EU ACHO …

QUARENTENA FAKE

Isolamento com jeitinho brasileiro é o pior dos mundos

Quarentena fake

Vivo escrevendo que a quarentena pode ser uma experiência positiva e transformadora. Tento exalar positividade a cada sílaba. Um coro de autores segue a mesma trilha. “Oh, como é bom ter uma oportunidade para reavaliar a vida” – esse é o refrão repetido incansavelmente. No Instagram, no Facebook, no Twitter, nos textos, todo mundo garante que a quarentena é uma oportunidade. Vamos cair na real. Não tem coisa mais chata.

Eu nem sou do tipo que vive saindo de casa. Escrever novelas é puro home office. Autor fica trancado a maior parte do processo. Acostumei a trabalhar isolado. Mas sinto falta do contato social mínimo. Tipo ir a um rodízio, devorar costela e picanha. Só pedir ao garçom: “Mais um pedaço deste… aquela ponta bem torradinha…”. Dá para ir de máscara a um rodízio? Impossível. Aliás, nem tem rodízio aberto.

Muita gente está pirando. Enviam mensagens dizendo que não aguentam mais. Aconselho: “Não trate a pandemia como um problema pessoal, emocional. É uma crise mundial, com impacto comparável ao da I Guerra, por exemplo”. É verdade. Transformar o coronavírus em problema emocional é o caminho para o despenhadeiro. Contudo, para a maioria das pessoas, é difícil de aguentar.

Outro dia soube de um senhor que mantinha um isolamento social rígido. Pegou o coronavírus e faleceu. Como? Fez o que muita gente está fazendo. Deu uma saidinha. Um amigo carioca garantia estar trancadinho. Postou uma mesa repleta de sushis. “Foi só para comemorar o aniversário” – explicou. Outro conhecido foi para a praia. Alugou uma casa, para viver ao ar livre e caminhar na beira do mar. Em seguida, passou a convidar os amigos nos fins de semana. Faz até raves. Mas, se alguém pergunta, diz que cumpre rigorosamente o isolamento social.

As pessoas acreditam nas próprias mentiras, eis tudo. Eu sempre desconfiei de pesquisas de comportamento justamente por isso. Quando questionado, o entrevistado apresenta a melhor face de si mesmo. Sendo assim, quem vai falar que transgrediu a própria quarentena? Ainda mais sobre a vida sexual, que está difícil. Quem é casado ficou na vantagem. Os outros estão frenéticos. Tipo tigres correndo de um lado para outro numa jaula. Eu nunca recebi tantos nudes! O povo mais atrevido distribui cantadas. Recorre aos aplicativos. Se faz de anjinho. Mas só falta ter um aplicativo chamado vapt vupt – tal a rapidez com que acontecem os encontros. Um amigo está organizando orgias. Quando soube, adverti-o dos riscos – não só de corona, aliás. A resposta: “Mas não é tanta gente assim”. Fico pensando: de quantas pessoas está falando? Em seguida, ele volta como refrão: “Estou tomando absoluto cuidado”. Opa! Como seria se não estivesse?

Saí para passear de carro, sem descer. Peguei trânsito. As ruas estão ficando cheias. É o pior dos mundos: quarentena com jeitinho brasileiro. As pessoas fazem home office e adiam compromissos, com o argumento de que estão isoladas. Mas, de fato, caem na farra. Já disse que quarentena é chata, não vamos mentir sobre isso. Mas cuidado. Mentira não evita o corona.

 

** WALCYR CARRASCO

OUTROS OLHARES

AMASSA QUE PASSA

 A quarentena impulsiona busca por receitas de pão e bolo na internet, reconhecida por cozinheiros e acadêmicos como simples, familiares e afetivas. O de chocolate é o mais procurado no mundo

Amassa que passa

Uma receita dar certo ou errado tem menos relevância do que as experiências e os vínculos que o ato de cozinhar pode proporcionar. O ensinamento da psicóloga Kika Melhem, que orienta oficinas nas quais cozinha e psicanálise se encontram, vem no momento em que a quarentena levou milhões de pessoas para a frente do fogão, nem todas elas com amplo domínio das panelas. “O isolamento trouxe o desafio de nos aproximar desse universo, com prazer”, disse ela.

