OUTROS OLHARES

DIVÃ ON-LINE

Com a ajuda da tecnologia, terapeutas continuam atendendo pacientes – todos de alguma forma afetados pelos novos tempos de pandemia e isolamento.

Há aqueles que, com um longo histórico depressivo, não enxergam mais motivos para sair da cama ou tomar banho porque estão adiando que o mundo vai acabar. Há os ansiosos, prevendo transtornos como um improvável desabastecimento. Há os que estão aflitos porque, sem conseguir trabalhar, não sabem até quando terão dinheiro para pagar as despesas da casa. Há também alcoólatras enxugando garrafas após meses, anos, mantendo uma distância segura. Mas existe, por outro lado, um universo de pacientes enxergando aspectos positivos em meio à tragédia, encarando a situação de quarentena como uma chance de reduzir o ritmo acelerado da “vida normal” e se conectar com a família – o que é bom, mas também pode gerar ansiedade.

Assim como dentro de cada domicílio, no ponto cheio de taxistas sem serviço ou nas redes sociais, os assuntos dominantes nas sessões de análise, neste momento, são a disseminação da Covid-19 e os impactos causados no cotidiano das pessoas pelo isolamento domiciliar imposto como forma de frear essa ameaça. Nos últimos dias, procuramos terapeutas que atendem públicos distintos, para saber como a epidemia causada pelo novo coronavírus está se manifestando durante as consultas. Todos os profissionais com quem conversamos estão atendendo em suas casas, via Face Time, WhatsApp, Skype ou mesmo por telefone. Foi o método que encontraram para não deixar seus pacientes sem assistência. Até porque boa parte deles não tem estrutura emocional para lidar com este momento sem apoio qualificado. Em uma carta enviada aos membros da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o presidente da entidade, Antônio Geraldo da Silva, recomenda “a ampla e abrangente utilização da telemedicina por seus associados”, com foco na proteção da saúde e da vida do paciente, “e considerando o inegável estado de urgência e emergência da saúde pública”. Segundo o documento, o atendimento presencial deve ocorrer apenas em casos indicados, para proteção da vida do paciente, a critério do médico.

Da mesma forma, todas as entrevistas para esta reportagem foram feitas por Face Time ou telefone. Recolhido em seu sítio na Serra da Mantiqueira, em São Paulo, o psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes vem dando assistência a seus pacientes à distância, observando a forma como eles reagem aos efeitos da epidemia do novo coronavírus. Durante a conversa, ele usou o texto “Além do princípio do prazer”, escrito por Sigmund Freud em 1920, para contextualizar. Freud analisa as diferentes reações humanas diante do perigo: a angústia, o medo, o terror. Numa situação de angústia, o objeto que provoca o sentimento não é algo definido, está difuso. A pessoa sofre procurando a fonte de sua angústia. Um indivíduo com medo, por sua vez, conhece a causa da sensação e, normalmente, sabe o que fazer para se defender. Medo de um assalto, por exemplo. A pior das três reações é o terror, que existe quando o paciente tem uma ideia do objeto causador, mas não tem acesso a ele e não sabe como se proteger. “O avanço do coronavírus gera esse terror na sociedade. A epidemia desloca nossos eixos de conforto, altera a maneira como a gente se vê”, disse Forbes, que dirige a clínica de psicanálise do Centro de Estudos do Genoma Humano, na Universidade de São Paulo (USP). “O terror funciona como guerrilha, a pessoa fica 24 horas por dia sob efeito daquele sentimento. Não é racional. O terror gera estresse constante, você fica exaurido”, completou.

Os efeitos psicológicos do novo coronavírus e do isolamento domiciliar tomaram conta das consultas da psiquiatra Fernanda Gueiros. Alguns de seus pacientes, que já tentavam superar uma depressão, estão vivendo uma conjuntura que eles encaram como confirmação de seu pensamento catastrófico. Uma pessoa, com dificuldade até para sair da cama, chegou a dizer algo como “para que me alimentar ou tomar banho se o mundo vai acabar?”. “Pessoas com depressão muitas vezes olham para o mundo com uma lente pessimista. Quando a sociedade também está vivendo uma tragédia, o impacto nelas é pior do que nas outras pessoas”, disse. Outro grupo preocupante são os ansiosos.

Entre eles estão aqueles que vão aos supermercados para estocar alimentos e produtos higiênicos. Esvaziam prateleiras sem se importar com a chance de contribuírem para um caos social. Terapeutas relatam casos de pacientes que pagaram caro para fazer o escasso teste do novo coronavírus sem sequer apresentar sintomas da doença. Um ansioso, preocupado com a duração da quarentena, ficou frustrado quando a médica negou seu pedido para fazer-lhe uma receita de remédios garantindo cobertura de seis meses. Entre os integrantes desse grupo há aqueles mais graves, que desenvolveram Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Mesmo antes de surgir a epidemia na China, já temiam contaminações e lavavam as mãos dezenas de vezes ao dia.

