EU ACHO …

A DERROTA DA FICÇÃO

No atual momento, está difícil competir com a realidade

Nos últimos tempos, a realidade tem solapado a ficção. Nem nos meus sonhos mais macabros, imaginei que veria a Secretária de Cultura, Regina Duarte, minimizar a gravidade da tortura na ditadura militar, debochar das mortes crescentes por coronavírus e se esquivar de prestar homenagem aos grande artista que perdemos nesse período, como Rubem Fonseca, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Sérgio Sant’Anna, Daisy Lúcidi, Moraes Moreira e Aldir Blanc.  

Na verdade, o bizarro começou a imperar antes: nem meus devaneios mais sombrios foram capazes de pintar a possibilidade de um discurso como o feito pelo ex-secretário Roberto Alvim, num vídeo cafona e perigoso, com fala semelhante à de Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler durante o governo nazista na Alemanha. E olha que escrevo histórias de terror. Se um roteirista criasse quaisquer desses cenários, sofreria críticas severas pela inverossimilhança. A realidade brasileira deixa O Conto da Aia no chinelo.

Daqui, tenho refletido sobre como tudo isso incide na ficção. Não tenho dúvidas de que o momento atual vai alterar nossa maneira de contar história. Que dramas continuam a ter pertinência? Que livros, filmes e séries serão feitos e consumidos no pós-pandemia? Que tipo de teledramaturgia o povo brasileiro vai querer ver? Não sei as respostas, é claro, mas tenho estudado cenário e possibilidades.

Curiosamente, na quarentena, venho lendo mais biografias e consumindo mais documentários, como se aceitasse resignadamente a derrota da ficção. Nos últimos anos, minhas séries favoritas têm sido todas documentais e contêm incômoda ressonância na realidade. De início, foi Making a Murderer, a história de um sujeito preso injustamente, revelando a corrupção das autoridades para alterar o rumo de investigações e encobrir crimes. Depois veio Wild Country, sobre a força e os perigos do fanatismo, da opção cega por um líder supremo.

Nesta semana, devorei Tiger King, cujo protagonista é Joe Exotic, um colecionador de grandes felinos que entra em conflito com Carole Baskin, protetora de animais. Joe é egocêntrico, paranoico, vaidoso, amoral e, por isso, tão perigosamente imprevisível; sempre tem prazer de ver “o parquinho pegar fogo”. Em sua cafonice cruel, guarda estreita semelhança com nosso presidente. Joe Exotic é Jair Bolsonaro. Não à toa, em determinado episódio, Joe decide se candidatar a governador. Fosse hoje, era bem capaz de vencer. Parece até piada… de mau gosto, sem dúvida.

Qual é o futuro da ficção? volto a perguntar. Acredito que o prazer de ler um bom suspense ou viajar numa aventura de ficção cientifica continuará a existir depois da pandemia. Mas, por enquanto tenho a impressão de que Hollywood, a ótima nova série de Ryan Murphy para a Netflix, esteja mais próxima da resposta. Ao retratar os anos 40 na famosa indústria do cinema, Murphy imagina um cenário no qual gays, mulheres, negros e asiáticos têm voz e conseguem contar as próprias histórias. Uma ”dreamland” para tornar tudo mais palatável. A realidade está simplesmente dura demais.

* RAPHAEL MONTES

OUTROS OLHARES

SUBIU À CABEÇA

Sem poderem sair de casa para arrumar o cabelo, as pessoas estão cortando e colorindo por conta própria – e postando o resultado, nem sempre tão bom, nas redes

Viver preso dentro de casa, mesmo em espaços agradáveis e confortáveis, não tem sido fácil. E fica mais difícil ainda quando o “quarentener”, apelido concebido nas redes sociais se olha no espelho e depara com um cabelo que não vê salão há muitas semanas. Não por acaso, reabrir cabeleireiros e barbearia tem sido uma das primeiras medidas em lugares prontos para relaxar o confinamento – e não pronto também, como o Estado americano da Geórgia e, há poucos dias, o Brasil, por decreto de Jair Bolsonaro (embora a decisão final esteja nas mãos de cada governador). A experiência tem mostrado que muita gente, mesmo podendo ir, permanece ressabiada de frequentar um local onde distanciamento, a prevenção número 1 contra o novo coronavírus, é praticamente impossível. O resultado é um grande contingente de anônimos e famosos que se aventuram nas tesouras e nas tinturas, arriscando soluções caseiras nem sempre bem-sucedidas, mas ainda assim exibidas, é claro, no Instagram de cada dia – como o cabelo verde renegado com uma careta pela atriz Hilary Duff.