As buscas semanais por receitas culinárias chegaram a dobrar em março, em relação aos primeiros meses do ano, segundo o Google Trends. Os gráficos também sugerem que o aumento da procura por receitas na internet não só se dilatou, como se sustentou acima dos 50%. A alta foi ainda mais expressiva quando se trata das receitas de pão. Só no Brasil, atingiu um pico de 233%; na Itália, alcançou 900%. A busca por preparos de bolo também disparou — o de chocolate é o mais popular no mundo. No Brasil, o incremento chegou a 194%, maior que a média mundial.

Para Melhem, o resultado reflete um ingrediente subjetivo: pães e bolos são alimentos relacionados ao coletivo, ao familiar e capazes de despertar a sensação de cuidado. “São formas de demonstrar afeto e têm a simbologia do presentear, do repartir.”

Neide Rigo, nutricionista e autora do blog Come-se, faz pão há anos e sempre teve como hábito doar parte do que produz — “é o mesmo trabalho, e a alegria é dupla”. Com o isolamento social, ela teve de interromper as oficinas que ministra em sua casa e se viu diante de 100 quilos de farinha recém-comprados.

Para não haver desperdício, mobilizou suas vizinhas para um mutirão de preparo de pães, cada uma em sua casa, cuja produção abasteceu moradores da Brasilândia, uma das áreas mais afetadas pela Covid-19 em São Paulo, epicentro da pandemia.

Ao notar o interesse crescente por pães nas redes sociais, Rigo desenvolveu também uma mentoria, em que orientou alunos no processo completo de preparo em tempo real, com longos encontros por vídeo e telefone. Também fez lives em seu Instagram para ensinar a fazer levain, o fermento natural que apelidou de levaineide, para que outros pudessem se beneficiar: “Não adianta só dar a receita do pão”, afirmou.

Antes da pandemia, aliás, já distribuiu iscas de seu levaineide em vários estados do Brasil, como Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. “Uma vez, pendurei vários pacotinhos, que levo na mala, em uma árvore no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, e só quem me acompanha no Instagram sabe onde encontrar.”

Mesmo com a experiência de anos, até hoje Rigo vez ou outra acorda de madrugada e caminha descalça até a edícula de sua casa para espiar a quantas anda sua produção. Gosta de observar o fermento a expandir e derramar, de sentir o cheiro do pão enquanto assa, de incrementar sua receita-base com outros grãos e castanhas, para que fique mais nutritiva.

“Fazer pão é um exercício terapêutico e de paciência. As pessoas têm de mexer com as mãos, e tem o encanto da transformação também. Quando você cozinha lentilha, o resultado é lentilha. Mas a farinha vira outra coisa sem adição de muitas coisas.”

Para o antropólogo Ulisses Stelmastchuk, esse encanto vem de longe, e o pão evidencia o potencial criativo-transformador do homem. “Todas as civilizações apresentam indícios de um alimento, de consumo cotidiano, feito à base de cereais moídos e água. Ainda que sem a presença de qualquer tipo de fermentação, essas massas são os ‘mitos primordiais’, para usar uma expressão de Lévi-Strauss, que deram origem a todos os tipos de pães, bolos e bolachas de diferentes povos e culturas.”

Autora de A química dos bolos (Companhia de Mesa), a confeiteira Joyce Galvão também enxerga no bolo uma volta às origens e uma possibilidade de reconexão com os cadernos de receitas da família. “Não há comprovação histórica, mas a confeitaria, especialmente no Brasil, nasceu dentro de casa, com as sinhás, que ensinaram às escravas, que, alforriadas, passaram a vender doces na rua. Depois eram nossas avós, nossas mães que faziam bolo. Ficou na memória como algo confortável”, disse.

O crescimento da busca por esse tipo de preparo na internet pode estar associado a essa dimensão afetiva, diz Stelmastchuk. “É um alimento compartilhado e, agora, nosso maior desejo é voltar ao espaço público, rever amigos e familiares.”

Heloisa Bacellar, chef e dona do Lá da Venda, que conjuga mercearia e restaurante na Vila Madalena, em São Paulo, fundou uma escola de cozinha no final dos anos 1990. De lá para cá, ela persiste em mostrar que “o simples pode ser maravilhoso”. “Enquanto as pessoas só falavam de três estrelas Michelin, eu falava quanto era bom um bolo benfeitinho e quanto a cozinha podia ser um lugar de prazer.”

