EU ACHO …

O QUE OS DADOS REVELAM NO MUNDO PÓS-PANDEMIA?

Fomos dormir e acordamos imersos em uma crise que fez o mundo mudar totalmente. De uma hora para outra, o home office foi implementado de maneira forçada, ferramentas tecnológicas foram adaptadas às pressas e até o conceito de telemedicina foi autorizado de forma provisória.

A transformação digital chegou antes do planejado à maioria das organizações, traçando novos rumos e direções. O coronavírus foi um acelerador desse movimento e as empresas precisaram sentir na prática como a tecnologia pode ser um trunfo para salvar os negócios. O mundo pós-pandemia vai trazer uma nova realidade em todos os aspectos, principalmente nos negócios – que se tornarão mais digitais e, certamente, usarão dados para sobreviver.

O isolamento social mostrou que muitas empresas não sabiam lidar com o mundo digital. Os colaboradores precisaram trabalhar remotamente, mas todos os insumos e dados necessários para manter o negócio rodando estavam presos ao escritório. Agora é preciso acessar os dados em qualquer local e processá-los rapidamente para manter a competitividade em um cenário cheio de incertezas. Mais do que nunca torna-se imprescindível o uso de ferramentas em cloud computing. As corporações que melhor se adaptaram são as que já utilizavam essas soluções.

Dados podem impactar a vida de todas as pessoas. No início da quarentena foi possível perceber uma queda de 33% no deslocamento das pessoas para os locais de trabalho no Paraná, segundo o Google.

Como isso foi possível? A partir da captura de informações de utilização dos smartphones. Ou seja, informações digitais. Uma enorme quantidade de dados é gerada e compartilhada diariamente em todo o mundo. No caso da pandemia há diversos conteúdos e análises que podem ser obtidas, como a eficácia do isolamento social e até a evolução de disseminação da Covid-19. São informações que precisam ser capturadas, armazenadas e processadas para gerar inteligência. Trabalhar com dados é, enfim, uma questão de sobrevivência. Dessa forma, o cenário atual traz uma reflexão importante para o mundo corporativo: dados certos são diferenciais importantes para a tomada de decisão. Seja para identificar o avanço da doença provocada pelo novo coronavírus ou para identificar tendências em um segmento, é preciso ter essas informações em mãos para obter inteligência competitiva. Em suma: é preciso adotar uma cultura data driven, com decisões baseadas em dados.

Evidentemente há desafios importantes neste novo momento. As empresas precisam lidar com uma grande quantidade de dados não estruturados – e é neste ponto que entram as soluções de Big Data Analytics. É necessário apostar na contratação de profissionais que conseguem extrair valor dessas informações. Por fim, reconhecer que a crise provocada pelo novo coronavírus exige a transformação e até a criação de muitos modelos de negócios – o que só é possível a partir dos dados.

Estar atento a essas informações para tomar decisões estratégicas, lançar novos serviços e produtos e aprimorar a comunicação com os consumidores são tópicos que irão se impor na pauta de toda empresa nos próximos meses. Os dados serão os grandes responsáveis pelo sucesso de qualquer negócio.

O mundo pós-pandemia será bem diferente de tudo o que já vivemos e a tecnologia vai desempenhar um papel central nas relações sociais. As empresas de todos os portes deverão passar por uma mudança cultural e estarão mais atentas a momentos de crise. Sem dúvida, vão dar mais atenção a seus dados e onde eles ficarão armazenados. Usarão informações lapidadas para a tomada de decisão e estarão em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrará em vigor em 2021. Já passou da hora de andarmos duas casas para frente. Os dados mostraram o caminho.

* ALESSANDRA MONTINI – é diretora do LabData, da Fundação Instituto de Administração (FIA)

OUTROS OLHARES

TELEMEDICINA DO BEM

Projeto de atendimento médico remoto envolve 10 mil profissionais de 800 especialidades e ajuda a desafogar os serviços presenciais de saúde

O atendimento médico convencional se dá de forma direta, olho no olho, envolve um dedo de prosa e há um contato físico do profissional com o paciente. Mas esse contato virou coisa do passado e uma nova forma de consulta está ganhando espaço: a telemedicina ou medicina à distância. Por causa da crise pandêmica, que motiva uma prolongada quarentena, a partir de agora os pacientes terão que se adaptar a um modelo de atendimento remoto.

