OUTROS OLHARES

PRIVACIDADE AMEAÇADA

O uso de smartphones para rastrear a obediência à limitação de circulação imposta pelos governos durante a pandemia pode facilitar a vigilância sobre os cidadãos

Anormalidade na China, que aos poucos começa a respirar, vencidos os picos do surto, é um tanto “controlada”. Por lá, exige-se de todo cidadão o uso de um aplicativo em seu smartphone para que o governo determine quem está liberado para circular em espaços públicos. Os habitantes de Hangzhou foram os primeiros a testar a tecnologia, que cruza dados de saúde para atribuir a cada pessoa um QR code com uma cor: verde no caso de quem está bem e vermelho para os infectados. A coisa, no entanto, não para por aí. O sistema vai além: permite que as informações sejam compartilhadas com a polícia, numa forma de monitoramento social automático, que pode continuar mesmo após o desaparecimento da pandemia.

Tal comportamento das autoridades de alguns países tem chamado atenção devido ao risco de que, depois da Covid-19, um novo surto acometa a humanidade: o do controle dos cidadãos. “Se não tomarmos cuidado, a epidemia poderá marcar um importante divisor de águas na história da vigilância”, escreveu o respeitado historiador israelense Yuval Noah Harari no jornal Financial Times, da Inglaterra.

O pior é que a ameaça não se confina às ditaduras ou a um só lado do espectro ideológico. Tome-se, na Europa, o exemplo da Polônia. Lá, o governo – liderado por forças populistas de direita vitoriosas nas urnas – lançou um aplicativo por meio do qual quem está em quarentena obrigatória deve enviar selfies para provar que se encontra em casa.

Também no Brasil a prática já ensaia seus primeiros passos. A startup In Loco, que tem permissão para rastrear 60 milhões de smartphones, vem partilhando com prefeituras os dados que levanta sobre a locomoção de pessoas. No Recife, onde fica a sede da empresa, 700.000 aparelhos estão sendo monitorados com a finalidade de mapear os deslocamentos durante a pandemia. Ainda que tal controle se limite ao ir e vir, e não identifique nominalmente ninguém, o alarme disparado por Harari é preocupante. A pretexto de combater a Covid-19, pode-se estar abrindo um precedente para facilitar a vigilância dos indivíduos – e a violação de sua privacidade.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 11 DE ABRIL

QUAL É A ORIGEM DO UNIVERSO?

No princípio, criou Deus os céus e a terra (Genesis 1.1).

Três teorias tentam explicar a origem do universo: a geração espontânea, a explosão cósmica e a evolução das espécies. As três são fruto da visão mecanicista, e nenhuma delas pressupõe a existência de Deus. Hoje sabemos que o universo, com suas inúmeras galáxias e mundos estelares, têm mais de dez bilhões de anos-luz de diâmetro. Isso significa que, se conseguíssemos entrar numa nave espacial, voando à velocidade da luz, 300 mil km/seg, demoraríamos dez bilhões de anos para ir de uma extremidade à outra. Teria esse universo tão vasto e complexo nascido espontaneamente? Teria o universo dado à luz a si mesmo? Poderia uma colossal explosão originar um universo tão harmonioso, com leis tão precisas e exatas? Será que o caos produziria o cosmo? A desordem produziria a ordem? Hoje sabemos que o universo é composto por matéria e energia. Sabemos também que o universo é governado por leis. E sabemos ainda que matéria e energia não criam leis. Logo, alguém fora do universo criou essas leis. Quem as criou, já que leis não criam a si mesmas? A única resposta plausível que temos está na Bíblia, a eterna, inerrante e infalível Palavra de Deus: No princípio criou Deus os céus e a terra. O universo não surgiu por acaso. Deus o criou conforme a sua vontade, pela palavra do seu poder e para a sua própria glória.

GESTÃO E CARREIRA

ROBÔS OU HUMANOS?

Quem está vencendo a batalha entre robôs e humanos? Pesquisa realizada pela MA8 Consulting não pretende responder a essa pergunta, mas mostra um pouco do panorama da convivência entre homem e máquina. A sondagem revela que os brasileiros estão cada vez mais habituados com novidades tecnológicas, ao mesmo tempo em que desconfiam quando envolvem segurança e relações interpessoais e profissionais. Dos 1.435 entrevistados (54% com pós-graduação e 35% com curso superior completo), 61% consideram-se familiarizados com inteligência artificial. Porém, 62% disseram confiar apenas parcialmente a gestão da sua vida pessoal (como finanças, contas a pagar, agenda de compromissos) a uma ferramenta de IA. A consultoria também indagou se as pessoas aceitariam convite para fazer uma viagem de São Paulo a Curitiba (400 quilômetros) em um carro autônomo (sem motorista) sentadas no banco traseiro do veículo: 44% não aceitariam, 21% talvez sim, dependendo da marca, e 30% iriam. Outra questão levantada foi quem escolheriam para realizar uma microcirurgia cerebral de emergência que pudesse salvar sua vida: com um médico no Brasil ou com um robô autônomo nos Estados Unidos? Para 51%, a resposta foi com um profissional humano. “Existe certa consciência de que o limite da inteligência artificial pode chegar somente até às fronteiras da inteligência emocional”, afirma Orlando Merluzzi, CEO da MA8 Consulting, responsável pelo levantamento.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONFLITOS COM OS FILHOS

O desejo de incentivar a autonomia das crianças não contraria a necessidade de impor regras na educação e limites às vontades e desejos. É um processo que exige vigilância, cuidado e diálogo

Todos os pais já tiveram momentos em que ao perderem a paciência com seus filhos acabaram encontrando um grande problema a resolver: o ressentimento da parte das crianças e adolescentes, que se sentiram frustrados por terem que obedecer sem ter tido oportunidade de expor seu ponto de vista.