Além da tensão gerada pela Covid-19 e pelo temido colapso do sistema de saúde, o isolamento domiciliar causa mudanças bruscas no cotidiano, gerando impacto psicológico. Ouvimos profissionais de dois serviços públicos de saúde mental na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo eles, o assunto tomou conta das sessões de terapia, que, salvo exceções para casos muito graves, têm sido conduzidas pelo telefone. Os pacientes, de maneira geral, respeitam o recolhimento, mas estão angustiados com contas a pagar, uma vez que grande parte deles atua no mercado informal e vai ficar sem receita enquanto não puder voltar ao trabalho. Também estão tensos com a possibilidade de não encontrar assistência nos hospitais públicos se apresentarem sintomas graves causados pelo novo coronavírus. Muitos recorrem ao profissional de saúde mental que os atende para obter informações básicas sobre a doença e formas de prevenção. As rusgas entre parentes surgidas após vários dias de isolamento domiciliar também já estão presentes nas sessões de análise. Famílias com um jovem em casa, por exemplo, experimentam sérios atritos quando ele resolve que vai dormir na casa da(o) namorada(o) e voltar no dia seguinte. Até porque, em alguns casos, há idosos morando na mesma residência. As brigas entre os casais são um capítulo à parte. Com um histórico de alcoolismo, uma mulher havia praticamente zerado o consumo de bebida, mas, agora, o hábito voltou com força, resgatado pela ansiedade do confinamento. Sua companheira não tem gostado da novidade. Ambas têm vida social muito intensa e estão custando a se adaptar à medida defendida pelos especialistas como essencial para “achatar a curva” de contágio da Covid-19 no país.

A vida privada durante a quarentena vem motivando uma série de memes nas redes sociais, que fazem piada desconfiando da duração de casamentos, por exemplo. As brincadeiras têm um fundo de verdade. As partes envolvidas numa relação a dois, por exemplo, não estão habituadas a passar tantos dias trancadas em casa sem contato com pessoas de fora. A psicanalista Regina Navarro Lins, autora de diversos livros sobre relacionamento amoroso e sexual, diz que vivemos algo sem precedentes e que só saberemos os efeitos disso nos casamentos após pelo menos algumas semanas de recolhimento. Ela teme, por exemplo, o aumento de casos de violência doméstica.

Os terapeutas ouvidos nesta reportagem já reúnem bons relatos de pacientes que, sem deixar de reconhecer a tragédia humana da epidemia, estão vivendo o lado bom do recolhimento residencial. Um economista que sofre da síndrome de Burnout, por trabalhar 14 horas por dia sem conseguir se desligar do ofício, passou a dar mais atenção à família. Está descobrindo o prazer de brincar com o filho. Um empresário teve de aprender a limpar a piscina de sua casa. Algumas pessoas estão, de fato, revendo sua vida “pré-quarentena”, refletindo sobre a necessidade de se doar tanto ao batente.

Além disso, parte das consultas “sequestradas” pelo novo coronavírus deixa transparecer

pessoas absolutamente motivadas para lidar com o perigo que avança sobre o país. De acordo com os terapeutas, há pacientes tão engajados com as tarefas de mobilização solidária que já não conseguem nem mais falar de suas questões. Nesse grupo, há desde médicos na linha de frente do combate à Covid-19 até pessoas de áreas de atuação mais distintas, mas que acharam um propósito nessa luta, seja viabilizando uma campanha de crowdfunding para arrecadar alimentos para os mais atingidos pela epidemia, seja fazendo compras para os idosos da vizinhança.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 31 DE MARÇO

PRESENTE DOLOROSO, FUTURO GLORIOSO

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós (Romanos 8.18).

Paulo diz que a caminhada do cristão neste mundo é uma marcha por estradas crivadas de espinhos. O caminho rumo à glória é estreito, e a porta é apertada. Temos um presente doloroso, porém um futuro glorioso. Paulo escreve: Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação (2 Coríntios 4.17).

Aqui pisamos estradas juncadas de espinhos, cruzamos vales escuros e atravessamos desertos tórridos. Aqui nossos olhos ficam empapuçados de lágrimas e nosso corpo geme sob o látego da dor. Aqui enfrentamos ondas encapeladas, rios caudalosos e fornalhas ardentes. Aqui sofremos, choramos e sangramos. Porém, em comparação com a glória a ser revelada em nós, nossas tribulações são leves e passageiras. O presente é doloroso, mas o futuro é glorioso. Nosso destino final não é um corpo caquético, mas um corpo de glória. Nossa jornada não termina num túmulo gélido, mas na Jerusalém celeste. Nosso fim não é a morte, mas a vida eterna. Nosso futuro de glória deve encorajar-nos a enfrentar com alegria a presente tribulação. O que seremos deve encher-nos de esperança para arrostar as limitações de quem somos. Vivemos na dimensão da eternidade!