Quem não sabe como cortar o cabelo vai ao Google ou pede lições para os amigos mais afeitos a soluções domésticas. E não é só o cuidado estético que leva uma pessoa a mudar o visual, mesmo que isso esteja além das suas habilidades. Pintar o cabelo de cores estapafúrdias, como o tom “vermelho paixão” postado por um desgostoso cantor Ricky Martin, serve também como válvula de escape para o tédio, a inquietação e a instabilidade provocados pelo isolamento social. “As pessoas buscam formas de controlar e mudar o próprio corpo, já que não podem modificar o que está ao redor”, diz o psicólogo Cloves Amorim, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). “Além disso, a ausência da pressão do trabalho estimula a criatividade.”

Elas por tédio (e raízes brancas), eles por necessidade, todo mundo está dando um jeito no cabelo em casa. A professora Paula Miranda França, de 40 anos experimentou um momento de impulsividade no fim de março: depois de cortar o cabelo do filho Miguel, de 11 anos, decidiu passar máquina 2 nas suas madeixas, que iam até os ombros. ”Eu me sentia aprisionada e resolvi: se vou ficar em casa, posso ser mais livre e fazer o que eu quiser”, justifica Paula, que felizmente gostou do resultado e pensa em manter o visual até o fim da quarentena. Já o alagoano Arthur Toledo, de 31 anos, raspou por necessidade, vítima de uma grande falha na parte de trás da cabeça, causada pela máquina manuseada pela mulher na fazenda onde o casal mora, na zona rural de Bauru (SP). “Fiquei tão diferente que algumas pessoas não me reconheceram. Está tudo bem, vai crescer de novo”, conforma-se, bem-humorado.

Corte malfeitos viraram mania no TikTok, o aplicativo de vídeos rápidos que faz muito sucesso entre os jovens, com uma infinidade de filminhos de vias tortuosas desbravada por tesoura na mão de amadores. Mais convencional, Bruno Gagliasso postou no Instagram o caminho de rato desenhado nas laterais da sua cabeça em um momento de criatividade dos filhos Titi, de 6 anos, e Bless, de 5. A atriz Claudia Raia depositou nas mãos do marido, Jarbas Homem de Mello, a tarefa de retocar suas raízes. “A gente se reinventa. Vambora, todo mundo tem de saber fazer tudo”, brincou.

Há que tomar cuidado, porém, com o tamanho do desastre (veja no quadro abaixo). “A imagem abalada pode deixar algumas pessoas deprimidas”, alerta o cabeleireiro Abner Matias, de São Paulo, que está cobrando 200 reais por um pacote de instruções que inclui um cronograma de cuidado capilar e recomendações sobre como hidratar e colorir o cabelo. Matias diz que as visualizações de seu canal no YouTube dobraram desde que o isolamento começou. “Apesar das brincadeiras, a maioria quer cuidar bem dos fios, e não estragá-los”, afirma. Conselho sempre repetido por ele e pelos colegas: pense muito antes de manejar a tesoura na direção de uma mudança extravagante. A quarentena está demorando para acabar, mas não vai durar para sempre.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 28 DE MAIO

CONSOLO PARA O LUTO

Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores! (Lucas 7.13).

O luto é uma das aflições mais profundas da vida. Ninguém passa por esse vale com sorriso nos lábios ou festas na alma. É um cálice amargo, e não uma iguaria fina. A morte é o rei dos terrores. Arranca de nossos braços aqueles a quem amamos. O apóstolo Paulo, porém, nos diz: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele quem nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus (2Coríntios 1.3,4). Há três verdades consoladoras aqui. Em primeiro lugar, Deus é a fonte do consolo. Podemos receber seu socorro nas horas mais amargas da vida. O vale do luto é escuro e profundo, mas não o atravessamos sozinhos. Deus caminha conosco, acolhendo-nos em seus braços eternos, pois ele é o Deus e Pai de toda consolação. Em segundo lugar, Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos. Ninguém é consolado a menos que esteja passando por um sofrimento. Deus nos conforta para sermos consoladores. Quando enfrentamos a dor do luto, Deus nos equipa para sermos instrumentos de consolo na vida de outros enlutados. Em terceiro lugar, Deus nos capacita para sermos consoladores e consoladores com as mesmas consolações com que somos consolados. Repartimos aquilo que recebemos. Repartimos na mesma proporção que recebemos. Tornamo-nos não apenas receptáculos do sofrimento, mas sobretudo instrumentos do consolo.

GESTÃO E CARREIRA

SALVAÇÃO OU ARMADILHA?

Quem abre um negócio por necessidade costuma sofrer com a alta carga emocional e com o despreparo para gerir uma empresa. Saiba como se preparar para empreender com segurança

Quando Kelli Carretoni, de 36 anos, e o marido, Marcos Senise, de 35, decidiram sair de Sidrolândia (MS) para recomeçar a vida em Florianópolis (SC) imaginaram que seria fácil abrir um food truck e se sustentar vendendo lanches. Desempregados, eles estavam morando de favor com a família havia seis meses quando decidiram arrumar as malas em agosto de 2018. Como já haviam visitado a ilha catarinense durante as férias de verão, pensaram que a multidão de turistas significaria sucesso garantido.

