A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ADOÇÃO: CUIDADOS PARA TOMAR AS DECISÕES CORRETAS

Adotar é um ato de muita responsabilidade, por isso é importante analisar todos os contrapontos afim de evitar traumas psicológicos, tanto em crianças como também em animais

Após ler um artigo publicado pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda), não me contive e comentei. Ao receber uma resposta de uma leitora do site, resolvi, ao invés de ficar discutindo, escrever este pequeno artigo abordando algo que quase ninguém percebe, mas é tão ou mais importante do que o aspecto físico: o aspecto psicológico de uma adoção.

O artigo original citava a história de uma brava cachorrinha que lutou muito para salvar seus seis filhotes de um incêndio (numa fábrica abandonada na Carolina do Sul, Estados Unidos) e, depois de ser socorrida e medicada, teve uma pata amputada, e seus filhotes, após serem cuidados, foram encaminhados para adoção. Diante desse relato, eu comentei o seguinte:

“Me esforço para não julgar nada e ninguém, mas fico muito triste com esses supostos finais felizes. A cachorrinha lutou tanto para salvar seus filhotes e eles foram ‘adotados por lares amorosos’. Atitude amorosa seria alguém adotar a cachorra e seus filhotes e mantê-los juntos. Acolhimento não é só o físico, é o psicológico também”.

Logo, uma leitora do site respondeu sobre os aspectos físicos da adoção no exterior e percebi a necessidade de abordar outros fatores. No exterior e, recentemente, no Brasil, os animais recebem chips e os adotantes são inspecionados. Caso haja algum motivo, além do tutor ser multado ou preso, o animal é retirado de sua tutela. Inclusive, há exigências como, por exemplo, ter telas nas janelas. Já presenciei crianças chorando desesperadas e os animaizinhos estressados e tristes por terem se apegado uns aos outros em feiras de adoções e os pais das crianças terem sido rejeitados como tutores por não terem telas nas janelas. Certo, não tinham telas, mas tinham crianças amorosas que cuidariam muito bem dos bichinhos. As telas poderiam ser providenciadas depois. O amor é que era de imediato.

No caso específico dessa cachorrinha, não se trata de monitorar a adoção. Eu abordo o lado psicológico. O direito de a mãe estar com seus filhos. Pergunte a qualquer mãe humana, em especial uma que tenha lutado para salvar seus filhos, se ela prefere viver confortavelmente e permitir que seus filhos recebam chips e sejam monitorados em famílias amorosas ou se ela prefere viver mais modestamente, mas com seus filhos todos ao seu lado. Muito provável que a mãe escolha a vida modesta ao lado dos filhos. Por que aos animais é negado esse direito de escolha? Eles não falam, mas sentem. Essa cachorrinha se sacrificou para salvar seus filhos, agora ela tem apenas três pernas e a recordação de que um dia eles passaram pela vida dela! E os bebês estão espalhados sem nem entenderem o que ocorreu.

É disso que eu estou comentando, do aspecto psicológico, que passa despercebido. Que a maioria das pessoas parece não entender ou não valorizar. Essa ideia de que tendo casa, comida, boa ração e carinho resolve tudo é um dos maiores egoísmos que se pode ter em relação aos animais. Uma atitude amorosa de acolhimento é aceitar um animal que chega sozinho, cansado, muitas vezes doente e cuidar dele, ou recolher um animal que está ferido e sozinho. Porém, resgatar uma família, uma mãe e seus filhos, e encaminhar cada uma um tutor, isso é dizimar uma família. E ainda para completar, com a possibilidade de serem “devolvidos caso os tutores não os tratem bem. Reflitam por um momento a dor que isso causa e os traumas de ser separado da mãe e ser “devolvido” para outra adoção.

E A ADOÇÃO INFANTIL?

