OUTROS OLHARES

CORRENTE DO BEM

A sociedade se une com o objetivo de proteger idosos, crianças e até pequenos empreendedores para reduzir os riscos do avanço da infecção e do aprofundamento da crise econômica

Em meio da crise, a solidariedade sempre se manifesta. Na última semana, quando a situação começou a piorar e o número de infectados pelo coronavírus passou a crescer exponencialmente, o sindico do condomínio residencial Santa Teresa, Jean Escribano, resolveu decretar a quarentena nas seis torres, com 210 apartamentos habitados por mais de 700 pessoas no Jardim Santa Emília. na zona sul da cidade de São Paulo. “Fechei quadras, playground e todas as áreas comuns do condomínio porque a situação ficou mais grave. Agora, estamos nos revezando nas compras para os idosos, assim eles não precisam sair de casa”, explica. Escribano também colocou dispensers de álcool gel nos corredores e impediu a circulação de crianças pelas áreas comuns. “A situação estava ficando crítica e a molecada achava que estava de férias. Tive que tocar todo mundo de volta aos apartamentos. Coloquei os porteiros mais idosos em férias e até eu estou assumindo a portaria do condomínio. Tudo para impedir a contaminação dos moradores”, disse.

Escribano é apenas mais um dos heróis anônimos que começaram a aparecer na sociedade, espalhando boas ações e criando uma corrente do bem por quase todos os prédios paulistanos. Moradora de um condomínio de duas torres no bairro do Sumarezinho, Sarah Bomtempo, de 27 anos, também se prontificou nas compras para seus vizinhos idosos. “Estamos tentando mantê-los longe das ruas por proteção”, diz ela. Já a psicóloga Valeska Bassan ficou preocupada justamente com esse isolamento involuntário e há uma semana começou a ajudar pessoas com problemas de ansiedade e depressão, cujas patologias podem se acentuar nesses momentos. “Trabalho há muito tempo com pacientes porque sei o impacto que o isolamento pode ter em muita gente. Além disso, muitos não têm dinheiro e nunca procuraram esse tipo de tratamento”, diz ela. O atendimento de Valeska compreende dois contatos por videoconferência para falar exclusivamente sobre o problema da quarentena, atividade conhecida como “plantão psicológico”: “a pessoa pode colocar todos os seus medos em relação ao isolamento e à contaminação e vamos ajudando na medida do possível”.

Celebridades também estão demonstrando sua generosidade em meio à pandemia. É o caso da apresentadora de TV Xuxa Meneghel, que doou R$1 milhão para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ela se uniu a uma marca de cosméticos e fez outra doação de 300 mil sabonetes para comunidades carentes de São Paulo e do Rio de Janeiro.

CONEXÃO REGIONAL

Já prevendo a crise econômica que virá depois da pandemia, afetando não só as grandes empresas, mas, principalmente, os pequenos empresários, um grupo de empreendedores resolveu criar a toque de caixa um marketplace para conectar consumidores a pequenos produtores e comerciantes regionais e, assim, permitir que muitos deles consigam sobreviver. Segundo um dos idealizadores, Wesley Barbosa, as grandes empresas terão acesso a saídas mais rápidas, mas os pequenos terão maior dificuldade. “Onde moro tentei encontrar pequenos produtores, mas não foi fácil”, explica Barbosa, ex- executivo do Facebook. “Paralelamente, vimos que muitas escolas de negócios abriram cursos gratuitos, mas esses empresários nem sabem como chegar a isso e a maioria tem pouca formação. Por isso. criamos o portal onde ele pode oferecer seus produtos, mas incluímos pequenas aulas obrigatórias”.

Nas aulas rápidas, os micro e pequenos empreendedores terão acesso a informações sobre higienização, delivery, utilização de ferramentas como WhatsApp para atendimento, gestão de crise e como melhorar seu sistema imunológico. Desde que foi lançado, na segunda-feira 23, o portal http://www.ajudeopequeno.com.br já contabiliza mil cadastros e a expectativa é de um crescimento de 10% a 15% ao dia. “Já formalizamos a ONG, contando com 200 pessoas envolvidas e estamos recebendo contato de interessados, tanto em investidores como em parcerias”, afirma Barbosa, acrescentando que 15 influencers digitais vão divulgar a plataforma. “O interesse em ajudar é tanto que plataformas de delivery como Ifood e o Rappi já incluíram pequenos fornecedores na sua lista de ofertas”, diz.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 30 DE MARÇO

A FELICIDADE DE UMA NAÇÃO

Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que ele escolheu para sua herança (Salmos 33.12).

