dê conta disso. A condução ao resultado esperado, de forma estrategicamente feita, não é um truque ou ato ilegal, trata-se de uma comunicação de excelência que sintetiza a real intenção da organização. Ninguém fará nada ou adotará posicionamentos contra sua vontade, mas, com uma conversação plena de conteúdos significativos para o receptor, o resultado sempre é melhor para os envolvidos.

Não são palavras mágicas ou encantamentos, apenas uma forma quase artística de colocar a argumentação em um tom mais aceitável para o outro em meio aos conflitos que podem existir quando ocorrem posicionamentos antagônicos. Vejamos alguns exemplos:

1- COMEÇAR A FRASE QUE SOLICITA UMA AÇÃO COM: “O senhor poderia…?”. Um pedido que, na verdade, indica o que deve ser feito. No entanto, a frase em tom respeitoso ainda deixa uma breve possibilidade para a negação, o que dá certa liberdade ao receptor.

2- CASO SEJA UMA NEGAÇÃO A UMA POSSÍVEL AÇÃO FUTURA DO OUTRO: “O senhor não deveria…”; “Não é necessário que…”. Sem impedir diretamente a possível ação futura do outro, esse início de argumentação não causa um conflito direto. O emissor deve sempre apresentar uma outra possibilidade alternativa para a possível atitude que o receptor deseja adotar.

3- CRIAR PROSPECÇÃO DE UM CENÁRIO POSSÍVEL: “Como seria se..?.”. Provocar a criação de um cenário imaginado com uma solução à demanda apresentada traz alívio imediato ao conflito em curso. Mesmo se essa solução ainda não for possível, trazer o outro a um nível mais confortável ajuda na elaboração de soluções reais e plausíveis.

4- DEVOLUÇÃO DA PERGUNTA EM NOVO TOM: “De que forma acha que deve ser feito…?”. Coloque a construção da solução para o conflito na responsabilidade do outro. Assim, por pior que possa se apresentar a finalização solicitada por ele, você ganha tempo para pensar ou, se for o caso, adequar a proposta apresentada por ele para uma realidade possível.

As empresas que investem nesse singular perfil de treinamento com seus atendentes possuem   uma forte aderência de seus usuários. Uma vez adquirida a capacidade de usar as palavras certas, direcionando o interlocutor para uma solução confiável, mesmo que em tempo incerto, elas   ganham respeito e confiança. Sempre colocando a ética em primeiro plano e respeitando as legislações vigentes – Código do Consumidor – qualquer perfil de empreendimento só tem a ganhar com uma comunicação estruturada.

JOÃO OLIVEIRA – é Doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise: Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções!; Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida; e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.