É natural que os pais, por serem adultos, tenham uma visão diferente das crianças e dos jovens em  quase todos os assuntos e que, para seguir uma orientação coerente na educação que decidiram  adotar, tenham que tomar medidas que às  vezes parecem autoritárias, arbitrárias, mas corretas, pois eles são os guardiões legais e sua responsabilidade é enorme. E atitudes aparentemente intransigentes para os pequenos muitas vezes são necessárias, indispensáveis e imprescindíveis.

Crianças não têm condição de se responsabilizar por decisões que podem vir a prejudicá-las. A ideia de que deixar as escolhas para os filhos fazerem pode vir a ensiná-los a se comportar diante das opções da vida é válida desde que a criança já tenha maturidade para responder pelas eventuais consequências de sua decisão. E esse é um processo gradual e que merece cuidado.

Sair de short e camiseta no frio, por exemplo, pode dar chance de uma gripe aparecer, assim como sair com roupas inadequadas a idade cronológica, expõe a criança a comentários e até ao bullying. E é possível citar perigos ainda maiores, como a erotização, que prejudica o desenvolvimento da criança, sua escolaridade fica empobrecida e o risco de ser vítima de um adulto inescrupuloso aumenta muito.

Deixar o filho de sete anos dormir na casa do amigo porque todo mundo faz isso? Todo mundo'” não tem pai, mãe ou família, nem certidão de nascimento: verificar quem é a família do amigo e como conduz a educação dos filhos é uma medida de segurança que todos os pais devem tomar, da mesma forma como mandar para acampamento da moda, ou para onde o amiguinho vai requer análise e um eventual “você não vai”.

Mas dito com calma e propriedade, de modo que a criança entenda que o adulto está cuidando dela e não apenas a aborrecendo, contrariando ou sendo injusto.

“Pegar o carro só para dar uma voltinha no condomínio”, além de ilegal, expõe o jovem menor de idade e sem carta a um problema gigantesco, com consequências impensáveis e desnecessárias. E os pais também. Claro que concordar com tudo não é possível, assim como não ouvir o que a criança ou adolescente têm a dizer prejudica o vínculo entre pais e filhos, desencoraja a criança a expor suas ideias, o que também traz rupturas no entendimento futuro.

Comentários que diminuem a importância do pensamento dos filhos não consistem em opção condizente com alguém que deseja educar seus filhos com respeito e amor. Frases como “você não entende mesmo”, “essa bobagem só podia vir de você”, “não tenha ideias”, “você não pensa” etc. são armas de efeito bombástico na educação, pois diminuem a autoestima e enfraquecem o diálogo.

Quando não concordamos, é melhor parar e pensar se entendemos realmente o que nosso filho tentou nos dizer, pedindo que explique mais seu ponto de vista. Isso ajudará ambos a raciocinarem, clarearem as ideias e acharem pontos em comum.

Mas pode haver discórdia total e então dizer coisas como “compreendi sua ideia, é boa, mas não será possível, pois não tenho a mesma opinião sobre o assunto”, ou “agradeço que tenha tentado me explicar, mas estou seguro de que devemos fazer como eu penso, vai ser melhor para você”, “escutei e achei seus argumentos muito bons, mas não são consistentes e teremos que fazer de outro modo”.

Hoje tornou-se mais complicado distinguir quando podemos deixar nossas crianças e jovens decidirem por si sós e quando devemos impor nossa vontade. Parte disso deve-se a um subterfúgio nem sempre consistente de não se ter mais tempo para acompanhar os filhos e assim deixá-los aprender na prática as consequências de seus atos. Essa parece ser uma ideia que justifica muito bem a premissa.

Mas temos visto que crianças e pré­ adolescentes que se tornam adultos mais seguros e conscientes de seus atos são justamente aqueles que tiveram pais que acompanharam seu desenvolvimento de modo mais tradicional.

Incentivar a adolescência precocemente nas crianças é o pior de todos os enganos: ninguém amadurece de uma hora para a outra e sem ter passado por algumas experiências e ser poupado de muito a outras. O excesso de provações tira a confiança nos pais e dá a ideia de negligência e abandono.

O desejo de tornar o filho autônomo não contraria a necessidade de impor regras na sua educação e limites às suas vontades e desejos. Mas exige vigilância, cuidado e diálogo. As crianças se sentem mais seguras quando sabem que há alguém que cuida delas e as supervisiona com frequência; embora reclamem de não fazerem ou terem tudo o que queriam, aprendem a pensar sobre as consequências de seus atos futuros e vão dominando a noção de responsabilidade nas suas pequenas decisões do dia a dia.

O mais importante é manter o diálogo respeitoso, ser firme e coerente nas decisões e respeitar a idade cronológica da criança: mesmo parecendo muito esperta, uma criança não deixa de ser uma criança!

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuro aprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuro aprendizagem irenemaluf@uol.com.br