Diante dessa tendência, a corretora de seguros Wiz Soluções, através de sua plataforma Dr. Wiz, desenvolveu um grande projeto chamado Corrente do Bem, que reúne mais de dez mil profissionais de 800 especialidades dedicados à telemedicina. Segundo o CEO da Wiz Soluções, Heverton Peixoto, esse movimento veio para ficar. “É uma nova mentalidade, oferecemos um diferencial aos nossos clientes e nos tornamos socialmente mais responsáveis”, afirma. A gestora da plataforma Dr. Wiz, Francesca Bianco, que comanda a divisão de saúde da empresa, explica que os clientes da corretora agora podem disponibilizar esse serviço para seus funcionários. “O que fazemos é a intermediação entre nossos clientes e os serviços médicos”, diz.

NOVO REGULAMENTO

“Mais de 90% dos casos clínicos podem ser resolvidos por telemedicina”, afirma o cardiologista Guilherme Weigert, que dirige a Conexa, empresa que reúne médicos dedicados às consultas digitais e participa da Corrente do Bem. Segundo ele, o atendimento digital pode substituir a consulta presencial, pois a quase totalidade dos casos podem ser entendidos pela anamnese, a entrevista que o profissional de saúde faz com o paciente para compreensão de seu estado clínico.

Diante da emergência do coronavírus, um novo regulamento de telemedicina foi aprovado, em 31 de março, pelo Senado, para aliviar os serviços de saúde presenciais. A intenção é diminuir a quantidade de pessoas com problemas menos complexos nos hospitais. Essa forma de atendimento e o envolvimento das empresas com esses serviços não é uma obrigatoriedade, mas sim uma possibilidade que deve crescer. O uso desse instrumento médico já existe desde 2002, mas só teve mais relevância a partir de 2018, com mais de 90 mil atendimentos em todo Brasil, diz Weigert.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 18 DE MAIO

CORRUPÇÃO, A CULTURA DA EXPLORAÇÃO

… porque os juízes vendem o justo por dinheiro… (Amós 2.6b).

Desde que o Brasil foi descoberto pelos nautas portugueses, instalou-se nesta terra uma cultura da exploração. Nossos colonizadores não vieram para investir sua inteligência na construção de uma grande nação, mas para extrair nossas riquezas e enviá-las à Europa. A atitude de levar vantagem em tudo e tirar proveito de toda e qualquer situação tornou-se endêmica. Embora o Brasil seja a sexta economia do planeta, ainda há grandes bolsões de miséria tanto nas regiões suburbanas como nas regiões rurais. Somos uma nação rica de recursos naturais. Temos a maior reserva florestal do mundo e o maior potencial hidrográfico do planeta. Temos um solo fértil e um clima favorável. Contudo, a despeito de tantas vantagens, temos uma classe política que, com raras exceções, se empoleira no poder apenas para desfrutar do erário público. Homens de colarinho branco, com muito poder nas mãos, mas sem nenhum compromisso com a ética.

Homens que amam o poder, mas não o povo. Homens que amam o lucro desonesto, mas não o trabalho honrado. Homens que exploram a nação em vez de servi-la com patriotismo. Os escândalos financeiros se multiplicam nos altos escalões dos governos federal, estadual e municipal. Mudam-se os governantes e trocam-se os partidos políticos, mas a corrupção continua. A única solução para a nação brasileira é uma volta para Deus e uma conversão de seus maus caminhos!

