OUTROS OLHARES

VIVA A DIFERENÇA

Aos 82 anos, pela primeira vez, Jane Fonda apareceu de cabelos brancos e foi celebrada por atrizes e cantoras que descolorem as madeixas. Até os homens aderiram a esse manifesto de individualidade

Homens envelhecem, os cabelos ficam brancos e tudo bem. Mulheres, não. Aquelas que aparecem em público sem mechas tingidas costumam ser classificadas em três tipos: 1) a muito, muito idosa; 2) alguma estrangeira esquisita, geralmente europeia; e 3) a desleixada, que pouco liga para a aparência. Pois nesse ambiente hostil a cabeça branca feminina vem florescendo nos últimos tempos, impulsionada por jovens famosas que – vai entender – passam horas no salão embranquecendo os cabelos. Dessas garotas ousadas partiram os maiores elogios à atitude de Jane Fonda, atriz e ativista muito cool: ela entrou no palco do Oscar, para apresentar a categoria de melhor filme, com as madeixas, pela primeiríssima vez, no tom natural de seus 82 anos. “A opção pelo branco, como tudo que é moda, tem a ver com o momento. E o atual é de reforço à individualidade”, diz a jornalista de moda Erika Palomino.

A cabeleira embranquecida à força teve seu momento de glória nas cortes europeias por obra do rei Luís XIII, da França. Em meados do século XVII, ele passou a usar uma volumosa peruca para esconder a calvície precoce, no que foi imediatamente copiado pela elite e, na sequência, por soberanos e aristocratas de outros reinos. As nobres perucas, usadas por homens e mulheres, eram generosamente polvilhadas com farinha perfumada por motivos muito práticos: afastar piolhos e disfarçar o mau cheiro. Já a cabeleira branca do século XXI (quando não é natural, claro) exige uma média de quatro horas nas mãos do tinturista e, sim, uma certa força de vontade. “Quimicamente, é um dos nossos trabalhos mais agressivos”, avisa a cabeleireira Carla Morta, do Rio de Janeiro.

Aplica-se o descolorante em duas partes: primeiro nos fios, depois na raiz. “Ela descolore mais rápido”, explica o cabeleireiro Fernando Torquatto. É nessa segunda etapa que o couro cabeludo mais sensível se rebela – a cabeça esquenta e arde conforme o tempo que os fios levam para passar do amarelo ao branco total. “Por fim, aplica-se um tonalizante para reforçar o tom perolado”, diz Torquatto. O cabelo descolorido não deve ser lavado todo dia e não se dá bem com piscina, pois o cloro pode deixá-lo esverdeado. Também requer cuidados em casa.

A cantora Katy Perry foi uma das primeiras a aparecer de cabelo curtinho e branco, desencadeando um movimento em que embarcaram famosas como Jennifer Lawrence, Kristen Stewart e, obviamente, Kim Kardashian, que não ia deixar a onda passar sem mergulhar nela. Bruna Marquezine descoloriu os fios para pular o Carnaval de 2019. A cantora pernambucana Duda Beat, de 32 anos, branqueou as mechas, mantendo a raiz escura, há três anos e nunca mais voltou ao castanho original. “Resolvi fazer porque não tinha nenhuma cantora loirona no Brasil”, diz ela, que retoca a cor a cada quinze dias. “É trabalhoso, mas vale a pena”, garante. O branco também (des) colore a cabeça de homens, como o jogador Gabigol, o surfista Pedro Scooby e – prova de sucesso –   o personagem Ryan, de Amor de Mãe, vivido pelo ator Thiago Martins. “Cabelo artificialmente branco é uma forma de se sentir diferente”, diz a especialista Erika. Até todo mundo imitar e aí chegar a hora de inventar outra moda.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 24 DE MARÇO

JESUS NA CASA DE MISERICÓRDIA

Passadas estas coisas, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém (João 5.1).

