OUTROS OLHARES

A ERA PÓS-VIAGRA

A quebra da última patente do remédio, em abril de 2020, abrirá as portas para uma nova leva de medicamentos contra a disfunção erétil

Desde o lançamento do Viagra, em 1998, a farmacêutica Pfizer acumulou cifras estratosféricas – de lá para cá, foram vendidos 3 bilhões de unidades da drágea em forma de losango destinada à disfunção erétil. No Brasil, o número chegou a 130 milhões. Nenhum medicamento, ao longo da história, teve tanto sucesso em seus três primeiros meses de vida, dadas as milagrosas e alcançadas promessas – mais até do que a aspirina e as estatinas para o controle do colesterol. Foi uma revolução comportamental e de mercado que atinge, agora, outro patamar. O mundo cor-de-rosa da pílula azul está chegando ao fim. Em abril de 2020 expira a última patente que autorizou a exploração exclusiva. O resultado será uma leva de novos tratamentos para um mercado global de 300 milhões de homens preocupados com o desempenho sexual.

“Inauguraremos, pela primeira vez desde o surgimento do Viagra, uma avenida de terapias inovadoras”, diz a psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas. No grupo de métodos noviços há cirurgias, injeções de compostos, produtos tópicos e até choques elétricos. Um dos mais curiosos e promissores é um gel à base do veneno da aranha-armadeira, muito comum no Brasil, capaz de induzir a ereção em poucos minutos (veja o quadro abaixo). Produzido pela Universidade Federal de Minas Gerais e por técnicos da Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte, em parceria com a empresa de desenvolvimento de medicamentos Biozeus, o gel é inspirado em um mecanismo natural. A picada do aracnídeo pode provocar o priapismo, ereção involuntária e dolorosa que, quando não é tratada, se torna um atalho para a necrose do pênis. Os pesquisadores conseguiram reproduzir uma molécula com base na toxina, mas sem toxicidade.

Há um ponto comum a unir as recentes tentativas – elas driblam, ou ao menos tentam driblar, as reações indesejadas do Viagra. Agem localmente e não causam dor de cabeça, enjoo ou ondas de calor, efeitos colaterais conhecidos do remédio que nasceu como um vasodilatador para problemas cardíacos. O uso do Viagra, ressalve-se, é desaconselhado a doentes graves do coração ou do fígado e homens com pressão baixa. Outro aspecto positivo das versões que começam a aparecer: elas não precisam ser aplicadas logo antes das relações sexuais. Algumas das medicações em estudo permitem que o paciente se submeta a cuidados esporadicamente.

O alcance da pulverização de novas maneiras para combater um genuíno drama masculino pode ser ainda mais amplo que o do Viagra. Estudos recentes mostraram que em 30% dos casos de disfunção erétil o comprimido não é indicado – e é esse espaço que será ocupado. Além disso, as alternativas que não pressupõem a ingestão química podem vir a reduzir um fenômeno paralelo, evidentemente ruim: com o tempo, marmanjos saudáveis de 20 e poucos anos, no início da vida sexual, e não pessoas já de meia-idade, adotaram o santo graal anil para melhorar o desempenho na cama, no chamado uso recreativo da droga. Para essa turma, as soluções da era pós-Viagra podem ser mais adequadas. Diz Flavio Trigo, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo: “Prolongar uma ereção normal à custa do remédio pode prejudicar o tecido peniano e tornar essas pessoas de fato dependentes do medicamento”.

Não haverá, contudo, apesar de todos os avanços científicos, nenhum mecanismo capaz de provocar a estrondosa revisão de comportamento acelerada pelo Viagra, com sua riqueza de aspectos positivos e negativos. Ao lidar com a ereção como quem combate uma dor de cabeça, a Pfizer deflagrou um diálogo que vivia à sombra, calado. O orgulho masculino impedia qualquer tipo de conversa sobre impotência – com as companheiras, sem dúvida, mas também com os médicos. Isso mudou, e os efeitos transbordaram. Na última década, em parte diante da real possibilidade de aplacar a disfunção sexual, homens e mulheres se sentiram autorizados a procurar novos parceiros, e o número de divórcios aumentou 126,9% no mundo todo. Estudo publicado no reputado Annals of Internal Medicine mostrou ainda que senhores na maturidade que usam remédios contra a impotência sexual como o Viagra correm mais risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, em comparação com os que não utilizam esses medicamentos. Nos Estados Unidos, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, havia, no lançamento do Viagra, três novos casos de doenças ligadas ao sexo para cada 10.000 homens acima de 40 anos. Hoje, o número é o dobro. A pílula azul, evidentemente, não pode ser responsabilizada por todas as mudanças. Mas sua influência é incontestável. Um sinônimo de liberdade que pode ser comparado àquela promovida pela pílula anticoncepcional feminina. Diz a psiquiatra Carmita Abdo: “O Viagra modificou a postura sexual masculina nos anos 2000 de modo semelhante ao que fez o contraceptivo na década de 60 com as mulheres”. Que venha a próxima revolução.

