A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CRIMES CIBERNÉTICOS

Os aspectos legais e psicológicos dos ataques virtuais são temas constantemente debatidos na área do direito, da psicologia e nas ciências da computação

Crimes cibernéticos

Apesar dos debates envolvendo esse fenômeno, uma importante informação deve ser salientada no começo do artigo: ainda não existem soluções sólidas para essa problemática. Apenas como referência, estão sendo cada vez mais comuns os ataques cibernéticos com amplitude mundial.  Todos, então, são vulneráveis a esses ataques. De acordo com Kim, os crimes virtuais mostram de forma intensa que a virtualidade do ciberespaço possui uma inegável natureza coercitiva de realidade. Segundo o autor, o fato é que já somos seres virtuais, ao menos dentro dos grandes bancos de dados de corporações e governos, e cada vez mais temos o conhecimento – “a certeza de que os fenômenos são reais e possuem características específicas” –  de que o ciberespaço,  apesar de virtual, é bastante “real”. Essa afirmação do pesquisador, feita há mais de uma década, é bastante atualizada. Indubitavelmente é cada vez mais complexo delimitar onde está a fronteira entre os dois campos daquilo que pode ser considerado real ou virtual. E, sim, assim como transtornos psiquiátricos e outras temáticas estão relacionados ao campo da virtualidade, o mesmo ocorre com atos ilícitos. Estamos, então, vulneráveis a riscos de todos os tipos, desde a instalação de vírus, ataques a sites pessoais, roubo de senhas, estelionatos, entre outros.

Barbosa, Ferrari, Boery e Filho debatem que, fruto do vertiginoso desenvolvimento tecnológico do século XX, a internet gerou novas formas de relacionamento e de socialização. Essa profunda alteração nas relações humanas gerou maior rapidez de comunicação, oportunizando significativos avanços na forma como são estabelecidas as dinâmicas profissionais, comerciais, científicas, educativas e pessoais. Todas essas modificações provocam diversos benefícios econômicos e sociais, no aumento da geração e divulgação do conhecimento científico e também numa maior interação humana, ultrapassando as barreiras da distância e do tempo. Todavia, ressaltam os pesquisadores, quando mal utilizada, a internet pode resultar em invasão da privacidade, crimes virtuais, apologia a comportamentos inadequados e a atitudes preconceituosas, os quais podem gerar problemas de grande amplitude biopsicossocial, difíceis de resolver e punir; uma vez que, na internet, as informações podem ser rápidas e facilmente disseminadas e nem todos países possuem aparato legal para lidar com tais problemas, originando conflitos de ordem ética e bioética provenientes da forma como as pessoas interagem nesse novo palco de relações humanas.

Canetti, Gross, Waismel-Manor, Levanon e Cohen, estudiosos que realizaram uma pesquisa em Israel sobre os efeitos psicológicos dos ataques cibernéticos, revelam sintomas gerados por esse tipo de fenômeno aos seus alvos, dentre eles: raiva, medo, ansiedade, desconfiança e pânico moral. Em casos mais graves, os sintomas podem gerar transtorno do estresse pós-traumático, transtorno depressivo maior e ansiedade antecipatória. Todas essas consequências, de acordo com os pesquisadores, gera confusão no senso de segurança e aumento significativo nos sentimentos de vulnerabilidade. Em pesquisa desenvolvida por esses autores, participantes foram divididos em dois grupos: aqueles expostos a ciberterrorismo e o grupo que não passou por essa exposição. Os resultados eram esperados: o grupo que passou pela experiência de ataque demonstrou uma elevação significativa no nível de cortisol. Ainda de acordo com a pesquisa, a resposta ao estresse foi ativada quando o participante sofria uma experiência de exposição, acionando o senso de insegurança e vulnerabilidade, o que pode exacerbar a percepção de ataques iminentes reais. Por fim, Canetti, Gross, Waismel-Manor, Levanon e Cohen mencionam que os ataques cibernéticos não são benignos. Mesmo que não sejam causados danos físicos, a oportunidade de causar ansiedade e estresse é imensa, provocando paralelamente medo e distúrbios no dia a dia.

Certamente a internet é um campo de produção plural, desde os conhecidos benefícios como também a proliferação de temáticas como a baleia azul e ataques virtuais. Fato é que atualmente não existem limites para a expressão sintomatológica dos seres humanos e, certamente, os ataques serão cada vez mais frequentes.

 

IGOR LINS LEMOS – é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail: igorlemos87@hotmail.com

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.