EU ACHO …

UM LEVANTE CONTRA A COMPLEXIDADE DA VIDA

O jeito de lidar com a existência é estudar muito, até entender – e se cercar de gente que estudou

É ruim não entender alguma coisa. Pior ainda é sentir que, enquanto estamos por fora, tem alguém entendendo tudo. Poucos desconfortos são tão grandes: o de estar boiando em meio a um monte de gente que parece estar sacando tudo. Que raiva.

Sei bem disso. Mal formado em jornalismo, com especialização em bar, comecei minha carreira no jornalismo de ciência convivendo com fontes que diziam coisas que pareciam impossíveis de entender. Física quântica, por exemplo. Cazzo. Sério mesmo que os caras estão convencidos, pelos cálculos que fizeram, de que uma partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, que seu estado real é impossível de conhecer, que informação pode ser teletransportada, que tudo é feito basicamente de nada?

Passei anos lendo e relendo aquelas teorias, dando tapas na testa de raiva da distância que havia entre mim e a compreensão profunda daqueles fatos que eu tinha que explicar. Mas eu sabia que o problema era comigo, não com os fatos. Eu respeitava aqueles físicos, Albert Einstein a frente, e partia do princípio de que, se eu estudasse o suficiente, aquilo tudo acabaria fazendo sentido.

Pois outro dia veio bater aqui nas redes sociais um texto de uma outra pessoa frustrada com a complexidade do tema. Eu entendo a frustração, claro. O que não entra na minha cabeça é a forma como essa turma que está fazendo sucesso nas redes sociais lida com ela. Era um artigo, de estilo arrogante, confiante, assinado por um especialista em “produtos financeiros e gestão de risco”, chamado “A complicação como método ideológico”.

Em linha gerais, o texto argumentava que toda a complicação foi inventada pela esquerda, como parte de um complicado plano de dominação. “Todo sistema de ideias que seja simples, claro e objetivo, está do lado da Verdade”, afirmava o artigo, já errando na colocação da vírgula.

Sobre física quântica, tema que passei anos de minha vida suando para compreender, o tal gestor de risco dizia que “ganhou a fama de ser o ramo científico onde ‘tudo pode’”. Haveria aí uma conspiração da esquerda que faz sentido porque “harmoniza” com o uso de drogas, com a ideia de que o indivíduo é uma ilusão, criando uma justificativa racional para a irresponsabilidade e o ateísmo.”

O artigo, publicado pelo Instituto Liberal, acabou tirado do ar, tantas eram as bobagens que continha (ficou, no entanto, guardado para a posteridade nos arquivos da internet). Mas a ideia maluca de que toda a complexidade é má e que aquilo que o meu senso comum me diz vale tanto quanto qualquer teoria científica tornou-se surpreendentemente comum, os terraplanistas que o digam. Assim como ficou comum atribuir toda a complexidade do mundo aos malditos esquerdistas.

Esses talvez sejam os credos centrais do evangelho de Olavo de Carvalho, o polemista digital que influencia o governo Bolsonaro. Olavo gosta de se caracterizar como uma mente livre, igual à dos filósofos gregos antigos, capaz de opinar sobre qualquer coisa sem precisar de conhecimento profundo sobre absolutamente nada – seu intelecto superior é capaz de entender tudo, sem nem precisar estudar.

Numa aula, no meio de um longo comentário sobre teorias que ele evidentemente não conhecia nem um pouquinho, ele soltou: “se eu estiver certo e o Stephen Hawking, errado, qual é o problema? Qualquer um pode falar uma besteira. Eu já falei, o Albert Einstein já falou.” Olavo frequentemente usa sua incompreensão de algo como prova de que essa coisa deve estar errada – fez isso em aulas sobre a física quântica, a evolução, a neurociência. Hoje esse palpitismo está no poder.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump, sempre que se incomoda com a complicação do mundo real, inventa teorias próprias, bem mais simples. E essas teorias tiradas do ar embasam boa parte das políticas públicas do país mais poderoso do mundo.

Jair Bolsonaro sintetizou essa demonização da complexidade e glorificação da ignorância ao comentar no início do ano que os livros didáticos de hoje em dia contêm “um montão de um amontoado de muita coisa escrita”. Para que tanta complicação? O presidente prometeu para o próximo ano livros mais simples. De novo, a culpa pela complexidade foi colocada na esquerda.

