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EXEMPLOS QUE FUNCIONAM

As lições a se tirar com o que deu certo em nações como Alemanha, Nova Zelândia, Islândia, Portugal e Israel no combate ao patógeno e no plano de retomada. Até agora, estamos na direção errada

Se receber qualquer pessoa em seu apartamento, onde vive sozinho, o publicitário brasileiro Yann Cucco, de 28 anos, terá logo em seguida outra visita, mas que baterá a sua porta sem ser convidada: a polícia. É essa a regra afixada no cartaz do prédio onde mora, em Auckland, na Nova Zelândia, um dos países que impuseram as restrições mais duras para o combate ao novo coronavírus, há cinco semanas. O bloqueio total — nem os serviços de delivery foram poupados — foi imposto quando o país tinha apenas 102 casos, no final de março, e obedecido. Com apenas 14 mortes contabilizadas até agora, as restrições começarão a ser levantadas nesta semana.

A opção pelo fechamento total, quando tomada logo no início do surto, também deu certo em outros países, como Portugal, mas não foi a única estratégia bem-sucedida para conter a pandemia, ou ao menos refrear seu ímpeto mortífero. Outras nações, como a Coreia do Sul e a Alemanha, investiram pesado em ampliar os testes de seus cidadãos para rastrear os focos de infecção e, assim, isolar logo os doentes e os possíveis contaminados, para estancar a expansão do vírus.

Para aprender o que funcionou e o que deu errado até aqui no combate à Covid-19, com os ensinamentos de mais de quatro meses desde seu surgimento na China e de sua chegada devastadora à Europa e aos Estados Unidos, consultamos especialistas daqui e de fora para entender o que pode ser aplicado no Brasil. O contraste entre o que tem sido feito de bom no exterior e o que acontece aqui leva à conclusão de que há um abismo a ser superado. De longe, medidas como a vivenciada por Cucco, na Nova Zelândia, e em outros lugares do mundo soam tão distantes do que acontece no Brasil atualmente que passam a impressão de que se trata não de outros países, mas de outro planeta.

Com a autoridade de um dos mais importantes economistas do mundo, que se tornou professor titular de Harvard aos 28 anos e hoje dá aulas em Columbia, em Nova York, Jeffrey Sachs disse que o Brasil se mira no exemplo errado, o dos Estados Unidos. Lá, afirmou, o principal problema foi o “colapso da capacidade do governo federal” diante de um “governo anticientífico” — se alguém precisa de legenda, o de Donald Trump —, que “falhou miseravelmente”. Sachs alertou que o Brasil, onde as mortes diárias ainda se contam na casa das centenas, pode seguir o mesmo caminho dos americanos, que chegaram a registrar mais de 2 mil mortes por dia. “O Brasil está enfrentando o risco de uma catástrofe, e o presidente parece totalmente alheio ao básico da saúde pública”, disse ele. “O Brasil está muito longe do rumo certo”, sentenciou.

O fracasso dos Estados Unidos, em especial em Nova York, tem muitas semelhanças com o Brasil, onde nos últimos dias os hospitais passaram a registrar cenas como as da Itália no auge da tragédia — os médicos já precisam escolher quem vai para o respirador, com chances de sobreviver, e quem não receberá o equipamento, deixado para a morte quase certa por falta de ar, com uma sensação sufocante de se afogar no seco. Lá, como aqui, o governo federal pressiona o tempo todo pela “volta à normalidade”, sem dados científicos que comprovem que é possível relaxar as regras, ainda que aos poucos; aqui, como lá, inconsequentes participam de carreatas e protestos pela reabertura dos negócios, em manifestações explícitas de desprezo pela ciência.

Mas, se o caminho da tragédia está claro, a chegada a uma desejada retomada da vida normal, ou quase isso, percorre várias rotas possíveis, e muitas delas com recuos importantes, como mostram os casos estudados. Países como Nova Zelândia, Islândia, Portugal, Alemanha, República Tcheca, Israel, Japão, Coreia do Sul e Cingapura se destacaram internacionalmente com diferentes estratégias — acertaram, erraram, recuaram e acertaram de novo, mas sempre guiados por decisões técnicas.