Hoje, conta histórias e compartilha receitas no site Na Cozinha da Helô, que escreve com “a seriedade do farmacêutico que faz uma bula de remédio”, contou ela.

Autora de vários livros, Bacellar explora em seu Chocolate todo dia (DBA Editora) mais de 100 preparos com o ingrediente, para quando se está “feliz, superfeliz, triste ou no maior desespero”. Um deles é o bolo de chocolate rapidinho, “uma receita clássica, antiga, que aparece em qualquer caderno de família” (leia a receita no final desta reportagem). “Você pode misturar na mão ou no liquidificador. Pode fazer com leite, mas, se preferir, com água também funciona. Manteiga ou óleo? Com um fica mais cremoso, com o outro mais leve. Só não tem motivo para não fazer.”

O bolo de chocolate também é uma das estrelas do site recém-lançado Sobremesah, de Joyce Galvão. É tão simples, mas não menos delicioso, que sua filha, de 4 anos, faz praticamente sozinha. “Junta tudo na tigela, mistura, a gente coloca para assar e fica muito bom.”

Fazer pão também é muito simples, mas demanda tempo e há que estar muito atento às variações que o processo apresenta a cada dia, ensinou a padeira Hanny Guimarães. “É fascinante. Com farinha, água e sal você faz um pão, e ele nunca vai ser a mesma coisa. É um alimento vivo, excitante. Acho muito mais interessante comer algo que é diferente e que leva meu paladar e minha cabeça para muitos lugares do que ir ao supermercado e comprar a mesma coisa todos os dias.”

Hanny Guimarães ajudou a fundar a área de panificação do Futuro Refeitório, em São Paulo, e hoje atua na padaria do Blue Hill at Stone Barns, a uma hora de trem de Manhattan, do chef americano Dan Barber.

Ativista do movimento “do campo à mesa”, que defende o uso de ingredientes sazonais, de forma integral, cultivados nas cercanias do local de preparo e de consumo, fechou o restaurante e costurou uma nova engrenagem para dar fluxo à produção da fazenda na qual está instalado, que não para mesmo com a pandemia.

Os pães, 100% integrais, partem de grãos moídos na propriedade. Um deles, resultado de desenvolvimento genético feito em parceria com a Universidade de Washington, comprova a possibilidade de haver produtividade e sabor, a um só tempo. “Ele tem uma doçura, uma coisa meio maltada. É muito legal poder provar o sabor do grão sem que haja tanta interferência do processo (que agrega acidez aos pães de fermentação natural) no produto final.”

A equipe do Blue Hill chega a produzir 500 quilos de massa por dia neste período de isolamento, cinco vezes mais que o habitual. Os pães passaram a ser vendidos em caixas temáticas — e as farinhas da fazenda também estão disponíveis para quem quiser fazer seu próprio pão em casa.

Desde o início da reclusão, Guimarães tem notado interesse crescente e ajudado muitos amigos, remotamente, nessa missão. “Neste momento”, disse a padeira, “conhecimento é poder. A gente precisa de ferramentas para ser independente, fazer nosso próprio pão, plantar nossa própria comida.”

Para o antropólogo Stelmastchuk, que estuda a história da alimentação, o pão reúne justamente “um conjunto de experimentações e testes, de erros e acertos, de conhecimento.” Com o fim da quarentena, talvez não se faça mais pão com tanta frequência, disse a padeira, mas esse é um caminho sem volta. “Agora, as pessoas têm conhecimento, e essa é uma arma poderosa.”

Amassa que passa. 2

BOLO DE CHOCOLATE RAPIDINHO, DE HELOISA BACELLAR

Rendimento: 1 bolo grande, 10 porções

Tempo: 30 minutos (preparo), 1h30 (no total, incluindo tempo de forno e tempo para esfriar)

Grau de dificuldade: simples

 

INGREDIENTES

1 xícara (chá) de chocolate em pó (120 g)

2 xícaras (chá) de açúcar (300 g)

3 xícaras (chá) de farinha de trigo (360 g)

1 colher (sopa) de fermento em pó

½ colher (chá) de bicarbonato de sódio

200 g de manteiga em temperatura ambiente ou 1 xícara (chá) de óleo vegetal (240 ml)

4 ovos

2 xícaras (chá) de leite ou de água morna (480 ml)

Manteiga para untar

Farinha de trigo para polvilhar

 

PREPARO

Aqueça o forno a 180ºC (médio-alto).