ANTES E DEPOIS DA PÍLULA AZUL

As mudanças provocadas na rotina sexual dos brasileiros de 18 a 70 anos na última década – sob a influência do Viagra

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 24 DE ABRIL

A FELICIDADE DE SERMOS CRIADOS POR DEUS

Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou… (Isaias 43.1a).

O centro do universo não é o homem; é Deus. O universo gira em torno de Deus, e não do homem. Encontramos a razão da nossa vida quando conhecemos a Deus. Ao longo dos séculos, várias perguntas inquietaram a alma humana: Qual é a origem da vida? De onde viemos? Quem somos? Por que estamos aqui? Para onde estamos indo? Estas são as grandes questões filosóficas que intrigam o homem. Afirmamos, com convicção, que viemos de Deus. Somos feitura de Deus. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Estamos aqui para glorificarmos a Deus. Nossa vida só encontra sentido e propósito em Deus. Estamos indo para a bem-aventurança preparada por Deus. Encontramos a verdadeira felicidade pelo fato de termos sido criados por Deus para um propósito sublime. Não somos uma lasca flutuante no mar da vida. Não somos como uma folha arrebatada pelo vento. A vida tem um propósito, um propósito sublime. Viemos de Deus. Somos de Deus. Vivemos para o deleite de Deus. E voltaremos para Deus. Ele é a fonte e o destino da existência. Nele vivemos e existimos. Dele fruímos o verdadeiro sentido da vida. O sentido da própria vida eterna é conhecer a Deus e a seu Filho Jesus Cristo. Nisso consiste nossa maior e mais completa felicidade.

GESTÃO E CARREIRA

NEGÓCIO NA REDE

Aprenda as dicas de quem entende e faça da sua plataforma social uma ferramenta de empreender

Mesmo com pequena melhora no nível de desemprego – 11;6% no trimestre que fechou em outubro de 2019 – ainda existem 12,4 milhões de pessoas sem emprego no País, além de um crescente aumento nos trabalhos sem carteira assinada, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nessa hora, a criatividade toma conta e todas as opções passam a ser cogitadas. É o caso da professora Euzinete Vieira. Hoje ela complementa renda como tutora em aulas específicas de duas universidades, e faz bolos caseiros para vender. ”Logo eu vi que não dava só para fazer boca a boca com as vendas. Agora, estou desenvolvendo uma identidade visual para as redes sociais e pensando em cadastrar em plataformas como o iFood. Com uma foto mais bonita que coloquei no Facebook, já recebi várias encomendas. Sem isso, o negócio simplesmente não anda”, conta.

É fato que o marketing digital acabou se tornando um dos investimentos mais importantes de qualquer negócio. Mas é possível ir além e fazer da rede social o próprio negócio? É o caso dos influenciadores digitais, que conseguem engajar milhares de pessoas apenas postando sobre um produto. A questão maior é por onde começar tudo isso. “Os passos são muitos, mas é essencial criar um planejamento anual com agenda de postagens, desenvolvidas por um time que tenha envolvimento real com o tema e que seja consumidor de redes sociais. É muito fácil errar e criar um perfil que mais atrapalha do que ajuda. Às vezes, é uma boa pedir um planejamento semipronto com algum influenciador de sucesso que faça consultoria”, sugere Marimoon, que, além de ser uma das pioneiras no ramo, é apresentadora de TV e já passou por programas de sucesso como Acesso MTV.

Ela começou em 2002, com uma loja on-line para vender produtos relacionados à moda e cultura japonesa. A maneira assertiva como entendeu seu público e seu espaço rendeu uma carreira de sucesso. Hoje, além de seguir com seu trabalho nas redes, está em processo de desenvolvimento de outros novos projetos, um para a televisão e sobre saúde mental e outros para a internet falando sobre viagem e tecnologia, mostrando que estar sempre um passo à frente no quesito tendências é essencial para a área. “Na época que iniciei, por ser um assunto m1uito novo, havia muitas entrevistas sobre o tema e eu virei uma referência presente nessas matérias, sendo até capa da Folha de SP e de revistas que iam de Jovens Empreendedores a Capricho. Acabei indo bem cedo para a grande mídia e saindo da bolha da internet, que na época era um universo ainda bem restrito (é ‘tudo mato’ que fala, né?), até que a MTV me contratou e aí a coisa tomou proporções ainda maiores”, lembra.