Para alguns desses ensinamentos, já é tarde demais para o Brasil. A Islândia começou a testar seus cidadãos antes mesmo da chegada oficial do vírus ao país, e assim conseguiu identificar os focos muito no início. Não há mais como fazer isso por aqui, onde o novo coronavírus já circula por centenas de cidades em todos os estados e há quase 50 mil casos confirmados e provavelmente mais de dez vezes esse número de infectados. Para outras medidas, como proibições mais rígidas de atividades e imposição de um distanciamento social mais efetivo, ainda há tempo. “No Brasil, o isolamento deveria ser mais impositivo, no sentido de não deixar pontos de aglomeração e liberar apenas o deslocamento dos trabalhadores essenciais”, avaliou Luciana Costa, coordenadora do Laboratório de Genética e Imunologia das Infecções Virais e diretora-adjunta do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A Nova Zelândia, por exemplo, chegou ao ponto mais baixo da curva de novas infecções, com apenas cinco casos em 21 de abril. Lá, os cidadãos não podem sequer deixar o próprio bairro e, mesmo assim, só são autorizados a circular por ali para caminhadas rápidas e ir aos únicos três tipos de estabelecimentos abertos: mercados, farmácias e hospitais. Depois do sucesso, o bloqueio começará a ser afrouxado nesta semana, quando restaurantes serão liberados para fazer entregas de comida, e serão permitidas finalmente visitas, embora de apenas uma pessoa — casais de namorados que moram separados estão há cinco semanas sem poder se encontrar.

Portugal também implementou medidas rígidas de restrição da circulação quando contava apenas 100 casos e conseguiu controlar a infecção — com uma população quatro vezes maior, a vizinha Espanha, que demorou a agir, contou 30 vezes mais mortos. Um dos trunfos dos lusitanos foi, além do timing, a aderência incondicional ao isolamento. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica Portuguesa revelou que 14% da população simplesmente não saiu de casa em duas semanas. Dos que saíram, a maioria (62%) disse ter ido à rua apenas para comprar bens essenciais.

O Brasil também agiu cedo e definiu suas primeiras medidas de restrição social quando tinha somente 98 casos confirmados pelo Ministério da Saúde. Mas, aqui, a aderência foi bem mais desigual. “Nosso isolamento, nas cidades com mais casos, deveria ser mais rigoroso do que é”, avaliou Laura de Freitas, pesquisadora de microbiologia na Universidade de São Paulo (USP). Para complicar, as medidas valeram apenas por iniciativa de alguns governadores de estados, com regras confusas e um incentivo poderoso em defesa de que não fossem cumpridas, vindo de seguidos discursos da mais alta autoridade do país, o presidente Jair Bolsonaro. No momento, não há nenhuma segurança sobre o número de infecções e até de mortos — amontoam-se relatos de vítimas enterradas com a suspeita da doença como causa da morte, mas sem ao menos passarem por teste e, assim, fora das estatísticas. Apesar disso, ao menos dez estados — Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Maranhão, Tocantins, Espírito Santo, Paraíba, São Paulo e Sergipe —, além do Distrito Federal, já se preparam para, dos próximos dias até a primeira quinzena de maio, levantar restrições e liberar a volta de seus cidadãos às ruas, baseados numa vaga noção de que “o pior já passou”. Em defesa dos governadores, diga-se que a maior parte deles tenta, na medida do possível, impor regras básicas para essa volta controlada. Mas ainda é muito pouco.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, que substituiu Luiz Henrique “isolamento social” Mandetta, já revelou nesta semana que há um plano para o relaxamento das medidas de distanciamento no país dentro de uma semana. O novo titular da área alega que o país não poderá ficar até “um ano e meio parado”. Atualmente, são 45 mil casos no total, com uma média de 2.300 novos infectados por dia — em 15 de abril, no auge da contabilidade, foram 3.300. As mortes, que chegaram a 200 por dia, recuaram a uma média de 150 em meados da semana que passou.

Lá fora, apenas a redução dos casos não é bastante. Dos claudicantes Estados Unidos à eficiente Alemanha, a porta de saída prevê, além de um sistema de saúde forte o suficiente para aguentar uma eventual alta dos casos novamente, o rastreamento ativo de contatos de possíveis infectados aliado a um agressivo programa de testes. No país europeu, o plano é ter uma equipe de cinco pessoas para cada 20 mil habitantes dedicados a esse monitoramento: a partir do momento que alguém testar positivo, todos que tiveram contato com a pessoa serão imediatamente avisados e isolados para evitar que a doença se espalhe e surja um foco relevante de infecção.