Mas a realidade do inverno em que chegaram à cidade foi bem diferente. Além de custos com locação e manutenção do trailer, o casal teria de arcar com alvará de funcionamento – e, também, com o aluguel de apartamento e todos os outros custos de vida. As contas não fechavam. “Decidimos recuar do nosso projeto inicial. Ficamos apavorados, pois tínhamos muitas despesas, o dinheiro estava indo embora e o desespero bateu”, diz Kelli. O sonho de ter um food truck durou apenas dois dias. Marcos começou a procurar emprego em lojas e restaurantes de Florianópolis. Apesar de carregar um diploma universitário de agronomia, ele não teve sucesso em sua área. Para piorar a situação, Kelli passou por um problema na coluna que exigiu repouso, internação e medicamentos – o que tornou a situação financeira do casal ainda mais preocupante. Foi então que tiveram a ideia de fazer bolos no pote para vender no comércio e na praia. Advogada de formação, Kelli sempre gostou de preparar doces e ficou encarregada. da produção, enquanto Marcos cuidava das vendas. Ele havia conseguido um emprego de vendedor durante o horário comercial e saía para vender bolos após o expediente. Depois de dez meses empregado, Marcos foi demitido e passou a se dedicar integralmente ao negócio. Com muito esforço, saíram do vermelho e hoje conseguem pagar todas as contas com os doces. A história poderia ter terminado mal, mas eles tiveram sorte. Em seu segundo verão na ilha, o casal está se preparando para formalizar a empresa e já sonha em abrir uma loja própria.

PURA NECESSIDADE

Histórias como a desse casal estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil – e não é porque o brasileiro se descobriu como empreendedor. O enfraquecimento da atividade econômica e o avanço do desemprego nos últimos anos são dois dos fatores que têm levado cada vez mais pessoas a abrir um negócio por necessidade.

Uma pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostrou que a taxa de empreendedorismo no Brasil está crescendo rapidamente, chegando a 38% em 2018, o equivalente a 52 milhões de pessoas. E, dos que abriram um negócio, 37,5% o fizeram por necessidade. A abertura de empresas que se enquadram no MEI (microempreendedor individual) também é um indicativo dessa tendência: de janeiro a outubro de 2019, o Brasil ganhou 1,5 milhão de novos microempreendedores, alcançando um total de 9,2 milhões. Com o registro, os empresários cujo faturamento chega a até 81.000 reais por ano podem ter CNPJ e emitir notas fiscais, além de ter acesso a direitos previdenciários e a auxílio-maternidade. “Há muita gente que não tem opção no trabalho formal e consegue no MEI um caminho para se formalizar e estar no mercado de trabalho”, afirma o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

COM EMOÇÃO

Se empreender por oportunidade já é desafiador, empreender por necessidade é ainda pior. Segundo especialistas, quem abre um negócio por não encontrar uma alternativa de renda costuma sofrer mais riscos de fracassar porque a carga emocional é muito mais intensa e tende a impactar a qualidade das decisões. “São muitas camadas de emoção envolvidas junto com um nível de conhecimento quase zero. As pessoas nessa situação ficam desesperadas porque o dinheiro nem sempre vem rápido”, afirma Marina Proença, especialista em marketing e criadora do curso Empreenda Simples.

Ao mesmo tempo, não há as mesmas garantias oferecidas por um emprego de carteira assinada, como fundo de garantia, férias remuneradas e 13º salário. Segundo Sandro Magaldi, fundador da startup Meu­ sucesso.com, que atua com educação empreendedora, a instabilidade dos rendimentos aliada a essas condições é um dos fatores mais desafiadores. “Empreender é sinônimo de risco. A segurança não é a mesma quando se tem uma ocupação formal”, afirma.

Outro ponto de atenção é a pressa para retirar uma renda de seu negócio, o que não permite que a empresa receba os investimentos necessários ao longo do tempo. “Esses ingredientes formam um bolo perigoso”, afirma Rubens Massa, professor no Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV Eaesp.

Em muitos casos, é preciso encontrar alternativas de renda até o negócio começar a dar certo. Foi o que fez Kênia Nazaro, de 33 anos. Formada em arquitetura, ela teve dificuldade para encontrar um emprego na área quando se formou em 2014. “O Brasil já estava em crise e meu mercado tinha quase chegado ao fundo do poço”, diz. Em vez de esperar por uma vaga, ela decidiu entrar em ação e começar a atuar por conta própria. “Precisava de dinheiro e também valorizar a graduação que eu fiz”, afirma. Com a marca Nazario Arquitetura, criou um perfil no Facebook com seu portfólio e, com dinheiro emprestado de sua mãe, imprimiu 5.000 panfletos para divulgar o negócio. Alguns meses depois, conseguiu o primeiro cliente. “Ele sabia que eu era inexperiente, mas decidiu arriscar”, diz. A clientela demorou a crescer e, até o início de 2018, Kênia precisou diversificar seu leque de atuação. Além de projetos de arquitetura, ela locava equipamentos recreativos para festas infantis. “Eu ficava por meses sem clientes e, para poder pagar as contas, comecei a alugar esses brinquedos”, diz. Agora, graças ao forte trabalho de divulgação nas redes sociais e na internet, Kênia conseguiu consolidar seu negócio de arquitetura. “O Instagram e o Facebook me dão clientes. Cheguei a um ponto em que eu não preciso mais ficar pagando para fazer propaganda porque os próprios clientes me indicam a outros”, diz a arquiteta, que está pensando em contratar um estagiário para ajudá-la.