A Bíblia diz que feliz é a nação cujo Deus é o Senhor. A felicidade de um povo não está apenas em sua cultura ou em seu poder econômico. Uma nação é a reunião total de seus cidadãos. Pessoas felizes formam uma nação feliz; pessoas infelizes formam uma nação infeliz. Por isso, uma nação que se volta a outros deuses e se curva diante de ídolos está na rota da infelicidade. Uma nação que chafurda no pântano da imoralidade e promove toda sorte de vícios degradantes labora contra si mesma. Vivemos num mundo inclusivista, que abraça todas as religiões como verdadeiras e diz que todo caminho leva a Deus. Vivemos numa sociedade pluralista que repudia a verdade absoluta e aceita como legítimas todas as divindades criadas pelo homem. Uma sociedade em que Deus é destronado de sua majestade e os ídolos criados pela arte e pela imaginação humana são adorados como se pudessem salvar. Mas essa prática engana e oprime. A impiedade desemboca na perversão, e a idolatria deságua na imoralidade. Uma nação rendida aos ídolos não pode desfrutar da verdadeira felicidade, pois a felicidade pura e genuína está em Deus. Não é feliz a nação que tem muitos deuses, que se prostra diante de muitos altares e que rende cultos a muitos ídolos, mas feliz é a nação cujo Deus é o Senhor.

GESTÃO E CARREIRA

AÇÃO SOLIDÁRIA

Empresas de diversos segmentos oferecem serviços gratuitos e upgrades para minimizar efeitos de uma sociedade em quarentena pela Covid-19.

TVs por assinatura, plataformas de streaming, empresas de telefonia e instituições de ensino abriram gratuitamente parte da programação e serviços – que vão desde mais canais, a cursos on-line e disponibilidade de internet grátis – o que pode aliviar a quarentena das pessoas que estão em casa, em período de isolamento social para conter o avanço do coronavírus, com entrega de informação e entretenimento. Os benefícios são tanto para os clientes, com upgrade no pacote, quanto aos que ainda não são cadastrados. Uma jogada que faz bem para quem está confinado e para a imagem das companhias, que aproveitam para trabalhar seu branding. Professor de Canais digitais da pós-graduação da ESPM, Alexandre Bessa afirma que o momento é ideal para “oferecer experiências” a potenciais clientes. É como promover uma degustação de produtos no corredor do supermercado. Mas, na atual situação, é mais do que uma estratégia comercial. As empresas também têm interesse em resolver a necessidade do consumidor. “Serve de experimentação para as pessoas viverem de fato algo que era vontade, mas nunca se concretizou”, diz. Ofertar esses serviços para as pessoas funciona como uma atração tradicional para um funil de vendas, mas com o diferencial de que há um propósito a mais. “As empresas estão ajudando os clientes, estendendo a mão. E os clientes vão lembrar dessas marcas, que foram positivas num momento singular.”

O especialista ressalta ainda que a sociedade brasileira tem a oportunidade de “finalmente chegar ao século 21”, pois muitas pessoas têm contato com serviços, aplicativos e outras ferramentas tecnológicas que antes não faziam parte de seu cotidiano. “Por exemplo, muita gente usa o internet banking por necessidade, mas antes da pandemia era resistente e ia ao banco. É um período que incentiva a utilização de canais digitais, o que pode mudar o ciclo de consumo a partir de agora.”

