EU ACHO …

QUATRO MIL ANOS DE HISTÓRIA

Um atalho para o Brasil aprender com a China, que se reinventa

Lá pelo início dos anos 1990, às vésperas de uma missão da Organização Internacional do Trabalho (0IT), aconselharam-me a levar caneta esferográficas Bic para presentear as pessoas que encontrasse. Na viagem, visitei uma linha de montagem da caminhonete Cherokee. Nada que chamasse atenção. Porém, carroças puxadas por burros movimentavam os estoques no pátio. Em um enorme hotel, fui informado de que estavam importando chefs para que ensinassem culinária na China. Sobre essa nação, exclamou o francês André Malraux, nos anos 1960: “Quando esse país despertar…” E a China despertou.

A Revolução Cultural de Mao destruiu a gastronomia requintada do país, daí importar chef; de Singapura, um hospital construído em dez dias? Essas são pontas do iceberg das façanhas chinesas. E não param aí as boas surpresas. Que nos façam patético figurante nos surpreende menos que as proezas tecnológicas. Como foi possível esse salto? a entrada do século XX, canhoneiras americanas patrulhavam o Rio Yangtzé. Embaixadas ocidentais tinham exércitos próprios. Se Mao trouxe ordem, suas políticas desastradas causaram fome que dizimou entre 20 milhões e 45 milhões de almas. Desastre após desastre.

Da tragédia e pobreza extrema, inventa-se uma nação? Como decifrar o salto? E, que constrangedor para nós, poupados dessas hecatombes humanitárias. Mas tal comparação ignora a história. A civilização ocidental só desabrochou nos últimos 500 anos. O Brasil começou a se aprumar recentemente, sendo construído por povos de poucas tradições. E a China tem 4.000 anos de história.

O que vemos lá não é a construção de um país, mas sua reconstrução. Como disseram o escritor francês Alain Peyrefitte e tanto outros. durante sua longa trajetória a China esteve à frente da Europa em quase tudo. Apena no século XIX se desencadeou sua precipito a decadência – catalisada pela Guerra do Ópio. Um século não apagou o DNA de sua sofisticada civilização, que sempre contou com governantes esclarecidos – selecionado por concursos públicos. A disciplina e a dedicação também vêm de longe. Os chineses não inventam um novo país, apenas voltam à trajetória perdida.

Nós, brasileiros, é que saímos do quase nada. Nós, sim, nos inventamos. Aliás, nosso progresso a partir do fim do século XIX foi fulgurante. Impar na história da humanidade. Se ainda estamos engatinhando, é porque começamos lá embaixo.

Nosso desafio como nação inclui não sermos inapelavelmente vencidos pelo pessimismo diante do que não conseguimos realizar. Tampouco nos cabe um ufanismo que atrofia o espírito crítico, sempre necessário. E, naturalmente, falta-nos maturidade para entender que altos e baixos fazem parte da trajetória de qualquer país.

No decorrer de sua longa história, a China foi sacudida por crises medonhas (e agora sacode o mundo). Mas sempre acumulou avanços em múltiplas direções, neutralizando a perda passageiras. Nisso, não somos nem melhores nem piores. Não há por que imitar a China e, menos ainda, fazer milagrosa ao seu pecado. Mas devemos aprender com os chineses o que aprenderam ao longo de 4.000 anos.

* CLAUDIO DE MOURA CASTRO

OUTROS OLHARES

AS LIÇÕES DA GRIPE ESPANHOLA

A pandemia de 1918 teve profundas implicações políticas nas décadas seguintes – e tudo indica que será novamente assim com a covid-19

Mahatma Gandhi foi um dos que tiveram a vida marcada pela Gripe Espanhola, pandemia que varreu o mundo a partir de 1918. No plano pessoal, o líder indiano sofreu um forte surto de gripe e viu mortos se amontoar a seu redor – estima-se que o número total de vítimas entre os indianos chegou a 17 milhões. Em seus cálculos políticos, a pandemia também foi nefasta. Durante a Primeira Guerra Mundial, os britânicos decretaram uma lei marcial na colônia. Mesmo após o fim do conflito armado, o estado de exceção foi mantido por causa da doença. Gandhi, então, convocou seus seguidores contra a medida extraordinária. Em uma manifestação, as tropas coloniais mataram mais de 400 pacifistas, ataque que marcou um ponto de virada no movimento de independência indiano. Em diversos locais da África e da Ásia, as desigualdades nas taxas de mortalidade e nos tratamentos para nativos e europeus exacerbaram movimentos anti-imperialistas. Protestos pró-independência ganharam força na Coreia e no Egito. Para Vladimir Lênin, recém-empossado à frente do governo russo, a gripe deixou clara a necessidade de se preparar para novas crises. Em 1920, implementou o primeiro sistema de saúde moderno, central e completamente público – primeiramente para a população urbana. A pandemia também teve influência no processo de paz que pôs fim à Primeira Guerra, cujas negociações em Paris coincidiram com a terceira onda da pandemia, em 1919. Foi lá que o vírus infectou uma de suas vítimas-mais ilustres, o então presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson. Influenciadas pelo conflito armado e também pela pandemia, as potências da época exigiram que a Alemanha pagasse altas reparações, o que mais tarde alimentaria o apoio aos nazistas.

