EU ACHO …

QUANDO UMA JANELA SE FECHA…

Reflexões sobre os dias arrastados no isolamento social

Peço desculpas antecipadamente: esta matéria será perturbadora para os cientistas (incluindo os da minha família, mas, felizmente, nenhum deles lê o que eu escrevo). As regras do mundo físico parecem estar nos abandonando. O vírus age como nenhum outro patógeno. Hoje, 2 metros é uma distância totalmente subjetiva, expandindo-se e contraindo-se conforme a necessidade. O tempo não é newtoniano como a farinha de milho que você provavelmente recorreu se tiver filhos. pequenos para distrair, rígida e fluida ao mesmo tempo. Os números basicamente não têm sentido: na matemática pandêmica, um número como 413 mortes – uma catástrofe inimaginável em qualquer outra época, – é animador, causa certo otimismo. As antigas certezas estão desgastadas, mas, escondidos em nossos casulos de isolamento, surgem novas leis físicas para esse modo de vida. A ciência está em suas etapas iniciais, mas, empiricamente, alguns fatos importantes foram observados. Como alguém sem a menor compreensão de ciência de qualquer tipo, sou sua guia perfeita para eles.

1 – Sempre que você quiser estar em seu espaço de lockdown, alguma outra pessoa precisará urgentemente estar lá. Sim, agora mesmo. No meu espaço, essa pessoa estará sempre empunhando um martelo. Acho que foi Tchekhov quem disse: Não coloque um martelo no primeiro ato, se você não for martelar como um maluco nos atos 2 a 4”, e esse princípio dramático é respeitado aqui.

2 – Janelas. O tanto que você se aprecia é o oposto de quanto seus colegas de internação as aprovam. Agora, sua vida é apenas uma guerra de atritos baseada em janelas. Foi assim que surgiu o novo provérbio: “Quando uma janela se abre, outra janela se fecha”.

3 – Como agora somos todos ruminantes, constantemente pastando, desenvolvemos um estômago extra para acomodar o nosso lanche preferido, para atenuar o isolamento quando estivermos cheios de outros alimentos. Agora eu tenho um estômago de salgadinho de queijo e cebola. Não discuta com a ciência.

4 – Falando em comida, sabe aquela guloseima que você vem cobiçando, guardando obcecadamente? Alguém a comeu. Nem sequer aproveitou! Estava só matando o tempo. Podem até ter deixado um pouco no lixo para você encontrar.

5 – Sobre o tema lixo, a síndrome de percepção do lixo, embora não seja novidade para a ciência, estaria exacerbando-se durante a crise do coronavírus. A síndrome manifesta-se de duas maneiras : ou os afetados não conseguem mais enxergar a lata, mesmo quando está cercada de moscas e sendo escavada por um cachorro oportunista, ou eles só veem a lata, que percebem como vasta, pulsante, ocupando toda a sua consciência.

6 –  Frações – para qualquer tentativa de assistir alguma coisa “em família”, ou outra unidade de isolamento coletivo, aplicam-se as seguintes proporções: um quarto dorme; um quarto afirmou que queria assistir, mas agora está mexendo em seu celular; um quarto nunca fingiu que faria qualquer coisa além de mexer no celular; e um quarto critica em voz alta e odeia  todos os momentos, mas na verdade é o único que realmente está olhando para a tela.

7 – Se você trabalha oito horas seguidas, tirando apenas pausas de dez minutos, e mencionou claramente que está ocupado e que é necessário que não seja perturbado, a única hora em que alguém o incomodará será durante aqueles intervalos de dez minutos, quando você estará vendo um vídeo de um cavalo com um bigode enorme ou tentando plantar bananeira. Você não terá sucesso na bananeira quando for interrompido: estará caído como uma tartaruga de pernas para o ar.

8 – O predador máximo em todo novo sistema multipresa urbano é a gaivota. Esse é outro motivo excelente para não ir lá fora: sem restos de frango frito descartados para se banquetear, elas estão mais famintas e nervosas do que nunca.

9 – Os biólogos também observaram que está surgindo uma nova superespécie de cão doméstico, muito magra, graças a caminhadas frequentes e longas feitas pelos integrantes do casulo para livrar-se dos outros integrantes, usando o cachorro como desculpa. O casulo está criando um problema para si mesmo após o lockdown: o supercão exigirá, no mínimo, quatro horas diárias de exercício.

10 – A incidência de podcasts feitos pela população em geral é de 0,08%. Nos homens de 28 a 50 anos em isolamento chega a 79%. Eles costumavam dizer que você nunca está mais de 1,80 metros de um rato, mas agora você nunca estará mais de duas casas de um homem com opiniões e um microfone.

11 – Todas as conversas seguem uma fórmula mista que um amigo meu chamou de “fita de coronamóbius”, que se repete indefinidamente. Nada acontecerá com nenhum de nós (se tivermos sorte), mas precisamos expressar isso várias vezes.