Outro exemplo é o ensino a distância (EAD). A Faber-Castell liberou para uso gratuito, desde o dia 20, todos os cursos on-line de sua plataforma. “O único objetivo da companhia foi oferecer conteúdos de qualidade para crianças e adultos que estão em casa, por conta do isolamento social imposto pelo coronavírus”, informou a companhia, que até o momento teve 1 milhão de acessos aos conteúdos. A FGV também abriu o acesso a 55 cursos on-line, com certificado, nas áreas de Administração, Direito, Marketing, RH, entre outras. A Trevisan Escola de Negócios fez o mesmo com os cursos on-line gratuitos ‘Aplicação de Data Analytics’, ‘Compliance, Ética Corporativa e Prevenção a Fraudes’, ‘Contabilidade e Gestão de Custos’, o de ‘Liderança e Inovação em Economia Digital’ e ‘Gestão Orçamentária’. Os cursos têm duração de 20 a 80 horas.

PARA RELAXAR

 Entre operadores de TV por assinatura, a Oi liberou o sinal de 54 canais (satélite e IPTV), além de 66 canais no Oi TV Livre HD. A Vivo, além de upgrade na TV por assinatura, ofereceu bônus de internet para clientes ativos em planos pós-pago e controle. A Claro liberou canais na TV fechada e redes de wi-fi públicas, como em aeroportos e parques, mas com uma condição: o cliente tem de assistir a vídeos informativos do Ministério da Saúde sobre coronavírus. “Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para apoiar a população”, informa a empresa. Os clientes de planos pós-pago da TIM também receberam bônus de dados e os pré-pago têm disponibilizados até 100MB adicionais por dia, atrelados a um vídeo educativo sobre a Covid-19. Vale ressaltar que a Claro, Oi, TIM e Vivo, com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), assinaram compromisso com medidas para manter o Brasil Conectado, mesmo com o aumento da demanda. “As prestadoras adotarão planos para garantir que os serviços operem”, diz o comunicado.

A SKY, maior operadora de TV paga via satélite do País, abriu o sinal de mais de 90 canais para seus clientes. Além da liberação da programação na TV, de forma linear, os clientes também podem assistir a alguns dos canais ao vivo pelo SKY Play, plataforma de vídeo sob demanda da empresa. Entre as plataformas de streaming, a Globoplay disponibilizou para não assinantes mais de 20 filmes da Disney, além de outros títulos infantis e séries. “O foco é principalmente o público infantil, que em várias partes do mundo foi dispensado das escolas. A plataforma também recebeu mais de 50 filmes da Imovision”, informa a empresa. A Spcine, empresa de fomento ao cinema da Prefeitura de São Paulo, liberou o acesso ao catálogo de sua plataforma de streaming, o Spcine Play, com filmes de Zé do Caixão, Hector Babenco e Tata Amaral, entre outros cineastas brasileiros.

Já o portal Vagas.com, de soluções tecnológicas de recrutamento e seleção, oferece de forma gratuita 1 mil minutos de sua ferramenta de videoentrevista para os clientes, permitindo que as companhias sigam com seus processos sem a necessidade de deslocamento dos profissionais. “Neste momento de incertezas, decidimos colaborar com empresas e profissionais por meio dos benefícios que a tecnologia oferece. Com essa medida, contribuímos para que mais pessoas evitem o contato presencial”, afirma Leonardo Vicente, da Vagas.com.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A DOENÇA DO MEDO

Se não tratado, o estresse desencadeado pelo isolamento forçado, devido ao coronavírus, pode agravar transtornos psiquiátricos e doenças como depressão e síndrome do pânico. O que fazer?

Pessoas totalmente isoladas em suas casas, muitas delas idosas, alterando completamente suas rotinas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Nas últimas semanas, a sociedade passou a viver um mundo completamente novo e, principalmente, foi tomada pela angústia. Medo de sair de casa, de ficar doente, de vir a morrer, de perder o emprego e de não conseguir pagar as contas em dia. Medo até de não conseguir comprar o que comer. Acima de tudo, veio a solidão. Para preservar a saúde, muitos estão impedidos de se relacionar com os filhos, netos e amigos. Ir à academia se exercitar, sair para trabalhar em serviços essenciais, fazer compras ou até mesmo deixar o lixo na rua, tornou-se um grande risco. Por tudo isso, cresce a preocupação com a saúde mental.