Mas aceitar a complexidade do mundo não tem nada a ver com esquerdismo. Verdadeiros liberais sabem que a sociedade é complexa – e até por isso são tradicionalmente contrários a governantes que, como Bolsonaro, tentam brincar de engenheiro social, microgerenciando os livros didáticos, as escolhas de reitores, o preço do combustível, as multas na estrada, para tentar conformar a sociedade às suas crenças.

A complexidade do mundo é uma realidade da vida, não uma conspiração da esquerda. O jeito de lidar com ela é estudar muito, até entender – e se cercar de gente que estudou. Negar a existência da complexidade não tem a menor chance de fazê-la desaparecer.

* DENIS RUSSO BURGIERMAN

OUTROS OLHARES

A FUGA DO VÍRUS PELOS ARES

Após ignorar riscos da Covid-19, trio de empresários do Pará acaba infectado e voa para São Paulo em busca de socorro em unidades estreladas como Albert Einstein e Sírio-Libanês; viagens chegam a custar R$ 120 mil

do empresário Jonas Rodrigues, de 41 anos, é uma das mais ricas do Pará. Ela é proprietária da maior rede de supermercados do estado, o Grupo Líder. Mesmo com as recomendações das autoridades sanitárias para ficar em casa, ele saía diariamente sem máscara, como se a pandemia de coronavírus não tivesse chegado a Belém, onde mora.

“Não era muito adepto do álcool em gel. Estava trabalhando todos os dias no escritório, sem home-office, passeava pela cidade e ia às compras mesmo sendo dono uma rede de supermercado. Adoro visitar mercados pelo país afora”, conta. Não deu outra. Ele, o pai e a mãe contraíram Covid-19. “Se arrependimento matasse…”, comenta.

Outro supermercadista afortunado do Pará, José Santos de Oliveira, de 77 anos, achava que estava imune ao vírus. Atleta, exercitava-se todos os dias em casa e no trabalho e sempre manteve uma alimentação saudável. Ao descumprir as recomendações de distanciamento social, foi infectado pela Covid-19 e agonizou com a doença, deixando familiares muito apreensivos.

O empresário Kleber Ferreira Menezes foi secretário de Transportes do Pará. Quando esteve no cargo, chegou a ser denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa e crime contra o erário, envolvendo valores na casa dos 20 milhões de reais em contratos com sérias suspeitas de fraudes. Ele refuta todas as acusações (“Não sou ladrão!”). Kleber também não dava a menor bola para o coronavírus e levava uma vida em Belém como se nada estivesse acontecendo. Sentiu uma tosse enquanto assistia televisão e, em poucos dias, passou perto de morrer.

Mas o que Jonas, José e Kleber têm em comum além do teste positivo para Covid-19 e da conta bancária milionária? Para fugir da morte, os ricos de Belém – como o trio de empresários – estão abrindo a carteira, correndo para o aeroporto e embarcando em jatinhos de luxo equipados com UTIs. Eles seguem rumo aos melhores hospitais de São Paulo em busca de sobrevivência. Jonas foi socorrido no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, José no Hospital Israelita Albert Einstein e Kleber no Sírio-Libanês, todos na capital paulista. Os três estavam em estado grave quando fizeram a viagem.

Levantamento atesta que são embarcados diariamente oito pacientes de Covid-19 em jatos com UTI de Belém para outros estados e até para o exterior. A maioria segue para São Paulo. Os paraenses endinheirados não fogem do Pará à toa quando são contaminados pelo coronavírus. A nova doença está devastando a capital numa velocidade assustadora.

Em duas semanas, os casos de mortes pela Covi-19 aumentaram 900% no Estado. Até terça-feira (5/5), o Pará já computava 4.756 casos confirmados e 375 mortes, uma taxa de 4,2 óbitos por 100 mil habitantes. Na média do Brasil, esse índice está em 3,7 por 100 mil.

A maioria dos casos se concentra em Belém, que vive clima de terra arrasada. Todos os hospitais – tanto da rede pública quanto da privada – estão lotados e operando acima do limite. No Hospital Abelardo Santos, a maior referência paraense em coronavírus, há pacientes definhando em macas à espera de uma vaga na UTI.