GESTÃO E CARREIRA

A ECONOMIA DA SOLIDARIEDADE

Em meio à retração provocada pela pandemia de Covid-19, surge uma corrente do bem liderada por empresas conscientes de sua responsabilidade social. Ela envolve desde doações até a criação de fundos emergenciais para socorrer setores afetados pela paralisia nos negócios. Superar a maior crise global desde a Segunda Guerra exige empatia — e isso pode originar um novo capitalismo, mais consciente.

Os casos começaram a ser divulgados pelas redes sociais, em grupos de amigos no WhatsApp. Aos poucos, ganharam escala na mídia de todo o planeta. Eram as notícias que todos queriam receber, contrastando com os informes já corriqueiros de colapso nas bolsas, ameaça de recessão global, risco de desemprego em massa e a avalanche de cartas de entidades setoriais alarmadas com o futuro do negócio que representam. Com as pessoas em casa, o que passou a circular não eram apenas novas estatísticas de mortes (infelizmente, elas também continuam avançando em todo o planeta) ou críticas às decisões atabalhoadas das autoridades despreparadas. Não. Agora o contágio se dava de outra forma. E era pelo bem comum.

Depois de anunciar procedimentos para frear a propagação do coronavírus entre colaboradores e de notificar a interrupção ou manutenção de suas atividades, empresas de todos os tamanhos começaram a divulgar sua pauta de generosidade. Fosse em dinheiro ou em produtos essenciais para lidar com a pandemia, a lista de doações chegou a centenas. O álcool gel, cujo preço havia disparado de forma exponencial antes de sumir das prateleiras, entrou no radar de grupos como Ambev e O Boticário. Fábricas foram adaptadas para produzir o desinfetante que seria então doado aos serviços de saúde. A cervejaria não informou o valor investido para produzir 500 mil garrafas PET de álcool que começaram a ser entregues às Secretarias de Saúde de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde há maior concentração de casos. O rumor de que frascos chegariam gratuitamente para a população em geral ganhou força antes de ser confirmado como fake news. A irresponsabilidade de alguns disseminadores de boatos não maculou as boas ações de parte do empresariado. “Nossa essência é ser agente de transformação em tudo o que fazemos. Se salvarmos uma vida, salvamos a humanidade”, afirmou o fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário, Miguel Krigsner, ao anunciar a doação de 1,7 tonelada de álcool gel para a secretaria municipal de Saúde de Curitiba.

Na quarta-feira 25, os três maiores bancos privados do Brasil (Bradesco, Itaú e Santander) anunciaram uma inédita união de esforços para importar 5 milhões de testes rápidos de detecção da Covid-19, além de equipamentos, como tomógrafos e respiradores. “Este é um momento difícil e desafiador, de escolhas complexas”, disse Octavio de Lazari, presidente do Bradesco. “Juntos somos mais fortes do que qualquer crise, seja a da pandemia ou a dos efeitos econômicos dela resultantes”, afirmou. Para Candido Bracher, presidente do Itaú, a gravidade da crise demanda que não apenas o governo, mas também a sociedade civil atue de forma rápida e efetiva. “Proteger e apoiar as pessoas, principalmente as mais vulneráveis, é a prioridade de todos nós neste momento tão delicado”.

A importância de somar esforços também foi destacada por Sergio Rial, presidente do Santander: “Um apoio em larga escala ao trabalho de nossos profissionais de saúde e aos pacientes vai muito além de tudo o que podemos fazer individualmente, e se soma às iniciativas setoriais que visam a manter o fôlego financeiro de negócios e pessoas durante este período mais crítico de combate à pandemia”.

O mesmo espírito de união empresarial foi decisivo para que a prefeitura de São Paulo pudesse viabilizar em tempo recorde o Centro de Tratamento Covid-19, com um total previsto de 100 leitos (40 deles na primeira quinzena de abril), no Hospital M’Boi Mirim, que funciona sob gestão do Hospital Israelita Albert Einstein. A obra conta com investimentos dos grupos Ambev e Gerdau, e o atendimento será exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde. “É importante que cada um faça a sua parte e nós da Gerdau seguimos firmes cumprindo nosso compromisso com o Brasil. Decidimos participar dessa brilhante iniciativa, pois o momento pede colaboração”, afirmou Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.

A família Menin, controladora da construtora MRV, do banco Inter e da Log CP, destinou R$ 10 milhões para que o governo de Minas Gerais pudesse adquirir novos respiradores artificiais. Em São Paulo, a distribuidora de energia EDP, de origem portuguesa, disponibilizou R$ 6 milhões para a organização social Comunitas, encarregada de adquirir respiradores para UTIs de hospitais públicos do estado. Junto com a EDP, um total de 150 empresas levantou em poucos dias R$ 23,4 milhões para a compra de 345 aparelhos essenciais para reduzir os gargalos do atendimento na rede pública da saúde.