Hoje, estar no lugar certo e na hora certa não precisa ser exatamente uma coincidência. O primeiro passo é identificar uma necessidade, um problema que você acredite que possa resolver para alguém, como em qualquer novo negócio. Uma pesquisa de campo sempre é importante, para verificar se a lacuna que você observou de fato faz sentido para um público. O grande pulo é saber se resolver essa questão pelas redes sociais faz sentido,

entendendo se o seu público de fato está ali e engaja o bastante. Sabe-se, por exemplo, que fotos bem feitas de belos pratos de comida engajam bem – o que significa que você, enquanto chef de cozinha, pode ter um bom público no Instagram. Já dicas sobre videogames são um ótimo mote para criar conteúdo no YouTube, e assim por diante. Identificar o objetivo, saber onde está o público, estudar a concorrência e criar conteúdo de qualidade são mais do que dicas, são passos essenciais para um negócio on-line.

SE DANDO BEM NA REDE

O Donuts Damari é uma amostra do que pode ser feito. A loja on-line é 100% baseada no Instagram e foi criada pelas empresárias Carolina Vascen e Mariana Pavesca em 2016, quando elas perceberam que havia um gap no mercado de donuts no Brasil. “O diferencial é um item imprescindível na criação de um novo negócio em um momento em que tudo pode ser feito pela internet, ter algo que o destaque da multidão faz toda a diferença no momento de compra para o consumidor. Além disso, é importante criar uma conexão real entre cliente e marca, onde os dois fiquem do mesmo lado e não se distanciem como se fossem duas coisas opostas”, afirmam.

Nessa fase do comércio digital, elas dizem que a conexão importa como nunca antes, as pessoas que pessoalmente preferem espaço para fazer suas compras, no on-line querem proximidade – até mesmo intimidade com a marca. “Um exemplo muito legal é quando postamos stories sobre nossa produção. Algo que para nós é tão comum deixa os clientes extremamente empolgados e engajados, é como se eles se sentissem parte da empresa, e essa é a chave do sucesso”, revela o casal.

Mesmo assim, ainda há desafios na caminhada. Marimoon atenta que o tal do “fazer sucesso” nos tempos atuais acabou ficando mais complexo – seja pela demanda de concorrência, seja pelas mudanças nas próprias plataformas. “Tem o algoritmo, que é praticamente um jogo cheio de regras que mudam o tempo todo. Saber como ele funciona é um game changer. Tem alguns nichos que, se ainda inexplorados, costumam ser uma boa aposta por render muito engajamento. Às vezes, algo dá certo por que está ligado a temas do momento, mas o uso do tema sem envolvimento real pode virar um tiro no pé, como rola com o pink money (marcas que usam a temática LGBTQ+ para faturar com esse público, mas não estão realmente engajadas na causa). O que me leva à questão da veracidade, que na minha opinião é a mais importante. O público está cada vez mais esperto e consegue sacar quem é autêntico e quem é fake. Trabalhar um tema, associar-se a alguma causa, estar atrelado a questões com significado e importância reais é um diferencial que gera o respeito do público”, completa.

No fim das contas, apesar de fatores como qualidade de imagem, identidade visual bem desenvolvida, análise de público, planejamento de conteúdo e cronograma impactarem diretamente o engajamento dessas plataformas, um conteúdo vazio de personalidade pode derrubar todos os outros tópicos na hora do relatório final. Prova disso é que os micro -influenciadores – aqueles com uma média de dez mil seguidores – conseguem gerar mais conversão de resultados para uma marca do que aqueles com números de muitos dígitos. A pesquisa Influencer Marketing 2019: Benchmark Report mostrou ainda que o Instagram segue como a rede que cresce mais rápido em 2019, além de liberar cada vez mais novas atualizações que permitem um conteúdo diversificado e interativo com diferentes públicos.

Outra plataforma para ficar de olho é o Tik Tok, que permite conteúdos em vídeo e já ultrapassou o próprio Instagram e Facebook em número de downloads.