Sem capacidade de atender a demanda, Belém vive uma situação inédita no país: os pacientes estão saindo de casa em busca de atendimento médico, dão de cara na porta e acabam sucumbindo no meio da rua. Com o estado de calamidade e com uma adesão de 45% ao isolamento social na capital, o governo foi obrigado a decretar lockdown (bloqueio total) na quinta-feira (7/5) em dez municípios da Região Metropolitana de Belém.

Jonas, o dono de mercados, conta que o primeiro a pegar coronavírus na família foi o pai, José Corrêa Rodrigues, de 70 anos. Rapidamente a doença avançou e sua mãe, Ana Célia, de 67 anos, também foi contaminada. Ele chegou a ligar para alguns hospitais particulares de Belém, mas não havia leito de UTI disponível nem no mais aparelhado da capital.

“Se não tivéssemos embarcado na UIT aeromédica, meu pai teria morrido, pois essa doença evolui numa rapidez impressionante. Graças a Deus ele apresentou melhoras”, agradece. “Olha, eu assumo que subestimei a essa doença. Achava que ela era algo distante. Até que vi meu pai passando mal como nunca vi antes. Aí passei a achar que era coisa de idoso. Foi preciso eu sofrer uma súbita falta de ar para atestar que não dá para brincar com isso”, descreve. Jonas se curou e teve alta hospitalar, mas resolveu ficar em São Paulo para cuidar do pai. “Só saio daqui com ele”, avisa.

Kleber achava que ia morrer quando sentiu os piores efeitos da Covid-19. Ele chegou a se internar em um hospital particular em Belém, mas correu de lá tão logo conseguiu contratar a UTI aérea, e reservou duas vagas nos apartamentos do Sírio-Libanês.

Uma para ele e outra para a sua mulher, a cirurgiã plástica Lastênia Menezes, uma das mais requisitadas da capital paraense. A médica também pegou o vírus e adoeceu de Covid-19. Apavorada, escapou de Belém junto com o marido na mesma UTI aeromédica.

No Pará, Kleber é uma figura polêmica. Além das acusações feitas pelo Ministério Público, ganhou fama pelos vídeos que posta em suas redes sociais ostentando riqueza. Quando embarcou na UTI aérea, no aeroporto de Belém, fez questão de gravar um vídeo pelo celular e postar no grupo de WhatsApp do condomínio, todo paramentado com equipamentos de proteção individual. A ideia, segundo diz, era mostrar aos vizinhos que estava bem.

No vídeo, ele tosse logo na introdução e faz uma narração na sequência: “Oi gente! Estou embarcando agora de Belém para São Paulo. Estamos eu e minha esposa, a doutora Lastênia. Estamos entrando na UTI aeromédica. Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Um forte abraço a todos.” O vídeo, lógico, migrou do WhatsApp para todas as redes sociais e rapidamente viralizou. Kleber recebeu críticas por todos os lados.

Alguns comentários maldosos insinuaram que o ex-secretário pagou a UTI aeromédica e as diárias do Sírio-Libanês com dinheiro supostamente desviado dos cofres públicos. “Jamais!”, defende-se. “Quando assumi cargo público eu já era rico, pois atuava na área portuária. (…) Meu sangue é nordestino. Na minha terra, pode até chamar alguém de corno, que se leva na brincadeira. Agora, de ladrão? Nunca!”, argumenta ele, que é baiano.

Pegar uma UTI aérea de Belém para São Paulo custa caro. levantamos uma cotação com três empresas que fazem esse tipo de transporte. O valor é calculado pela quilometragem. Em época de pandemia, as tarifas sofreram aumentos de até 30% por causa da alta demanda e do risco de contaminação a que a tripulação é submetida ao transportar doentes com coronavírus.

O custo médio para levar um paciente entubado da capital do Pará até São Paulo gira em torno de 120 mil reais. Uma das maiores empresas que atuam com pacientes de Covid é a Brasil Vida. Na cotação feita no sábado (2/5) pela reportagem com essa empresa, o transporte de um paciente de Belém para o Sírio-Libanês custaria 118 mil reais. Na quarta-feira (6/5), esse valor estava em 125 mil.