A Marfrig Global Foods confirmou o repasse de R$ 7,5 milhões para que o Ministério da Saúde pudesse comprar 100 mil kits de teste do coronavírus. “Este é um momento de união e de solidariedade”, afirmou o empresário Marcos Molina, fundador e presidente do Conselho de Administração da Marfrig, líder mundial na produção de hambúrgueres, ao confirmar sua doação ao Ministério da Saúde, na segunda-feira 23. A decisão foi tomada na véspera, quando o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, informou que o governo buscava parcerias com a iniciativa privada para financiar parte da compra dos kits. “Esperamos que nossa iniciativa seja seguida por outras companhias brasileiras”, disse Molina.

A Natura, que também controla a Avon, doou 2,8 milhões de sabonetes para comunidades carentes nas cidades do entorno de suas operações em São Paulo, Pará e Bahia, além de outros países da América Latina. A doação inicial da fabricante de detergentes Ypê foi de 21 toneladas de sabão em barra para moradores da favela de Paraisópolis, em São Paulo. Segundo a empresa, outras 25 toneladas seguiriam para o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A rede de fast-food Subway entregou milhares de sanduíches gratuitamente para profissionais de saúde. Na Europa, grandes confecções adaptaram linhas de corte e costura para produzir máscaras e uniformes destinados a médicos e enfermeiros. A espanhola Zara prometeu 300 mil máscaras de proteção. A italiana Prada, 110 mil. Repartir o bolo em um momento como esse é o que se espera de companhias que faturam bilhões ­— e entendem qual é sua responsabilidade social. Em meio a tantas notícias desoladoras, palavras como solidariedade e cooperação passaram a dar o tom de muitas lideranças empresariais.

“A gravidade do momento que vivemos exige da iniciativa privada uma postura de cooperação com os esforços governamentais e sociais no combate ao novo coronavírus”, afirmou Miguel Setas, presidente da EDP no Brasil. A empresa já havia doado 50 respiradores e 200 monitores a hospitais portugueses em conjunto com a China Three Gorges, maior geradora de energia hidrelétrica do mundo.

Nem só os grandes decidiram agir. “Acreditamos que o senso de coletivo é fundamental e, por isso, vamos converter nossa estrutura para fornecer materiais aos hospitais, a fim de minimizarmos os impactos na saúde”, afirmou Julio Samorano, diretor e sócio da paranaense Century Estofados ao anunciar que iria interromper sua produção habitual para confeccionar toucas, aventais e lençóis voltados para abastecer gratuitamente os hospitais públicos e universitários da região de Maringá (PR).

Cada uma das ações descritas até aqui merece aplausos, mas elas não bastam. Apenas aliviam as primeiras dores da pandemia. Ainda que as emergências médicas estejam longe de uma trégua, a catástrofe do coronavírus não está restrita ao âmbito hospitalar. Enquanto o vírus se alastra, a única proteção eficaz para detê-lo é a quarentena. Com ela, espalha-se outra chaga: a estagnação econômica. Com um terço da população global confinada, o que todos passaram a necessitar é algo que vai além dos primeiros socorros. Uma calamidade que afeta o mundo de tantas formas só pode ser superada com a criação de projetos de futuro. Isso vale para pessoas, empresas e setores inteiros da economia que foram gravemente feridos e cujas cicatrizes permanecerão abertas por muito tempo. Sobreviver nessas circunstâncias depende de valores que não sejam apenas econômicos. Exige valores humanos.

FOCO NA COMUNIDADE

Quem costuma tomar a dianteira nesses momentos é o terceiro setor — que depende do apoio de empresas para fazer a roda das boas ações girar. Liderado por Edu Lyra, o Instituto Gerando Falcões, ONG voltada para a capacitação de jovens, montou um fundo de R$ 5 milhões para levar cestas básicas a cerca de 60 mil moradores de 52 favelas e comunidades pobres da periferia paulistana e em outras cidades, de São José do Rio Preto (SP) a Maceió. Entre os doadores estão os empresários Jorge Paulo Lemann, Abílio Diniz, David Feffer e Pedro Bueno. “Vamos superar este momento e cuidar das famílias de extrema baixa renda”, afirmou Lyra.