“Acredito na força dos relacionamentos. Não se vendem mais produtos e serviços. As pessoas consomem sonhos e transformações. O empreendedor precisa conhecer seu público, e a melhor maneira é se relacionando com ele. É necessário criar laços, gerar empatia, credibilidade, e o resultado dessa relação é somente positivo”, reflete a idealizadora do Bellas & Empreendedoras, projeto social de economia colaborativa realizado no bairro da Mooca, em São Paulo, Marcella Porta.

De acordo com ela, digamos que você precise comprar um vestido para ser madrinha de casamento. Pode ir ao shopping, ir à rua de lojas especializadas ou ter uma empreendedora que mora no seu bairro e, às vezes, se encontram na padaria perto de casa, aproveitam e tomam um cafezinho. Ela conta sobre sua loja de vestidos de festas, é sempre muito alegre, gentil, vocês se divertem por alguns minutos e seguem seus caminhos. “Mas de quem você vai se lembrar de consultar sobre o vestido que precisa? Esta é a fórmula do sucesso: construir relacionamentos de verdade, integridade, troca de boas energias, conhecimento e credibilidade. A realização é a consequência. As redes sociais? São as ferramentas que lhe possibilitam tomar o ‘cafezinho’ com milhares de pessoas ao mesmo tempo”, demonstra.

SUA LOJA VAI VENDER MAIS

Engajar é bom. Vender, melhor ainda. As dicas de Marimoon incluem atentar a datas e tendências (assuntos que estão pipocando nas redes e nos grupos), ter uma identidade forte, comunicar com clareza e de modo sucinto suas novidades, fazer uso das ferramentas das plataformas (enquetes, IGTV, chats e outros), responder à clientela com muita agilidade e inteligência (veja a Netflix como um bom exemplo), fazer colaborações com perfis que tenham sintonia com o empreendimento e o público-alvo. Acredito que um dos maiores segredos é agradar o seu público oferecendo algo que seja bom e útil para ele. Por exemplo, patrocinar um projeto que seja do interesse deles, apoiar uma ONG de que eles gostem, patrocinar uma web série de um influenciador que eles acompanhem, criar um evento físico”, elucida.

O instrutor de desenvolvimento de negócios na Udemy, André Bernardo de Oliveira, lembra que é uma pessoa real que está do outro lado da rede social, com anseios, medos, desejos e emoções. “Primeiro, captamos a emoção. Depois, racionalizamos a opção de compra. Dizem que o marketing bem-feito nem parece marketing. Esse é o segredo. Entreter e gerar valor. Um tiro no pé seria querer vender antes de conquistar – falar o tempo todo apenas da sua empresa e do seu produto”, conta.

As empresárias do Donuts Damari concordam, ressaltando que número de seguidores não significa número de clientes. ”É importante ter em mente que você precisa criar uma comunidade em torno do seu negócio, onde você não somente venda seu produto, mas o que ele representa. Quem é o seu cliente ideal? O que ele gosta de fazer, como ele se veste? Crie e trabalhe em cima de uma persona para que não seja mais um na multidão de marcas, e sim conhecido pela essência dela”, explicam.

Criar uma persona não é uma dica metafórica. No seu planejamento, enxergue sua marca como um personagem e coloque as características dele. É fofo? Engraçado? Sério? Quantos anos ele tem? Se ele fosse uma mistura de personalidades conhecidas, quem seriam elas? Visualizar a sua pessoa/ marca faz total diferença.

COMO COMEÇAR

Buscar referencial? é sempre um primeiro passo importante. Além disso, se possível, tenha uma equipe para auxiliar nos planejamentos diários e relatórios de análise. Ter um conteúdo guardado para emergências também é importante, para que a rotina não tenha “buracos”. “Mas a chave de quase todo sucesso on-line é a collab. Fazer parceria com perfis que tenham a ver com o seu projeto é sempre bom por gerar awareness, prestígio, agregar valores e causar mais impacto. Muitos perfis, inclusive, estão buscando parceiros para realizar coisas em conjunto – e um investimento em algo que já está meio caminho andado e que lhe dá acesso a um público que faz sentido pode ser bem mais interessante e custar mais barato do que “contratar uma agência”, acrescenta Marimoon.

