GESTÃO E CARREIRA

FOCO NAS TAREFAS

Rotular-se um (a) “desorganizado (a)” não ajuda. O indivíduo deve ser realista ao avaliar suas possibilidades e o grau de dificuldade de seus afazeres

Atualmente, em nossa sociedade, são inúmeras as pressões e demandas nos mais diferentes contextos: escola, família, trabalho, etc. A troca de informações e o acesso a elas acontecem de modo cada vez mais dinâmico. Diante dessa configuração, tem-se um mercado de trabalho cada vez mais exigente e restrito. Dos profissionais, espera-se competência, precisão, eficiência; estas relacionadas à otimização do trabalho. Mas há uma progressão na quantidade e complexidade de tarefas requisitadas. Como cumpri-las, então, em prazos cada vez menores? Em alguns contextos e situações é inevitável falar de prioridades, mas como elegê-las, quando tudo parece importante e imprescindível de ser realizado?

A eleição de ordem de prioridade facilita a administração do tempo, questão relevante àqueles profissionais que desempenham ou que que pretendem assumir papel de líder ou gestor e têm de lidar com grupos de pessoas. Para administrar a agenda, inicialmente, é importante adquirir o máximo de informações e esclarecimento a cerca das especificidades das tarefas, quais os pré-requisitos necessários à sua realização, até mesmo para distinguir entre elementos que são mais prioritários. Fazendo uma analogia ao contexto da saúde, algumas atividades que assumem o caráter de “emergência” têm prioridade número 1. Outras se enquadrariam no nível 2 da escala de prioridades de execução caráter “urgente”. Há ainda, um outro rol de tarefas que são parte da rotina diária, as quais, portanto, precisam ser executas regularmente.

Vale lembrar que, no ambiente de trabalho, modos eficientes na condução de múltiplas tarefas, principalmente sob adversidades, favorecem o aprimoramento de habilidades que envolvam tomada de decisão, rapidez e agilidade, autocontrole, divisão e delegação de tarefas, mesmo sob condições de pressão, estresse e ansiedade. Características importantes diante de um mundo cada vez mais competitivo que enfatiza estas habilidades.

Sob uma outra ótica, há situações em que o “excesso” de tarefas não é o principal entrave à conclusão de algumas atividades. Porém, um furor muito presente seria o adiantamento dessas tarefas para contextos mais favoráveis, com pouca pressão ou menor frequência de compromissos concorrentes. Mesmo sob condições mais favoráveis, não há garantias de cumprimento rápido e de qualidade de algumas tarefas. Em contextos escolares e acadêmicos, por exemplo, essa questão se torna mais visível. Observa-se um constante adiamento de algumas tarefas ou mesmo interrupções.

PARA AMANHÃ

Pesquisas clínicas em análise do comportamento investigam a interferência da procrastinação ou adiamento de tarefas sobre a tomada de decisões e resolução de problemas em diversas áreas e aspectos da vida da pessoa, tais como trabalho, casamento, amor e família. O adiamento é ocasião para sentimentos de desmotivação, ansiedade e angústia. Gera regras e suposições, por vezes incompatíveis, de que a tarefa possa ser mais difícil do que realmente é.

Algumas variáveis relacionam-se ao adiamento; por exemplo, quanto mais prazerosa a atividade, maior a chance de conclusão e não adiamento. Entretanto, nem sempre estaremos lidando com tarefas agradáveis a serem cumpridas.

Nesse sentido, o adiamento é reforçado na medida em que o indivíduo investe em outras atividades concorrentes mais prazerosas e imediatas, por exemplo, assistir televisão, dormir, brincar etc. (elementos dispersores), protelando no engajamento das atividades necessárias. Em outras palavras o indivíduo tende a ficar sob controle das consequências em curto prazo.

Como forma de esquivar-se da execução da tarefa, o tempo é, muitasvezes, “superdimensionado” pela pessoa que supõe a viabilidade de concretização em tempo hábil, adiando o início da tarefa. No adiamento, sentimentos como alívio, liberdade e prazer podem estar presentes; após adiamento, angústia, inquietação, sensação de falta de tempo para completar a tarefa adiada e outras novas que vão surgindo concomitantemente.

Na execução da tarefa adiada, pode haver mais sentimentos de alívio que de prazer, além de desconforto pelotempo “insuficiente” e prejuízo na qualidade do trabalho. Após a conclusão: sensação de que poderia ter feito melhor, se houvesse mais tempo. Algumas variáveis que contribuem para o adiamento: medo de fracassar, baixa tolerância à frustração, dificuldade em lidar com tarefas desagradáveis. O que a tarefa demanda ou exige em termos de outros elementos ou comportamentos para se chegar à resposta ou resultado finais? Quais os níveis de dificuldade?

Em atividades escolares, por exemplo, às vezes o mais difícil é começar. Ao iniciar uma tarefa há o contato com as facilidades, mas também com as dificuldades, o que aumenta a probabilidade de interrupção.

Embora difícil, exercitar o “começar” uma tarefa também pode aumentar a probabilidade de manutenção do foco nesta atividade. Nesse caso, a função seria entrar em contato com o assunto, e com sentimentos de interesse, motivação e prazer pela execução de tarefa, o que possibilita o envolvimento com esta, e aumenta o engajamento em outras ações necessárias ao seu cumprimento, tais como, pesquisa, organização das ideias e construção do texto.

Mesmo parecendo comuns, algumas estratégias auxiliam na execução de tarefas como organização, agendamento, estabelecimento de metas a curto, médio e longo prazo e o enfrentamento, propriamente dito, da tarefa, que significa fazer ou, pelo menos, começar a fazer, para despertar concepções mais realistas em torno desta, como facilidades e dificuldades, e tomada de atitudes necessárias a este empreendimento.

Logo, a atribuição a características pessoais (p.ex. “sou desorganizado”, “desleixado”, “sem vontade”’, “não consigo me concentrar”) como causa da procrastinação ou adiamento, não ajuda na mudança de comportamentos. Faz-se necessária uma análise mais cuidadosa e específica acerca das interações do indivíduo com seus ambientes físico e social, que auxiliem na compreensão de elementos que dificultam a atenção e o foco em suas atividades, assim como na promoção de hábitos mais saudáveis ao indivíduo.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.