EU ACHO …

EPIDEMIA DE LIVES

Na era do coronavírus, é impossível fugir e não se viciar nelas

O país passa por uma horrível epidemia de coronavírus. Um dos efeitos colaterais é a epidemia de lives. Todo mundo está fazendo uma live ou sendo convidado para uma. Eu mesmo já falei sobre o amor para a live de um terapeuta. Se pudesse dar conselhos a respeito desse tema, não teria namorado, casado, brigado, separado e me apaixonado novamente tantas vezes. Não vou entrar em detalhes, porém meu currículo é extenso. Mas lá estava eu, com a face plácida de um buda, dizendo: “Amor exige entrega…” e outras amenidades do tipo. Já fiz outra, para o @institutodeleitura – quindim, que é muito sério. Entrevistado pelo Roger Mello, autor premiadíssimo. Contei: “Eu me apaixonei pela leitura quando conheci os livros de Monteiro Lobato, aos 11 ou 12 anos…”. Linda história, estimulante. Verdadeira. Mas já a relatei no meu livro Em Busca de um Sonho. Discorro em toda entrevista, palestra, sobre o estímulo à leitura. É importante dar o testemunho pessoal. Dali a alguns dias estava contando a mesma história na live da Márcia Goldsmith (@marcia. golds). Sigo contando live após live, porque uma pergunta recorrente é como me transformei em escritor. Eu fico até cansado de mim mesmo!

lives maravilhosas nas quais os artistas oferecem seu talento. Meu amigo @ivam_cabral, do grupo de teatro paulistano Satyros, apresenta uma peça, assim como outros atores. Artistas como Ivete Sangalo e Alok fizeram lives inesquecíveis. A da Ivete de pijama foi um alívio para preguiçosos como eu. Não é preciso nem se arrumar para a live! Não tenho pijama bonito como aquele da Ivete, mas uma camiseta preta já resolve. A própria televisão incorporou as lives.

Nunca fui de ter intensa vida social. As lives se tornaram algo parecido. Tem de ter compromisso, horário, estar feliz e bem-disposto. Live toma tempo, nem que seja de conversa fiada. Mas me rendi. Resolvi fazer a minha. Achei mais fácil que entrar nas dos outros. Convidei a atriz @ flaviaalessandra, que está no ar na reprise de Êta Mundo Bom!, novela da Globo. Foi complicado no início, porque ela não conseguia fazer a conexão comigo. Tive vontade de rosnar. Mas exercitei minha simpatia, falando sobre coisa nenhuma. Sorri tanto que fiquei com o queixo dolorido. Finalmente ela entrou, e falamos sobre nossa amizade, nossas novelas, a vida artística, até que… Bem, minha imagem sumiu. Jamais entenderei por quê, mas desapareceu. Entrou a imagem de um caracol rosado no lugar. Tentei ajustar, mas não sou bom em questões tecnológicas. O caracol permaneceu. Flávia continuou falando com o caracol… Foi simpaticíssima. É uma atriz, então não deve ter sido difícil. Ainda bem, o caracol não saiu até o fim da live!

Mas confesso, fui contagiado. Continuei fazendo, com a Mariana Ximenes (@marixioficial), com amigos… Descobri que na live posso dizer coisas que são realmente importantes para as pessoas. Por exemplo, a necessidade de formação do ator, do autor… Agora todo dia tem live, e os amigos também… Quando esta quarentena acabar, vai ser difícil retornar às atividades normais. Meu tempo já estará todo tomado pelas lives!