O funcionário encarregado de fazer a cotação, Tiago Pinheiro, justificou o aumento alegando a alta procura e os custos de manter médicos em enfermeiros em casa à disposição 24 horas para uma possível emergência. “Eles recebem diárias de plantão mesmo estando em casa sem fazer nada”, ponderou. E garantiu que não há aumento no preço quando o paciente tem Covid-19. “Tanto faz se ele foi contaminado com coronavírus ou se quebrou a perna. O preço é o mesmo”, assegura.

O voo numa UTI aeromédica é algo delicado quando o paciente tem problemas respiratórios por conta do aumento da pressão atmosférica nas alturas. “O risco de óbito é muito maior. Os pacientes precisam de muito cuidado, até porque o voo de Belém para São Paulo é muito longo (dura três horas e meia) para um paciente que segue entubado”, explica o enfermeiro de UTI aérea João Godoi.

Ele também diz que a equipe voa com muito medo de ser contaminada, mesmo que o paciente siga a viagem todo “embrulhado” num plástico de polietileno. Já os profissionais de saúde e o piloto vestem-se com roupas impermeáveis, incluindo galochas de borracha, e duas máscaras e mais o protetor facial de plástico conhecido como face shield.

Isso é proteção para contaminação biológica, a de nível III. Mesmo assim há casos de profissionais de Saúde que se contaminam com coronavírus durante o voo numa UTI. Algumas empresas de táxi aéreo, inclusive, vêm se recusando a transportar pacientes com Covid-19 por conta do risco de contágio.

Na UTI aeromédica, há todos os equipamentos que uma UTI hospitalar possui. Todos os voos são feitos com um médico intensivista e um enfermeiro especializado. Se o paciente de Covid-19 embarcar respirando e, durante a viagem, enfrentar problemas de respiração, ele é entubado durante a viagem.

Caso o estado de saúde se agrave com risco iminente de óbito, o piloto decide se volta para a cidade de origem ou se faz um pouso de emergência no aeroporto mais próximo. Segundo todas as empresas consultadas, no valor cobrado pelo transporte aéreo dos doentes estão inclusos os transportes em ambulâncias do hospital de origem em Belém até o avião e do avião em solo paulistano até o hospital onde o paciente será internado. No voo é possível levar até dois acompanhantes.

O médico intensivista César Collyer atua na linha de frente no combate ao coronavírus em Belém no Hospital Ophir Loyola. Pertencente à rede estadual, a entidade é especializada em câncer, mas as 30 UTIs do hospital estão abarrotadas de pacientes com Covid-19.

“Nunca vi nada igual em meus 20 anos de carreira. Ontem, um médico da minha equipe morreu contaminado por esse vírus. Estamos esgotados fisicamente e psicologicamente. Me sinto com as mãos atadas por ver pessoas morrendo todos os dias sem ter o que fazer”, desabafa. “Quem tem dinheiro tem mais que procurar atendimento fora de Belém porque a rede particular também está colapsada”, avisa.

O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), também aconselha os ricos a procurarem tratamento fora da cidade que administra, pois a situação no Pará está num nível de colapso nunca visto antes. Ele diz que nunca viu nada parecido em 40 anos de vida pública.

“Aqui, a situação é dramática. A população não deu muita bola para a pandemia. As feiras e os supermercados ficam lotados no fim de semana. Nos bairros mais populares, as pessoas vão para ruas e fazem aglomerações sem usar máscara. O paraense não acredita no que vê na TV todos os dias. Parte da população também sai de casa porque precisa trabalhar para sobreviver”, avalia o prefeito.

Ele também atribui o pouco caso dos paraenses em relação à pandemia às fake news disseminadas na internet. “Muita gente não acredita no avanço da doença porque se informa nas bobagens publicadas em redes sociais”, conclui. Ele diz que entende que os ricos estejam procurando tratamento em outros estados. “Os muito ricos vão para onde tem as melhores tecnologias. Isso é uma evidência de que a rede privada no Pará também saturou”, diz o prefeito.

Ricos e pobres do Pará costumam recorrer a Nossa Senhora de Nazaré para alcançar a cura de doenças graves, como câncer. No dia do Círio, no segundo domingo de outubro, os fiéis costumam pagar pelas graças alcançadas ao longo do ano.