PLANEJAMENTO É A CHAVE

Para quem está pensando em empreender por não encontrar mais nenhuma opção, a dica é buscar informação e pla11ejar o máximo possível antes de começar. Cursos gratuitos do Sebrae e informações disponíveis na internet são uma ótima alternativa para quem não tem dinheiro para investir em capacitação. Estar em contato com outros empreendedores também é uma boa ideia, seja por meio da internet, seja em feiras e eventos.

É essencial formular um modelo de negócios levando em conta o que a empresa vai fazer, quem será o cliente, como será o relacionamento com esse público, quais serão as principais atividades e os parceiros, assim como custos e receitas. “É preciso dar um primeiro passo e pesquisar”, diz Marina. Caso contrário, o risco de trabalhar muito e não ganhar dinheiro é alto. Também é importante considerar como seu negócio vai se diferenciar da concorrência, oferecendo produtos inovadores ou lançando mão de campanhas de marketing originais. “Se não souber responder qual dor você cura, nem comece”, afirma Pedro Superti, especialista em marketing de diferenciação.

Esse planejamento faz parte da história de Beatriz Carvalho, de 27 anos. Jornalista que nunca conseguiu atuar na área, ela criou, em 2017, o projeto Mulheres de Frente, que tem como objetivo usar a internet como ferramenta de empoderamento de mulheres da periferia da cidade do Rio de Janeiro. A ideia é ensiná-las a usar as redes sociais como ferramenta de trabalho. “As mulheres da favela são muito estigmatizadas pelo machismo e pelo racismo, e isso me incomodava muito”, diz. Para ajudar a mudar essa realidade, Beatriz oferece consultoria em mídias sociais, produção de eventos e também realiza workshops e oficinas presenciais em áreas carentes. Com isso, ela ajuda empreendedoras a divulgar seus produtos e serviços na internet de forma positiva, servindo de inspiração para outras mulheres.

Para tirar o negócio do papel, Beatriz precisou criar uma rede de contatos na região metropolitana do Rio. Sua principal fonte de negócio são as organizações não governamentais (ONGs) que atuam nessa região. “Procuro oferecer ajuda para eventos que elas realizam, e assim vou criando uma rede de contatos”, conta. Grupos de mensagens e participação em coletivos feministas também têm ajudado Beatriz em sua jornada empreendedora.

Em meados de 2017, o projeto foi mapeado pela Rede Favela Sustentável, da ONG Comunidades Catalisadoras. Em 2019, passou a fazer parte de uma incubadora de outra ONG, a Asplande. Na incubadora, Beatriz está aprendendo sobre modelo de negócios, marketing digital e gestão de negócios. “Esse mapeamento tem me dado mais visibilidade e um networking muito importante”, conta. No mesmo ano, ela se registrou como MEI para poder emitir notas fiscais. No longo prazo, sua intenção é levar o Mulheres de Frente para outros estados do Brasil e até para o exterior. Da necessidade pode ter surgido um grande projeto de vida.

POR QUE SER O PRÓPRIO PATRÃO?

A abertura de uma empresa é baseada na oportunidade ou na pura necessidade de conseguir renda. Veja como andaram essas duas motivações ao longo dos últimos anos

10 CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR DE SUCESSO

1. É atento a mercado e aposta em inovação

2. Dedica tempo ao planejamento

3. É resiliente e focado

4. Consegue manter a calma apesar das turbulências

5. Procura maneiras de se diferenciar da concorrência

6. Sabe quem é seu público-alvo

7. Tem clareza de receitas e custos

8. Entende que empreender é um processo

9. Não desiste se a primeira ideia não der certo

10. Gosta de aprender

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HORMÔNIOS PODEROSOS

Diversidade de padrões comportamentais e cognitivos reflete influências da química cerebral

Homens e mulheres diferem não apenas em atributos físicos e função reprodutiva, mas também em características como o modo de resolver problemas intelectuais. Nas últimas décadas, a tendência ideológica insistia que estas diferenças comportamentais seriam mínimas e consequência da diversidade de experiências durante o desenvolvimento antes e depois da adolescência. Evidências acumuladas recentemente, entretanto, sugerem que os efeitos dos hormônios sexuais na organização cerebral ocorrem tão precocemente na vida que, desde o início, o meio age sobre cérebros organizados de forma diferente em meninos e meninas. Esses efeitos tornam difícil, se não duvidosa, a avaliação do papel que a experiência desempenha, independentemente da predisposição fisiológica. As bases biológicas das diferenças sexuais no cérebro e no comportamento ficaram melhor conhecidas graças ao número cada vez maior de estudos comportamentais, neurológicos e endocrinológicos.

