A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUEM MENTE MAIS?

Para psicólogos, antropólogos e neurobiólogos, faltar com a verdade é um componente fundamental da competência social humana

A mentira está a serviço de interesses pessoais e da obtenção de alguma vantagem sobre os outros.

Mas, afinal, quem mente mais, o homem ou a mulher? Pesquisadores afirmam que mais importante que simplesmente quantificar é constatar que há diferentes objetivos a ser atingidos por cada um dos sexos ao faltar com a verdade. Por meio do arguto falseamento dos fatos, do fingimento refinado e da cordialidade representada com esperteza, os seres humanos buscam, independentemente do gênero, apresentar-se da melhor maneira possível e impor seus próprios interesses. Isso vale especialmente para eles, como descobriu o psicólogo Robert Feldman, da Universidade de Massachusetts.

Segundo o estudo, grande parte do que a maioria dos seres humanos diz, não tem fundamento – ou porque de fato não é verdade ou porque há distorções, das quais às vezes nem o próprio indivíduo se dá conta. Segundo uma projeção realizada a partir do acompanhamento do discurso diário de mulheres e homens, elas faltam com a verdade aproximadamente 180 vezes ao longo do dia e eles, 220 vezes.

Numa pesquisa com 242 estudantes da Universidade de Massachusetts, participantes do sexo feminino mentiam em suas conversas com desconhecidos visando sobretudo proporcionar maior bem-estar a seus interlocutores. Já os homens mostraram-se mais interessados em promover a própria imagem. Na opinião de biólogos da evolução, foi a própria vida social, com suas hierarquias e tramas de relações, que primeiro trouxe ao mundo a mentira deslavada. O falseamento intencional só pôde desenvolver-se em grupos complexos. Até mesmo os chimpanzés, que vivem em bando, são mestres da dissimulação. Valendo-se de truques, engodos e fingimentos, eles lutam por posição hierárquica, comida e parceiros sexuais. E correm algum risco ao fazê-lo.

Quem não deseja ser constantemente enganado precisa ter a capacidade de descobrir com precisão artifícios e enganações alheios. Os antropólogos vêm precisamente na constante corrida entre desmascaramento e aperfeiçoamento da mentira a força motriz que, do ponto de vista filogenético, talvez tenha sido a responsável pelo desenvolvimento da inteligência social. É possível que ela tenha dado origem até mesmo à linguagem verbal. Especialistas mais empedernidos chegam a defender a tese de que o ser humano deve o aumento de seu cérebro à pressão evolucionária por uma capacidade cada vez mais refinada de enganar.

Depõe a favor dessa teoria o fato de, por trás de cada mentira deliberada, haver sempre um feito intelectual brilhante. Sim, pois esconder a verdade – e, em seu lugar, inventar uma história sólida e irrefutável – não apenas demanda muita criatividade como pressupõe a capacidade de se pôr mentalmente na pele dos outros. O poder de imaginar como se é visto pela pessoa enganada está entre os feitos cognitivos mais característicos do ser humano.

Onde se localiza no cérebro o requisitado departamento de propaganda em causa própria é o que tem pesquisado Daniel Langleben, da Faculdade de Medicina da Pensilvânia, Estados Unidos. Ele utiliza ressonância magnética funcional, método que permite identificar a elevação da atividade cerebral com base no aumento da irrigação sanguínea de determinada região. Langleben solicitou a participantes de uma experiência que dissessem inverdades deliberadas. Cada um recebeu uma carta de baralho num envelope fechado; ninguém – nem mesmo o condutor da experiência – sabia qual carta havia sido dada a cada um.

Tendo visto sua carta às escondidas, o participante era posto no tomógrafo, onde um programa de computador exibia- lhe, uma a uma, 36 cartas de baralho, questionando se se tratava da carta certa. Antes disso, porém, Langleben havia solicitado expressamente aos participantes que mentissem: quando a carta certa aparecesse no monitor, exigindo um “sim” como resposta verdadeira, eles deveriam negá-lo. Assim, um dos 36 “nãos” proferidos era com certeza uma mentira – e foi na pista desse “não” específico que os pesquisadores se lançaram. De fato, os cientistas identificaram cada um dos engodos. Em certas regiões do cérebro a atividade se intensificava de modo significativo sempre que os participantes recorriam à mentira. Chamou a atenção a elevação da atividade cerebral em duas regiões específicas: o giro do cíngulo anterior e o córtex pré-frontal.

Ambas as regiões auxiliam na determinação dos conteúdos da memória que chegam à nossa consciência. O giro do cíngulo dirige a atenção e serve ao controle dos impulsos. No córtex pré-frontal, por outro lado, está sediada a instância inibidora do cérebro. Aí é rechaçado tudo que é irrelevante num dado momento e que, por isso, não deve ser enxergado mentalmente. É o caso, aqui, dos fatos verdadeiros, por exemplo. Langleben explica: “Está claro que, para dizer uma mentira, precisamos reprimir alguma coisa. Essa coisa há de ser, então, a verdade”. Aliás, quando os participantes da experiência não foram obrigados a mentir, os pesquisadores não registraram alteração alguma da atividade cerebral. É de supor, portanto, que a honestidade constitua, por assim dizer, o estado cognitivo normal. O cérebro precisa, antes, impedir que se diga a verdade.

Que mentir e enganar exige muito mais das células cinzentas é o que confirma um estudo de psicólogos da Universidade de Michigan, Estados Unidos. Eles perguntaram a participantes de sua experiência se conheciam determinadas pessoas e fatos e então mediram seu tempo de reação. O resultado: quando os participantes admitiam com sinceridade não ter a menor ideia do que ou quem se tratava, pressionavam o botão do “não” em, no máximo, meio segundo. No caso das respostas mentirosas, esse tempo de reação subia para mais de um segundo. Mesmo depois de informados dos pormenores do estudo e dispondo de tempo para “treinar”, ainda assim não conseguiram pressionar o botão com mais rapidez.