A Islândia e a Nova Zelândia também avisam a todos que tiveram contato com doentes. Essas pessoas são informadas do risco de terem sido contaminadas e que precisam fazer uma quarentena para minimizar a propagação do vírus. Na ilha da Oceania, o governo está investindo US$ 55 milhões em sua operação de rastreamento de contatos e espera que em breve seja capaz de rastrear 5 mil pessoas por dia. Atualmente, há apenas oito casos em que não foi possível rastrear onde aconteceu a contaminação. A República Tcheca, que tem cada vez menos casos e também se prepara para uma reabertura gradual do país, vai implementar, por meio do uso de dados de telefones celulares e cartões de pagamento, a detecção rápida das pessoas que podem estar potencialmente infectadas pelo vírus, rastreando aqueles que tiveram contato com doentes.

Dos Estados Unidos à Nova Zelândia, da Alemanha à República Tcheca, não há nem sinal de nada parecido por aqui.

Em Israel, que nesta semana afrouxou as regras e já permite que dez pessoas rezem juntas — mas ao ar livre e com uma distância de 2 metros entre cada uma —, a aposta é na tecnologia. O país chegou a ter 700 infecções diárias e agora contabiliza 220, com um total de 189 mortos durante a pandemia. Lá, foi desenvolvido um aplicativo em que todos podem informar se estiveram perto de alguém infectado com a Covid-19, para facilitar o rastreamento. Em outra frente, os hospitais utilizam ferramentas de inteligência artificial para prever a evolução de casos mais graves e realizar as intervenções precocemente, quando ainda há tempo de salvar o paciente.

Seja lá atrás, para conter o espraiamento do vírus, seja agora, para permitir a volta às ruas, um programa inteligente de testes é indispensável. O governo brasileiro já anunciou a compra de mais de 40 milhões de testes, mas, na prática, o país ainda engatinha nessa área — foram realizados apenas 300 mil testes, em uma população de mais de 200 milhões. A Alemanha, de novo ela, faz nada menos do que 120 mil testes por dia, o que significa que em menos de três dias ela testa tudo que já foi testado no Brasil em mais de um mês de pandemia.

Na Islândia, uma pequena ilha incomparável ao Brasil ou à Alemanha, nada menos do que 11% dos 347 mil habitantes já foram testados. O programa, randômico, foi tão amplo que até 2 mil infectados assintomáticos foram identificados. O país tem, atualmente, menos de uma dezena de infectados por dia.

Na Ásia, que no começo apareceu como um exemplo a ser seguido (sem contar as estatísticas nada confiáveis da ditadura chinesa), mas depois derrapou, os erros também serviram de lição. O Japão, onde os casos ficaram baixos por um bom tempo, demorou a impor restrições, aplicou poucos testes e viu uma escalada da doença. A Coreia do Sul apostou nos testes em massa, mas não foi tão restritiva no isolamento social. Cingapura levantou cedo demais as conexões entre regiões atingidas pelo novo coronavírus e as poupadas, abrindo caminho para a disseminação do patógeno.

Isso demonstra, segundo Sung il-Cho, professor de epidemiologia na Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, que, em qualquer país, o combate ao novo coronavírus deve ser norteado por três pontos. “O primeiro é evitar a chegada de novos casos e a transmissão inevitável resultante, como a de membros de uma família. O segundo é a contenção de casos infecciosos em quarentena e isolamento. E, por último, o distanciamento social entre as comunidades. Qualquer uma dessas medidas, se for perfeita, pode impedir a propagação do vírus, mas, para acabar com a pandemia precisamos obedecer a todas”, avaliou.

Os números mostram a diferença entre os três países. Cingapura conseguiu controlar muito bem a epidemia até o começo de abril, quando tinha uma média de 50 casos diários. Atualmente, ela explodiu para mais de 1.000 novas infecções a cada 24 horas.

O Japão tem comportamento parecido. Inicialmente, o número de novos infectados não chegava a 100, por três semanas, mas em meados de abril cresceu rapidamente para 700 e agora caiu para 350. Já a Coreia do Sul teve uma explosão de casos em março e já conseguiu se recuperar. Atualmente, a epidemia está novamente controlada, com cerca de 20 novos casos diários.