Sabemos, por exemplo, pela observação tanto de humanos quanto de não humanos, que os machos são mais agressivos e, quando jovens, fazem brincadeiras mais violentas que as fêmeas. Já estas destacam-se pelos comportamentos maternais. Sabemos também que, em geral, os homens são melhores em tarefas que envolvem orientação e navegação no espaço. Qual a origem dessas e outras diferenças entre os sexos? Boa parte de nossas informações e ideias sobre como ocorre a diferenciação sexual é fornecida por pesquisas com animais. Talvez o fator mais importante na diferenciação entre machos e fêmeas, e sem dúvida na diferenciação de indivíduos do mesmo sexo, seja o nível de exposição a vários hormônios sexuais no início da vida. Na maioria dos mamíferos, incluindo os humanos, o organismo em desenvolvimento tem potencial para ser macho ou fêmea. A produção de um macho é um processo complexo. Quando um cromossomo Y está presente, formam-se testículos ou gônadas masculinas. Quando não existe cromossomo Y, formam-se ovários.

PADRÃO FEMININO

Os testículos produzem hormônios masculinos ou androgênios (principalmente testosterona), responsáveis pela transformação dos genitais em órgãos masculinos, e também pela organização, no início da vida, dos comportamentos masculinos correspondentes. Quanto à formação da genitália, os estudos pioneiros de Robert W. Coy, da University of Wisconsin, mostraram que a tendência intrínseca, na ausência de influência hormonal masculina, é que se desenvolvam estruturas genitais e comportamento femininos. Portanto, a anatomia feminina e, provavelmente, a maior parte do comportamento associado às fêmeas são o modelo padrão na ausência de androgênios.

Se um roedor com genitais masculinos funcionais for privado dos androgênios imediatamente após o nascimento (por castração ou pela administração de um composto que bloqueie os hormônios), o comportamento sexual masculino, como montar durante a cópula, será reduzido, e aumentará o comportamento sexual feminino, como a lordose (o arqueamento das costas durante o coito). Da mesma forma, se androgênios forem administrados a uma fêmea logo após o nascimento, ela revelará, quando adulta, maior quantidade de comportamento sexual masculino e menor do feminino. Esses efeitos duradouros decorrentes da exposição precoce a hormônios sexuais são caracterizados como “organizacionais” porque parecem alterar, de forma permanente, a função cerebral durante um período crítico do desenvolvimento pré ou pós-natal precoce. A administração dos mesmos hormônios sexuais em estágios mais tardios ou na idade adulta não exerce este efeito.

Entretanto, nem todos os comportamentos que distinguem os machos são categorizados ao mesmo tempo. Em macacos Rhesus, por exemplo, a organização através de androgênios dos comportamentos masculinos típicos de cópula e de brincadeiras violentas ocorre em fases diferentes do período pré-natal.

A área do cérebro que regula o comportamento reprodutivo masculino e feminino é o hipotálamo. Essa diminuta estrutura na base do cérebro está ligada à hipófise, a principal glândula endócrina. Nos ratos machos, uma região do hipotálamo é nitidamente maior que nas fêmeas, e esta diferença está sob controle hormonal. Os cientistas descobriram também diferenças entre os sexos em um grupo de neurônios do cérebro humano – partes do núcleo intersticial do hipotálamo anterior -, que é maior nos homens. Até a orientação sexual e a identidade de gênero foram relacionadas à variação anatômica do hipotálamo. Outros pesquisadores, como Jiang-Ning Zhou e colegas do Netherlands lnstitute of Brain Research e da Free University, em Amsterdã, observaram outra parte do hipotálamo, menor em transexuais masculinos-femininos que em um grupo de controle masculino. Essas descobertas são consistentes com a hipótese de que a orientação sexual e a identidade de gênero têm um importante componente biológico.

E as diferenças intelectuais entre homens e mulheres? As principais diferenças sexuais parecem consistir mais em padrões de habilidades que no nível global de inteligência (medido como o QI), embora alguns pesquisadores, como Richard Lynn, da University of Ulster, na Irlanda do Norte, argumentem que exista uma pequena diferença de QI em favor dos homens. As diferenças de padrão intelectual referem-se ao fato de que as pessoas possuem talentos intelectuais distintos: algumas utilizam palavras muito bem, enquanto outras são melhores em lidar com estímulos externos, como a identificação de um objeto em uma orientação diferente. Dois indivíduos podem ter habilidades cognitivas diferentes, com o mesmo nível global de inteligência.