Em horas assim, dar o peixe acaba sendo mais prático e eficaz do que ensinar a pescar. No longo prazo, o apoio a iniciativas que envolvam a sustentabilidade de pequenos negócios em regiões periféricas é bem mais estratégico. E foi exatamente esse o investimento feito pela Fundação Casas Bahia, gerida pela Via Varejo. “Temos como foco atuar sempre com as comunidades e mulheres empreendedoras. Mais ainda num momento como esse pelo qual estamos passando”, disse Hélio Muniz, responsável pela fundação, ao anunciar que microempreendedoras de áreas menos favorecidas da Grande São Paulo e na Grande Rio de Janeiro poderão contar com um Fundo de Doação de R$ 1 milhão criado pela entidade. A expectativa é beneficiar até 1,2 mil empresárias, que serão selecionadas por uma consultoria especializada. “É o momento de somarmos esforços junto às autoridades, associações e grandes empresas para apoiar as pessoas menos favorecidas, que tendem a ser economicamente impactadas pela crise atual”, afirmou.

A quarentena tem sido letal para o setor de alimentação fora de casa. Com o fechamento temporário de bares, restaurantes e lanchonetes, especialmente os que operam dentro de shopping centers, veio a ameaça de uma quebradeira sem precedentes em toda a cadeia de refeições. Na tentativa de evitar o pior cenário, a empresa de delivery iFood está colocando na rua uma série de medidas cujo impacto pode preservar milhares de empregos. Em parceria com o Itaú, por meio da processadora de cartões Rede, a empresa vai antecipar os pagamentos aos restaurantes. Também irá lançar um fundo de assistência de R$ 50 milhões aos parceiros e de R$ 1 milhão aos entregadores. O primeiro vai oferecer desconto médio de 20% na comissão paga pelos restaurantes à empresa. “A medida deve dar um respiro a cerca de 130 mil estabelecimentos em 1 mil cidades pelo País”, diz Diego Barreto, vice-presidente de Estratégia do iFood. Segundo ele, as medidas passam a valer a partir do dia 2 de abril e beneficiarão os 150 mil cadastrados na plataforma. “Se houver a ruptura da cadeia, as pessoas vão sair às ruas e estocar comida. Precisamos de medidas efetivas”, afirma. Ao acelerar o repasse dos valores das compras feitas pelo app, a empresa garantirá que os restaurantes beneficiados tenham o dinheiro em caixa sete dias após a venda — e não mais em 30 dias. Com isso, o iFood calcula que serão injetados na economia R$ 1,2 bilhão já no próximo bimestre. O valor arrecadado em taxas do serviço Pra Retirar (quando o cliente faz o pedido via aplicativo e busca diretamente no restaurante) será repassado integralmente aos parceiros. O fundo de R$ 1 milhão, voltado para os 83 mil entregadores que prestam serviço ao iFood pelo Brasil, é uma medida para assegurar renda ao colaborador caso este se afaste das atividades pela Covid-19 ou por suspeita de contágio.

Garantir recursos para que a roda da economia continue girando, principalmente para os pequenos empreendedores, é uma das preocupações da fintech de serviços financeiros Stone, que opera uma rede própria de meios de pagamento eletrônicos. Para dar fôlego a quem usa suas maquininhas e depende do giro diário de vendas para sobreviver, a empresa lançou a campanha Compre Local, Cuide de um Pequeno Negócio. A Stone vai disponibilizar R$ 100 milhões em microcrédito aos associados do setor de varejo nos Estados onde forem determinadas medidas de contenção à pandemia do coronavírus. O incentivo é válido até maio e deve beneficiar parte dos seus 495 mil clientes no País.

Capital de giro “Serão atendidos os donos dos negócios nos segmentos que mais sofreram suspensão das suas atividades por determinação do governo, como alimentação, educação, turismo e lazer”, diz o presidente da Stone, Augusto Lins. Outros R$ 30 milhões serão destinados a ações que visem estimular o comércio. Estão incluídas isenção de mensalidade para todas as máquinas, além de aparelhos adicionais sem custo para operação delivery, redução de taxas de antecipação para impulsionar o capital de giro e ferramentas para vendas on-line. “Sabemos que muitos negócios vão quebrar e que haverá demissões, como estamos acompanhando em algumas regiões do País. Por isso vamos agir rapidamente. Queremos garantir que o maior número de empresas se mantenha saudável e forte durante todo esse período”, afirma Lins.

Ainda que os estragos da Covid-19 sobre a atividade sejam de difícil mensuração, há algumas certezas em meio ao caos. A primeira é que muitos dos combalidos hospitais brasileiros serão reequipados com doações do setor empresarial. Foi assim no passado, quando entidades beneficentes criaram instituições de saúde para atender a comunidades étnicas. Outra certeza é a de que o medo da doença reforçou a empatia. “Tentem se colocar na posição das pessoas que mais precisam”, disse o fundador da XP Inc., Guilherme Benchimol, durante uma live no Instagram para divulgar a iniciativa Juntos Transformamos (leia mais abaixo). “É hora de compaixão, de solidariedade”.

O diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios, Fernando Trevisan, acredita que uma crise tão profunda como a do coronavírus pode ser um divisor de águas em diversas esferas, inclusive na atuação social das empresas. Para ele, o maior ato de responsabilidade social que uma organização privada pode ter neste momento é lutar para continuar existindo. “Passada essa pandemia, é possível que o conceito de responsabilidade social corporativa ganhe força e clareza de que, antes de qualquer coisa, só o fato de uma empresa existir e se sustentar economicamente já significa uma contribuição social altamente relevante para o desenvolvimento do País”, afirma Trevisan. A percepção de que as empresas são a chave para o futuro traz embutida a ideia de que o setor privado pode reorganizar as relações sociais no Brasil e no mundo – o que pode transformar até as bases do capitalismo, criando um sistema pautado não apenas na busca do lucro, mas da igualdade e da justiça social.

Às 11h da quinta-feira 26, o fundador da XP Inc., Guilherme Benchimol, usou a rede social Instagram para anunciar, ao vivo, o lançamento da iniciativa Juntos Transformamos. “Como vocês sabem, o Brasil é um país pobre. Apenas 30% dos brasileiros fizeram poupança em 2019. Temos 40 milhões de autônomos. Quando a economia colapsa, eles não conseguem levar comida para casa. A gente tem a obrigação de mobilizar outros empresários a ajudar quem mais precisa a atravessar esse vale, que deve durar de dois a três meses”, afirmou. “Se não ajudarmos essas pessoas, elas vão morrer de fome”. A iniciativa parte de uma doação de R$ 25 milhões, que deve atingir 100 mil pessoas de comunidades carentes por três meses. Para que o dinheiro chegue a famílias em situação de vulnerabilidade, foram firmadas parcerias com as ONGs Gerando Falcões, Amigos do Bem e Visão Mundial. Segundo o comunicado da XP, o aporte inicial tem como objetivo engajar novos doadores, para que um número ainda maior de famílias seja impactado. “Cada centavo do que arrecadarmos será convertido em assistência para colocar comida na mesa de famílias em situação de vulnerabilidade. Nenhuma família pode ficar sem ter o que comer em casa. Faço um apelo para todos que querem ajudar e não sabem como fazer isso de forma segura e transparente: junte-se a nós”, afirmou Benchimol.

HOSPITAL EM TEMPO RECORDE:

Prefeitura, Ambev, Gerdau e Einstein se uniram para viabilizar o Centro de Tratamento Covid-19, em São Paulo, que terá 100 leitos até o final de abril.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AMOR E ÓDIO: PAR INSEPARÁVEL

No premiado filme Coringa, riso e choro caminham fisiologicamente pelos mesmos trajetos e mostram que diante de forte estresse é comum que se confunda a expressão de um comportamento

Um filme consagrado pela crítica e pelo público, Coringa (Joker) aborda o prazer e a dor em um limiar tão próximo que o amor e o ódio são par quase inseparável frente aos objetos de investimento. A subjetividade é um emaranhado complexo e nada maniqueísta. Fisiologicamente, riso e choro caminham pelos mesmos trajetos, diante de forte estresse é comum que se confunda a expressão de um comportamento. Não é incomum a troca de expressão diante de algo muito tenso, no caso do personagem principal, ele na verdade padece de uma síndrome neurológica cujo diagnóstico dado pelos especialistas é complexo. O quadro passa desde uma epilepsia gelástica até patologias pseudobulbares ocasionadas por tumores nos lobos frontal ou temporal. Há também os casos conhecidos como pseudobulbares, mas que são mais presentes na população idosa, ligados a uma questão mais senil. Mas essa troca do choro pelo riso ou do riso pelo choro (ou expressão de raiva e descontentamento) não é algo que se possa perceber apenas em quadros mais graves, muitas vezes frente a intensas experiências associadas a uma linha traumática de fixação poderão ser observados padrões mais atenuados disso, como o paciente que, frente ao psicoterapeuta, relata um sofrimento sorrindo ou mesmo emprestando-lhe um ar de coisa engraçada e espanta-se caso seja confrontado com o questionamento de se acha realmente engraçado o que está relatando.

O longa cativou o público e contou com a impressionante marca de 11 indicações para o Oscar, tornando-se assim o filme baseado em quadrinhos com mais nomeações na história da premiação da maior vitrine no mundo cinematográfico. Sem dúvida que o pesado da narrativa mais a densidade que Joaquin Phoenix imprimiu ao personagem constituíram em uma forte mensagem para o público que vive hoje em um mundo bastante Gotham. E o telespectador abraçou essa mensagem com fervor. Alvo das mais variadas críticas e comentários, segue polemizando e ovacionado. Vale ler sobre ele, disponível na web, a resenha do filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek.