12 – Há uma quantidade fixa de moral em um espaço de isolamento. Ela não aumenta nem diminui, simplesmente passa entre os indivíduos no espaço. O lado bom disso é que você pode reenquadrar seus maus humores como um ato de altruísmo em relação aos outros integrantes do casulo.

OUTROS OLHARES

APOSTE NO BICHO

Há um atalho para tentar evitar novos surtos e desenvolver vacinas – entender como os coronavírus vieram dos animais para nós, frágeis seres humanos

De todas as bobagens ditas por Donald Trump sobre a pandemia, nenhuma superou a afirmação de que o vírus que provoca a Covid-19 teve origem em um laboratório de Wuhan, epicentro dos primeiro caso da doença, no fim de dezembro do ano passado – um documento da inteligência alemã foi o que melhor definiu o comportamento do presidente americano, modo de ”desviar a atenção do seu próprio erro e redirecionar a raiva para a China”.

Pesquisas minuciosas e já amplamente divulgadas, confirmam: o Sars-CoV-2, o novo coronavírus, teria sido transmitido ao ser humano a partir de um hospedeiro intermediário, o pangolim, mamífero muito comum em zona tropical da Ásia e da África, contaminado pelo hospedeiro natural, o morcego. É muito possível, portanto, que, longe de tubos de ensaio e pipetas, a origem do surto tenha o carimbo dos mercados de bichos (vivos) do Oriente – não porque produtores e consumidores tenham tido mirabolantes ideias laboratoriais e tampouco porque desejassem provocar a ruína global, intencionalmente, como faz querer parecer o presidente dos Estados Unidos. Os animais, enfim, são o passo zero da transmissão – mapear os vírus que circulam entre eles e que podem infectar a nós, frágeis humanos, é a maneira cientificamente mais adequada de evitar outros assustadores e mortais medos coletivos.

A exploração desenfreada de florestas ricas em biodiversidade, marca indelével de nosso tempo, empurra os animais selvagens para perto do homem. Na China e em parte do sudoeste asiático esse comportamento é comum, associado a práticas cruéis e insalubres envolvidas na captura, abate, comércio e transporte da fauna – embora, ressalve-se, a onda de modernidade impostas por exigência de autoridades locais e pressão de regras internacionais, comecem a provocar boas mudanças. Mas os mercados de bichos vivos existem e um deles, o Huanan, em1 Wuhan, temporariamente fechado, hoje é tristemente conhecido como o ponto de largada da pandemia – mas pode representar o começo do fim do consumo de animais selvagens.

Para tentar frear a próxima contaminação, há um caminho: rastrear a gênese dos vírus existentes na natureza, identificar os que são perigosos e agir rapidamente. Em outras palavras: convém apostar nos bichos e buscar as pessoas que se aproximaram deles. Uma das organizações mais atuantes nessa área é a EcoHealth Alliance, que há quinze anos reúne profissionais que saem a campo colhendo amostra de sangue ou de células da boca ou do nariz de animais e de pessoas – para catalogar os vírus e decodificar o genoma deles. Quanto mais perto do Homo sapiens na escala evolutiva estiver o hospedeiro, maior a chance de os vírus dele nos infectarem também (por isso não há busca de resíduo em jacarés, por exemplo).

“Insistimos numa tecla, permanentemente: o comércio de animais selvagens traz enorme risco de novas pandemias”, diz o zoólogo e parasitologista inglês Peter Daszak, presidente da EcoHealth. A ONG faz parte de um grupo maior, o Global Virome Project. Criado em 2018, e constantemente fustigado por Trump (que promove sucessivos ataques contra os trabalhos científicos, já que verdades não lhe interessam), o projeto é orçado em 1,2 bilhão de dólares e tem como objetivo seminal identificar ao longo de dez anos pelo menos 70% dos estimados 1,6 milhão de vírus que existem no planeta – uma parcela muito pequena dessa turma pode provocar danos, como ocorre com alguns coronavírus, mas quando explodem, em rápida disseminação, tendem a ser catastróficos. Daí a importância, também, das vacinas universais – que agem contra uma família viral inteira.

“Conseguir a vacina universal é perfeitamente factível, mas para isso precisamos de dinheiro e dedicação”, diz Daszak. A imunização contra o Sars-CoV-2 não deve sair antes de um ou dois anos, mas será crucial na busca pela versão universal contra todos os coronavírus. Depois do levantar da quarentena, depois de vacinados, precisaremos aprender a respeitar um pouco mais o meio ambiente. Essa é a regra do jogo, o legado pedagógico e vital da Covid-19.

