A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A PIORA DA DEPRESSÃO COM OS ANTIDEPRESSIVOS

Estudo que acompanhou pacientes deprimidos durante nove anos mostra uma perspectiva sombria para o uso de antidepressivos

Um novo estudo testou o uso de antidepressivos com uma estratégia diferente, de acompanhar a evolução do tratamento a longo prazo e não somente por um ou dois anos, como é o usual. Dessa. vez, durante nove anos pessoas deprimidas foram acompanhadas detalhadamente nessa pesquisa. Um grupo de pacientes deprimidos tomou antidepressivos. Outro grupo não tomou nenhuma medicação. O resultado surpreendente mostrou que o grupo que não tomou qualquer remédio, nove anos mais tarde, estava melhor do que aquele que tinha tomado medicação. Os dados desse estudo sugerem que tomar antidepressivos causa mais danos do que nenhuma medicação ao longo do tempo, uma conclusão absolutamente chocante, que nos faz repensar a validade da prescrição dessa categoria tão popular de medicamentos.

Esses efeitos negativos podem ser resultado de muitos fatores, como por exemplo, os efeitos da retirada da medicação. Os antidepressivos podem mudar permanentemente a forma como os neurotransmissores atuam no cérebro, e estamos apenas começando a arranhar a superfície dos complexos processos de ajuste neuroquímico que ocorrem com seu uso.

Além disso, a maioria dos efeitos dos antidepressivos é resultado do efeito placebo. Muita gente não sabe, mas estudos sobre o efeito placebo com uso de medicação antidepressiva mostram que a esmagadora maioria do efeito desses medicamentos ocorre da mesma forma se os pacientes tomarem um comprimido de farinha idêntico ao medicamento, sem saber que se trata de farinha.  Uma metanálise das publicações que usaram placebo e medicamentos indicou que entre 90% e 95% dos efeitos antidepressivos são iguais no grupo que toma farinha, a não ser nos 5% dos casos mais graves, nos quais os antidepressivos têm efeito maior.

Os resultados desse estudo mostram que o tratamento que inclui medicação piorou a depressão ao longo do tempo, e, até que os benefícios e danos sejam mais bem compreendidos, apontam para a prescrição de medicamento antidepressivo somente se benefícios a curto prazo, por exemplo redução do risco de suicídio, têm maior probabilidade de superar consequências remotas negativas.

Os benefícios a curto prazo são bem conhecidos – eles podem ajudar pessoas em crise. Contudo, os estudos que testam os efeitos de antidepressivos usualmente seguem os pacientes por curtos períodos, enquanto esse estudo acompanhou nove anos e incluiu dados de 15 mil pessoas nos EUA. Nenhuma das pessoas estava em hospital. Cerca de 10% experimentaram episódio depressivo maior ao longo de um ano. Cerca de 38% das pessoas não receberam tratamento para sua depressão, 4% tiveram tratamento sem antidepressivos e 13% receberam tratamento que incluía medicação.

A medicação estava associada a uma evolução pior da depressão a longo prazo. Esse padrão sugere possíveis efeitos “istrogênicos”, (ou seja, causados pelo próprio tratamento) a longo prazo para os antidepressivos. Medicações antidepressivas podem recrutar processos que se opõem, e eventualmente superam os benefícios a longo prazo. Isso resulta em perda de eficácia, resistência ao tratamento, efeitos paradoxais como suicídio, síndromes de retirada, talvez pela perturbação do complexo controle homeostático dos neurotransmissores monoaminérgicos no cérebro humano. Precisamos de mais cautela com a crença de que estamos trazendo benefícios ao indicar medicamentos antidepressivos, e é necessário estímulo à procura de tratamentos alternativos que são eficazes, como tratamento através da psicoterapia, e mudanças no estilo de vida, como a busca de novos padrões de exercícios físicos, sono e nutrição.

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente · como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.