Jesus vai ao tanque de Betesda, onde havia vários enfermos. Dizia-se que, de quando, um anjo descia ao tanque e a primeira pessoa que chegasse às águas seria curada do mal que lhe afligia. Nesse cenário de dor, Jesus identifica um homem paralítico abandonado à própria sorte havia 38 anos. Jesus faz-lhe uma pergunta maravilhosa: Queres ser curado? (v. 6b). Essa pergunta parece óbvia demais. É natural que um doente queira ser curado. Mas por que Jesus perguntou? Para que o paralítico pudesse expor suas angústias. O homem, em vez de responder sim ou não, replica com uma evasiva: Não tenho ninguém (v. 7b). Jesus, então, lhe dá uma ordem poderosa: Levanta-te, toma o teu leito e anda (v. 8b). O mesmo Jesus que dá a ordem também dá o poder para cumpri-la. Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar (v. 9a). Não há doença incurável para o Médico dos médicos. Não há vida irrecuperável para Jesus. Ele cura, liberta, perdoa e salva. Talvez você esteja vivendo o drama do abandono, com a esperança morta, amassado emocionalmente, à espera de um milagre que se adia. Hoje mesmo Jesus pode mudar a sua sorte e dar a você paz e salvação eterna.

GESTÃO E CARREIRA

PEQUENO SÓ NO NOME

Conheça o Microlearning, o novo jeito de ensinar (e aprender) que está transformando a educação corporativa

“Há três anos notamos uma mudança significativa no perfil de nossos funcionários e percebemos que os métodos tradicionais de treinamento não faziam mais sentido para eles. O conhecimento se perdia”, diz Márcia Costa, vice-presidente de RH da C&A Brasil. Por métodos tradicionais entenda-se: treinamentos longos, com aulas, workshops, palestras e dinâmicas em grupo, pausas para almoço e coffee break entre as atividades.

Com média de idade de 25 anos, a varejista tem um número considerável de jovens da geração Z. Foi essa constatação que fez a empresa reformular toda a sua universidade corporativa, chamada de Academia da Moda. Há dois anos, a C&A passou a treinar as pessoas utilizando ferramentas de microlearning (ou microaprendizado). A solução consiste em sintetizar e fragmentar os assuntos para que possam ser consumidos – e, sobretudo, assimilados – de forma rápida. São vídeos, podcasts, tutoriais, textos e jogos que compõem o conteúdo e podem ser apreciados em, no máximo, 8 minutos. “Dá para estudar no ônibus, no metrô e até mesmo nas pausas para o café”, diza executiva de RH.

Essa forma de disseminação do conhecimento, mais modular e em multiformatos, desponta como a favorita na emergente economia 4.0. E há razões, inclusive científicas, para isso. Uma pesquisa publicada em 2018 no International Journal of Educational Research Review comparou resultados de aprendizagem de dois grupos de jovens alunos. A conclusão? O pessoal que usou microlearning apresentou aprendizado 18% melhor do que aquele que viu o conteúdo da maneira tradicional. Segundo os pesquisadores, o conhecimento adquirido de maneira compartimentada tende a permanecer na memória por períodos mais longos.

Seguindo essa linha, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus criou o conceito de “educação espaçada” e demonstrou que o processo de aprendizado é melhor quando a mesma quantidade de estudo é dividida por diferentes períodos de tempo.

Mas isso não significa que pequenas pílulas de informação, sozinhas, sejam suficientes. “O modelo que mistura atividades online, presenciais e em grupo ainda é o melhor. A interação com professores e colegas é insubstituível, afinal, trabalhamos com humanos e fazemos negócios entre pessoas”, diz Adriano Mussa, especialista em educação e inteligência artificial pela Columbia University e reitor da escola brasileira de negócios Saint, Paul. Mari Achutti, CEO da escola de educação corporativa Sputnik, corrobora a preferência do mercado pelos modelos mistos. “A maioria das companhias pede uma parte presencial aliada ao microlearning”, diz ela, que em sete anos já capacitou mais de 10.000 alunos em cerca de 90 empresas, como Google, Facebook, Coca-Cola, Nike e Ambev.