*WALCYR CARRASCO

OUTROS OLHARES

AGORA NÃO, CRIANÇAS

Com escolas e creches fechadas, e os filhos dentro de casa, pais cortam um dobrado para conseguir dar conta das tarefas profissionais no ambiente doméstico durante a quarentena

Faz um mês e meio que Benicio, de 6 anos, e as gêmeas Joana e Laura, de 3, não põem os seus pezinhos na escola paulistana em que costumavam passar quase onze horas por dia, enquanto os pais, Mathias D’Onofrio e Juliana Magoga Pereira, trabalhavam – ele, como gerente de um banco estrangeiro, e ela na mesma função numa multinacional do setor farmacêutico, o que lhe exigia viagens constantes. A mudança começou quando as medidas de distanciamento social se tornaram mais rígidas. As aulas foram suspensas, mas, por sorte, o casal havia programado férias antes da pandemia e conseguiu contornar a situação nesse período. Depois, veio o baque: com Mathias de volta ao expediente fora de casa, como dar conta do trio de traquinas agora confinado, mesmo estando Juliana acostumada ao home office.

De uma hora para outra, milhões de famílias, mundo afora, se viram diante de tal tipo de dificuldade: conciliar tarefas profissionais com a atenção aos filhos no ambiente doméstico. “No início foi complicado. As crianças não entendiam o porquê de eu estar em casa e não poder ficar 100% disponível para elas”, relata Juliana. “A saída foi mudar a rotina. Hoje acordo mais cedo para adiantar algumas atividades. E temos novos hábitos, como tocar teclado em família, que se tornou uma terapia para nós”, diz ela. Naturalmente, o surto do novo coronavírus não inventou o sistema de home office – menos ainda a inquietação típica de quem está na infância. Embora as duas coisas jamais houvessem se encontrado de forma tão desconcertante como no atual surto, os percalços para equilibrar o ofício com rebentos entre quatro paredes já tiveram até seu “momento meme”. Em 2017, Robert Kelly, analista político americano, falava ao vivo no canal de TV da rede inglesa BBC, diretamente da Coreia do Sul, onde vive com a mulher e um casal de filhos, quando a dupla invadiu o cômodo no qual ele se encontrava. Kelly ainda tentava afastar a menina na hora em que a esposa, atônita, surgiu ao fundo, correndo, para conter o garoto. A confusão foi tamanha que a transmissão acabou interrompida. O vídeo viralizou, acumulando quase 40 milhões de visualizações. Comentando, recentemente, em entrevista à BBC – ao lado de toda a família -, o trabalho na quarentena sul-coreana, o analista reconheceu: “Tem sido difícil ficar em casa. Estamos sempre brigando com nossos filhos. Eles não têm nada para fazer, então estão quase subindo pelas paredes”. E completou: “Por isso me sinto feliz com o fato de o isolamento estar sendo afrouxado. Vamos poder levá-los para fora, a fim de que gastem um pouco de sua energia”.

Bem, e até lá? Tome-se o caso do Brasil, que nem de longe poderia pensar em abandonar a quarentena de imediato. Aqui, cerca de 60% dos trabalhadores migraram para o home office desde a eclosão do surto de Covid-19, de acordo com um levantamento feito pela Hibou, especializada em pesquisas. E dá para fazer as tarefas sossegado? “Para que alguém trabalhe em casa, é preciso que se tomem várias providências prévias”, explica Max Gehringer, consultor de carreiras e autor de diversos livros sobre essa área. “É importante ter um local que permita concentração, e também o entendimento, por parte da família, de que a pessoa trabalhando em casa está em horário de expediente, indisponível para demandas domésticas.”

Às vezes, nada parece funcionar. Para o economista inglês Nicholas Bloom – que em 2015 publicou um estudo em que mostrava que os empregados de um call center chinês que trabalhavam de casa eram 13% mais produtivos do que os que iam à empresa -, não adiantou sequer trancar o escritório durante reuniões on-line. Um dia, sua filha pequena, frustrada por não poder interagir com o pai, quis entrar de todo jeito. “Tive de continuar como se não estivesse ouvindo nada, torcendo para que ninguém conseguisse ouvir os gritos dela”, conta Bloom.