O CAMINHO DO VÍRUS

Somente entre morcegos encontrados na China já foram descobertos e catalogados cerca de 500 coronavírus diferentes. Eles saltam do hospedeiro natural para hospedeiros intermediários, e dali para seres humanos, como ocorreu em outras epidemias recentes

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 29 DE MAIO

A FELICIDADE DE TER UM CORAÇÃO PURO

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus (Mateus 5.8).

Jesus disse que felizes são os puros de coração, porque estes verão a Deus. Enganam-se aqueles que pensam que a felicidade está nas iguarias do mundo. A felicidade está exatamente em abster-se desse banquete. Os licores do pecado podem ser doces ao paladar, mas são amargos no estômago. Podem dar prazer por um momento, mas não satisfazem o coração para sempre. Não são aqueles que curtem as aventuras da vida que são felizes, mas os que se mantêm castos. Não são aqueles que se entregam à volúpia que encontram a felicidade, mas os que guardam puro o coração. A felicidade não está no banquete do pecado, mas na festa da santidade. A felicidade não está nas aventuras crepitantes do sexo ilícito, mas na vida regida pela pureza. Só os puros de coração verão a Deus. Só os puros de coração se deleitam em Deus e se sentirão em casa na Casa do Pai. Uma pessoa impura não se sentiria bem no céu, pois lá não entra nada contaminado. Aqueles que se alimentam de impureza passarão toda a eternidade recebendo o que sempre desejaram: a impureza. Aqueles que semearam a impureza no tempo colherão a impureza na eternidade. Aqueles que buscaram a santidade, porém, verão a Deus e se deleitarão nele pelo desdobrar dos séculos sem fim.

GESTÃO E CARREIRA

CAUTELA COM OS DADOS

Regras mais rígidas sobre informações de clientes coletadas por empresas se espalham pelo mundo. No Brasil, as companhias ainda correm para se adaptar

Gigantes de tecnologia, como Facebook e Google, entraram na rotina diária de milhões de pessoas em todo o mundo de uma forma quase simbiótica. Enquanto avançam na capacidade de monitorar cada passo de seus usuários no mundo real ou virtual, essas empresas ajudaram a elevar a discussão sobre privacidade de dados a um dos temas mais críticos da atualidade.

É notável que, desde janeiro, a primeira lei americana dedicada a garantir o sigilo de dados de consumidores tenha entrado em vigor na Califórnia, berço de algumas das principais companhias de tecnologia do mundo. Desde o primeiro dia do ano, passou a valer o California Consumer Privacy Act, legislação estadual que regulamenta a coleta e o uso de dados pessoais de consumidores californianos pelas empresas instaladas na região.

As multas por vazamento de dados podem variar de 2.500 a 7.500 dólares por informação vazada — valor considerável quando a empresa lida com um grande volume de dados. A lei chega pouco mais de um ano depois do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), legislação que segue a mesma linha rigorosa implementada em 2018 pela União Europeia. No Brasil, o tratamento de dados caminha na mesma direção com a criação da Lei Geral de Proteção de Dados (LOPD), que, sancionada em 2018, passará a valer em agosto.

Um ponto comum une as novas regras nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil: o grau de rigor não apenas em relação às exigências, mas também às punições previstas. Assim como na lei europeia, as sanções administrativas no Brasil poderão chegar a 2% do faturamento da empresa no ano anterior, com o limite de 50 milhões de reais por infração. O trabalho de fiscalização ficaria a cargo de uma nova agência, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, ainda sem data para sair do papel. “Desde as discussões sobre o Marco Civil da Internet em 2007, já havia, no Brasil, a intenção de regulamentar o tratamento de dados”, diz a advogada Marcela de Oliveira Santos, do escritório Duarte Garcia, que colaborou na elaboração da LGPD.

“O sistema de responsabilização ficou muito mais sofisticado, e isso demandará trabalho intenso e multidisciplinar dentro das empresas.” Há indícios de que boa parte dessa preparação só começou. Uma pesquisa concluída em novembro de 2019 pela consultoria de compliance ICTS Protiviti mostra que 84% das companhias no país admitiam não estar preparadas para atender a todas as novas exigências.

Se até agora as empresas se concentravam em acumular dados sobre os consumidores, daqui para a frente o foco também estará voltado para organização, monitoramento e uso responsável dessas informações. Não é uma mudança trivial. Parte das alterações exige uma adaptação mais simples, como na rotina de cadastramento dos clientes. Hoje as empresas têm liberdade para propor cadastros extensos. A partir de agosto, cada dado pedido deverá ser justificado. Pode não fazer sentido, por exemplo, perguntar o estado civil do cliente para realizar um cadastro antes de uma simples compra.