GESTÃO E CARREIRA

ACOLHIMENTO E INOVAÇÃO

Preocupada com a criatividade e a responsabilidade social, a Danone aposta em programas e práticas que estimulem a inclusão e a colaboração

Nascida em 1972, a francesa Danone, gigante mundial do setor de laticínios, é tão famosa que sua marca virou sinônimo do principal produto que fabrica. Globalmente, a organização está presente em mais de 120 países. No Brasil há 49 anos, a empresa possui três divisões de negócios: lácteos e bebidas à base de vegetal; nutrição especializada; e águas. Com sete fábricas no país e uma sede corporativa, a companhia emprega 4.500 funcionários. O quadro já foi maior, mas, nos últimos quatro anos, a Danone enxugou o número de empregados em 10% – consequência da crise econômica que atingiu em cheio o consumo dos produtos comercializados pela multinacional. Neste ano, no entanto, a organização espera uma retomada do crescimento, com a meta de elevar de 5% a 10% as vendas. Para conquistar o objetivo, aposta em novos artigos, como bebidas lácteas proteicas, chás e refrigerantes.

1. ESTRUTURA HÍBRIDA

Apesar de a empresa ter organograma tradicional, os métodos ágeis e os squads já aparecem. As áreas de inovação e desenvolvimento de produtos, por exemplo, trabalham nos novos modelos. Além disso, há treinamentos internos sobre esse estilo de gerenciamento – 20 empregados são multiplicadores.

2. BEBÊ A BORDO

Funcionárias com filhos de até 1 ano que precisem viajar a trabalho podem levar junto o neném e um acompanhante – tudo pago pela companhia. Os homens têm direito a 20 dias de licença – paternidade, e as mulheres, a seis meses. E esses períodos se aplicam também aos casais homoafetivos que adotem uma criança.

3. RESPONSABILIDADE SOCIAL

A Danone tem vários projetos sociais. Um deles ocorre em Poços de Caldas (MG), município em que está a principal fábrica da empresa. Em parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social da cidade e com o núcleo de psicologia da faculdade Pitágoras, a companhia oferece cursos a mulheres em situação de vulnerabilidade.

4. NO ESCURO

Com o objetivo de aumentar a diversidade entre os estagiários, a Danone usa chatbots para recrutar às cegas nas primeiras fases do processo seletivo. O nome da faculdade e o gênero dos candidatos não aparecem.

5. CAPACITAÇÃO EXTERNA

A companhia tem um programa nacional para capacitação de PCDs que não trabalham na empresa – 500 pessoas já se formaram nos últimos três anos. Após os treinamentos, o currículo dos participantes é colocado à disposição de empresas parceiras.

6. MAIS MULHERES

A Danone exige que pelo menos uma candidata seja mulher na última etapa do processo seletivo. Hoje, 46% dos cargos de liderança são preenchidos por gestoras. E elas são 52% das novas contratações para a fábrica de Poços de Caldas.

7. ATENDIMENTO DIGITAL

Para resolver assuntos de gestão de pessoas e facilitar o dia a dia dos funcionários, existe a Nina, uma inteligência artificial. Ela soluciona dúvidas simples de RH e faz cobranças aos funcionários. É a Nina, por exemplo, que relembra os prazos para envio de relatórios e feedbacks.

8. AO LADO DAS STARTUPS

A divisão de produtos nutricionais lançou um desafio para que startups desenvolvessem novos produtos, serviços ou tecnologias. A iniciativa é feita com a Innoscience (consultoria de gestão de inovação) e com a Startse (plataforma de empreendedorismo). Foram 89 startups inscritas, 18 pré­ selecionadas e três terão seus projetos adquiridos.

9. ALTO E CLARO

Mesmo na crise, a companhia não deixa de comunicar os resultados. Há falas mensais da diretoria e da presidência transmitidas ao vivo. a mensagem fica gravada e disponível a todos.

10. AUTONOMIA PARA INOVAR

Quinzenalmente, ocorrem reuniões para que os funcionários sugiram inovações. a participação é voluntária. Numa dessas conversas, surgiu a ideia do YOPRO, um iogurte UHT com alto teor proteico. O insight não veio da criação, de onde partiria originalmente, mas da área de qualidade.

PALAVRA DA EMPRESA

“Quando alguém entra na Danone recebe uma folha em branco na qual escreve sua história, influenciando o resultado da empresa e propondo novos projetos”

VAGAS

Cerca de 400 até o fim de 2020. É essencial que os candidatos saibam trabalhar colaborativamente e sejam inclusivos. Ter empatia e adaptar-se com agilidade são diferenciais.