Segundo o psicobiólogo Ricardo Monezi, especialista em medicina do comportamento na PUC-SP, é fundamental que, diante da fase inusitada pela qual passa a humanidade, os pais não cobrem demais de si mesmos nem dos filhos; procurem dialogar com eles; e, acima de tudo, aproveitem ao máximo a inesperada proximidade entre os membros da família trazida pela pandemia. “Não há dúvida de que esta é uma chance incomum para que pais e filhos se conheçam melhor e aprendam mais uns sobre os outros”, afirma ele.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 17 DE MAIO

QUE FAREI PARA HERDAR A VIDA ETERNA?

… Senhores, que devo fazer para que seja salvo? (Atos 16.30b).

Paulo e Silas estavam presos em Filipos, depois de terem sido açoitados em praça pública. Com os pés amarrados no tronco e o corpo ensanguentado, esses dois obreiros de Deus, foram jogados no interior de uma prisão imunda, entre criminosos de alta periculosidade, por terem sido instrumentos de Deus na libertação de uma jovem endemoninhada. Longe de lamentarem aquela injusta situação ou reivindicarem seus direitos como cidadãos romanos, resolveram orar e cantar louvores a Deus à meia-noite. Esse fato incomum chamou a atenção dos outros prisioneiros. Todos ouviam atentos esse testemunho extraordinário. Deus atendeu às suas orações e agradou-se do seu louvor, enviando um terremoto para abrir as portas da prisão e abalar o carcereiro. Responsável pelos prisioneiros e temeroso de que tivessem fugido, puxou a espada para se matar. Nesse momento, Paulo gritou, ordenando-lhe que não fizesse nenhum mal a si mesmo. O homem trêmulo, arrastando-os para fora da prisão, dobrou-se diante dos mensageiros de Deus e perguntou: Que devo fazer para ser salvo? Paulo prontamente respondeu: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. A salvação não é resultado das obras, mas da fé. Não é consequência do mérito, mas expressão da graça. A salvação pode ser recebida agora, e não apenas no futuro. Mesmo sendo individual, pode ser desfrutada por toda a família. Você já foi salvo por Jesus?

GESTÃO E CARREIRA

BRINCADEIRA DE SUCESSO

Após conquistar o público infantil no YouTube, o Totoykids, lançado em 2014 por um casal de mineiros, expande os negócios e desponta como um dos gigantes do segmento

Com 7 bilhões de views só em sua versão na língua portuguesa e um público estimado em 27 milhões de fãs, distribuídos por 48 países, o canal brasileiro no YouTube Totoykids, voltado para o entretenimento infantil já vinha sendo considerado um dos negócios mais bem sucedidos do site de vídeos de propriedade do Google – vale dizer, do mundo virtual. Na virada de 2019 para 2020, no entanto, o empreendimento anunciou que começaria a se expandir também para o, vá lá, mundo real”. O modelo é semelhante ao que foi adotado por gigantes do porte da Galinha Pintadinha. A ideia, ambiciosa, é montar um império baseado não só nos vídeos, mas também em roupas, bonecos, livros – enfim, tudo o que possa atrair a garotada pela força da marca.

Criado no ano de 2014, em Nova York, pelo casal de mineiros Isa Vaal, de 38 anos e André Vaz, de 40, o Totoykids que conta com 27 milhões de inscritos, conquistou os pequenos espectadores levando ao ar histórias protagonizadas por brinquedos e personagens autorais interpretados pela dupla. “À primeira vista; a fórmula pode parecer comum”, admite Vaz.

“Nosso diferencial é que decidimos tomar cuidado redobrado com o conteúdo em si escapando do vício frequente de querer apenas divertir as crianças. Nosso trabalho inclui uma pegada educativa”, diz ele. Resultado financeiro da estratégia: rendimento mensal em torno de 100.000 reais, tão somente com os anúncios vinculados aos vídeos do canal em português (há versões das produções também em inglês e espanhol). Os lucros devem dar um salto considerável com o lançamento, nos próximos meses, de uma linha de itens licenciados que abarcará cinco áreas: além de investirem na editorial, na de brinquedos e na de vestuário, Isa e Vaz apostam no setor alimentício e no de material escolar.