Existe, também, uma classificação de dados pessoais sensíveis, que envolvem informações sobre origem étnica, convicções religiosas, opiniões políticas e questões de saúde, entre outras. Para a captação desses dados, será necessário consentimento prévio e claro do titular, algo que não ocorre na obtenção de dados comuns. Outras novidades da lei demandam uma reorganização mais complexa. Numa medida comum às leis europeia e californiana, por exemplo, qualquer pessoa poderá solicitar a exclusão de todas as suas informações registradas na base de dados de uma companhia. “Do início de 2018 em diante, a Europa viu uma correria frenética das empresas para se adaptar à nova lei”, diz Geert Aalbers, sócio da consultoria Control Risks, especializada em análise de riscos. “Um dos grandes desafios foi o mapeamento de dados: eles estavam tão dispersos que as empresas nem sequer sabiam onde eram armazenados. Essa é uma dificuldade que as empresas brasileiras também devem enfrentar.”

Mapear os caminhos percorridos pelos dados após sua captação é o primeiro movimento de adaptação das organizações. Especialmente influenciado pelas regras europeias, o braço do supermercadista francês Carrefour no Brasil finaliza o mapeamento nas empresas do grupo e acerta os detalhes do plano de ação. “Enviamos formulários à pessoas-chave da organização e fizemos entrevistas para entender como os dados circulam”, diz Ana Luísa Hieaux, diretora jurídica do Carrefour. “Agora, estamos prestes a formalizar a estrutura da área de proteção de dados, com foco em e-commerce, varejo, banco Carrefour e Atacadão.” Segundo ela, a empresa prevê a instauração de um comitê de privacidade para deliberar sobre os temas relacionados à LGPD e à criação de um cargo de liderança em cada unidade da rede de lojas, que deverá responder ao encarregado de dados — cargo compulsório dentro da nova legislação (veja reportagem ao lado), ainda a ser nomeado. O processo de adaptação à lei está sendo feito a quatro mãos: ao lado de Ana Luísa está o diretor de segurança da informação, Renã Santos, responsável pela parte técnica.

A situação é mais complexa quando as empresas têm o intermédio de terceiros na relação com os clientes. É o caso da construtora mineira MRV, cujo processo de vendas é mediado por corretores terceirizados que precisam de acesso aos dados para abordar os clientes. “O compartilhamento de informações deve continuar, mas os corretores terão acesso apenas ao que é necessário para o contato”, diz Guilherme Freitas, diretor jurídico da MRV. Lá, os movimentos para a adaptação começaram quando a lei foi publicada. A empresa montou um time de sete pessoas das áreas jurídica, de tecnologia, de auditoria e de compliance para cuidar do processo. O grupo faz relatórios mensais a um comitê, que reúne diretores das quatro áreas.

Outra questão crítica está relacionada à segurança das informações. A maior multa aplicada na Europa com base na nova lei, no valor equivalente a 230 milhões de dólares, tem a ver justamente com um caso de fraude. Segundo o Escritório do Comissário de Informação, órgão que regula a proteção de dados no Reino Unido, uma brecha no site da companhia aérea British Airways levou usuários a uma página fraudulenta, por meio da qual foram captadas informações pessoais de cerca de 500.000 clientes, como número de cartão de crédito, nome e endereço. No Brasil, um dos casos mais recentes é o da operadora de telefonia Vivo, que admitiu uma brecha de segurança que expôs dados como nome, endereço, CPF e e-mails de um número não divulgado de clientes. Após o vazamento dos dados, a Vivo foi notificada pelo Procon e respondeu ao órgão, que analisa o caso. A expectativa é que a decisão sobre a autuação saia ainda no primeiro trimestre do ano, com possibilidade de recurso pela organização. A multa a ser aplicada poderá chegar a 10,3 milhões de reais, que é o teto de punições administrativas do órgão. A empresa está há mais de um ano mapeando processos e sistemas com o apoio de uma consultoria e de uma equipe interna. Além disso, já designou uma executiva da casa para assumir as funções de encarregada de dados.

O tamanho do trabalho decorrente da nova regulação pegou de surpresa os próprios reguladores europeus. Com receio das multas, as empresas preventivamente passaram a enviar a eles uma avalanche de notificações, antecipando qualquer movimento que pudesse ser considerado fora da curva. A Holanda liderou a lista de países em número de notificações: foram mais de 20.000 em 2019. Em alguns países, há a perspectiva de aumentar a equipe para analisar tantas informações. No Brasil, não há uma data estipulada para a criação da agência reguladora. Especialistas são unânimes em apontar que o novo órgão vai ditar o ritmo de adoção das novas regras na prática. Apesar dessa incógnita, não há dúvida de que viver sob o domínio de regras cada vez mais rígidas nessa seara é um caminho sem volta. 

NOVAS REGRAS, NOVO CARGO

A lei brasileira obriga a criação de um cargo inédito: o executivo responsável pela proteção de dados de clientes.