AUMENTO DO ESTRESSE

A ameaça de contrair o novo coronavírus mudou totalmente a dinâmica das pessoas. Nessa guerra contra a Covid-19, um fator não pode ser desconsiderado e está levando muita gente a procurar psiquiatras e psicólogos por meio de consultas por aplicativos: o aumento do estresse. Silencioso, porém altamente prejudicial à saúde humana, o estresse e a ansiedade podem desencadear doenças como depressão, síndrome do pânico e até risco de suicídio. “Algumas pessoas estão apavoradas e certamente o número de depressivos vai aumentar muito, sobretudo as pessoas com TOC e hiper preocupadas com o que acontecerá em relação ao contágio e à vida financeira”, diz o psiquiatra Breno Serson. É fato que experiências catastróficas sempre deixam marcas. A China, o epicentro do novo coronavírus, está vivenciando essa experiência. Até 20% de seus habitantes estão com sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TSPT), de acordo com um estudo recente da Universidade Médica Naval de Shanghai.

O mesmo ocorreu em Hong Kong, que sofreu em 2003 a epidemia da síndrome respiratória aguda (SARS). Lá, foi possível constatar que os danos psicológicos foram duradouros: 40% dos que contraíram o vírus, apresentaram o TSPT dez anos depois. É esperado que no Brasil o novo coronavírus também deixe sequelas. Para se ter ideia, 5,8% da população do País sofre com depressão e 32 brasileiros se suicidam todos os dias. Outro tipo de doença que poderá ter consequências em massa é o das pessoas que sofrem síndrome do pânico, ou seja, um número estimado entre 4 e 6 milhões de brasileiros. “Quanto maior for a quarentena, maior podem ser os estragos na mente das pessoas. Claro que os que têm predisposições são os mais afetados nesse momento”, diz Dora Sampaio Góes, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (IPq/HCFMUSP). Em seus atendimentos remotos, ela constatou um grande aumento nos casos de irritabilidade e ansiedade entre seus pacientes.

TERAPIA ALTERNATIVA

A boa notícia é que medidas simples podem atenuar os efeitos da quarentena e a ameaça do surgimento de doenças psíquicas. Estabelecer uma rotina é fundamental para que as pessoas consigam se organizar emocionalmente. Recomenda-se assistir a filmes de entretenimento não agressivos, ler e realizar trabalhos terapêuticos e manuais, como crochê, por exemplo. “É importante que as pessoas percebam que dominam sua vida e seu tempo, e que estão fazendo escolhas. É possível ser autor da própria história, mesmo dentro de casa”, diz Dora. Além disso, especialistas dizem que esta é uma oportunidade para as pessoas se voltarem para si próprias e seus verdadeiros valores. “Colocar em evidência a empatia e o amor ao próximo causa uma sensação de bem-estar conectada ao todo e ao bem comum. A parte que eu alimentar é a que vai crescer em mim”, explica Dora. Integrante do grupo de dependências tecnológicas do Hospital das Clínicas, ela alerta para a importância de limitar o uso de ferramentas online nesse momento. Mandar mensagens para as pessoas e fazer videoconferências, por exemplo, despertam o sentimento “de pertencimento coletivo e atenuam o estresse”.

O apoio psicoterapêutico também é fundamental e diversas iniciativas gratuitas estão surgindo para atender pessoas por telefone e por videoconferência. Exercícios físicos também estão sendo disponibilizados online, por diferentes especialistas. Essa parafernália eletrônica está funcionando bem para controlar a ansiedade da professora Fernanda Antunes, de uma escola pública de São José dos Campos. Diagnosticada com síndrome do pânico, a doença está sob controle por conta do uso correto de medicamentos, bem como a realização de meditação, como terapia alternativa. Há uma semana sem sair de casa por conta dos pais idosos, ela recorre a aplicativos para manter o equilíbrio e evitar crises neste momento crítico. “Quando vejo que a situação está ficando feia, recorro a alternativas que me deixam melhor. Fiz uma meditação holística em casa, comecei uma novena e à noite rezo o terço”, diz ela, que não vê a hora de voltar ao trabalho presencial. “Além disso, tenho feito exercício físico e pretendo manter o tratamento médico online. Tento não pensar no que pode acontecer no futuro para não enlouquecer”, diz Fernanda.