Esses exemplos mostram, para além dos milhões de mortos, os profundos efeitos políticos da Gripe Espanhola há mais de um século. Num momento em que governantes de todo o mundo lutam contra a grande crise de sua geração e muitos deles se beneficiam de uma elevação, ainda que efêmera, de suas avaliações, a memória de 1918 mostra que os efeitos de erros no combate à pandemia podem ser nefastos. Os acontecimentos daquela época influenciaram não só a guerra mundial que se arrastava, mas também eventos futuros por décadas, da independência indiana, quase três décadas depois, à semente do próximo conflito global. Agora, o mundo não enfrenta um cenário tão dramático quanto aquele, mas não se devem menosprezar os efeitos que êxitos e fracassos no combate à doença terá mais à frente – a reeleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, é só o mais imediato deles.

Trump, por exemplo, não se cansa de culpar o “vírus chinês” pela pandemia atual, nada muito diferente do que ocorreu há um século. Uma das estratégias mais comuns dos governantes da época foi culpar um país estrangeiro pela pandemia. No Senegal, a doença era chamada de gripe brasileira. No Brasil, de gripe alemã. Os poloneses culparam os bolcheviques. Os persas jogaram a responsabilidade para os britânicos. A falta de transparência de vários governos, que tentavam esconder a gravidade da doença, contribuiu para a eclosão de protestos populares. Até a Suíça, famosa por sua estabilidade e neutralidade, ficou às margens de uma guerra civil.

Na verdade, ninguém sabe a origem daquela doença – ao contrário da atual, que sem sombras de dúvida surgiu na China. O primeiro caso registrado da Espanhola foi nos Estados Unidos. No dia 4 de março de 1918, o cozinheiro Albert Gitchell deu entrada na enfermaria de uma unidade do exército, no estado do Kansas, com queixas de dores na garganta, febre, dor de cabeça. Em três semanas, mais de 1.100 soldados apresentaram quadros similares suficientemente fortes para serem internados. Nesse primeiro momento, 38 morreram. Ainda assim, muitos desses recrutas foram enviados à Europa para lutar. Mas esse registro não basta para apontar o local onde a gripe surgiu – os americanos podem ter sido apenas mais eficientes ao detectá-la.

A ironia é que a Gripe Espanhola muito provavelmente não surgiu na Espanha. Alemanha, Reino Unido e França vetavam à imprensa publicar notícias sobre a doença que pudessem enfraquecer os ânimos em relação à guerra. Neutra no conflito, no entanto, a Espanha não tinha tais restrições e seus jornais noticiavam os casos da doença – entre eles, o do rei Afonso XIII e de diversos integrantes do gabinete do governo. Não precisou de muito mais para que os espanhóis ficassem associados à pandemia.

Enquanto ainda enfrentamos a Covid-19 e nos perguntamos que efeitos a doença terá no mundo, muitos estão olhando para a Gripe Espanhola como referência. Em todo caso, convém lembrar que comparações históricas são sempre imperfeitas, ainda mais com uma distância de um século. Hoje a economia global é mais interligada e interdependente, o que potencializa as consequências negativas da pandemia. As viagens internacionais conectam o mundo como nunca antes, fator que facilitou sua disseminação. Por outro lado, hoje a produção de remédios e vacinas, obviamente, está anos-luz à frente.

Apesar de todas as diferenças entre o mundo de 1918e o de 2020 e mesmo levando em conta que cada doença tem suas características próprias, é fato que a situação mais próxima à que estamos vivendo hoje, do ponto de vista epidêmico, é a da Gripe Espanhola. Para John M. Barry, autor do livro A grande gripe A história da Gripe Espanhola, a pandemia mais mortal de todos os tempos, cuja versão em português está sendo lançada neste mês, há muito a aprender com o passado. “A primeira lição é que, para lidar com uma pandemia, você precisa lidar com a verdade”, disse Barry, que também é professor da faculdade de saúde pública e medicina tropical da Universidade Tulane. “A segunda é que o distanciamento social funciona. Isso já foi provado em praticamente todos os países que adotaram essas práticas, e essa também é uma lição de 1918”, completou.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 25 DE MAIO

AS PROVAÇÕES DA VIDA SÃO MULTICOLORIDAS

Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações (1Pedro 1.6).