Para que o tratamento mais cauteloso de dados pessoais seja possível, a Lei Geral de Proteção de Dados destaca, em seu texto, três figuras responsáveis pelas informações captadas pelas empresas: o controlador, o operador e um responsável geral pelo tema, de interlocução direta com o comando da companhia, o encarregado de dados. Enquanto os dois primeiros já existem em algumas organizações, e são os profissionais que manipulam as informações dos clientes, a citação do último marca o início de um novo caminho profissional, com demanda em alta.

Algumas empresas já nomearam um DPO (data protection officer), que, segundo a lei, deve atuar como o principal responsável pela implementação da estratégia interna de proteção de dados. Além disso, esse profissional deverá ser o canal de comunicação entre a companhia, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a ser criada. “Se antes a área de dados tinha uma ou duas pessoas e integrava um setor maior, o aumento da demanda e a sofisticação tecnológica trouxeram mais importância ao tema”, diz Ricardo Basaglia, diretor-geral da consultoria de contratação Michael Page. “Agora, além de técnicos, o tratamento de dados exige pessoas com habilidades em gestão e estratégia, principalmente quando existe impacto direto no modelo de negócios.” No Brasil, o cargo era praticamente inexistente — e começou a ganhar impulso dentro da contagem regressiva para que a nova lei entre em vigor. Segundo a Michael Page, a demanda teve aumento de 1 000% no último ano. “A tendência é que a procura aqueça ainda mais neste ano”, afirma Basaglia.

As empresas que têm seus modelos de negócios mais atrelados à gestão de dados estão em um estágio mais maduro em relação ao cargo de executivo de dados. É o caso da Marketdata, que usa informações de consumidores para oferecer serviços estratégicos de marketing e análise de dados. Em agosto de 2018, quando a lei foi sancionada, a empresa contratou o executivo Claudinei Vieira para implementar as mudanças necessárias. “Não existe forma de proteger totalmente uma empresa do risco de vazamento de dados”, diz Vieira, que foi executivo de compliance e segurança da informação por mais de 15 anos na consultoria PwC Brasil. “A organização sempre tem um grau de exposição ao risco e deve trazer essa exposição a um nível adequado ao direcionamento dos negócios e ao apetite de seus executivos ao risco.”

A operadora de telefonia Vivo optou por preparar uma executiva da casa para o cargo. Atualmente diretora de compliance, Andrea Mattos vai acumular a função de executiva de proteção de dados a partir de agosto, quando a lei começar a valer.

Segundo as consultorias contatadas, a escassez de profissionais com as competências necessárias para a tarefa será um grande desafio nos primeiros anos. “O mercado deve levar tempo inclusive para entender o perfil ideal desse profissional, que pode variar de empresa para empresa”, diz Ana Carla Guimarães, gerente de recrutamento da consultoria Robert Half. “Sabe-se que o profissional deve ter noções de base jurídica e da parte tecnológica, mas as principais características só serão esclarecidas na prática.”

AS NOVAS REGRAS DO JOGO

Com previsão para entrar em vigor en1 agosto de 20 20, a Lei Geral de Proteção de Dados impõe novas obrigações a empresas de todos os portes. Veja algumas delas

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ENGRENAGENS DO CÉREBRO MASCULINO

O pensamento do homem se organiza como um sistema que o faz ver o mundo como um conjunto de elementos interligados

Meninos e meninas costumam brincar de jeitos diferentes. Ainda pequenos, os garotos frequentemente se interessam por aviões, carros, caminhões e armas; gostam do ronco dos motores, dos estampidos e das sirenes. Por volta dos 2 anos já demonstram forte interesse por blocos de construção e brinquedos mecânicos, enquanto as meninas preferem brincar com bonecas e vestir roupas e experimentar acessórios.

A criança vai crescendo e o padrão se mantém: eles dedicam mais tempo do que elas aos brinquedos mecânicos (miniaturas de veículos, por exemplo) e de construção (como blocos para empilhar). Parecem adorar as montagens e constroem torres e cidades. Com frequência, sentam-se, admiram a obra construída para, em seguida, desmanchar tudo. Eles gostam também de brinquedos cujas funções sejam óbvias – com botões que possam pressionar, luzes que se acendam e aparatos que movimentem outros objetos. Ou seja: meninos adoram sistemas. Podemos entender a sistematização como o impulso de compreender e construir conjuntos de elementos materiais ou ideais relacionados entre si.

Embora seja possível imaginar que isso só vale para garotos da sociedade tecnológica ocidental, registros históricos revelam que o mesmo padrão já era encontrado em comunidades pré-industriais. Nos dias de hoje, esse funcionamento é encontrado no ambiente profissional. Algumas ocupações são quase inteiram ente masculinas, como metalurgia e a fabricação de armas e de instrumentos musicais. Ou a construção e fabricação de embarcações. Não se pode dizer que esse fato seja reflexo da maior força física dos homens, já que em muitas dessas tarefas – como a fabricação de facas ou de violinos – a força não é importante; o foco são os sistemas de construção.