Na Academia da moda, além das chamadas “pílulas de conhecimento”, que separam o conteúdo em micromódulos de diferentes formatos, existe a parte presencial, que é conduzida por um funcionário treinado e mais experiente, sempre dentro das lojas. “Os instrutores seguem scripts e já sabem de antemão as dúvidas mais comuns que surgem em cada tipo de conteúdo”, explica Márcia, da C&A. De acordo com ela, os resultados desse tipo de capacitação se refletem em custos menores – o investimento maior é na implantação da plataforma de microlearning; os gastos com manutenção e atualização são baixos – e melhor percepção dos clientes. Embora não revele números, ela diz que indicadores como qualidade no atendimento das lojas e velocidade das ruas melhoraram muito após a implementação do novo conceito.

Os preços para um programa de treinamento variam muito. Projetos de capacitação custam entre 28.000 e 500.000 reais, dependendo do tipo, da abrangência, do tempo de duração, do conteúdo, do número de alunos, entre outras variáveis. Entre as vantagens de um sistema de microlearning estão os ganhos de escala para a companhia e a facilidade de acesso para os funcionários.

Isso porque os treinamentos presenciais impõem limites físicos: nem todos os funcionários podem estar presentes naquele dia e horário. Empresas dispersas geograficamente, como grandes varejistas, e as organizações com equipes de vendas externas se beneficiam desse modelo.

MODO DE USAR

Não há consenso sobre a origem do conceito microlearning, mas um dos primeiros livros que mencionam a palavra é de 1953, The Economics of Humans Resources, do pesquisador equatoriano Hector Correa. No entanto, o termo não tinha a conotação de hoje. O sentido atual só teve impulso após o advento dos smartphones e, mais precisamente, depois do Lançamento do primeiro iPhone (em 2007), o celular inteligente e intuitivo que influenciou todos os demais modelos subsequentes. A internet na palma das mãos possibilitou uma nova compreensão do aprendizado. Mas o conceito só explodiu mesmo após o Google popularizar em 2013 a ideia de “micromomento”, em que alguém acessa um desses dispositivos para uma necessidade real: “conhecer, ir, fazer ou comprar”.

Foi um pulo até a ideia chegar à educação corporativa. Afinal, o microlearning nada mais é do que um micromomento reservado para o aprendizado. “Não é um modelo teórico, tampouco é modismo. É algo do mundo atual, dinâmico e tecnológico, que exige soluções rápidas, eficientes e flexíveis”, diz Tatiana Iwai, coordenadora do núcleo de comportamento organizacional e gestão de pessoas do lnsper. Para Adriano Mussa, da Saint Paul, o novo formato de escudo subverte paradigmas da educação. Antes, a condução do aprendizado era feita pelos professores e pelas escolas. Hoje, “o controle remoto está nas mãos do aluno, que pode pular de um conteúdo para outro, avançar, retroceder para revisar, dar pausa e prosseguir”. Esse protagonismo exercido pelos estudantes é ótimo para o dia a dia corporativo, onde as pessoas têm horários, responsabilidades e demandas diferentes umas das outras.

Um levantamento da PwC mostrou que 80% dos trabalhadores afirmam não conseguir realizar tudo o que gostariam no âmbito profissional. É nessa escassez de tempo que o microlearning cresce como alternativa de aprendizado fragmentado e assíncrono, encaixado com menos estresse no dia a dia de trabalho. “As novas gerações já se atentaram para a importância da formação continua. São mais voláteis e não estão dispostas a trabalhar em uma única empresa a vida toda, como os pais fizeram. Eles mudam de emprego, de carreira e até de área. Se não estudarem, é impossível fazer isso”, diz Erika Braga, diretora de recursos humanos da PwC Brasil. Até pouco tempo atrás, um bom MBA era um “estoque de competências”, no jargão acadêmico. Hoje, para muitas áreas, ele já não é mais suficiente. “O reskilling (requalificação) e o entendimento de lifelong learning (aprendizado ao longo da vida) ganharam força com as novas tecnologias, que são atualizadas o tempo todo”, afirma Adriano, da Saint Paul. O que é novo hoje, no ano que vem já se tornou obsoleto.