NO LABIRINTO

As diferenças entre os sexos na solução de problemas foram estudadas sistematicamente em adultos, em laboratório. Em média, os homens se saem melhor que as mulheres em certas tarefas espaciais. Em particular, os homens parecem ter desempenho melhor em testes em que precisam imaginar a rotação de um objeto ou sua manipulação de forma variada. O desempenho dos homens também é melhor em testes de raciocínio matemático e de navegação em uma rota. Além disso, os homens são mais precisos em testes de habilidade motora com alvo – isto é, em guiar ou interceptar projéteis. As mulheres, em média, sobressaem em testes que medem a capacidade de lembrar palavras e desafiam a pessoa a encontrar palavras que comecem com uma letra específica ou satisfaçam algum outro critério. Também tendem a ser melhores que os homens na identificação rápida de itens que combinam entre si e em realizar certas tarefas manuais, como a colocação de pinos em buracos de uma tábua.

Em relação à orientação espacial, um estudo revelou que os homens completam um labirinto simulado em computador mais rapidamente e com menos erros do que as mulheres. Outro estudo utilizou um percurso feito em um mapa de mesa para o aprendizado de rotas. Os resultados mostram que os homens aprendem o caminho em menos tentativas e com menos erros, as mulheres tendem a usar marcos de referência como estratégia de orientação. Outras descobertas também apontam a superioridade das mulheres na memorização de referências. Em testes sobre a habilidade para lembrar de objetos e sua localização em um espaço confinado – como uma sala ou uma mesa -, as mulheres revelaram-se mais capazes de lembrar se os itens haviam mudado de lugar ou não. Outros pesquisadores descobriram que as mulheres são superiores quando precisam lembrar da localização de desenhos em cartões virados aos pares. Neste tipo de localização dos objetos, diferentemente de outras tarefas espaciais, as mulheres parecem superar os homens.

É importante levar em conta que algumas diferenças cognitivas médias entre os sexos variam ou muito ou pouco, e o desempenho de homens e mulheres se sobrepõe enormemente em muitos testes cognitivos que revelam diferenças entre as médias. Por exemplo, enquanto mulheres desempenham melhor tanto em tarefas que envolvem memória verbal (lembrar palavras em listas ou parágrafos) como nas que envolvem fluência verbal (encontrar palavras que comecem com uma letra específica), encontramos uma grande diferença em habilidades de memória e somente pequena disparidade nas que envolvem fluência. Em geral, a variação entre homens e mulheres tende a ser menor que os desvios entre indivíduos do mesmo sexo, embora grandes diferenças entre os grupos possam ocorrer – como, por exemplo, na capacidade masculina em atingir alvos visuais.

Embora se acreditasse que as diferenças entre os sexos na solução de problemas não aparecessem até a puberdade, a evidência sugere que algumas diferenças cognitivas e de habilidades já estejam presentes muito antes. Por exemplo, meninos de três e quatro anos são melhores, comparados a meninas da mesma idade, em alvejar e em rodar mentalmente figuras desenhadas no mostrador de um relógio. As meninas pré-adolescentes, porém, são melhores em lembrar listas de palavras. Descobriu-se também que roedores machos e fêmeas resolvem problemas de forma diferente. Christina L. Williams, da Duke University, mostrou que as ratas têm tendência maior a usar referências em tarefas de aprendizado espacial, como parecem fazer as mulheres. Na experiência de Williams, as ratas deram preferência a marcos como figuras na parede, e não a dicas geométricas, como ângulos e forma da sala. Quando não havia marcos de referência disponíveis, no entanto, as fêmeas empregavam as pistas geométricas. Os machos, ao contrário, nunca utilizaram marcos de referência, preferindo, quase exclusivamente, as pistas geométricas.

Williams descobriu também que a manipulação hormonal durante o período crítico pode alterar comportamentos. Ao privar, pela castração, machos recém-nascidos dos hormônios sexuais ou ao aplicar hormônios em fêmeas recém-nascidas, houve total inversão do comportamento sexual típico nos animais adultos.

Diferenças estruturais podem ser análogas às comportamentais. Lucia F. Jacobs, então na University of Pittsburgh, descobriu que, em várias espécies de roedores, o hipocampo – região que pode estar envolvida no aprendizado espacial – é maior em machos do que em fêmeas. Atualmente, não dispomos de dados suficientes sobre as possíveis diferenças em seres humanos.

BONECA E CARRINHO

Estudos realizados com meninas expostas a um excesso de androgênios na fase pré ou neonatal fornecem algumas das principais evidências em favor de diferenças sexuais influenciadas por hormônios. A produção anormal de grandes quantidades de androgênio nas supra – renais pode ocorrer por um defeito genético, em uma doença chamada hiperplasia congênita das adrenais (HCA). Antes dos anos 70, uma condição semelhante também surgia de modo inesperado na prole de mulheres grávidas que receberam esteroides sintéticos. Embora a consequente masculinização dos genitais possa ser corrigida cirurgicamente e a produção excessiva de androgênios tratada com medicamentos, os efeitos da exposição pré-natal sobre o cérebro não podem ser revertidos.