A imagem de Joaquin Phoenix na pele do Coringa é todo o tempo incômoda, desagradável e angustiante, quase disgusting. O ator perdeu 23 kg para interpretar o personagem, além de compor de forma impactante todos os movimentos e semblantes que o caracterizam. Nota em destaque para a risada que impressionou plateias mundo afora. Contam os noticiários que ele esteve presente em algumas sessões logo no lançamento do filme e que conversou com os espectadores. Alguns pediram-lhe que reproduzisse a risada, o que não pode fazer assim a frio. É preciso estar na pele do personagem para compor daquela forma tão intensa uma presença tão avassaladora que sem dúvida aponta para uma estupefação coletiva frente a um mundo que a cada dia mais se assina em segregação e desalento. Coringa é um pouco esse riso coletivo frente a um social desarticulado e que opera mecanismos cruéis frente às necessidades mais que humanas que vão se transformando aceleradamente em algo da ordem de privilégios. Não é possível compreender o sofrimento na atualidade sem inserir na escuta o coletivo em que essa dor individual nasce e se inscreve. “Eu acho que você nunca realmente me ouviu”, diz Coringa, reafirmando esse mecanismo cruel.

A dor de Arthur Fleck não tem lugar no mundo Gotham, onde o magnata pai de Bruce Wayne, Thomas Wayne, é também candidato a prefeito e diz sobre pessoas como Arthur: “Olharemos para eles como se fossem meros palhaços” e ele pretende que essas pessoas mudem para melhor como ele e todos que são os cidadãos “que fizeram algo de sua vida”. Sabemos o quanto o ideal que alimenta o modelo de identificação tem sempre a ver com símbolos que sustentam justamente as diferenças entre os estratos sociais. O irônico do mundo atual é justamente ver que quase tudo ganha uma imitação de marca, como acontecerá com o personagem do Coringa, que antes de se assumir como tal era apenas o palhaço Carnival. Ódio e revolta latente na desigual cidade de Ghotam explodem a partir de seus assassinatos e falas, o programa de TV que tanto admirava e do qual ansiava participar dá voz ao seu ódio, um basta ao ocupar sempre o lugar de, como ele diz, “lixo da sociedade”. Elevado a modelo é copiado e dá voz a uma rebelião social de gente cansada de ser pária, de não ter perspectivas. E aqui mora o perigo do filme, porque é óbvio que o Coringa é um sujeito em extremo sofrimento, alguém que acusa aquilo que ele mesmo não é mais capaz de fazer, pensar a vida do outro como valiosa, mesmo que esse outro seja tudo aquilo que ele despreza. Tornar criminosa a revolta popular frente à desigualdade e opressão tem sido a estratégia desde sempre para manter o status quo dos Waynes do mundo real. Talvez seja mais prudente manter um olhar crítico em relação à história de um velho vilão das histórias em quadrinhos, história essa composta aos densos anos 40 do século XX, em plena guerra, e depois desenvolvida nos densos anos 50, em tempos de macarthismo e de bigienismo travestido de ciência ao campo da saúde mental, quando os quadrinhos do Batman começaram a ser publicados com maior frequência. Os vilões estavam lá para demonizar o que pregavam, a atualidade tenta resgatar a história do Coringa, um dos vilões mais intrigantes dessa história, mas será que consegue analisar de maneira que possa anular a intenção original de sua existência? Na série que ficou no ar de 1966 a 1968, trazendo Adam West como Batman e Burt Ward como Robin, que acolheu o insólito pedido por parte da produção para que tomasse medicação para encolher sua protuberante genitália, como declarou recentemente à revista Page Six, diria ele: “Santo Batman!”.

O PARADOXO DA PIADA

Fica a dúvida sobre se houve realmente o expediente de tratar sua mãe, Penny Fleck, interpretada pela sempre excelente Frauces Conroy, como louca e isola- la em uma instituição psiquiátrica para que seu suposto caso amoroso com Thomas Wayne não viesse a público, fato que, como sabemos, não foi algo incomum desde a criação dos manicômios, ou se ela havia mesmo desenvolvido alguma espécie de delírio na linha da erotomania. A ficha de sua mãe narra histórias de abuso, negligência e maus-tratos cometidos contra o filho adotivo, Arthur, levando a crer, inclusive, que seu quadro neurológico poderia ser consequência de um traumatismo craniano que sofrera por agressão cometida pelo namorado da mãe. Mas Arthur conclui diante da mãe que sua condição não era uma doença, mas sim que era ele mesmo, alguém feliz, embora em outro momento tenha dito que nunca havia se sentido feliz em toda a sua vida O paradoxo da piada que violenta e faz rir ao mesmo tempo, o humor pesado, que é uma das espécies de humor mais desenvolvida socialmente, há nele sempre um quantum imenso de agressão, há sempre alguém mais frágil a ser atacado, uma vítima para ser ridicularizada. Esse tipo de humor que nossos novos laços civilizatórios andam querendo banir do nosso convívio, a perseguição e reforço de preconceitos que no final acabam fermentando um ódio como o do Coringa.