As lições, de todos os cantos do mundo, são muitas. Mas é necessário, antes de tudo, querer aprender com elas.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 05 DE MAIO

JESUS FAZ A FIGUEIRA SECAR

Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto (Marcos 1.14).

Viver de aparências é um perigo mortal. Folhas sem frutos são um convite ao desastre. Foi isso que aconteceu com uma figueira nas proximidades de Jerusalém. De todos os milagres de Jesus este é o único com aspecto negativo. Jesus sempre realizou milagres para demonstrar sua misericórdia. Neste episódio, porém, revela seu juízo. A grande questão é, por que Jesus ordenou a figueira a não dar mais frutos e secar? Qual é a mensagem deste milagre? Jesus passava pelo caminho e sentiu fome. Então viu a figueira e foi atraído por ela. Procurou algum figo no meio da folhagem e não encontrou. Então amaldiçoou a figueira e a condenou a nunca mais produzir fruto. No dia seguinte a árvore estava seca. É que a figueira primeiro produz fruto e só depois aparecem as folhas. Consequentemente, aquela figueira estava fazendo uma propaganda enganosa. Prometia o que não entregava. Jesus estava condenando a hipocrisia daqueles que têm folhas, mas não frutos; têm palavras, mas não obras; têm aparência, mas não vida. Folhas não satisfazem Jesus: ele tem fome de encontrar frutos em nós. Aqueles que vivem de aparências e alardeiam frutos que não possuem, esses serão condenados à sequidão, ou seja, a viverem sem frutos para sempre.

GESTÃO E CARREIRA

O REMÉDIO DA EDUCAÇÃO

Instituições particulares adotam métodos digitais de aprendizado para evitar interrupção das aulas, cumprir carga horária e diminuir impactos da pandemia.

Lousa em branco (ou desligada), carteiras vazias, luzes apagadas. A ausência de estudantes nas salas, que poderia anunciar a chegada do fim de semana, passou a refletir, após o anúncio da pandemia, um cenário comum a muitas escolas do País. Para evitar a interrupção das atividades e garantir o cumprimento da carga horária mínima obrigatória, seja na escolinha de ensino infantil, seja nas universidades e escolas de negócios, o conteúdo agora chega por meio de aplicativos e plataformas. São soluções que permitem postagem de tarefas, chats, fórum de discussão, videoaulas ou mesmo aulas em tempo real e videoconferências.

Na Saint Paul Escola de Negócios, que tem unidades no Jardim Paulista e na Vila Olímpia, ambas em São Paulo e, em Fortaleza, as aulas presenciais foram suspensas no dia 13 de março. Para as aulas remotas, entrou em cena a plataforma digital LIT. “Para os nossos professores, essa adaptação foi bem mais fácil, porque não se iniciou com a pandemia e, sim, há cerca de quatro ou cinco anos”, destaca o sócio e reitor Adriano Mussa.

Diretor acadêmico e de pesquisas em Inteligência Artificial da Saint Paul, Mussa diz que o ensino digital permite que o aluno aprenda em qualquer tempo, lugar e modo. “Conseguimos passar o controle remoto para a mão dele, o que no presencial é muito difícil, porque quem dita o ritmo é o professor”, afirma. Quanto a possível inadimplência em razão de desemprego e queda de receita vinda dos alunos, Mussa diz que esse índice segue sem flutuações. “O mundo inteiro teme essa recessão mais pesada, mas educação é um setor um pouco mais resiliente.”

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) destaca que suas 2,5 mil associadas, com 6,3 milhões de alunos, também passaram a oferecer turmas com atividades remotas. O objetivo é atender ao programa das disciplinas previstas para o curso presencial contratado pelo aluno. Para a entidade, aulas digitais não reduziram os gastos das instituições, que arcam também com a manutenção do quadro acadêmico. “Elas têm feito mais investimentos tecnológicos para dar conta deste momento atípico pelo qual passa o mundo com o coronavírus.”

O programa de Educação Executiva da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com cursos presenciais em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo também passou por adaptações para manter as atividades. O que incluiu mais investimentos. A instituição diz adotar o que há de mais moderno em tecnologia para minimizar o distanciamento social, sem a perda da qualidade de ensino e também não registrou aumento significativo da inadimplência. Além disso, foram disponibilizados 55 cursos on-line e gratuitos a toda a população no período de quarentena.