Sheri A. Berenbaum, então na Southern Illinois University, em Carbondale, e Melissa Hines, então na University of California, em Los Angeles, observaram o comportamento lúdico de meninas com HCA, comparando-o com o de seus irmãos de ambos os sexos. Entre brinquedos de montar e de transporte ou bonecas e apetrechos de cozinha ou, ainda, livros e jogos de tabuleiro, as meninas com HCA preferiram os brinquedos mais tipicamente masculinos – por exemplo, brincaram com carrinhos pelo mesmo tempo que os meninos. Tanto as meninas com HCA como os meninos diferiram, em seus padrões de escolha, das meninas não afetadas por HCA. Berenbaum descobriu também que as meninas com HCA mostraram maior interesse em atividades e carreiras tipicamente masculinas. Como é provável que os pais estimulem preferências femininas tanto em suas filhas com HCA quanto nas não afetadas, descobertas sugerem que as preferências foram alteradas por fatores hormonais precoces. Outros pesquisadores descobriram que as habilidades espaciais em que os meninos tipicamente se destacam são mais desenvolvidas em meninas com HCA. Em meninos com HCA observou-se o inverso.

Embora os níveis de androgênio se relacionem a habilidades espaciais, não se trata simplesmente de quanto maior o nível, melhor o desempenho. Há, sim, um nível ótimo de androgênios (na faixa baixa para homens) para uma habilidade espacial máxima. Isso pode valer também para os homens e o raciocínio matemático; em uma pesquisa, homens com baixo androgênio tiveram melhor desempenho.

BIOLOGIA DA MATEMÁTICA

As descobertas são relevantes para a ideia, apresentada por Camilla P. Benbow, hoje na Vanderbilt University, de que a habilidade matemática superior tem um determinante biológico importante. Ela e seus colegas relataram diferenças consistentes entre os sexos, favoráveis aos homens, em habilidades de raciocínio matemático. Em jovens com talento matemático, as diferenças foram especialmente nítidas na extremidade superior da distribuição, onde a quantidade de homens era muito maior que a de mulheres. Benbow argumenta que essas diferenças não seriam facilmente explicadas por fatores sociais.

É importante considerar que a relação entre os níveis naturais de hormônios e a solução de problemas é baseada em correlações. Embora exista alguma conexão entre as duas medidas, não sabemos como a associação é determinada, nem seu fundamento causal. Além disso, pouco sabemos sobrea relação entre níveis de hormônios em adultos e nas fases iniciais da vida, quando, ao que parece, as habilidades se organizam no sistema nervoso.

Uma das descobertas mais interessantes relacionadas a adultos é que padrões cognitivos podem permanecer suscetíveis a autuações hormonais durante toda a vida. Elizabeth Hampson, da University of Western Ontario, mostrou que o desempenho feminino em determinadas tarefas durante o ciclo menstrual varia conforme os níveis de estrogênio. Taxas elevadas do hormônio associam-se não somente a uma diminuição relativa das habilidades espaciais, mas também a uma melhora nas linguísticas e nas de destreza manual. Observei Autuações sazonais nas habilidades espaciais dos homens: o desempenho é melhor na primavera, quando os níveis de testosterona são mais baixos. Cabe a novas pesquisas esclarecer se as Autuações vinculadas aos hormônios representam adaptações evolutivas úteis ou apenas os altos e baixos em torno de uma média.

Pesquisas com pessoas com lesões em uma metade do cérebro indicam que, na maioria delas, o esquerdo é crucial para a linguagem e o direito para certas funções perceptuais e espaciais. Pesquisadores que estudam diferenças sexuais supõem que os hemisférios direito e esquerdo são organizados de forma mais assimétrica em relação à linguagem e às funções espaciais em homens do que em mulheres.

Partes do corpo caloso, o principal sistema neural que conecta os dois hemisférios, assim como a comissura anterior, parecem ser maiores em mulheres, permitindo mais comunicação entre os hemisférios. Técnicas de percepção que medem a assimetria do cérebro em pessoas com funcionamento normal mostram, às vezes, assimetrias menores nas mulheres do que nos homens, e a lesão em um hemisfério cerebral pode ter menor efeito sobre as mulheres. Meus dados sugerem que, em relação a funções como aspectos básicos de linguagem e habilidades espaciais, não há grandes diferenças de assimetria hemisférica entre os sexos, embora possa haver disparidades em habilidades mais abstratas, como a capacidade de definir palavras.

Se as diferenças conhecidas estivessem ligadas a diferentes dependências em relação ao hemisfério direito do cérebro para a execução dessas funções, seria de esperar que uma lesão ali tivesse efeito mais devastador no desempenho espacial dos homens. Estudamos a capacidade de pacientes com lesão em um hemisfério do cérebro de visualizar a rotação de objetos. Como esperado, em ambos os sexos, os pacientes com lesão no hemisfério direito tiveram desempenho pior.

