A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

IMPACTO NO AMADURECIMENTO

O desenvolvimento da autonomia estimula os aspectos sociais, cognitivos e motores da criança. No entanto, para isso, alguns obstáculos precisam ser superados

Recentemente, foi publicada uma pesquisa realizada por profissionais da Universidade San Diego, nos Estados Unidos, em que foi constatado que os jovens norte-americanos estão levando um tempo maior para amadurecer. Uma das possíveis razões para isso ocorrer é justamente o desenvolvimento da autonomia – ou a falta dela.

Etimologicamente, a palavra autonomia origina-se do grego autos, que significa “a si mesmo, reflexivo, e nomos, que se refere a “normas, leis”. Como propôs Mill (2000), “sobre si mesmo, seu corpo e sua mente, o indivíduo é soberano”. Já Kant (2009) diz que o querer próprio e a capacidade de escolha devem ser, para o indivíduo, “como uma lei uni versal”. No dicionário, autonomia é “liberdade moral ou intelectual”. Em todas essas formas de pensar, temos um comum acordo do quanto se misturam os conceitos de autonomia e liberdade.

A autonomia tende a se desenvolver praticamente pela vida inteira. É o que define a capacidade que o indivíduo tem de evoluir nas questões pessoais e de lidar com as situações de enfrentamento e interação social que encontrará ao longo da vida, refletindo sobre seus objetivos e tomando decisões baseadas nessa reflexão. Ou seja, o desenvolvimento da autonomia desde a infância para a fase de transição para a vida adulta consiste na competência de exercer a sua liberdade de forma responsável, tomar decisões por si mesmo, definir metas e objetivos e encontrar os meios de como realizá-los.

A IMPORTÂNCIA DOS PAIS

A formação de crianças autônomas está diretamente ligada às relações familiares. É unanimidade que crianças que crescem em um ambiente saudável e feliz, onde os pais dão espaço e incentivam a quebra do elo de dependência, conseguem enfrentar melhor as situações de adversidade, sejam elas no âmbito familiar ou escolar.

Nesse sentido, o comportamento dos pais é determinante no que concerne à forma como seus filhos vão desenvolver tais capacidades. Não somente com relação à vida social, a saber se portar e lidar frente aos desafios de uma vida adulta, mas também no que se refere às suas habilidades cognitivas e motoras.

Sabemos que a infância é justamente o momento em que ocorre a construção da personalidade da criança, o que é um fator decisivo no desenvolvimento da autoestima e da evolução cognitiva e escolar. Ainda, é nessa fase que definimos a forma como serão as nossas relações ao longo da vida. Crianças com autonomia se sentem capazes de realizar ações, comunicar-se com os elementos ao seu redor, absorvendo novos conhecimentos, processando essas informações e fazendo suas próprias escolhas. O senso de independência é fundamental para que elas saibam tomar decisões, ter persistência em situações difíceis e interagir com o mundo lá fora, tornando-se adultos capazes de resolver seus próprios problemas.

Por outro lado, é notório que, em muitas situações, os pais não permitem que os filhos executem e tentem resolver atividades sozinhos. Além disso, devido ao modelo de vida que levamos nos dias de hoje, muitos deles acabam por terceirizar a criação das crianças.

PAIS SUPERPROTETORES

Poder de autodeterminação não é uma característica comum a todas as pessoas. Essa capacidade não é inata, ela se desenvolve no indivíduo durante toda a sua existência, mas precisa ser estimulada no início da vida.

Infelizmente, é muito comum observarmos mães e pais que fazem tudo pelos filhos: dão comida na boca, banho, penteiam os cabelos, amarram os sapatos, escolhem o vestuário, até mesmo vestindo e despindo a criança. Por consequência, não dão liberdade para que a própria criança exercite essas habilidades, que são tão importantes para o seu desenvolvimento cognitivo e psicomotor. É essencial fazer o alerta de que zelo e carinho nada têm a ver com isso: é primordial dar espaço para que o indivíduo evolua e tenha progressos por conta própria.

Ao nascer, o bebê conhece o mundo através dos olhos dos pais, que são as primeiras pessoas com quem desenvolve uma relação. Esses primeiros contatos com o exterior podem se dar de diferentes formas. Alguns pais superprotetores acabam evitando o contato do filho com a vida real, mantendo-o encasulado e limitando o mundo e as relações àquilo que se tem dentro de casa, evitando até mesmo a participação de outras pessoas. Dessa forma, o que seria um meio de proteger a criança torna-se um guia para um caminho de incapacidades, insegurança na administração de situações inevitáveis, que são inerentes ao convívio humano.

O ideal seria que essa criança já nascesse e começasse a se desenvolver em um ambiente social, observando e internalizando regras de convivência, o que interfere intimamente nas capacidades de ser autónomo e ser sociável. Estimulada desde cedo, ela se tornará um indivíduo decidido, independente, que sabe o que quer porque aprendeu a fazer escolhas durante a vida. Do contrário, é comum observarmos crianças com dificuldades de aprendizagem, atrasos no desenvolvi­ mento da fala, das habilidades motoras, além de outros aspectos.

Dificultar o direito de uma criança de desenvolver o seu senso de independência é negar-lhe a liberdade das suas ações, desconsiderando sua capacidade de análise e de agir conforme suas próprias normas, estabelecidas por ela mesma com base nas informações disponíveis.

Quando os pais não estimulam a evolução das habilidades da criança, podem fazer com que ela cresça pensando que não precisa realizar as tarefas porque vai ter sempre alguém para interceder por ela. Porém, isso traz de­ safios enormes para lidar com a fase escolar, já que nesse ambiente ninguém pode aprender em seu lugar e é preciso ter persistência para vencer os obstáculos nos processos de leitura, escrita e socialização com os colegas.