Ninguém passa pela vida sem beber o cálice do sofrimento. Entramos no mundo chorando, lavamos o rosto com nossas próprias lágrimas ao longo da jornada e, não raro, fechamos as cortinas da vida com lágrimas nos olhos. A vida não é indolor. Enfrentamos diversas provações. Tiago diz: Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por diversas provações (Tiago 1.2). A palavra grega poikilos, traduzida aqui, por “diversas”, significa “policromática” ou “multicoloridas”. Há provações leves e provações pesadas. Provações rosa-claro e provações rosa- choque. Provações vermelho-carmesim e provações escuras como breu. Apesar disso, Tiago nos ensina aqui algumas verdades importantes. PRIMEIRO, as provações são compatíveis com a fé cristã. Tiago se dirige a irmãos e não a pagãos. A vida cristã não é uma estufa espiritual, mas uma arena de luta; não é um parque de diversões, mas um campo de batalha.

SEGUNDO, as provações são compatíveis com a alegria. Tiago diz que, em vez de nos rendermos à tristeza e à murmuração, devemos ter uma atitude de imensa alegria ao passarmos por essas diversas provações.

TERCEIRO, as provações são compatíveis com a esperança, pois são passageiras e não permanentes. Vamos passar por elas, em vez de ficarmos presos em suas garras.

Se as provações são multicoloridas, também o é a multiforme (poikilos) graça de Deus. Para cada provação, temos graça suficiente para enfrentá-la!

GESTÃO E CARREIRA

DIAMANTES NO DESERTO

Com a criação do polo conhecido como Silicon Wadi, uma espécie de Vale do Silício, Israel se afirma como referência na indústria da inovação

Vales marcados pela intensa aridez parecem ter se tornado ambientes ideais para o florescimento de frutos típicos do século XXI: os produtos tecnológicos. O maior centro de inovação do planeta se encontra em uma região seca da Califórnia. Todos os anos o Vale do Silício concentra 50 bilhões de dólares de investimentos de alto risco, usualmente destinados a startups – quase metade do montante movimentado dentro dos Estados Unidos -, além de 15% da produção de patentes deste país. A renda média de um morador da região ultrapassa os 110.000 dólares (em torno de 460.000 reais). Amais de 10.000 quilômetros de distância de lá no Oriente Médio, o Deserto de Negueve, em Israel, vê crescer, sobre seu solo abrasador, um complexo industrial que põe o território em disputa direta com a cidade chinesa de Shenzhen pelo posto de segundo maior polo de inovação do mundo. O oásis tecnológico leva o nome de Silicon Wadi (em hebraico, wadi significa vale). Nele proliferam companhias de ponta, que se espalham ainda pela costa litorânea nos arredores de Tel-Aviv, fazendo dessa pequeníssima nação com menos de 10% da área do Estado de São Paulo e população pouco maior que a da cidade do Rio de Janeiro, um sinônimo de progresso.

A flora de Wadi é composta de 8.400 companhias do setor; a cada ano, outras 1.000 se somam a elas. Na última década,1.210 startups daquele mínimo pedaço do globo foram adquiridas por multinacionais de peso, em acordos que superaram o valor total de 110 bilhões de dólares. “Foi por isso que passamos a ser apelidados de “startup Nation” (Nação Startup), disse, em pleno Silicon Wadi, o cientista político Israelense Ran Natanzon, cujo cargo no governo soa melhor em inglês: head of innovation & country branding (algo como “líder de inovação e marca no país) do Ministério de Relações Exteriores. “Israel é a única nação a ter uma função pública dessa natureza, destinada a promover a indústria tecnológica, o que revela como estamos à frente nesse aspecto”, comentou ele.

Como Israel transformou um deserto árido em centro de inovação mundial? Responde Natanzon, especialista em vender tal faceta do país: “Trata-se de uma combinação dos seguintes fatores, todos igualmente essenciais: somos uma nação altamente militarizada; mantemos à indústria em ligação com as pesquisas acadêmicas, o governo atua para fomentar o setor, há operação ativa de fundos de investimentos e multinacionais; e existe uma proliferação de startups”.

“Todo israelense, homem, ou mulher, é obrigado a servir no Exército ao completar 18 anos. O que não quer dizer, no entanto, que o contingente completo vá para a linha de frente. Há, por exemplo, uma unidade a 8.200 integrante do Corpo de Inteligência das Forças de Defesa, cujos membros se dedicam a decifrar códigos de computador. “Essa tropa fornece veteranos hábeis em trabalhar com segurança de dados digitais e em outras áreas do mercado da tecnologia, explicou o engenheiro israelense Lavy Shtokhamer, ele mesmo um oficial reformado da 8.200. “Saem preparados para trabalhar em postos cujos salários são altíssimos.”

Shtokhamer chefia o Cert (Time de Resposta Cibernética Emergencial, na tradução da sigla), uma divisão que mescla agentes ligados ao governo e representantes de empresas parceiras, como a IBM em ações contra ataques de hackers que têm como alvo Israel, ou, como vem sendo mais frequente sistemas de companhias privadas. “Monitoramos criminosos virtuais pelo mundo afora e trocamos informações com governos e multinacionais em um momento no qual tem sido determinante defender-se de assaltos digitais”, resumiu o engenheiro.