Saber para quem você quer vender é outro aspecto importante do processo. A partir daí, realizar pesquisas de público e concorrência, criando uma audiência fiel para quem você consegue gerar valor com consistência e autenticidade. Escolha a rede social que mais atende a suas necessidades, lembrando que a comunicação para cada plataforma é diferente, indo de LinkedIn a Tik Tok. Você até pode reaproveitar conteúdos em cada rede, mas é preciso lapidá-los para cada situação. “Outro passo é elaborar uma estratégia de produção de conteúdo e seguir essa estratégia, formando uma audiência. Vale também separar verba para impulsionar seus melhores conteúdos todos os meses com campanhas de ADs. Isso ajuda a dar mais tração e atingir pessoas que o orgânico ainda não alcançou”, completa Oliveira.

Como qualquer negócio, é preciso equilibrar expectativa e realidade, além de fazer funcionar com estratégia e trabalho.  “Vejo muitas marcas temerosas, comprando, por exemplo, uma foto no feed e três stories dos influenciadores ao invés de se envolver ou patrocinar um projeto legal que ele já tenha embaixo do braço, pronto para funcionar. Há muita gente na internet com projetos ótimos, mas que estão engavetados por falta de orçamento. Custam mais caro do que uma sequência pequena de postagens, mas geram impacto e engajamento bem maior. Sinto que as marcas, especialmente pelo momento econômico que vivemos, têm muito receio de investir. Mas, neste momento em que todos estão na internet, vai se sobressair quem for esperto e souber investir”, comenta Marimoon.

As tendências ficam por conta de projetos com propósitos reais e úteis para a sociedade, principalmente relacionadas à sustentabilidade – sempre respeitando a veracidade do tema para os valores da empresa e tomando cuidado com temas e palavras mal colocados. Oliveira ressalta ainda que conteúdos como podcasts e audiobooks têm ganhado bastante espaço, além das buscas por voz.

“Quando começamos a Donuts Damari, pegamos R$100 e fomos ao mercado comprar os ingredientes necessários para produzir. Esse valor retornou praticamente meio milhão ao ano. Financeiramente, comece algo que não vá levar você à falência, faça testes. Se não der certo, tenta de novo e por aí vai. Qualquer negócio que você investe muito dinheiro e não sabe nem o que está fazendo não anda para a frente. Na área comercial, o que realmente importa é você investir em algo que saiba fazer e faça com vontade”, completam as sócias da marca.

FAÇA DAR CERTO

São três os pilares que auxiliam o empreendedor:

1. AGREGAR MUITO VALOR. Não adianta só postar por postar. Tem que entender realmente o que sua empresa pode entregar de melhor para ajudar as outras pessoas de forma gratuita. Sem colocar foco na intenção de venda.

2. POSTAR PERIODICAMENTE E COM CONSISTÊNCIA. Garantir volume de conteúdo, garantir que sua audiência saiba o que esperar da sua empresa.

3. QUEBRAR O PADRÃO, POSTAR CONTEÚDO DIFERENCIADO. Tem muita distração nas redes sociais. A melhor alternativa para ser visto é fazer algo bem diferente da concorrência. Ser engraçado, inusitado, apelar para o emocional.

ANOTA AÍ

•  SEJA CLARO EM RELAÇÃO AO QUE VOCÊ VENDE. Repita nos seus posts e stories sobre seu processo de compra e como funciona a logística. Não é tão simples fazer com que todo mundo entenda tudo logo de cara.

•  TENHA CONEXÃO. Seja uma marca acessível, converse com seus clientes, compartilhe seus processos.

•  PUBLIQUE BOAS FOTOS. Se você trabalha com roupas, mostre pessoas usando, se com doce, poste coberturas e recheios – transmita a essência da sua marca. Mas lembre­ se: utilizar fotos de produtos que não são seus diminui a credibilidade e pode causar problemas legais

•  SEJA GENUÍNO E VERDADEIRO. O perfil precisa inspirar confiança.                         

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TER OU NÃO TER FILHOS, EIS A QUESTÃO

Uma decisão que depende de vários fatores e que somente as pessoas envolvidas podem avaliar se estão preparadas psicologicamente para essa tarefa

Sou procurada frequentemente por mulheres que se questionam sobre ter ou não ter filhos. Perguntam: “vale a pena?” E a única resposta que consigo dar é: “depende”. Dúbia resposta, sei disso, porém mais dúbia é a questão. Afinal, não há uma receita, não há códigos nem regras. Há o acaso e a meta que cada uma quer seguir.

Há casais que se entendem perfeitamente, e quando nasce um filho se desestruturam. Há outros que não se entendem, e ao terem filhos acabam se unindo mais.