Como estabelecer uma ligação entre as observações de brincadeiras de bebês e crianças e o funcionamento neurológico e cognitivo de adultos? Um elo possível está no fato de que a atenção de homens e mulheres é atraída, desde cedo, por diferentes aspectos do ambiente. Em um teste fascinante, replicado inúmeras vezes nos últimos anos nos Estados Unidos, é mostrada a homens e mulheres uma série de figuras humanas e de objetos mecânicos. Foi utilizado equipamento que permite que imagens da figura humana e de objetos apareçam simultaneamente na mesma área do campo visual – o que provoca uma “competição” entre os dois estímulos pela atenção do observador. Invariavelmente, em todas as edições do teste, os homens perceberam mais sistemas mecânicos do que pessoas, enquanto as mulheres garantiram ter visto mais pessoas do que objetos.

No mundo industrializado, profissões ligadas ao estudo da matemática, da física e da engenharia exigem alta capacidade de sistematização. Podemos até pensar que essas áreas de conhecimento são equivalentes, nos adultos, às brincadeiras infantis com objetos mecânicos e blocos de construção. Na fabricação de instrumentos de precisão, porém, se um detalhe for modificado nos dados de entrada do sistema ou se for alterada a operação, o resultado pode ser radicalmente afetado. Mude um número da fórmula ou a largura do equipamento e todo o sistema deixará de funcionar.

Todas as ciências utilizam como base a sistematização e, em geral, são dominadas por homens. É quase inevitável a observação de que apenas três dos 170 ganhadores vivos do Prêmio Nobel são mulheres. Nos anos 70, a proporção de homens e mulheres atuantes nos campos de matemática, física e engenharia era de nove para um – e assim continua até hoje. O mesmo acontece nas áreas em que se aplica o modelo matemático em relação à economia e à estatística.

A diferença é significativa, mesmo se levarmos em conta fatores culturais e sociais que afastaram representantes do sexo feminino de determinados campos. O padrão observado em diferentes ciências, porém, sugere algo mais sutil. Pesquisa feita nos Estados Unidos pela National Science Foundation revelou que apenas 23% dos cientistas que atuam no ramo da biologia são mulheres – a percentagem cai para 5% em física e 3% em engenharia. Em outros países, foi encontrado o mesmo padrão, embora não haja evidência de que essas duas últimas escolhas ofereceriam carreiras profissionais menos favoráveis.

LÓGICA E NÚMEROS

Uma explicação possível para a diferença de representantes homens e mulheres nessas áreas é que o processo de seleção para esses cursos seria tendencioso por utilizar métodos de raciocínio matemático. Tal critério não deixa de ser razoável, já que a habilidade com números e lógica é um bom recurso para previsão do sucesso nesses campos. No entanto, pode ser que a matemática desequilibre a proporção entre homens e mulheres em física e engenharia. Confirmando esses indícios, temos a proporção de dez homens para uma mulher que se situam na faixa mais alta de pontuação no Scholastic Aptitude Math Test (SAT-M), um teste de aptidão matemática aplicado nos Estados Unidos a todos os candidatos às universidades.

Outra explicação possível é que não haveria nenhuma orientação tendenciosa externa nas seleções; homens e mulheres estariam simplesmente escolhendo áreas da ciência nas quais têm mais interesse ou maior aptidão. Neste caso, “escolha” é um termo impreciso (pelo menos se não considerarmos as opções pautadas nos determinantes inconscientes, a respeito dos quais não discutiremos neste texto) – já que nossas ocupações nem sempre são resultado de uma opção consciente, mas simplesmente das oportunidades que se apresentaram. Emprego a palavra “interesse” porque a escolha da ocupação pode ser guiada não somente pela facilidade de desempenhar determinada tarefa, mas também por nossas preferências.

O pesquisador Johnny Lawson, doutor em psicologia pela Universidade de Cambrige, utilizou um teste que chamou de Physical Prediction Questionnaire (Questionário de Previsão Física) para verificar se homens e mulheres compreendem de maneiras diferentes o processo de uso de alavancas (dados de entrada) ligadas a diferentes mecanismos (rodas dentadas encaixadas de várias maneiras) para afetar o movimento de algumas barras (resultado). As barras subiriam ou desceriam. Os homens se saíram melhor na tarefa de prever os resultados, o que não pode ser relacionado a nenhum viés eventualmente provocado por um entrevistador sexista, já que o questionário foi enviado por e-mail e respondido pelos voluntários.

Portanto, sem negar a existência de possíveis fatores sociais na criação de desigualdades entre cientistas homens e mulheres, acredito que devemos continuar abertos à possibilidade de que pessoas de ambos os sexos se sintam mais atraídas por determinadas atividades.

