A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO O CORAÇÃO ENGANA SUAS PERCEPÇÕES

Pessoas muito sensíveis aos próprios estados internos, como a pulsação do sangue, tendem a ser mais propensas a transtorno de ansiedade e pânico.

Você sente seu coração batendo. A maioria das pessoas, em geral, não consegue, a menos que esteja fisicamente agitada, com medo ou durante um exercício de relaxamento se esforce para colocar atenção no movimento do músculo cardíaco. Não é por acaso que essa constatação só ocorra em circunstâncias específicas. Em condições normais, o cérebro disfarça essa percepção para garantir o equilíbrio delicado e necessário, pois quando nosso coração dispara identificamos o medo ou a excitação. Porém, perceber constantemente nosso ritmo interno causaria distração para a maioria das pessoas e em casos extremos, teria efeito enlouquecedor. Atualmente, no entanto, várias pesquisas sugerem que, devido à forma como o cérebro corrige (e disfarça) nossos batimentos, estamos mais sujeitos a ilusões sensoriais.

Cientistas do Instituto de Tecnologia Federal da Suíça, em Lausanne, conduziram uma série de estudos com 143 participantes e constataram que os voluntários levavam mais tempo para identificar um objeto que “aparecia e sumia” quando surgia em sincronia com seus batimentos cardíacos. Utilizando uma ressonância magnética funcional, os especialistas notaram também que a atividade na ínsula, uma área cerebral associada à autopercepção, era suprimida quando as pessoas viam essas imagens sincronizadas.

Os pesquisadores que conduziram o estudo; publicado no Journal of Neuroscience, sugerem que o objeto era suprimido pelo cérebro. pois se “misturavam com todas as outras alterações do corpo que ocorrem com cada batimento cardíaco, das quais não nos damos conta: os olhos fazem movimentos minúsculos, a pressão ocular muda ligeiramente, o tórax se expande e se contrai. “O cérebro sabe” que o batimento é proveniente da própria pessoa, por isso é como se não se incomodasse com as consequências sensoriais desses sinais”, diz Roy Salomon, um dos autores do estudo. Outra pesquisa já havia mostrado que as pessoas percebem mais prontamente que um órgão ou membro de realidade virtual é realmente o seu próprio quando surge junto a um estímulo que “aparece e some” em sincronia com seus batimentos cardíacos. Na extremidade oposta do espectro estão resultados de estudos que revelam que as sensações cardíacas podem intensificar o processo de identificação de ameaças. Indivíduos detectam com mais facilidade imagens assustadoras que aparecem ao mesmo tempo que os batimentos cardíacos e as consideram mais intensas. Talvez em razão de um batimento cardíaco perceptível estar frequentemente associado ao medo e à ansiedade, o cérebro tende a confundir o estímulo sincronizado, como se estivesse associado à reação de estresse que nos impulsiona a lutar ou fugir.

A descoberta ajuda a explicar por que as pessoas muito sensíveis a seus estados internos, incluindo a consciência de seus batimentos cardíacos, tendem a ser mais propensas a transtornos de ansiedade e pânico. Para a maioria de nós, porém, o coração continua sua labuta sem ser notado – e pode ser que as peculiaridades perceptuais relacionadas também não estejam sendo notadas.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.