“Nem eu sabia se eu realmente existia”, diz Coringa, num momento de total paradoxo. Arthur Fleck levava a vida entre desempenhar seu papel de palhaço como ganha-pão e cuidar da mãe enferma em um apartamento de um prédio horroroso, segundo seu julgamento, que poderá ser conhecido em suas fantasias de relacionamento com a vizinha. Sua vida era uma inexistência suspensa entre seus devaneios com o sucesso e suas fabulações anotadas em caderno para compor um show que ainda faria e que seria então seu desenvolvimento como comediante famoso. A violência de Arthur está ali sempre presente, mas ao mesmo tempo sob controle, como quando aponta a arma para a poltrona vazia, lugar onde a mãe se senta para assistir a TV. A relação tóxica entre Arthur e Penny Fleck exemplifica muito bem relações de abuso em que a vítima acaba, por mecanismos variados, presa a uma necessidade de cuidar do abusador, como uma formação reativa (mecanismo de defesa) em relação ao ódio. Todo dispêndio de energia que isso requer faz dele aquela figura meio espantalho, meio vivo e morto ao mesmo tempo, um sujeito que não pode existir.

O SENTIMENTO MÁGICO

É comum em quadros cíclicos pacientes terem um certo apego ao ciclo hipomaníaco, quando o excesso é o manifesto, a euforia, o sentimento de poder, a falta de sono, a hipersexualidade, a compulsão por compras etc., que dão ao sujeito um simulacro de existência feliz, até que o ciclo vire depressão. Diante do desmonte do serviço de assistência social que o acompanhava, Arthur Fleck deixa de tomar seus medicamentos e entra em uma óbvia espiral de onipotência. Seus gestos, sua dança, sua risada, sua agressividade agora são tomados totalmente pelo impulso de destruição. Um sujeito em grave sofrimento abandonado por todos os mecanismos coletivos que deveriam ajudá-lo a não ter como única possibilidade o encarceramento e o isolamento social. Como disse a assistente social que o acompanhava antes, nem a vida dele e nem a dela importavam ao poder constituído. Em época de neoliberalismo selvagem e desmonte de qualquer noção de bem-estar social, Coringa vira um pouco o magnífico Eu, Daniel Blake (2016), de Ken Loach. O sentimento de desamparo que hoje atravessa grande parle da população não é um dado irreal, ele é cruelmente real e presente no cotidiano dos trabalhadores, em novas formas de exploração da mão de obra que apontam para uma sobrevivência impossível. Conflitos explodem atualmente no mundo todo, e talvez a mistificação que houve em torno desse filme aponte para esse sentimento crescente de falta de saída, o que será sempre um perigo. Já vimos como sentimentos coletivos podem ser capturados facilmente por aqueles que desejam o caos para instalar de forma ainda mais profunda seu domínio. Aqui no Brasil se discutem se os fatos recentes não apontariam justamente para isso, criando no final uma turba de Coringas descontrolados cujas teses mais ensandecidas ameaçam laços civilizatórios fundamentais para nossa evolução.  Sentimentos coletivos necessitam de união, reflexão, organização, trabalho continuo, o que é realmente exaustivo e exige muita solidariedade e afeto, uma vez que a convivência dos diferentes é sem dúvida a tarefa humana que mais exige do sujeito. O caos jamais será a solução, e os países que souberam comandar com forças progressistas a explosão da insatisfação popular foram os que tiveram algum avanço, vide a França e a desistência de aumentar a idade da aposentadoria para seus cidadãos. A rebelião é fundamental, mas sem a força da política ela se torna invariavelmente apenas caos, caldeirão que ferve as mais estranhas criaturas que surgem dessa ira sem direção de combate, sem meta e sem elaboração. Os grandes tiranos, ao longo da história, se lambuzaram nesse caos que ajudaram a criar e surgiram de suas entranhas.

É sem dúvida um dado a se pensar que no ano de 2019 os dois filmes mais falados sejam Coringa e Parasita (Parasite), de Bong Joon-ho, ambos sublinhando de forma exemplar esse crescente sentimento de descontentamento. O Brasil colocou-se na cerimônia do Oscar contando ao mundo ao que este caos pode levar com o documentário Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que mostra o crescimento do fascismo e de uma ainda maior desigualdade amparada por um poder supostamente “antitudo” que alimenta a desinformação em causa própria. Coringa é uma chamada para a reflexão sobre às insatisfações coletivas, mas é também um alerta de que politizar é preciso.

PROF. DR. EDUARDO J. S. HONORATO – é psicólogo e psicanalista, doutor em Saúde da Criança e da Mulher.

DENISE DESCHAMPS – é psicóloga e psicanalista. Autores do livro Cinematerapia: Entendendo Conflitos.

Participam de palestras, cursos e workshops em empresas e universidades. Coordenam o site www.cinematerapia.psc.br