Além disso as mulheres não se saíram tão bem quanto os homens. Entretanto, a lesão no hemisfério direito não teve um efeito maior em homens que em mulheres.

As especificidades de desempenho entre homens e mulheres em testes de rotação e orientação direcional não precisam ser resultado dos diferentes graus de dependência em relação ao hemisfério direito. Outros sistemas cerebrais podem mediar o melhor desempenho dos homens.

PADRÕES DE FUNÇÃO

Outra diferença cerebral entre os sexos refere-se à linguagem e a certas funções manuais. Mulheres estão sujeitas à afasia (comprometimento da capacidade de produzir e compreender linguagem) com mais frequência após uma lesão na região anterior do cérebro que após uma lesão na região posterior. Nos homens, a lesão posterior afeta a linguagem na maioria das vezes. Padrão similar foi encontrado nas apraxias, a dificuldade em selecionar movimentos apropriados da mão, como copiar os movimentos executados por outra pessoa. As mulheres raramente têm apraxia após uma lesão posterior esquerda, ao contrário dos homens.

Homens também estão sujeitos, com mais frequência, a afasia decorrente de lesão no hemisfério esquerdo. É possível que uma lesão restrita a um hemisfério, após um derrame, afete com mais frequência a região posterior do hemisfério esquerdo. Como os homens dependem desta região para a linguagem mais que as mulheres, eles serão mais afetados. Ainda não compreendemos os efeitos sobre os padrões cognitivos dessa configuração divergente de linguagem e funções manuais.

Embora não tenha encontrado diferenças sexuais na assimetria funcional do cérebro vinculada a aspectos básicos de linguagem, capacidade de movimento ou rotação espacial, descobri leves diferenças em algumas habilidades verbais. O desempenho em um teste de vocabulário e de fluência verbal, por exemplo, foi ligeiramente afetado, nas mulheres, na lesão de qualquer um dos hemisférios, enquanto nos homens o desempenho só foi prejudicado em lesões do hemisfério esquerdo. Essas descobertas sugerem que, ao empregar habilidades verbais mais abstratas, as mulheres utilizam os dois hemisférios de forma mais uniforme que os homens. Mas isto não vale para todas as tarefas relacionadas a palavras. A memória verbal, por exemplo, parece depender do hemisfério esquerdo tanto nas mulheres como nos homens.

Novas técnicas para avaliar a atividade cerebral – incluindo imagens por ressonância magnética funcional (fMRI) e tomografia de emissão de pósitrons (PET) – têm­ se revelado promissoras, mesmo que os resultados interessantes ainda pareçam conflitantes.

ASSIMETRIA FUNCIONAL

Algum as pesquisas mostraram maiores diferenças de atividade entre os hemisférios de homens e mulheres durante testes de linguagem, como avaliar se duas palavras rimam ou conjugar verbos no passado. Uma não encontrou diferenças de assimetria funcional. A diversidade destes resultados pode ser atribuída, em parte, aos testes empregados. Os sexos podem ter uma organização cerebral diferente para algumas tarefas de linguagem, mas não para outras.

A diversidade pode refletir também a complexidade dessas técnicas. O cérebro está sempre ativo em algum grau. Assim, para qualquer atividade, como ler em voz alta, pressupõe-se que a atividade de comparação – digamos, ler em silêncio – seja similar. Nós então “subtraímos” o padrão cerebral que ocorre durante a leitura silenciosa para determinar o padrão durante a leitura em voz alta. Mas esses métodos exigem suposições duvidosas sobre o que a pessoa está fazendo durante qualquer dessas atividades.

Além disso, quanto mais complexa a atividade, mais difícil é saber o que está sendo medido após a subtração da atividade de comparação.

Para entender o comportamento humano – como homens e mulheres diferem entre si, por exemplo – precisamos olhar além. Nosso cérebro é, essencialmente, como o de nossos ancestrais de 50 mil anos atrás ou mais, mas podemos aprimorar nossa compreensão das diferenças entre os sexos estudando os diferentes papéis que homens e mulheres desempenharam na história evolutiva. Os homens eram responsáveis pela caça e pela procura de comida, por defender o grupo contra predadores e inimigos e por desenvolver e usar armas. As mulheres coletavam os alimentos perto da base domiciliar, tomavam conta da casa, preparavam a comida e as vestimentas e cuidavam das crianças pequenas. Essas especializações teriam imposto diferentes pressões de seleção sobre eles.

Qualquer diferença comportamental entre indivíduos ou grupos é mediada pelo cérebro. Foram registradas diferenças sexuais relativas à estrutura e organização do cérebro e foram realizados estudos sobre o papel dos hormônios sexuais no comportamento humano. Todavia, permanecem as questões relativas à ação dos hormônios no sistema cerebral humano para gerar as diferenças descritas, como no comportamento lúdico ou nos padrões cognitivos.