Um bom exemplo da velocidade das mudanças está estampado numa pesquisa do Fórum Econômico Mundial, divulgada no mês passado em Davos, na Suíça. No futuro, estima-se que 42% das habilidades básicas necessárias para a execução dos trabalhos existentes sejam diferentes das atuais. O “futuro” ao qual a elite do capitalismo global se refere é daqui a dois anos, 2022.

O texto menciona que “o mundo está enfrentando uma emergência de requalificação” e defende uma “revolução” no setor educacional, com foco nas sete áreas que mais vão crescer: cuidados humanos (assistente social 2.0, psicólogos, médicos e cuidadores de idosos); engenharia e computação em nuvem; marketing e produção de conteúdo; inteligência artificial; sustentabilidade; cultura e educação; e gestão de projetos.

NÃO É SÓ TECNOLOGIA

Tatiana, especialista do lnsper, explica que microlearning é antes de tudo uma plataforma e, portanto, não dá para dissociá-lo da tecnologia. No entanto, ainda mais importante que a forma, é o conteúdo. Éaí que reside o perigo para as empresas que estão em busca de modernizar seus processos de capacitação e desenvolvimento de equipes.

Por isso, antes de sair contratando sistemas de treinamento, o mais indicado para companhias, sejam elas de pequeno, grande ou médio porte, é saber exatamente quais são os objetivos almejados. A área de recursos humanos, em especial, deve questionar: quais são os propósitos da empresa, desenvolver soft skills ou ensinar hard skills? Precisamos qualificar lideranças? Ou disseminar a cultura corporativa aos mais jovens? O primeiro passo é desenhar o projeto, avaliando as necessidades específicas e a cultura da companhia. Isso ajuda a definir qual é o tipo de formato e quais são as soluções para os desafios encontrados. Muitas vezes, basta um ajuste fino, uma edição ou a troca de plataforma. Como a transmutação de um livro em PDF de 150 páginas para dois vídeos, um game e três textos de dez páginas, por exemplo.

Apesar de alguns treinamentos serem obrigatórios, corno os de compliance, não existe uma regra fixa. Cada companhia deve se ater à sua realidade operacional e de mercado. Ou seja, o momento atual exige customização. E, nesse contexto, os líderes de equipes têm papel preponderante na capacitação, pois convivem diariamente com as equipes e conhecem as deficiências e qualidades de cada uma.

Armando Lourenzo, reitor no Brasil da EY University, da Ernst & Young, conta que há um coordenador responsável só para fazer auditorias internas e verificar as necessidades educacionais de cada time. Ele avalia de projetos a demandas pessoais, satisfazendo as necessidades da companhia e os anseios específicos dos profissionais. A universidade corporativa da multinacional funciona desde 2010, mas adotou o microlearning em 2016, depois que Armando esteve em um evento nos Estados Unidos e viu como o modelo funcionava e agradava aos colaboradores de lá. Na grade da EY University há cursos mandatórios e optativos, todos com certificações. Os obrigatórios são os mais técnicos, que fazem parte da trilha de aprendizagem dos trabalhadores, conhecimentos que eles precisam saber para suas funções. Já os facultativos abordam temas variados, como empreendedorismo interno, gestão, liderança, marketing e outros. Os módulos de ambas as modalidades duram de 3 a 5 minutos e todo o treinamento obrigatório é aliado à experiência, com projetos para praticar o conteúdo estudado. “Fazemos também curadoria de livros e indicações de leituras para quem quiser se aprofundar em determinados assuntos”, diz.

Com 20 anos de atuação no Brasil e cerca de 5.000 colaboradores em 12 cidades, a EY construiu uma série de saberes internos, depurou práticas e protocolos. Todo esse conhecimento é aproveitado na EY University, que tem a maioria dos conteúdos feitos por profissionais da casa e outra parcela elaborada em colaboração com parceiros externos, como a Fundação Dom Cabral.

Mesmo os treinamentos técnicos globais obrigatórios da matriz americana são customizados para o público brasileiro.

Para analisar a aderência dos conteúdos, a empresa aplica provas avaliando os principais pontos do assunto apresentado. E também relaciona teorias a casos práticos ao final de cada curso ou treinamento. “Os resultados são muito bons. A média das notas das trilhas obrigatórias é altíssima, os funcionários se dedicam para progredir mais rápido na carreira”, afirma Armando.