O empresário Janguiê Diniz, presidente do Grupo Ser Educacional (200 mil alunos no total) e vice-presidente da ABMES, sugere aos donos de estabelecimentos educacionais que trabalhem para cortar custos e prorroguem pagamentos para manter o caixa e ter condições de se reerguer após a pandemia. O receio de queda de receita e de matriculados faz com que algumas instituições estudem modalidades de financiamentos para alunos que percam o emprego ou tenham redução de renda. É o caso do Grupo Cogna (Kroton, Platos, Saber e Vasta Educação/Somos Educação), que possui cerca de 800 mil alunos no ensino superior e 35 mil no básico.

AMBIENTE DIGITAL

O executivo Daniel Castanho, presidente do Conselho de Administração do Grupo Ânima, que tem no portfólio a Universidade São Judas (118 mil alunos e 8 mil professores), afirma que adoção da aprendizagem digital durante a quarentena deve acabar com a resistência ao Ensino a Distância (EAD), embora diferencie os dois modelos. Num, há teleconferências reunindo alunos um mesmo horário. No EAD, profissionais da educação e alunos estão em lugares e tempos diferentes. “Na noite do dia 19 de março, tivemos 1.279 turmas simultâneas, com as aulas ocorrendo normalmente em ambiente digital”, diz.

O aprendizado a distância e o pagamento das mensalidades dos estudantes estão entre as principais preocupações dos pais – e das escolas – dos ensinos infantil, fundamental e médio durante a quarentena causada pela pandemia. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), que representa 10 mil instituições privadas, com 2,3 milhões de estudantes, recomendou férias neste mês para que os estabelecimentos consigam se adaptar ao modelo. O presidente da entidade, Benjamin Ribeiro da Silva, acredita que muitos não terão condições financeiras de investir em equipamentos e vê na reposição de aulas a saída para o cumprimento da carga horária mínima de 800 horas, determinadas pelo Ministério da Educação. Segundo o Censo 2018 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o Brasil tem 40 mil estabelecimentos privados, que atendem a quase 9 milhões de alunos.

TEMPOS DIFÍCEIS

O consultor Roberto Prado, diretor da Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), que reúne as principais escolas de elite de São Paulo, prevê período de dificuldades às instituições e aos pais. Ele lembra que no Brasil há escolas com apenas 50 alunos e outras com 10 mil. Algumas cobram menos de R$ 500 de mensalidade e outras, R$ 10 mil. Mas reforça que o ensino a distância, implementado em caráter de urgência, não representa economia para os estabelecimentos. Prado recomenda aos pais em dificuldade financeira que negociem com as escolas. “O melhor caminho, num momento como este de grande crise, é a conversa”, observa o consultor.

Ao analisar o processo de transformação das instituições para se adaptarem ao ensino digital, a pedagoga Marizane Piergentile, diretora da Rede Adventista da região do ABC e Baixada Santista, no Estado de São Paulo, afirma que a linguagem virtual faz parte do cotidiano das crianças e adolescentes e que, independentemente da duração da pandemia, a educação não irá parar. Ela enxerga na crise provocada pelo coronavírus uma possibilidade de sair mais forte. “É o momento da autogestão da aprendizagem”, diz a pedagoga.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ADOLESCÊNCIA E APRENDIZADO

Recompensa pode ser ótima forma de ensinar jovens

Aquilo que leva os adolescentes a um maior comportamento de risco pode ser, também, a chave para um melhor aprendizado por parte desses jovens. O mecanismo de recompensa no cérebro adolescente é bastante sensível e, embora esteja associado à impulsividade e vícios, pode ser ativado no ensino facilitando a aquisição e retenção de informações, segundo estudo publicado na revista Nature Communications.

Essa maior reatividade a feedbacks se deve, em parte, ao corpo estriado, uma estrutura cerebral profunda, associada ao sistema de recompensa. A pesquisa que constatou tal sensibilidade envolveu, em um período de cinco anos, não menos de 736 exames cerebrais de 300 indivíduos entre 8 e 29 anos, um volume de dados dez vezes maior que o da maioria dos estudos comparáveis. No scanner MRI, os participantes tiveram que resolver um jogo de memória e recebiam feedback sobre o seu desempenho.