Na sede do departamento, onde só se pode ingressar sem dispositivos eletrônicos – nem mesmo celular -, funcionam um pioneiro número de emergência, disponível para qualquer israelense pedir socorro quando acredita ter sido hackeado e programas de defesa cibernética focados em setores específicos, como o de telecomunicações e o financeiro. A rede de proteção serve tanto a companhias nacionais e estrangeiras quanto a uma coligação de 36 países, incluindo o Brasil. “Há poucos meses detectamos e repetimos uma tentativa de desativar todo o fornecimento energético de nossa nação”, revelou o Ministro de Energia de Israel, Yuval Steinitz, em apresentação na conferência de cibersegurança Cybertech, que ocorreu na última semana de janeiro em Tel-Aviv.

Asede do Cert está localizada em uma cidade que é exemplo máximo da transformação pela qual passou Israel para se tornar referência tecnológica. Até novembro de 2011, Be’er Sheva era mais célebre por ter sido apontada como palco de diversas cenas bíblicas, servindo de lar a patriarcas das religiões abraâmicas, como Isaac e o próprio Abraão. Escavações arqueológicas no local revelam que as primeiras ocupações humanas datam do século IV a.C. Na última década, o governo de Israel investiu em Be’er Sheva mais de 10 bilhões de dólares, e outros 400  milhões vieram do setor privado para construir uma série de prédios e centros de pesquisas, com foco, principalmente em ações de cibersegurança. Pelos corredores dos edifícios, rodeados de canteiros de obrais em andamento observam-se quadros que exaltam inovações realizadas no território israelense. “Grande parte das empreitadas tem início em projetos governamentais, que, depois, acabam por fornecer componentes de produtos do setor privado”, observou Shtokhamer enquanto apontava uma tela com descrições do Domo de Ferro o avançadíssimo sistema de defesa antiaérea desenvolvido pela empresa local Rafael, cujo faturamento supera os 2,3 bilhões de dólares por ano.

JOIAS DA COROA

Quatro exemplos de startups israelenses de sucesso compradas por grandes empresas

“Como a Startup Nation”, viramos especialistas em criar negócios novíssimos para depois vendê-los a multinacionais, sobretudo as americanas. Agora é o momento de progredirmos para uma “Scale-up Nation”, afirmou Udi Mokady, fundador e CEO da Cyber Ark, que desenvolve softwares de segurança digital para 5.000 clientes, incluindo 30% das 200 marcas mais valiosas em âmbito planetário. Scale-up – do inglês “ampliação” – é o termo usado na área para indicar quando uma startup em vez de ser adquirida por uma companhia maior, opta pelo crescimento por conta própria. Em Israel, um exemplo famoso do modelo mais vigente até agora é a Waze, fundada em 2008 e adquirida cinco anos mais tarde pela americana Google por 1,15 bilhão de dólares.

Para Mokady está na hora de as novatas pararem de se vender aos gigantes estrangeiros. Ele fala com propriedade. Criada em1999, a CyberArk recebeu uma série de ofertas contudo recusou todas e decidiu ingressar na bolsa de valores nova-iorquina Nasdaq. Hoje, vale cerca de 5,5 bilhões de dólares. “Por sermos algo como uma pequena ilha, de população reduzida no meio do deserto, nossas startups já nascem com foco no mercado global. O segredo aqui é pensar grande”, conclui Mokaday, os olhos mirando longe, através da janela de uma sala voltada para Petah Tikva, perto de Tel­Aviv, no prédio em que está seu escritório. A empresa já conta com um Q.G. em Massachusetts (EUA) e em breve estreará suas operações em Be’er Sheva – um vale de fertilidade.

DAVI NA GUERRA DIGITAL

O surpreendente desempenho israelense no âmbito da revolução tecnológica

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COISAS DE MULHER

A preocupação com a emoção alheia e a intimidade nas relações tornam o comportamento social feminino mais sofisticado

Nos primeiros anos de vida, meninos e meninas já demonstram diferenças na capacidade de praticar a empatia – aquela sintonia espontânea e natural com as ideias e os sentimentos do outro. Não se trata apenas de reagir a um pequeno número de emoções, como dor ou tristeza; ter empatia significa sentir a atmosfera emocional que se instala em determinadas situações; colocar-se, sem grande esforço, no lugar do outro e administrar com sensibilidade uma interação de forma não invasiva. Nenhuma outra situação é melhor para observamos como as meninas são melhores que os meninos nas artes da empatia como quando estão brincando.