DE OLHO NA EFICÁCIA

Essas ações de monitoramento e a aferição de resultados devem fazer parte da rotina nas capacitações. A professora Tatiana, do lnsper, recomenda atenção na fase das pesquisas de satisfação, quase onipresentes depois de cursos, eventos corporativos e palestras. “Estar satisfeito não significa que aprendeu. Satisfação com o curso ou com o palestrante, não se traduz em desempenho e faturamento. O que gera resultados é o maior conhecimento sobre determinado assunto”, pondera.

Além do básico – como número de pessoas que completaram o treinamento e tempo médio gasto em cada atividade -, hoje é possível analisar detalhes bem específicos, de acordo com a necessidade de cada empresa. Isso porque a maioria dos fornecedores de tecnologia e soluções educacionais de microlearning oferece métricas para medir a eficiência dos treinamentos.

Dá para saber, por exemplo, o custo médio em treinamentos gasto por empregado, mensurar se houve avanços nas avaliações de desempenho (feitas entrapares ou pelos gestores) e avaliar se teve uma diminuição no tempo médio de execução de uma determinada tarefa após a qualificação oferecida. Há casos, segundo fontes de mercado, em que as pílulas de informações fizeram as vendas subir até 30%. O ganho, que é considerável para os negócios, também se reflete nas pessoas, que têm a chance de se capacitar, melhorar a performance e aumentar a própria empregabilidade.

OS PILARES DO MICROLEARNING

MENOS É MAIS

Conteúdo de qualidade fragmentado e enxuto é muito eficaz na aprendizagem. Textos são mais leves e diretos; vídeos e podcasts, mais curtos e focados, gráficos, planilhas e dados são usados apenas quando são indispensáveis, mas sempre com uma apresentação agradável.

PROTAGONISMO DOS ALUNOS

Estuda-se quando, como, onde e por quanto tempo preferir. De frente ao computador ou apenas com o celular nas mãos e fones nos ouvidos, os colaboradores tornam-se gestores de seu desenvolvimento profissional e aprendem em seu próprio ritmo. O protagonismo fomenta engajamento e comprometimento.

CUSTOMIZAÇÃO

Altamente pessoal e personalizável, um projeto de microlearning pode oferecer saberes específicos para cada equipe, departamento, níveis hierárquicos ou mesmo para cada profissional. Pode também portar-se como um hub de aprendizado, com conteúdos de diversos assuntos disponíveis para os empregados escolherem.

ESCALA

A tecnologia possibilita que um mesmo conteúdo possa ser visto e revisto por um número indefinido de pessoas. Os materiais armazenados em nuvem também são mais fáceis de ser constantemente atualizados e consultados.

MENSURÁVEL

Dá para acompanhar, aferir e medir praticamente tudo. Conteúdos que mais e menos agradam; formatos preferidos; resultados de testes de acordo com o cargo que cada funcionário ocupa; efetividade dos treinamentos; reflexos nos custos, vendas e faturamento; entre outras possibilidades.

É CIENTÍFICO

De acordo com uma pesquisa veiculada no Journal of Applied Psychology, publicação mensal da American Physiological Society, os benefícios do microlearning são:

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O GÊNERO DO JOGO

Os games são caracterizados como uma das formas contemporâneas de desdobramento da cibernética com a interação entre homem e máquina, como também entre homens através da máquina

O jogo é um fenômeno humano por excelência, é simbólico, se encontra em uma língua própria de sentidos. Segundo o autor, o jogo é visto como abertura ao mistério, ao inteligível e ininteligível, tensão permanente, luta inconstante entre o real e o imaginário. Por fim, o pesquisador relata que o jogo é muito sério para quem joga. Tal seriedade decorre do fato de que, no processo da prática do jogo, o jogador vai revelando a si próprio aspectos como medos, ousadias, incertezas, coragem e covardia. Por essas definições, com uma resposta tão plural de interpretações e sensações em relação aos jogos eletrônicos, é esperado que cada jogador apresente algumas preferências quanto ao tipo de jogo que utiliza.