Vamosolhar a matemática com atenção. Com muita frequência, na escola, os meninos tiram notas mais baixas do que as meninas em matemática. Isso parece contrariar a afirmativa de que o cérebro masculino seja melhor sistematizador. No entanto, embora marquem menos pontos pela precisão, os garotos se saem melhor nos testes de habilidade matemática. Apesar de os trabalhos escolares dos meninos serem menos organizados, eles tendem a encontrar soluções mais rapidamente.

EM TODO O MUNDO

As garotas, porém, se destacam em determinados aspectos da habilidade matemática. Durante os anos de estudo, elas se saem melhor em testes de sentenças matemáticas e de raciocínio como o cálculo. Supõe-se que a razão para isso é que para essas tarefas seja mais fácil usar estratégias verbais e a facilidade nesse quesito é uma qualidade principalmente feminina. Quando se trata de tarefas nas quais as estratégias verbais são menos úteis – como geometria, probabilidades e estatística – as garotas costumam ter notas mais baixas.

Essas diferenças na área foram documentadas em crianças de sete anos. A psicóloga Doreen Kimura lembra que o mesmo professor ensina cálculo (em que as garotas se saem melhor) e solução de problemas (em que os garotos apresentam melhor rendimento); assim, fica difícil atribuir ao estilo e às expectativas gerais do profissional a responsabilidade pelos padrões de desempenho diferentes em meninos e meninas. O mesmo argumento pode ser aplicado aos pais. Estudos multiculturais sugerem que, na idade pré-escolar, podemos dizer que não há diferenças entre meninos e meninas nas habilidades matemáticas primárias, como contagem básica, numerosidade (ideia de mais e menos), ordinalidade (sucessão dos números) e aritmética simples (adição e subtração). As diferenças entre os sexos só surgem em domínios mais avançados, como geometria, com os quais as crianças só terão contato nos anos mais adiantados da formação escolar. Podemos até ceder à tentação de concluir que esse cenário demonstra o papel exercido pela cultura e pela educação na geração de diferenças, mas estudos multiculturais revelam o mesmo padrão variável entre os sexos no mundo todo. Em culturas tão diversas quanto as de países como Estados Unidos, China, Japão e Tailândia as garotas se saem melhor com cálculos e no estudo de componentes de computação; garotos se destacam na resolução de problemas. No teste de aptidão para a matemática SAT-M, rapazes marcam, em média, 50 pontos a mais do que as moças. Quando os resultados são separados em faixas, ocorre algo interessante: as diferenças aparecem de forma ainda mais marcante nas faixas superiores de desempenho. Entre os participantes que marcaram mais de 500 pontos, encontra ­se uma relação entre masculino e feminino de 2 para 1; acima de 600, a relação sobe para 6 para 1 e, acima de 700 pontos, chega a 13 para 1.

Um panorama semelhante se desenha na Olimpíada Internacional de Matemática, em que competem os melhores matemáticos do mundo. Durante a competição, 85 países apresentam seus seis melhores matemáticos, selecionados em concursos nacionais. A relação dos vencedores está na internet e os que tiverem a curiosidade de consultar verão, pelos nomes – Sanjay, David, Sergei e Adam, por exemplo – que quase todos são do sexo masculino.

NÍVEL DA ÁGUA

Essa tendência se manteve em todos os países e em todos os anos em que houve o torneio. Interessante: a China sempre consegue incluir uma mulher na equipe. No entanto, pelas médias de grupo para os dois sexos, é muito mais provável que os melhores matemáticos sejam homens. O panorama geral sugere que os homens superam as mulheres nesse campo (isento de qualquer componente verbal) desde a escola até os níveis mais altos de escolarização.

Algumas técnicas psicológicas podem ajudar a compreender as diferentes maneiras de homens e mulheres enxergar o mundo e trabalhar com informações que apreendem. O teste tarefa do nível da água (Water levei task), criado pelo educador e psicólogo infantil suíço Jean Piaget, é uma delas. Ele propôs que fosse apresentada aos participantes uma garrafa inclinada em um determinado ângulo e que se pedisse a eles que estimassem o nível do líquido dentro do recipiente. As mulheres, com mais frequência, deduzem que a água deve estar alinhada com a inclinação da garrafa, mas a resposta certa é que, qualquer que seja a inclinação, o nível será sempre horizontal.

A mesma vantagem masculina é observada em um teste similar, o da haste e da moldura. O voluntário vai para uma sala escurecida e lhe é apresentado um modelo em terceira dimensão de um retângulo luminoso (a moldura) com uma haste luminosa dentro dele. A figura é girada em diferentes direções e pede-se à pessoa que posicione a haste de modo que fique em posição vertical. Comprovadamente, alterar a inclinação da moldura não afeta a posição da haste. Se a ideia de verticalidade for influenciada pela inclinação da moldura, diz-se que a pessoa é “dependente do campo”: seu julgamento é facilmente alterado pelos (irrelevantes) dados de entrada do contexto. Se o participante não se deixar influenciar pela inclinação da moldura, podemos dizer que é “independente do campo”: a compreensão só leva em conta os fatores relevantes intrínsecos ao sistema. Segundo a maioria dos estudos, as mulheres são mais dependentes do campo: tendem a se distrair por aspectos irrelevantes, em vez de considerar o sistema. Elas costumam dizer, erroneamente, que a haste fica em posição vertical quando em alinhamento com a moldura.