Em 2020, os promesseiros poderão não ter como quitar a dívida com a Santa. Como o Círio de Nazaré se constitui na maior aglomeração de gente – a procissão do ano passado reuniu mais de 2 milhões de pessoas – não há a menor possibilidade de a festa religiosa ser realizada daqui a cinco meses, conforme o previsto.

A Igreja Católica, que organiza o evento, ainda não sabe como comunicar esse fato aos seus fiéis. Duas cerimônias concorridas (a apresentação do cartaz do Círio e o ritual de descer a imagem de Nossa Senhora do altar-mor no mês de maio) serão feitas virtualmente até o fim de maio.

No entanto, noventa por cento das reservas feita para o período da festa foram canceladas, segundo o Sindicato dos Hotéis do Pará. Esse dado indica uma evasão em massa dos turistas. “Pelo andar da carruagem está bem difícil ter Círio em 2020. Embora eu seja o prefeito da cidade e devoto de Nossa Senhora de Nazaré, vou deixar a decisão pelo cancelamento ou por um possível adiamento para a Igreja Católica”, diz o prefeito. “Mas, pelo caminho que estamos seguindo com essa pandemia, não vejo cenário para uma aglomeração de centenas de milhares de pessoas nas ruas. Não vislumbro a possibilidade de haver Círio”, avisa.

O arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Correa, presidente do Círio de Nazaré, ficou irritado quando se cogitou o cancelamento da festa religiosa. “Estamos mantendo todo o calendário do Círio. No momento oportuno eu anuncio se vai ter Círio ou não ou se ele será adiado, suspenso ou mesmo cancelado. Por ora, estamos trabalhando com todas forças para fazer uma festa bonita para os paraenses. Mas vamos procurar as autoridades para decidirmos juntos”, ponderou.

Como os fiéis atribuem a Nazaré curas milagrosas, um padre de Belém pegou a imagem de Nossa Senhora usada no Círio e fez um sobrevoo de helicóptero pela cidade no início de abril, na tentativa de se alcançar um novo milagre: exterminar o coronavírus da maior metrópole da Amazônia e, sem ele, conseguir uma autorização sanitária para realizar o Círio. Até agora, não deu certo.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 19 DE MAIO

JESUS, A PORTA DAS OVELHAS

Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagens (João 10.9).

Os pastores orientais guardavam seus rebanhos em apriscos, lugares seguros em tempos de frio. Mas nas noites quentes de verão ficavam nas campinas protegendo seus rebanhos dos animais predadores. As ovelhas eram reunidas em apriscos improvisados e os próprios pastores funcionavam como a porta de entrada para as ovelhas nesse redil. É nesse contexto que Jesus afirma ser a porta das ovelhas. Essa metáfora sugere-nos três verdades: Primeira, Jesus é a porta da salvação. Se alguém entrar por mim será salvo… Não há salvação fora de Jesus. Ele é o caminho para Deus, a porta da salvação. Ninguém pode chegar a Deus por suas obras, nem mesmo por sua religiosidade. Somente Cristo é a porta. A segunda verdade: Jesus é a porta da liberdade. Ele disse: … [por mim]… entrará, e sairá… Muitas portas conduzem ao cativeiro e à escravidão. São portas largas e espaçosas, mas desembocam em becos estreitos e escuros que levam a masmorras insalubres. Aqueles que entram por essas portas não conseguem sair. Tornam-se prisioneiros do pecado, dos vícios, das muitas paixões mundanas. Jesus, porém, é a porta da liberdade. A terceira verdade: Jesus é a porta da provisão. … e achará pastagens. Jesus é a própria provisão das ovelhas. Ele veio para que suas ovelhas tenham vida, e vida em abundância. Nele você encontra paz, descanso, direção, proteção, vitória e companhia eterna.