Unte com manteiga e polvilhe com farinha uma fôrma grande para pudim ou uma assadeira também grande.

Misture o chocolate, o açúcar, a farinha, o fermento e o bicarbonato numa tigela grande. Junte a manteiga, os ovos, o leite e mexa até conseguir uma massa homogênea.

Coloque a massa na fôrma e asse por uns 40 minutos, até crescer, firmar e soltar das laterais (ao enfiar um palito no centro, ele deverá sair limpo).

Deixe esfriar, desenforme e, se for o caso, regue com a cobertura.

Deixe firmar antes de servir.

Amassa que passa. 3

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 11 DE JUNHO

gotas-de-consolo-para-a-alma

NEM SEMPRE DEUS NOS POUPA DOS PROBLEMAS

Quando passares pelas águas, eu serei contigo… (Isaias 43.2a).

 

A vida é como uma viagem. Nem sempre é calma e tranquila. Nessa jornada singramos águas revoltas, escalamos montanhas escarpadas, descemos a vales profundos, cruzamos desertos inóspitos. Deus nunca nos prometeu ausência de problemas. A vida não é indolor. Não poucas vezes, nosso corpo é surrado pela dor. As lágrimas quentes, com frequência, desabotoam dos nossos olhos como torrentes caudalosas. A doença sorrateira ou agressiva mina nosso vigor. Nessas horas, nossos joelhos ficam bambos; nossos braços, descaídos; e nossos olhos, embaçados. Muitos, movidos por uma teologia errada, se revoltam contra Deus. Não conseguem conjugar o sofrimento com o amor divino. Cobram de Deus uma intervenção e amarguram-se contra ele quando a resposta não vem. Precisamos entender que Deus nunca nos prometeu ausência de aflição. Neste mundo teremos aflição, pois nos importa entrar no reino de Deus através de muitas tribulações. Aqui há choro e dor, lágrimas e sofrimento. Aqui não é o céu. Mas aqui temos a presença consoladora de Deus. Aqui temos a promessa de que Deus nunca nos provará além de nossas forças. Aqui temos a convicção de que nossa tristeza se converterá em alegria, e nosso sofrimento, em recompensa gloriosa. Na perspectiva da eternidade, nossas tribulações aqui são leves e momentâneas. Não estamos a caminho de uma noite escura, mas de um amanhecer glorioso.

GESTÃO E CARREIRA

ATITUDES PARA MANTER A EFICÁCIA

Alto grau de eficiência e equilíbrio é o resultado que buscamos constantemente para a vida pessoal e profissional e que também esperamos encontrar nas empresas em que trabalhamos

Atitudes para manter a eficácia

Organizar, gerir, liderar, entre outras inúmeras atribuições do mundo corporativo, geram tensão e estresse, o que acaba nos desestabilizando em certos momentos. Mas diante desse cenário, será possível manter a produtividade e os resultados sem que se percam a serenidade e o controle da situação/ Como podemos agir de forma mais eficaz e enfrentar melhor os desafios do cotidiano profissional?

Antes de tudo, é necessário entender que para sobreviver aos incontáveis compromissos, à correria do dia a dia e às exigências de produtividade e prazos, é preciso de disciplina mental, comportamental e algumas atitudes que colaboram para a eficácia profissional.

Não acumular trabalho, por exemplo, é um ponto muito importante. Adiar as tarefas a serem feitas não é algo inato no ser humano, mas sim um hábito que pode ser mudado e treinado.

Mantenha a atenção no movimento ativo e construtivo que precisa ser feito. Às vezes, as pessoas adiam trabalhos que poderiam ser resolvidos em poucos minutos. Quando não temos tempo suficiente para finalizar um trabalho, precisamos nos questionar e compreender que o problema não é o tempo, mas sim algo que estamos fazendo de forma improdutiva ou que estamos deixando de fazer. Distrações variadas ou até mesmo pessoas que estão ao redor podem gerar interrupções que roubam um tempo precioso, por isso é preciso cuidado nesse aspecto.