Estendendo esse assunto, isso infelizmente também pode ocorrer com crianças. Algumas passam por diversas adoções e são “devolvidas” ou por maus hábitos ou algum distúrbio da própria criança ou por maus­ tratos. E vale lembrar que, em muitas ocasiões, os distúrbios se desenvolvem justo pelo trauma da separação da criança e dos pais e por outros traumas (e até desvios de conduta) que podem ser adquiridos durante o processo de estadia em orfanatos, situação de rua, entre outros. Crianças necessitam de atenção, carinho e, acima de tudo, orientação. Se isso lhes falta em seus primeiros anos de vida, a tendência é que cresçam desorientadas, buscando vícios e situações conflitantes. Sendo assim, acabam demonstrando agressividade, desequilíbrios e outras características distorcidas de personalidade que não apresentariam se estivessem sendo cuidadas e orientadas por uma família carinhosa e presente.

Portanto, algumas das crianças consideradas “problemas, que geralmente passam por diversas adoções e “devoluções”, poderiam ser mais bem orientadas se tivessem a chance de um lar e alguém que se importasse em acompanhá-las.

ADOÇÃO EM SI

Quem pretende adotar um ser deve ter em mente que não está fazendo uma caridade e também não pode pensar como uma compensação, ou seja, não se deve adotar alguém apenas para preencher algum vazio ou para ajudar quem precisa ou qualquer motivo que não seja uma relação de trocas, amor e consciência. Também é preciso programar a adoção. Refletir muito antes de tomar uma decisão pode evitar arrependimentos e muitos traumas para a criança adotada. É preciso ter em mente que, dependendo da idade da criança, ela poderá ter hábitos e pensamentos que precisarão ser corrigidos e não criticados. Assim, o melhor a fazer é, antes de adotar em definitivo, estipular um período de visitas ao orfanato ou local onde a criança vive e conhecê-la bem antes de decidir-se pela adoção.

Isso vale também para adoção de animais. Seja qual for o tipo de adoção, deve ser muito bem pensado para evitar arrependimentos e traumas.

Voltando ao caso da cachorrinha, que desencadeou este artigo, pode-se alegar que seria dispendioso uma única pessoa arcar com as despesas e cuidados dela e de seus seis filhotes, mas, embora os tempos hoje sejam outros, na década de 1960 meu pai chegou a cuidar de 400 cachorros e inúmeros gatos. A maioria chegava muito debilitada e tinha um tempo de vida de, no máximo, cinco anos, pois eram animais já adultos e muito sofridos. Mesmo assim, algumas famílias se formaram, alguns filhotes nasceram e estes foram cuidados ao lado de suas famílias. Duas vezes ao dia, meu pai punha-se a cozinhar grandes caldeirões de comida que ele servia com muito carinho a todos os animais. (Se um único homem conseguiu cuidar de tantos animais, uma família consegue tranquilamente acolher seis ou sete.) Nos anos 70, o número de animais diminuiu bastante, já que muitos faleceram, mesmo assim o cuidado com os que restaram continuou e foi até redobrado. E, antes disso, durante a fundação dos três bairros que tiveram meus pais como pioneiros, meu pai chegou a puxar carroça de materiais de construção e de ferro-velho porque tinha pena do cavalo e não queria forçá-lo a carregar peso nas grandes ladeiras de terra da região.

O que posso afirmar é que os humanos precisam perceber que tanto eles quanto os animais têm sentimentos, têm anseios, sofrem traumas que podem ser adquiridos em diversas situações e a separação familiar é um dos piores e mais difíceis de tratar. Não importa o quanto a família seja desestruturada, seja ela humana ou animal, a prioridade é que todos permaneçam juntos enquanto houver crianças ou filhotes pequenos. Quando crescem, aí sim cada um pode escolher o melhor caminho a seguir. Isso se aplica aos humanos e também aos animais que, quando adultos, são capazes de manifestar a preferência (ou rejeição) por uma companhia. Mas quando bebês, tanto humanos quanto animais, só precisam de uma coisa: a presença dos pais, especial mente da mãe, e muito carinho. Se isso for tirado de um bebê, nada do que se ofereça será suficiente.

LOU DE OLIVIER – é multiterapeuta, psicopedagoga, psicoterapeuta, especialista em Medicina Comportamental. Criadora do método Multiterapia do Equilíbrio Total/Universal, defensora da dislexia adquirida no Brasil e exterior. Dramaturga e escritora, é autora 10 de livros didáticos, diversos romances, 20 e-books, diversos artigos científicos internacionais. Portal Lou de Olivier: http://www.loudeolivier.com

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.