Há casos em que os casais se entendem maravilhosamente em meio a muitos filhos, outros que constroem seus mundos em torno de um único filho como tábua de salvação. Há os que vivem intensamente a vida toda (e a dois) sem sequer questionar o fato de ter um filho.

Há os que nunca se entenderam, continuam se desentendendo diante dos filhos e criando jovens desequilibrados por uma relação familiar totalmente desestruturada. Há até mulheres que querem tanto ser mães que dispensam o ato sexual com o marido ou homem conhecido e fazem uma produção independente, às vezes até com inseminação artificial heteróloga (quando o espermatozoide utilizado é de um doador desconhecido da mulher).

Resumindo: somente a própria pessoa pode saber o que espera da vida e do filho. Aliás, essa deve ser a pergunta-chave: “o que espero da vida e do filho que eu vier a ter?” Saliento que a resposta será diferente para cada mulher que se fizer essa pergunta. Dependerá de muitos fatores que, para cada uma, terão pesos diferentes. E, em meio a essa reflexão, algumas questões devem ser frisadas.

Um comentário que sempre faço é: filho não faz companhia a ninguém. Não pode haver maior erro do que conceber um filho para “ter companhia” e, infelizmente, esse parece ser um motivo forte para muitas mulheres. É preciso entender que o filho é um ser independente que viverá em simbiose com a mãe durante seus primeiros meses e passará para outras fases a partir de um ano e meio aproximadamente (cito aproximadamente porque cada criança tem sua própria fase de amadurecimento e a idade varia).

Pois bem, é preciso ter consciência de que o filho vai amadurecer, afastando-se gradativamente e, em algum momento, buscará sua vida de forma individual, provavelmente trabalhando, tornando-se independente financeiramente, morando sozinho, alguns até mudando de cidade ou país ou se casando e passando a dedicar-se mais à sua família (seus cônjuges e filhos).

Enfim, em algum momento o filho ou filha deixará de sê-lo em período integral para assumir-se como profissional, marido/ esposa, mãe/ pai… E a tão sonhada companhia do filho passará a ser apenas uma boa lembrança. Então, ter um filho apenas para se fazer companhia é um dos piores motivos e deve ser descartado.

Os filhos, muitas vezes, seguem caminhos que não incluem os pais e é uma grande bobagem qt1erer ter um filho para ter companhia.

Outras questões precisam ser respondidas pelas interessadas em ter filhos. Quem será o pai? É alguém que eu amo e que dividirá as responsabilidades comigo? Ou é apenas alguém que vai me engravidar e deixar toda a responsabilidade comigo? Tenho o perfil ideal da mulher que faz produção independente? Saberei assumir minha decisão e lidar bem com ela para sempre? (Afinal, filho é decisão irreversível.) Estarei sempre disposta a cuidar, amparar, orientar meu filho? Tenho condições financeiras e psicológicas de assumir meu filho sozinha caso o pai falte? Ou não o assuma desde o início?

São muitas as questões e não poderia enumerar todas neste artigo. Mas o importante é que cada mulher reflita sozinha e analise seu caso isoladamente sem se deixar influenciar por nada nem por ninguém. Afinal, cada mulher é única, tem uma vivência e um entendimento particular de tudo o que já viveu e sabe (ou deveria saber) o que espera da vida, no presente e no futuro que, incluindo ou não um filho, deve ser, preferencialmente, feliz.

E essa felicidade deve estar presente e ser autêntica também às mulheres que optam em não ser mães. Há mulheres que, por diversos motivos, escolhem não ter filhos e acabam sofrendo pressão da sociedade e, em especial, da família, por parecer estranho que uma mulher não queira ser mãe. Porém, a mulher moderna tem diversas funções como profissional, inclusive em cargos de chefia, busca atividades de lazer, tem um cotidiano bem diferente das mulheres que, no passado, eram criadas apenas para casar e ter filhos. Natural que, em tempos atuais, essa mulher queira se realizar por si mesma.

Aliás, tendo ou não filhos, a realização ideal é a que vem por si mesma, sem depender de nenhum fator externo. Essa é a verdadeira realização.

LOU DE OLIVIER – é multiterapeuta, psicopedagoga, psicoterapeuta, especialista em Medicina Comportamental. Criadora do método Multiterapia do Equilíbrio Total/ Universal, defensora da dislexia adquirida no Brasil e exterior. Dramaturga e escritora, é autora de 10 livros didáticos, diversos romances, 20 e-books, diversos artigos científicos internacionais. Portal Lou de Olivier: http://www.loudeolivier.com