Se permitirmos que conversas, comentários, telefonemas, celular e mensagens nos distraiam demais e tirem a atenção e o foco durante o trabalho, é necessário treinar a nossa capacidade de concentração direcionada. O sucesso e o êxito exigem uma mente ordenada, que sabe, naturalmente, concentrar a atenção na tarefa que está fazendo, que não é afetada por intervenção externa, mas mantém seus pensamentos constantemente organizados e focados por um período suficientemente longo de tempo. Isso permite fortalecer a autoconfiança, calma, clareza mental e força interior.

Pesquisa realizada pela Robert Half nos Estados Unidos, com 300 diretores de RH, revelou que uma mesa desorganizada coloca em cheque as competências e a eficácia de um colaborador. Essa é a percepção de 32% dos entrevistados pela consultoria – e eles não estão errados. Um local de trabalho coberto de papéis e materiais bloqueia a produtividade e aumenta a confusão, não só externa e concreta, mas também mental, de pensamentos, decisões e ideias. A desordem desenvolve um círculo vicioso: adiar a organização do ambiente de trabalho cria a desorganização que, por sua vez, alimenta a procrastinação e mantém a desordem.

Alguma vez já aconteceu de perder muito tempo procurando algo fora do lugar? Demora-se mais tempo procurando documentos na bagunça do que em decidir agir e organizar o que é preciso. Quem consegue organizar seu sistema e ambiente de trabalho aumenta muito a sua performance e os seus resultados.

Uma organização externa e material ajuda a criar uma organização mental e vice-versa. Porém, grande parte da energia e do tempo desperdiçados é decorrente de uma mente desorganizada, ou seja, pela falta de objetivos claros, de planejamento e de definição de prioridades.

Para evitar essa perda, mantenha o foco no planejamento e não no improviso. Às vezes, recusamos a nos programar por acreditar na ideia de que o improviso está associado à liberdade, quando, na verdade, é o contrário. Livre é quem sabe planejar, pois consegue equilibrar melhor o tempo, as exigências, tarefas e a ânsia dos prazos que se aproximam. Priorize suas atividades e tarefas, permitindo que seus próprios projetos sejam concluídos com mais eficácia. Quando nos distraímos, temos a tendência de agir de forma improdutiva. Além disso, é muito importante saber dizer não quando necessário, pois ao assumir compromissos que não são de sua competência, seu tempo e energia podem ser desperdiçados.

Uma mente organizada permite ter ação e não procrastinar, portanto treine sempre o hábito de agir. Uma vez identificados os objetivos e as soluções, é importante segui-los, e a autodisciplina é essencial para bloquear os eventuais hábitos limitantes. Não bastam os dons naturais, os talentos e potenciais, se estes não forem aperfeiçoados, direcionados e colocados a serviço de um objetivo.

Sabemos que algumas variáveis são imprevisíveis e fogem do nosso controle, mesmo fazendo todos os planejamentos possíveis. Mas, exatamente por essa razão, treinar a capacidade de planejar nos permite antecipar as consequências, prever quais resultados as ações poderão ter, e gerenciar melhor as urgências que podem aparecer. Assim, ficamos mais disciplinados e aumentamos a nossa própria realização e satisfação.

O paradoxo é que quando estamos agindo dentro desses padrões de comportamento – acumular trabalho, permitir interrupções e manter a desorganização – perdemos muito tempo e nos tornamos extremamente ocupados e atarefados, e acabamos dedicando pouco tempo e atenção para verificar e avaliar para onde estamos indo, qual a direção do nosso trabalho e da nossa vida.

Não precisamos mais enfrentar continuamente emergências, nem ficarmos esgotados trabalhando de forma confusa e improdutiva, mas podemos encontrar energia, calma interior e vontade de realizar cuidando do que realmente é importante e, assim, conquistar resultados significativos para todas as esferas da vida.