GESTÃO E CARREIRA

FRANGO SEM ESTRESSE

De uns tempos para cá, muito se fala em processos produtivos sustentáveis, com uso de energias limpas e renováveis, que protejam os recursos naturais necessários para a manutenção da vida na Terra. Dentro dessa nova mentalidade, até mesmo a forma de criar animais para abate passa por mudanças. A Netto Alimentos, empresa paulista especializada em ovos, com fábricas em Araçariguama e Iacri, no interior do Estado, embora não tenha granja própria, tem certificação para atuar dentro das normas do modelo cage free, que é a criação de galinhas fora das pequenas gaiolas. Além de ser cruel, o confinamento em gaiolas prejudica a qualidade, pois o estresse causado pelo aperto e pela temperatura ambiente contribui para que as aves botem ovos de cascas finas com presença de trincas, o que não é normal. A certificação é feita dentro do programa Certified Humane, cujos padrões são estabelecidos pela Humane Farm Animal Care (HFAC), que exige biosseguridade na granja, proibição do uso de antibióticos preventivos, entre outras medidas. A política da Netto Alimentos segue uma tendência mundial. Os ovos são comprados de granjas certificadas, o que garante completa rastreabilidade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

UMA ETERNA REUNIÃO

O uso maciço da videoconferência – sobretudo como ferramenta de trabalho – começa a provocar um tipo particular de esgotamento mental que já tem até nome: Zoom fatigue

É provável que nunca tantos tenham ficado tão próximos mesmo estando distantes. O motivo para esse paradoxo, claro, é a pandemia do novo coronavírus – que, de resto, vem virando de cabeça para baixo outras incontáveis facetas da vida social. Mas é verdade que tecnologia como a da videoconferência – que permite vizinhança na distância – não surgiram com a Covid-19, foi devido à sua propagação, e à necessidade de isolamento social para contê-la, que tais ferramentas explodiram mundo afora.

Em poucos meses, aplicativos mais antigos como Skype e Hangouts, e o novato Houseparty e Zoom, transformaram-se em acessórios indispensáveis para o dia a dia – seja para permitir que parentes e amigos joguem conversa fora, seja, sobretudo, para viabilizar a prática de home office e do ensino a distância compulsório. Não sem cobrar um alto preço – e, isso, insista-se, em um período reduzidíssimo de tempo. O preço: um inédito cansaço mental – que já ganhou até nome (em inglês): Zoom fatigue.

Do que se trata? O termo, que, num primeiro momento, faz menção a um dos mais populares aplicativos de videoconferência, revela uma fadiga, como o próprio nome indica, a que o cérebro se vê submetido após uma sucessão de sessões diante da tela. O fenômeno se dá em especial no caso do trabalho remoto. Com o contato presencial anulado, a necessidade de chamada para novas interações cresce, fazendo com que, no fim do expediente, a pessoa sinta como se houvesse passado o dia em uma longa e interminável reunião.

Para os estudiosos do comportamento humano, o esgotamento pode ser explicado com facilidade. Durante um diálogo, o cérebro não se concentra apenas nas palavras. Ele recolhe – como se fizesse, digamos, um “zoom” – significados adicionais a partir de dezenas de sugestões não verbais como olhares, movimentos do corpo é até a frequência respiratória. Essas manifestações ajudam a criar uma percepção holística do que está sendo transmitido e do que é esperado em resposta do ouvinte. “Como somos animais sociais, perceber essas pistas no contato direto é natural, requer pouco esforço cognitivo e pode estabelecer as bases para relações mais intimas como a amizade”, afirma o psicólogo carioca Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da Uerj. “Contudo, no caso de uma chamada de vídeo, essa habilidade é parcialmente prejudicada”, explica ele. “Além disso, a imagem da galeria onde todos os participantes da reunião aparecem desafia a visão central do cérebro, forçando-o a decodificar tantos indivíduos simultaneamente que nada é absorvido de maneira significativa, o que gera tensão e stress.”

Outro problema são os travamentos e dessincronias que ocorrem durante as chamadas. Segundo um estudo feito por acadêmicos alemães em 2014, um pequeno intervalo de 1,2 segundos entre a voz e a imagem é capaz de trazer à mente, com maior frequência, a impressão de que a outra pessoa é menos amigável ou está desatenta à conversa. Nesse sentido, até a ligação telefônica tradicional parece ser menos cansativa para o cérebro, o que recomenda fortemente seu uso – aliás, retomado com força nestes dias de surto epidêmico.

É possível que em algum momento surjam recursos que atenuem o cansaço mental que as videochamadas têm provocado. Ou que acabemos nos acostumando com ele. Até lá, se a Zoom fatigue bater, e houver oportunidade, desligue a câmera. E desligue-se um pouco.