Os jogos são comumente divididos em gêneros, para facilitar ao público que compra esses produtos que se familiarize com o que está sendo vendido. Assim como para filmes, há diversos gêneros para os jogos eletrônicos. Os mais comuns são ação, shooter (os famosos jogos de tiro, que podem ser do tipo FPS, ou seja, tiro em primeira pessoa), aventura, simuladores,  role-playing game (RPG, jogos nos quais o usuário utiliza um avatar num universo de múltiplas possibilidades), estratégia, corrida e esportes. Todos eles apresentam as subcategorias, que não são o escopo da matéria. Porém, torna-se importante mencionar rapidamente características de alguns desses gêneros.

AÇÃO: não é simples categorizar os jogos de ação, tendo em vista que quase todos os gêneros apresentam aspectos de movimentações frenéticas e cenas de impacto ou violência. Os jogos de ação são caracterizados, prioritariamente, por requererem do jogador elevada habilidade de reflexo devido ao número exorbitante de informações e movimentos na tela. Normalmente dão ênfase ao combate.

SHOOTER: são, a princípio, os títulos que apresentam maior quantidade de ação. Contudo, devido a sua especificidade, possuem uma categoria própria. São classificados como jogos em que a visão do jogador é a mesma do personagem controlado. O usuário observa apenas a arma que possui em suas mãos e o ambiente ao seu redor, junto aos inimigos com os quais irá se defrontar, simulando-se o mais fielmente possível a visão que o jogador teria caso estivesse naquele cenário.

ROLE-PLAYING GAME (RPG): jogo em que envolvem, em sua maioria, histórias nas quais o personagem tem opções do que deve fazer, moldando, assim, o funcionamento de acordo com seus interesses. Em alguns casos, há a possibilidade de finais diferentes. É possível tornar o personagem mais forte e habilidoso à medida que vai vencendo batalhas, diferentemente de diversos outros gêneros, que possuem uma forma linear neste sentido, poia não permitem sua evolução.

Com múltiplos gêneros de jogos eletrônicos e diversas probabilidades de escolha, será que alguns predispõem o usuário a maiores problemas psicológicos do que outros? Na minha prática clínica, o gênero mais mencionado é o “arena de batalha multijogador on-line,” (MOBA). Porém, os jogos de MMORPG (jogos de RPG que apresentam servidores com um número elevado de jogadores) e FPS são constantemente mencionados pelos pacientes.

Na et ai. (2017) realizaram um estudo com 2.923 participantes que comumente utilizavam jogos eletrônicos. Dos diversos gêneros associados ao uso patológico de games, aqueles relacionados ao MMORPG e FPS estavam vinculados com maior frequência ao transtorno do logo pela internet.

Park, Han, Kim, Cheong e Lee (2016) construíram estudo semelhante analisando 212 pacientes com uso problemático de jogos eletrônicos on-line. Os jogadores foram divididos em quatro grupos: a) MMORPG; b) Estratégia em tempo real (RTS), c) FPS; e d) outros. Os sintomas foram analisados por oito escalas e dois testes relacionados a autoestima, impulsividade, comorbidades, status de interação social e função cognitiva. Os resultados demonstraram que o nível de ansiedade social era mais elevado no grupo de jogadores de MMORPG, porém os outros fatores não mostraram relação de maior predomínio com outros gêneros de jogos eletrônicos.

Ao longo de anos pesquisando a temática, os jogos considerados como potencialmente aditivos para aqueles vulneráveis cognitivamente são aqueles que necessitam da internet para seu funcionamento. Tais jogadores comumente apresentam sintomatologia condizente com outros transtornos psiquiátricos, como transtorno de ansiedade social e transtorno depressivo maior. Apesar de não ser obrigatória a existência de comorbidades, o jogador busca refúgio (escapismo) e interação social no mundo virtual, por ser menos desafiador nas habilidades sociais (não há interação face a face) e por se sentirem mais bem-aceitos nesse ambiente.

IGOR LINS LEMOS – é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail igorlemos87@hotmail.com