A origem do Totoykids remonta a uma fase de descontentamento do casal. Em 2013, desmotivados com suas respectivas profissões, Vaz, que é advogado, e Isa, psicóloga, decidiram mudar de ares e foram para os EUA.  Aintenção era investir na carreira de ator, no caso dele, e de roteirista no dela. Enquanto fazia um curso na atividade em que procurava se firmar, Isa resolveu trabalhar como babá. Na rotina com as crianças, notou quanto elas, mesmo ainda muito pequenas, se entretinham com smartphones e tablets – comportamento, aliás, que parece estar em todos os lares. “Mas a maioria das produções era de qualidade duvidosa, com a única intenção de viciar os olhinhos, satisfazendo aqueles pais que adotaram o hábito de colocar os filhos em frente às telas para ganhar uns minutinhos de tranquilidade”, conta Isa. “Faltavam vídeos que realmente estimulassem o público infantil, exercitando habilidades que são construídas nessa fase da vida.

Foi assim que, no ano seguinte, o casal decidiu montar o Totoykids. Para tanto, apoiou-se justamente na habilidade dela para o roteiro e na dele para a interpretação (Vaz estava cursando artes cênicas). Em seis meses de operação, com publicações semanais, alcançaram 500.000 inscritos no YouTube. A guinada de crescimento foi tamanha que um representante do próprio site de vídeos entrou em contato para saber quem estava por trás do empreendimento. Ao descobrir que não se tratava de uma companhia especializada e sim de um casal de amadores, a empresa americana listou o Totoykids como uma iniciativa a servir de exemplo a outros youtubers – a empreitada da dupla brasileira passaria a ser mencionada em treinamentos promovidos pelo Google.

Mais seis meses e o Totoykids chegaria a 1 milhão de fãs. Seu primeiro megassucesso, entretanto, surgiria em 2016: o vídeo no qual uma boneca brinca em uma piscina de bolinhas ultrapassou a marca de 180 milhões de views. A partir dalí, o negócio só cresceu. Hoje, o Totoykids está entre os dez canais infantis mais vistos do planeta, concorrendo com marcas como Peppa Pig. O casal de amadores de poucos anos atrás se transformou em uma dupla de empreendedores de peso. O que fez acentuar a atenção com tudo o que é produzido. Atualmente todo vídeo publicado passa antes pelo crivo de oito especialistas dos ramos de pedagogia, neurociência, psicologia e educação. ”Sempre pensamos que em cada clique há uma criança em formação” afirma Vaz.

Até há dois meses, o trabalho de produção de vídeos do Totoykids, que envolve uma equipe de dez profissionais, era realizado em um estúdio em Nova York e na própria residência do casal, que continua morando nessa cidade americana. Em dezembro, Isa e Vaz abriram um escritório em São Paulo. Com isso foram criadas vagas para quarenta funcionários. Aqui, o foco será a promoção dos produtos licenciados. Uma dessas linhas girará em torno do personagem mais célebre do canal, o José Comilão, que incentiva a alimentação saudável. ”Alguns pais podem, com razão ter receio de expor os filhos ao consumismo exacerbado”, diz Vaz. “No nosso caso, fiquem tranquilos. Só apostaremos naquilo que faz bem às crianças. Afinal, entre a audiência fiel estão também nossos dois filhos (de 2 e 5 anos).”Trata-se de um belo exemplo de como encontrar uma maneira de unir interesses, aptidões, conveniências e dinheiro.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A ESTREITA RELAÇÃO ENTRE CLIMA E EMPATIA

Por que não paramos as mudanças climáticas? Talvez não estejamos suficientemente preocupados com o sofrimento de nossos descendentes