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é palestrante, consultor organizacional, especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. É presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como Transforme seus Sonhos em Vida (Editora Gente), sua publicação mais recente.

www.edushin.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CRIMES CIBERNÉTICOS

Os aspectos legais e psicológicos dos ataques virtuais são temas constantemente debatidos na área do direito, da psicologia e nas ciências da computação

Crimes cibernéticos

Apesar dos debates envolvendo esse fenômeno, uma importante informação deve ser salientada no começo do artigo: ainda não existem soluções sólidas para essa problemática. Apenas como referência, estão sendo cada vez mais comuns os ataques cibernéticos com amplitude mundial.  Todos, então, são vulneráveis a esses ataques. De acordo com Kim, os crimes virtuais mostram de forma intensa que a virtualidade do ciberespaço possui uma inegável natureza coercitiva de realidade. Segundo o autor, o fato é que já somos seres virtuais, ao menos dentro dos grandes bancos de dados de corporações e governos, e cada vez mais temos o conhecimento – “a certeza de que os fenômenos são reais e possuem características específicas” –  de que o ciberespaço,  apesar de virtual, é bastante “real”. Essa afirmação do pesquisador, feita há mais de uma década, é bastante atualizada. Indubitavelmente é cada vez mais complexo delimitar onde está a fronteira entre os dois campos daquilo que pode ser considerado real ou virtual. E, sim, assim como transtornos psiquiátricos e outras temáticas estão relacionados ao campo da virtualidade, o mesmo ocorre com atos ilícitos. Estamos, então, vulneráveis a riscos de todos os tipos, desde a instalação de vírus, ataques a sites pessoais, roubo de senhas, estelionatos, entre outros.

Barbosa, Ferrari, Boery e Filho debatem que, fruto do vertiginoso desenvolvimento tecnológico do século XX, a internet gerou novas formas de relacionamento e de socialização. Essa profunda alteração nas relações humanas gerou maior rapidez de comunicação, oportunizando significativos avanços na forma como são estabelecidas as dinâmicas profissionais, comerciais, científicas, educativas e pessoais. Todas essas modificações provocam diversos benefícios econômicos e sociais, no aumento da geração e divulgação do conhecimento científico e também numa maior interação humana, ultrapassando as barreiras da distância e do tempo. Todavia, ressaltam os pesquisadores, quando mal utilizada, a internet pode resultar em invasão da privacidade, crimes virtuais, apologia a comportamentos inadequados e a atitudes preconceituosas, os quais podem gerar problemas de grande amplitude biopsicossocial, difíceis de resolver e punir; uma vez que, na internet, as informações podem ser rápidas e facilmente disseminadas e nem todos países possuem aparato legal para lidar com tais problemas, originando conflitos de ordem ética e bioética provenientes da forma como as pessoas interagem nesse novo palco de relações humanas.

Canetti, Gross, Waismel-Manor, Levanon e Cohen, estudiosos que realizaram uma pesquisa em Israel sobre os efeitos psicológicos dos ataques cibernéticos, revelam sintomas gerados por esse tipo de fenômeno aos seus alvos, dentre eles: raiva, medo, ansiedade, desconfiança e pânico moral. Em casos mais graves, os sintomas podem gerar transtorno do estresse pós-traumático, transtorno depressivo maior e ansiedade antecipatória. Todas essas consequências, de acordo com os pesquisadores, gera confusão no senso de segurança e aumento significativo nos sentimentos de vulnerabilidade. Em pesquisa desenvolvida por esses autores, participantes foram divididos em dois grupos: aqueles expostos a ciberterrorismo e o grupo que não passou por essa exposição. Os resultados eram esperados: o grupo que passou pela experiência de ataque demonstrou uma elevação significativa no nível de cortisol. Ainda de acordo com a pesquisa, a resposta ao estresse foi ativada quando o participante sofria uma experiência de exposição, acionando o senso de insegurança e vulnerabilidade, o que pode exacerbar a percepção de ataques iminentes reais. Por fim, Canetti, Gross, Waismel-Manor, Levanon e Cohen mencionam que os ataques cibernéticos não são benignos. Mesmo que não sejam causados danos físicos, a oportunidade de causar ansiedade e estresse é imensa, provocando paralelamente medo e distúrbios no dia a dia.

Certamente a internet é um campo de produção plural, desde os conhecidos benefícios como também a proliferação de temáticas como a baleia azul e ataques virtuais. Fato é que atualmente não existem limites para a expressão sintomatológica dos seres humanos e, certamente, os ataques serão cada vez mais frequentes.

 

IGOR LINS LEMOS – é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail: igorlemos87@hotmail.com