É evidente que a escola ocupa um papel de destaque nos processos de aprendizagem da criança, no exercício de suas habilidades e sociabilidade, mas não é responsável pela construção da autonomia das crianças. Hoje em dia, muitas delas chegam à escola totalmente dependentes, sem saber ir ao banheiro, fazer a sua higiene e abrir o seu lanche, pois as pessoas que convivem com elas é que fazem isso, muitas vezes por considerarem mais prático e rápido. Porém, é fundamental ressaltar que os jovens precisam ser independentes e que a escola só obterá resultados satisfatórios se tiver um terreno fértil para o aprendizado da criança.

ATRASO

Pesquisadores de San Diego analisaram dados a respeito do comportamento de mais de 8milhões de adolescentes, com idade entre 13 e 19 anos, ao longo da década de 1970 até o ano de 2016. O estudo concluiu que os jovens dos Estados Unidos estão demorando mais tempo para amadurecer. Suspeita-se que esse fenômeno também esteja ocorrendo em muitos outros países. Mas quais as razões que podem ser apontadas?

* Atualmente, as crianças e adolescentes recebem uma enxurrada de informações, principalmente pelo crescimento da internet e das redes sociais. Isso contribui para o aparecimento da puberdade de maneira precoce, mas não caracteriza o desenvolvimento da autonomia.

* Outro aspecto que pode ser considerado como uma das razões é que, em muitos casos, os pais querem evitar situações as quais acreditam ser de sofrimento e frustração ou querem recompensar a criança por alguma falha. Dessa maneira, eles acabam tomando as decisões e as atitudes que os seus filhos deveriam ter. Esses fatores impactam na capacidade do indivíduo de tomar decisões e corroboram para a formação de uma criança dependente e um adulto despreparado para enfrentar o dia a dia com todas as suas nuances.

ESTÍMULO DA APRENDIZAGEM

Grande parte dos pais, especialmente aqueles de primeira viagem, têm receio de deixar a criança “andar com as próprias pernas”. Todavia, é preciso ter em mente que o aprendizado é adquirido não somente através de experiências positivas, mas de negativas também.

Nesse sentido, o fomento à aprendizagem ainda nos anos iniciais da criança, como permitir que ela escove os dentes sozinha, se alimente com as próprias mãos, possa escolher as suas próprias roupas, entre outras coisas, traz muitos benefícios para o seu desenvolvimento autônomo.

Desse modo, a criança percebe que ela mesma pode realizar suas tarefas, exercitando a capacidade de persistir, quando algo não sai como o esperado, e ainda trabalha o seu desenvolvimento psicomotor. Por exemplo, quando toma banho sozinha, ela vai ter que trabalhar todo o seu esquema corporal. Quando escova os dentes, vai exercitar e desenvolver melhor o seu movimento de pulso e assim sucessivamente.

PAIS E DESENVOLVIMENTO

Como os pais podem propiciar o desenvolvimento da autonomia da criança?

RESERVAR UM TEMPO DURANTE O DIA PARA BRINCAR E INTERAGIR COM A CRIANÇA: ter momentos de interação, procurando deixar que ela proponha e direcione o rumo das brincadeiras, é essencial para que ela desenvolva autoconfiança e segurança para a tomada de decisões no decorrer da vida;

NÃO CARREGAR A MOCHILA DOS FILHOS: a mochila é o que simboliza a escola. Quando a carregamos, em vez de deixar que eles façam isso, estamos tirando uma responsabilidade que é deles. Ademais, é necessário ter um lugar adequado para que ela seja guardada em casa. Jamais devemos permitir que ela fique jogada no chão, pois tudo que envolve a escola merece respeito;

COMEMORAR OS ACERTOS EM VEZ DE SOMENTE CRITICARAS FALHAS: é muito importante comemorar quando a criança consegue realizar tarefas nas quais antes tinha dificuldades. Quando a criança falhar em algo, o ideal é ajudá-la a entender os motivos de não ter dado certo, em vez de criticá-la. Mas, é claro, lembrando sempre que elogiá-la em tudo o que faz pode ser tão prejudicial quanto criticar demais;

INCENTIVAR O GOSTO PELA ESCRITA: com tantas possibilidades tecnológicas ao seu dispor, como tablets e smartphones, muitas crianças acabam por não gostar de escrever. É impreterível tentar reverter esse quadro, estimulando a escrita para um bom desenvolvimento cognitivo e psicomotor;

TRATAR OS FILHOS ESPECIAIS DA MESMA FORMA COMO TRATA OS FILHOS NEUROTÍPICOS: crianças especiais não precisam e não devem ser tratadas de maneira diferente. Muito pelo contrário, elas devem ser estimuladas da mesma forma para que consigam se desenvolver ao máximo dentro das suas limitações;

ENVOLVER, AOS POUCOS, A CRIANÇA EM TAREFAS DO DIA A DIA AUXILIA NO SENSO DE RESPONSABILIDADE E DE DECISÃO: guardar os brinquedos sozinha, escolher as roupas e aprender a vestir-se, pôr a mesa, levar o lixo para a rua, entre outras tarefas simples do cotidiano;

FAZER COM QUE O INDIVÍDUO ENTENDA AS CONSEQUÊNCIAS DE SUAS ESCOLHAS: é indicado mostrar para a criança ou adolescente que toda escolha implica em consequências, tanto boas quanto ruins. Deixá-la ciente sobre isso antes que tome uma decisão é dar a ela a oportunidade de refletir sobre seus atos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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