SITE PARA ENVIAR CURRÍCULO

jobs.danone.com

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PODER DA COLABORAÇÃO

A tendência de julgarmos a criatividade de maneira que reflita nossa identidade no grupo ajuda a explicar o preconceito de gênero e racismo – embora não sirva para justificá-los

Há quase 50 anos, o psicólogo Irving Janis, pesquisador da Universidade Yale, defendeu a ideia de que o desejo de se adaptar colabora com a tomada de decisões inconvenientes e a falta de pensamento crítico, um fenômeno chamado de pensamento coletivo, que ele considerava a antítese da criatividade. Ou seja: a dinâmica grupal pode, em muitos casos, favorecer escolhas irracionais, o apoio cego a propostas pouco inteligentes.

Normas grupais influem em formas de pensar. Por exemplo, pintores cubistas podem usar figuras geométricas abstratas de acordo com os costumes da técnica. Mas nem tudo está perdido: essa é apenas uma parte do cenário. A obra de nosso artista hipotético provavelmente terá características que a diferenciam das demais, como dimensões, cores ou temas não restritos ao estilo.

Discussões com amigos, colegas ou pares podem favorecer novas ideias – desde que se esteja disposto a refletir sobre outros pontos de vista. A psicóloga Vera John-Steiner, da Universidade do Novo México, diz em seu livro Creative collaboration (2000) que pequenos grupos, como os Beatles, Bauhaus ou Bloomsbury, frequentemente produziam músicas de vanguarda ao ressaltar as ideias uns dos outros enquanto procuravam alternativas para resolver problemas artísticos, teóricos e práticos.

Solidariedade e coesão são essenciais para favorecer o progresso dos movimentos criativos porque permitem que os pares apoiem uma iniciativa compartilhada. Exploramos essa ideia em um estudo. Pedimos a pequenos grupos de universitários que participassem do processo de planejamento (simulado) da construção de uma inovadora creche municipal. Antes, porém, algumas equipes passaram por um procedimento que as estimulou a um forte senso de identidade social compartilhada, enquanto outras foram incentivadas a pensar em si mesmas individualmente. Depois, as equipes se reuniram outras três vezes, por aproximadamente uma hora e meia, para discutir o empreendimento fictício, que passou por dificuldades de montagem. Os custos trabalhistas aumentaram e havia necessidade de um estudo de impacto ambiental. Descobriram que a caixa de areia das crianças continha traços de elementos tóxicos e muitos pais ameaçavam processá-los. As autoridades adiavam a aprovação do edifício.

Observamos que aqueles que inicialmente desenvolveram uma identidade compartilhada permaneceram otimistas sobre o projeto e continuaram a apoiá-lo, mesmo nos momentos difíceis. Os que foram persuadidos a pensar individualmente perderam o entusiasmo e cada vez mais consideravam abortar o empreendimento. Em outras palavras, a identidade social (mas não a pessoal) reforçou o interesse e encorajou os participantes a encontrar soluções criativas diante dos desafios. De maneira geral, os resultados indicam que precisamos de senso de identidade social compartilhada para buscar estratégias originais e concluir projetos inovadores – seja na ciência, na tecnologia, nas artes ou na política.

Além disso, comprometer-se solidamente com o grupo não nos torna cegos para suas falhas. De fato, o oposto parece acontecer mais frequentemente. Quando as normas são prejudiciais, os membros mais empenhados costumam debater e renegociar as regras.

Os psicólogos Dominic Packer e Christopher Miners, respectivamente pesquisadores das universidades de Queen, em Ontário, e Lehigh, desenvolveram um estudo no qual pediram a alguns alunos que escrevessem uma declaração de abertura antes de uma reunião de que participariam para discutir o uso de álcool com seus pares, focando o aumento do consumo em festas. Os pesquisadores observaram que, quanto mais se identificavam com o grupo, mais propunham soluções criativas para o problema, possivelmente porque sentiam maior responsabilidade ou acreditavam ser mais capazes de provocar transformações. Os dados apontam que a coesão grupal pode ajudar a estimular ideias criativas que levam a mudanças, desde que as pessoas se mostrem abertas à reflexão.