Garotos são mais “físicos” do que garotas quando querem alguma coisa. Exemplo: quando um grupo de crianças recebe um aparelho de projeção de filmes para brincar, os meninos passam mais tempo olhando através do visor, nem que para isso precisem empurrar as meninas. Quando o brinquedo é entregue a um grupo formado apenas por garotas elas em geral recorrem à habilidade verbal para garantir seu espaço. Em vez de forçar, negociam e convencem. Isso demonstra que, em geral, as meninas se preocupam mais com a divisão justa e, mesmo quando uma delas é movida por interesse próprio, usa a leitura mental para manipular o outro, para obter o que quer.

Outro exemplo: deixe as crianças brincarem à vontade com aqueles carrinhos grandes que elas mesmas podem guiar. Em pouco tempo os meninos começam a se chocar uns contra os outros. As garotas, quando têm a chance de participar, dirigem com muito mais cuidado, evitando ao máximo atingir alguém. A esse comportamento masculino a psicóloga americana Eleanor Maccoby chamou rough-bousing (bagunceiro, baderneiro, em tradução livre). Segundo ela, a arruaça dos meninos não quer dizer, porém, que eles sejam mais ativos. As garotas apresentam o mesmo nível de atividade em outros tipos de brincadeiras.

Maccoby também deixa claro que o rough-bousing não deve ser entendido como agressão, mas como experimentação lúdica da resistência do outro. O estilo masculino de brincar pode ser muito divertido quando o outro garoto também gosta. Porém, se a brincadeira machuca ou incomoda, apenas um garoto com pouca empatia insistiria em continuar. Já as meninas tendem a reagir de modo muito diferente. Se o inconveniente ocorrer uma vez, ela pode até não se importar, mas se houver repetição, ela acaba se desligando da atividade. É claro que lutas “de mentira” nem sempre são brincadeiras. Às vezes podem ser para valer, não com agressão explícita, mas com muita ameaça e conflito. Comparativamente, os meninos costumam praticar muito mais esse comportamento e, surpreendentemente, as diferenças entre os sexos podem ser observadas já a partir dos 2 anos de idade.

NAS FÉRIAS

Conhecer os estudos do antropólogo Ritch Savin-Williams, feitos num acampamento de férias para adolescentes, é uma ótima oportunidade para ver as diferenças entre os sexos sob uma potente lente de aumento. Ao chegar ao acampamento, os jovens foram separados em cabanas conforme sexo e idade. Como esperado, logo se estabeleceram hierarquias de dominação. Algumas das táticas empregadas eram similares em grupos masculinos e femininos: exposição ao ridículo, apelidos, comentários maliciosos, entre outras. Tal comportamento hostil tinha um papel social: os que alcançavam posições mais elevadas na hierarquia de dominação conseguiam mais controle sobre o grupo.

Assim, a conclusão realista e inquietante que podemos tirar daí é que a agressividade leva as pessoas a posições sociais mais altas e lhes dá mais poder e controle. Os adolescentes que se destacaram como líderes tinham mais influência sobre as atividades do grupo, eram os primeiros a escolher onde dormir e recebiam uma segunda porção de refeição antes de todos os outros. No que diz respeito, porém, às táticas usa das para ascender socialmente, as semelhanças entre os sexos acabam exatamente aí, onde começam as diferenças.

Primeiro, vamos dar uma olhada na cabana dos garotos. Em alguns grupos, certos rapazes faziam a primeira investida pela dominação social nas primeiras horas depois da chegada. Ridicularizavam e atormentavam fisicamente suas ”vítimas” na frente dos outros. Imagine um deles desfazendo a mochila, já com certa saudade de casa, lendo um cartão carinhoso deixado pela mãe. De repente, surge um outro que lhe dá um empurrão e o insulta. Pela perspectiva do intimidador, foi enviada uma mensagem clara a toda a cabana: ele é o chefe. Pela nossa perspectiva de observadores, seria razoável pensar que aquela intimidação significa empatia reduzida.

Agora é hora de espiar através das cortinas para ver o que acontece num a cabana feminina. Elas esperaram pelo menos uma semana para começar a estabelecer suas táticas de dominação. Ser “legal” e criar amizades eram prioridades nos primeiros dias de convivência. Mesmo quando algumas começavam a sinalizar que estavam no controle, faziam isso, na maioria das vezes, por meio de estratégias sutis – uma eventual ironia ou desatenção. Exemplo: a garota dominante simplesmente ignora os comentários e sugestões de outra de status inferior. A desatenção e a exclusão social são meios poderosos de controle. Quem recebe pouca ou nenhuma atenção se sente sem importância, invisível.

O modo como as garotas estabeleciam verbalmente a dominação era, em geral, indireto. Em certa ocasião, uma sugeriu a outra que “pegasse o guardanapo e limpasse o rosto, que estava sujo de comida”. A atitude aparentemente cuidadosa na verdade chamou atenção para a falta de jeito da colega. Se fosse um rapaz, simplesmente chamaria o outro de “babão” e incentivaria os companheiros a ridicularizar a vítima. Embora as duas táticas tenham o mesmo efeito, a das garotas é mais sofisticada.