FALSAS E DISSIMULADAS

Embora Langleben esteja procurando decifrar sobretudo os processos neurobiológicos associados ao ato de mentir, ele sabe do potencial que o resultado de suas pesquisas representa. “Como a ressonância magnética funcional mede diretamente a atividade do cérebro, ela é superior à técnica habitual do detector de mentiras”. Ekman, por sua vez, ocupa-se há quase duas décadas com a pesquisa de sinais corporais que denunciam o mentiroso. Num de seus experimentos mais conhecidos, esse pesquisador das emoções exibiu a um grupo de futuras enfermeiras um vídeo com imagens de pessoas que haviam sofrido amputação de membros. A tarefa das participantes consistia em convencer um entrevistador que não assistia ao filme de que elas estavam vendo um belo vídeo com paisagens naturais e imagens agradáveis.

Para motivar o grupo de mentirosas por encomenda, Ekman lhes disse que também em seu cotidiano profissional elas com frequência precisariam ocultar emoções negativas, tais como a consternação e o nojo diante dos pacientes, e que, por isso mesmo, o domínio da dissimulação era uma capacidade importante em seu ofício. Um segundo filme, exibindo bela paisagem litorânea e descrito pelas participantes com sinceridade como tal, foi empregado como controle.

Ekman filmou as estudantes de enfermagem e analisou sua mímica e linguagem corporal. Fez, então, uma interessante descoberta: nem mesmo as mentirosas mais convincentes foram capazes de ocultar por completo sua verdadeira vida interior – embora só a traíssem por um brevíssimo instante. Essas “microexpressões faciais” duram menos de um quarto de segundo – instantes fugazes nos quais a máscara cai e o semblante revela emoções verdadeiras, tais como repugnância ou embaraço, antes de tornar a ocultá-las com um sorriso. “Nós não pensamos antes de sentir”, explica Ekman. “Antes de termos consciência de um sentimento já estampamos no rosto sua expressão.” Os pesquisadores identificaram ainda “micro gestos,” como um leve balançar da cabeça ou chacoalhar dos ombros. Esses movimentos, porém, eram apenas sugeridos, muitas vezes deixando-se reconhecer apenas em câmera lenta.

Esta é possivelmente a razão pela qual quase todos os seres humanos são péssimos detectores de mentiras. A psicóloga americana Bella DePaolo, da Universidade da Virgínia, examinou cerca de 100 estudos sobre o desmascaramento da mentira. Seu balanço revela: antes de começar a refletir sobre se alguém está ou não nos enganando, melhor recorrer a um cara ou coroa – nossa porcentagem média de acerto, pouco acima dos 50%, não chega a ser muito mais significativa que a probabilidade oferecida por uma moedinha.

Existe, no entanto, um grupo de pessoas capaz de flagrar mentirosos de modo bem mais confiável. Não, não me refiro a agentes secretos da CIA, mas àquelas pessoas que, em decorrência de uma lesão no hemisfério esquerdo do cérebro, são capazes de compreender palavras isoladas, mas não o sentido de frases inteiras: os chamados afásicos. Um grupo de afásicos caiu na risada certa vez ao ouvir um discurso do ex-presidente americano Ronald Reagan porque percebeu suas palavras como um engodo. Mais tarde, verificou-se que o político estava de fato dizendo uma inverdade.

Nancy Etcoff e Paul Ekman submeteram essa observação à comprovação científica, exibindo a dez afásicos os vídeos do experimento com as estudantes de enfermagem. Mesmo sem compreender o que estava sendo dito, eles conseguiram diferenciar corretamente a mentira da verdade em 60% dos casos.

“Os afásicos têm uma experiência de verdadeiro reconhecimento imediato, tão logo ouvem uma mentira”, Etcoff esclarece. Quando o condutor do estudo retirou o som, e os afásicos puderam se concentrar apenas na expressão facial das futuras enfermeiras, sua taxa de acertos como detectores humanos de mentiras subiu para quase 65%.

VISTA GROSSA

“A linguagem foi dada ao homem para que ele ocultasse seus pensamentos”, sentenciou no passado o ministro do Exterior de Napoleão, Charles Maurice de Talleyrand. E mais que isso: ela parece tão dominante que homens saudáveis têm imensa dificuldade para interpretar sinais no rosto do mentiroso. Mesmo sem o som, os não-afásicos não se saíram melhor no estudo de Etcoff. É provável, porém, que, por trás dessa cegueira, oculte-se uma estratégia de sobrevivência. Numa sociedade mentirosa, um rigor particular para com a verdade traz consigo o perigo da marginalização. Ignorar mentiras e fazer vista grossa aos engodos são componentes sólidos da comunicação interpessoal – quer isso nos agrade ou não. Quem não conhece muito bem ou não aceita as regras vigentes torna-se impopular. Foi assim que Bella DePaolo descobriu que jovens com muita sensibilidade para perceber mentiras e engodos e incapazes de mantê-los em segredo foram avaliados tanto pelos colegas como pelos professores como menos hábeis socialmente.

Em oposição a isso, um estudo de Robert Feldman mostrou que adolescentes capazes de mentir de forma bastante convincente, não se deixando apanhar senão raras vezes, desfrutam particular reconhecimento e sucesso em seu grupo. O psicólogo faz, portanto, uma defesa dos mentirosos, “De certo modo, mentir é um talento social.” Tanto para homens quanto para mulheres.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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