Há seis meses, o resultado de uma pesquisa realizada pelo Datafolha, a pedido do Greenpeace Brasil e do Observatório do Clima, mostrou que 85% dos brasileiros reconhecem que o planeta está se aquecendo e 72% afirmam que as atividades humanas contribuem para o fenômeno. A confiabilidade nos tópicos foi mais alta entre pessoas com maior escolaridade. Foram ouvidas 2.086 pessoas com 16 anos ou mais, em 130 cidades, entre 4 e 5 de julho. Nos Estados Unidos, aproximadamente 70% dos americanos acreditam que o clima está mudando e a maioria reconhece que essa alteração é resultado de nossa interferência. Além disso, mais de dois terços pensam que isso prejudicará as gerações futuras. A menos que alteremos drasticamente nosso modo de vida, partes do planeta se tornarão hostis ou inabitáveis ainda este século – provocando desastres ecológicos, epidemiológicos e sociais. E, no entanto, a maioria dos americanos apoiaria políticas de conservação de energia apenas se elas custassem menos de US$ 200 por ano às famílias – um valor muito abaixo do                                                                  investimento necessário para manter o aquecimento sob taxas catastróficas.

No Brasil não há dados sobre a disposição da população em contribuir para a diminuição dos impactos ambientais. Afinal, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. O país também éum dos que menos reciclam este tipo de lixo: apenas 1,2% é reciclado, ou seja, 145.043 toneladas. Os dados são do estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês). O relatório Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização foi apresentado na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA- 4), realizada em Nairóbi, no Quênia, em março de 2019.

“Os dados a respeito de percepção sobre riscos de destruição do planeta e atitudes efetivas para impedir a tragédia são intrigantes”, afirma o pesquisador Jamil Zaki, professor associado de psicologia na Universidade Stanford, diretor do Laboratório de Neurociências Sociais de Stanford. “Por que hipotecam o nosso futuro (e o de nossos filhos e netos) em vez de moderar nosso vício em combustíveis fósseis? Sabendo o que sabemos, por que é tão difícil mudar nossos caminhos?”, pergunta-se o autor de The war for kindness: building empathy in a fractures world (Crown, 2019), ainda não lançado no Brasil, em livre tradução. “A guerra pela bondade: construindo a empatia em um mundo fraturado”).

Segundo o psicólogo, uma resposta está na natureza da empatia, essa capacidade de compartilhar, entender e se importar com as experiências dos outros. “Pessoas profundamente empáticas tendem a ser ambientalmente responsáveis, mas nossos instintos de cuidar são míopes e se dissolvem no espaço e no tempo, tornando mais difícil lidarmos com coisas que ainda não aconteceram”, explica.

ANJO TORTO

Ele observa que a atividade humana é, mais do que nunca, uma força dominante na formação do ambiente da Terra, mas os sentidos morais da humanidade não acompanharam esse poder de destruição. E ressalta que nossas ações reverberam pelo mundo e pelo tempo, mas não sentimos suficientemente o peso das consequências. “A empatia poderia ser um apoio emocional contra um mundo em aquecimento, se nosso cuidado produzisse ação coletiva, mas parece que evoluímos para responder ao sofrimento imediato, aqui e agora”, diz.

Segundo Zaki, nossa imaginação empática não está naturalmente configurada para se estender ao redor do planeta ou em direção às gerações futuras, o que coloca nossa própria existência em risco. Por isso é mais fácil nos mobilizarmos para ajudar vítimas de uma tragédia ambiental que já ocorreu do que evitar o consumo de carne e plástico.

Ironicamente, a empatia, “o melhor de nossos anjos”, na opinião do pesquisador, e a maneira como ela opera, pode estar prejudicando nossa capacidade de fazer o que é melhor para o mundo. Para o psicólogo, porém, há salvação para esse funcionamento psíquico. Zaki acredita que a empatia não é uma característica imutável, e sim um sentimento que podemos fortalecer diariamente. “Felizmente a capacidade de cuidar de si, do outro e do planeta não é um traço fixo de personalidade, mas uma habilidade a ser cultivada”, afirma. Portanto, é possível exercitar e treinar a empatia. As crianças agradecem.