Tudo acontece tão depressa, que fica difícil acompanhar o processo que leva uma garota a se tornar uma líder. As meninas utilizam com mais frequência a tática de dizer “Não sou mais sua amiga” ou de espalhar boatos maliciosos. Costumam usar a persuasão verbal geralmente baseada em informações falsas. Os garotos, ao contrário, preferem a agressão direta: gritam, brigam e xingam. Há quem diga que o método masculino corresponde a usar um martelo enorme para quebrar uma noz. O mais provável é que um garoto na mesma situação tente alcançar o objetivo imediatamente, sabendo que o efeito final será favorável (sua posição no grupo sobe, enquanto a do outro desce), ainda que ganhe um inimigo. Quando a garota decide “diminuir” uma outra, procura fazer isso de modo quase invisível, para não correr o risco de adquirir a fama de opressora. Se questionada, ela sempre pode dizer que não teve a intenção de ofender ou de desmerecer a outra. Assim, preserva a reputação de ser uma pessoa “legal”.

AMIGAS ÍNTIMAS

Diversos estudos mostram que as garotas valorizam a intimidade. Assim, a estratégia feminina atinge um objetivo: alcançar status social sem colocar em risco a intimidade de seus relacionamentos. Quem quer ser íntimo de alguém com fama de desagradável? Então, o comportamento perturbador tem de ser disfarçado, rápido e difícil de ser flagrado. No caso dos garotos, a intenção é óbvia. A força física é um sinal claro e a mensagem transmitida é de que o agressor pouco se importa com o fato de a vítima se sentir ferida ou ofendida, muito menos com a possibilidade de a intimidade de outros relacionamentos ser prejudicada. Os objetivos principais são controle, poder e acesso aos recursos que vêm através deles – outra vez, empatia reduzida.

O estudo no acampamento de férias revelou que os garotos da cabana que tinham menos status se uniam para reforçar o “tratamento” dado à vítima, estabelecendo assim sua própria dominação sobre ela. Isso nos lembra que as hierarquias de dominação são dinâmicas, e que os garotos tendem a ficar à espreita de oportunidades de ascensão social. A empatia com a vítima já não interessa. Faz mais sentido chutar o sujeito caído. Isso vale para todos os membros do grupo social, em todos os níveis da hierarquia.

As garotas também estavam sempre dispostas a galgar algumas posições, mas, novamente, as táticas eram diferentes. Elas preferiam reconhecer explicitamente a liderança alheia, inclusive com bajulação, encanto, apreço e respeito. Por exemplo: a menina com baixo status pedia conselhos e apoio à dominante ou se oferecia para penteá-la. Outra diferença está no fato de a hierarquia de dominação masculina ter durado todo o período no acampamento, enquanto a das garotas se alterou muito antes do término. O resultado disso é que elas passavam muito mais tempo conversando em grupos de duas ou três, em atmosfera de menor rivalidade, ou se relacionando com a “melhor amiga”. Os garotos, por sua vez, participavam mais de atividades de competição, sob o comando do líder.

Dediquei muita atenção a essa experiência em acampamentos de férias por causa dos paralelos que podemos traçar em relação a muitas situações sociais: a sala de aula, o parquinho, o trabalho. Em todas elas desenvolve-se uma liderança, e os líderes frequentemente precisam de uma “vítima” para manter a posição. Quando observamos a frequência com que as garotas praticam a leitura mental, a limitada empatia dos garotos e o papel desses aspectos na determinação da escalada social, percebemos, embora com certo desencanto, que temos muito a aprender.

A outra conclusão que se tira daí é que os rapazes são muito menos benevolentes quando se trata de fazer alguém se sentir menos capaz do que eles. Eles não perdem o sono por causa do pobre garoto que foi prejudicado. Eles gostam do status e estão mais dispostos, inclusive, a ferir física ou emocionalmente.

DISCURSO CORTÊS

Garotas expressam raiva de forma menos direta, propõem acordos com maior frequência e parecem mais inclinadas a esclarecer os sentimentos e intenções dos outros. Além disso, fazem reivindicações com mais delicadeza e têm um discurso mais cortês, evitando gritar. Com os meninos, claro, é diferente. A partir da segunda infância e durante a adolescência eles fazem mais provocações, uma forma direta de afirmação de seu poder. Quando há desentendimentos, os rapazes argumentam menos, preferindo simplesmente reafirmar sua opinião.

Os imperativos (“Faça assim” ou “Me dê aquilo”) e as proibições (“Pare com isso” ou ” Não faça aquilo”) são mais comuns no discurso masculino. Esses exemplos de “trocas autoritárias” não raro acabam em conflito. Alguém com grande empatia evitaria esse tipo de expressão para que o outro não se sentisse inferior e desvalorizado. As garotas preferem dizer, “Você se importa de não fazer isso?”, levando em consideração os sentimentos do outro.