ESPAÇO E FOCO

Já no teste das figuras encaixadas pede-se ao indivíduo que olhe para uma figura simples (o objeto) e a identifique dentro dele um padrão mais complexo (onde seu fundo se encaixa). Homens costumam ser mais rápidos e precisos em suas respostas. Este pode ser considerado um exercício de sistematização, já que a forma do objeto só permite o encaixe em uma posição e em lugar determinado. Em outras palavras: existe uma regra que descreve essa relação. Se pensarmos no padrão complexo do fundo como um motor de carro, por exemplo, e no objeto como uma das peças, esta só pode ser colocada no motor em uma determinada posição para completar o sistema.

Os homens também são capazes de aprender um caminho em um número menor de tentativas, com o auxílio do mapa, lembrando corretamente mais detalhes sobre direção e distância. Em estudos que tive a oportunidade de acompanhar, pedimos a alguns meninos que fizessem um mapa de uma área que só visitaram uma vez e seu trabalho foi bastante preciso, mostrando, por exemplo, qual a paisagem a sudeste de uma estrada. Se levarmos em conta a organização e apresentação desse material, porém, o risco de termos uma tarefa considerada “insatisfatória” é bastante grande. Já as meninas mostraram a tendência de organizar melhor o trabalho, mas produziram mapas com maior quantidade de erros de localização de pontos importantes.

Os meninos tendem a enfatizar direções, rotas ou sentido de direção, enquanto elas dão ênfase a pontos específicos – a loja da esquina, por exemplo. Essas duas estratégias, marcação de direções versus destaque para pontos específicos, têm sido bastante estudadas. A estratégia direcional é um exemplo de compreensão do espaço como um sistema geométrico e o foco em caminhos revela a consideração do ambiente como sistema.

Em outro estudo, foi mostrado aos voluntários o mapa de um a cidade fictícia. A tarefa era aprender determinado caminho. Os homens cumpriram a tarefa em menos tempo, com menor número de tentativas e de erros. Mais uma vez, as mulheres se lembravam principalmente da paisagem, enquanto eles tinham melhor compreensão direcional do mapa. Outros estudos do tipo costumam chegar a resultados similares. Algumas experiências podem ser realizadas de maneira informal. Por exemplo: leve um grupo de crianças com idades em torno de oito anos a um local desconhecido, dê a elas um mapa e depois peça que desenhem a área. As meninas incluem mais elementos da paisagem e os meninos, mais caminhos. Se a experiência for repetida com um segundo grupo com o mapa e o passeio pelo local reduzidos à metade, para dificultar um pouco a tarefa, os meninos ainda assim se lembram melhor das posições relativas dos lugares. O cérebro masculino “arruma” os elementos em um sistema geométrico ou de rede; o feminino marca os elementos descritivamente.

TALENTOS E ESTEREÓTIPOS

Um novo estudo sobre gênero, desenvolvido pela professora de psicologia Janet Shibley Hyde, da Universidade de Wisconsin, em Madison, revela que as diferenças entre homens e mulheres talvez não sejam tão marcantes como muitos pesquisadores acreditam. Para chegar a essa conclusão, Hyde realizou a revisão dos 46 estudos sobre gênero mais importantes dos últimos 20 anos.

“Claro que há diferenças emocionais e cognitivas entre os sexos. Os homens, de fato, são mais agressivos fisicamente”, observa. Já os problemas de auto estima na adolescência, geralmente associados ao comportamento feminino, afetam igualmente os rapazes. Mas para a psicóloga, o estudo mostra que tendemos a nos concentrar mais nas diferenças do que nas similaridades e exageramos qualquer descoberta científica que aponte pequenos contrastes.

“Se aceitamos que os homens não se comunicam bem, quais as implicações disso para o casamento? Por que um a mulher tentaria conversar com seu marido para resolverem seus problemas se ele fosse incapaz de compreendê-la?”, questiona. “Se temos certeza de que os meninos são melhores em matemática, ignoramos o talento matemático de muitas meninas.” Isso implica limitação das oportunidades profissionais das mulheres em áreas tecnológicas e científicas. “Em vez de continuarmos a acreditar em psicólogos de programas de auditório, precisamos dar ouvidos a dados científicos que nos dizem quando estamos nos aferrando a falsos estereótipos”, sugere Hyde.