Os garotos também costumam fazer o que a psicóloga Eleanor Maccoby chama grand standing, isto é, uma descrição das próprias ações. Para tanto ignoram o interlocutor e assumem o “discurso de uma só voz”. Vários estudos têm sugerido que o estilo feminino de fala tende para o “discurso em duas vozes”. A ideia é que, embora as garotinhas persigam seus objetivos, passam mais tempo negociando e tentando levar em consideração os desejos da outra pessoa e isso revela claramente a empatia em ação na conversa. Essas diferenças no estilo de conversação são percebidas mais nitidamente na segunda infância e na adolescência.

Os homens usam por mais tempo um tipo de linguagem que demonstra seus conhecimentos, habilidades e status. São propensos a se exibir ou tentar impressionar. Assim, interrompem muitas vezes o outro para dar opinião e demonstram menos interesse nos pontos de vista alheios. Para as mulheres, a linguagem serve para desenvolver e manter relacionamentos íntimos e recíprocos, em especial com outras mulheres.

NO TRABALHO

A conversa feminina frequentemente dá segurança a outra pessoa, pois expressa sentimentos positivos; os homens em geral se furtam de falar da importância que um tem para o outro. Elas gostam de incluir nos diálogos referências pessoais e elogios à aparência das outras. Por que os homens fazem isso tão raramente? Uma das possíveis respostas está no fato de a mulher ser mais hábil para sinalizar seus sentimentos.

A linguista americana Deborah Tannen, da Universidade Georgetown, documentou as diferenças no modo como homens e mulheres falam uns com os outros no ambiente de trabalho. Sua principal descoberta foi encontrar, entre elas, muito mais assuntos não profissionais, o que reforça os laços sociais e mantém abertos os canais de comunicação, fazendo com que as tensões que venham a surgir sejam mais facilmente solucionadas.

Outra observação interessante de Tannen foi a de que os homens falam mais entre si sobre “sistemas”: tecnologia (a mais nova ferramenta, o mais moderno computador, os melhores aparelhos de som), carros (diferenças entre um e outro modelo) e esportes (a classificação no campeonato de futebol, o jogo da noite anterior). As mulheres abordam mais os temas sociais: roupas, penteados, festas, relacionamentos, questões domésticas e filhos. Os temas de conversas, assim como as revistas que escolhem na banca de jornais, refletem os diferentes interesses de homens e mulheres. Não é de admirar que a maioria das pessoas julgue mais fácil fazer amizade com alguém do mesmo sexo, já que também é mais fácil estabelecer um tópico informal de interesse mútuo. Outro fator que pode contribuir é a diferença de humor, pelo menos no trabalho: o humor masculino tem mais a ver com implicância e uma certa dose de falsa hostilidade, enquanto no feminino, a mulher zomba de si mesma.

Tudo isso também afeta as atividades de gerenciamento. As gerentes, quando fazem críticas, tendem a agir com tato e suavizar o golpe; já os homens na mesma função não se importam em criticar diretamente, sem “dourar a pílula”. O estilo feminino de gerenciamento é mais voltado para a consulta e a inclusão, de modo que ninguém se sinta deixado de lado; o estilo masculino é mais direto, orientado a tarefas. Parece razoável concluir que a principal diferença de comportamento entre homens e mulheres está na forma como eles se consideram a si próprios e aos outros, o que nos acaba levando, novamente, para a questão da empatia.

Quando se trata de empatia, as mulheres são claramente melhores que os homens. E talvez sejam melhores não somente em comunicação, mas em todos os aspectos da linguagem. As mulheres produzem, em média, mais palavras num determinado período, cometem menos erros e se saem melhor quando se trata de discriminar fonemas. Suas frases geralmente são mais longas; suas falas costumam obedecer a um padrão de estrutura gramatical e são mais bem pronunciadas. Elas também têm mais facilidade de articular as palavras. A maioria dos homens abusa das pausas. E em termos clínicos, eles são pelo menos duas vezes mais propensos a distúrbios de linguagem, como a gagueira.

Além de tudo isso, as meninas começam a falar, em média, um mês antes dos meninos, e seu vocabulário é mais extenso. Uma análise minuciosa das diferenças nas competências de linguagem nos mostra que o cérebro feminino não tem apenas maior aptidão para a empatia, ele é também superior em termos de comunicação verbal. Interessante notar, porém, que se a primeira ideia nunca foi questionada pela ciência, a segunda, no entanto, é alvo de controvérsias e de reflexão.

Em primeiro lugar, é possível que a superioridade feminina para se comunicar por meio das palavras seja parte integrante do desenvolvimento de sua empatia. Habilidades de linguagem, como memória verbal, são essenciais para uma boa conversa, tornando a interação agradável, fluente e voltada para a socialização e intimidade. Longas pausas nos diálogos não contribuem para que os parceiros se sintam conectados ou em sintonia.

Em segundo lugar, algumas medidas de avaliação da linguagem, como compreensão de leitura, podem realmente refletir a capacidade de empatia. As meninas, por exemplo, costumam se sair melhor em testes de leitura, mas isso se deve ao fato de elas terem mais facilidade para entender histórias com temas sociais.

Por fim, é improvável que a maior sensibilidade emocional observada no sexo feminino seja apenas um subproduto de suas habilidades de linguagem superiores, já que todos conhecemos gente muito hábil em matéria de linguagem, mas com pouca sensibilidade social e vice-versa. Da mesma forma, todo mundo conhece alguém verbalmente fluente que, no entanto, não consegue parar de falar, negando ao interlocutor a oportunidade de dizer alguma coisa; sinal de pouca capacidade de ceder a vez e de agir com empatia. E aquelas pessoas que são ouvintes pacientes e sensíveis, que respondem com afeto e empatia aos problemas alheios, mas não são dadas a muitas palavras. Habilidades de linguagem, portanto, não têm nada a ver com habilidades de comunicação ou empatia.

Uma visão darwiniana diria que a empatia não é resultado de habilidades de linguagem excepcionais, pelo contrário. As mulheres podem ter desenvolvido melhor seus sistemas linguísticos porque sua sobrevivência dependia do uso mais empático, rápido e estratégico da linguagem. Neste ponto, porém, a conclusão mais segura é a de que elas são melhores tanto em empatia como em muitos aspectos do uso da linguagem. Pode-se concluir ainda que a relação entre essas duas habilidades seja provavelmente complexa e recíproca tanto do ponto de vista filogenético (evolutivo) como ontogenético (desenvolvimento): a linguagem bem desenvolvida promoveria empatia, já que o impulso de se comunicar levaria à socialização. Por outro lado, a empatia ajudaria a desenvolver a linguagem, pois a sensibilidade social tornaria mais fácil enfrentar o pragmatismo da comunicação.

CONVERSA AO PÉ DO OUVIDO

Mulheres também conversam muito mais sobre sentimentos e relacionamentos, ao passo que os bate-papos deles geralmente giram em torno de coisas mais concretas, como esportes, carros, estradas e novas aquisições.

1. tendência parece se manifestar já na infância. Estudos mostram que, aos 2 anos, histórias centradas em pessoas são muito mais comuns em meninas do que em meninos. Outra diferença bem evidente no discurso refere-se a confidências e intimidade. Embora homens e mulheres sejam igualmente dispostos a fazer revelações a(o) parceira(o), eles usam linguagem muito mais íntima quando conversam com outro homem. Isso pode refletir também a pressão sofrida pelos homens para se mostrar no controle. É de seu interesse, mesmo quando em conversa íntima com uma mulher, não comunicar muito apoio. A mulher, por outro lado, prefere responder com palavras que demonstrem compreensão e simpatia.

NA PONTA DA LÍNGUA

As conversas são uma fonte valiosa de indícios da capacidade de empatia. O discurso feminino tem sido descrito como mais rico em termos de cooperação e reciprocidade. Na prática, isso se reflete também na capacidade que elas têm de manter trocas por mais tempo, o que não significa conversas de longa duração, ao contrário, quando se trata de meninas elas costumam ser muito fragmentadas. Em geral, as garotas utilizam mais certos tipos de artifícios de linguagem. Empregam, por exemplo, “prolongamentos” (“Ah, você quer dizer que x”) e “variações pertinentes” (“Ah, que interessante…”), que servem para reforçar o que o interlocutor acabou de dizer. Elas costumam prolongar o diálogo expressando sua concordância com as sugestões do outro. E quando discordam, tendem a suavizar o golpe respondendo em forma de pergunta, não de afirmativa. Assim, evitam dominar, confrontar ou humilhar. “Talvez você esteja certo, mas também não poderia ter acontecido de…?” ou “Acho que você está certa, mas eu vejo de um modo um pouco diferente.” Nesses exemplos, o falante deixa espaço para o ponto de vista do outro, deixando-o mais tranquilo por saber que as diferenças de opinião são respeitadas.

É mais provável que o estilo masculino siga esta linha: “Desculpe, mas você está errado”; não há respeito pela opinião alheia. Às vezes eles podem ser ainda mais abruptos: “Você está errado”. Na verdade, o que pode ser visto em uma conversa feminina como diferença de opinião quase sempre é interpretado pelos homens como uma questão de fato, em que só pode haver uma resposta correta – a dele mesmo. Se o outro faz uma sugestão, os meninos tendem a rejeitá-la imediatamente, como uma “bobagem”, ou, de forma mais rude, como uma “burrice”. É como se fizesse parte do estilo masculino presumir que existe um panorama objetivo da realidade, que suas convicções são incontestáveis e que a verdade tem uma única interpretação. A abordagem feminina parece admitir desde o início que existe subjetividade no mundo. Assim, elas deixam es paço para interpretações múltiplas.