A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LUGAR DAS LEMBRANÇAS

Estudo sugere que as recordações são armazenadas em diferentes regiões do cérebro, de acordo com a “idade” da memória.

Há um século, o psicólogo americano Karl Lashley condicionou camundongos a encontrar a saída de um labirinto. Em seguida, provocou lesões aleatórias no córtex cerebral de cada um dos animais, na tentativa de atingir a região que armazenasse o que ele chamava de “engrama”, isto é, fragmentos de informações, e colocou os roedores novamente no labirinto – ele acreditava que aquele que tivesse o ‘lugar da memória” prejudicado não conseguiria sair. No entanto, todos eles agiram como se já conhecessem o local, achando a saída com facilidade. independentemente da região do córtex afetada. Lashley cogitou que as recordações não eram fixadas em um lugar específico do cérebro, mas armazenadas de forma difusa no sistema neural. O que determinava essa distribuição, porém, permanecia um mistério.

Décadas depois, a neurocientista canadense Brenda Milner descreveu o caso do americano Henry Molaison, conhecido como H.M, que sofria de amnésia e de problemas de memória espacial e tinha dificuldade de aprender novas habilidades motoras. Após relacionar os sintomas e observar o cérebro do paciente. Brenda e outros colegas concluíram que o hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais, parecia ter papel decisivo na consolidação de lembranças, pois é o local onde se dá a conversão da informação em memória de curta e longa duração. Mais recentemente, foi demonstrado que o córtex frontal também está envolvido no processo. Agora, um estudo conduzido pelos neurocientistas Christine Smith e Larry Squire, da Universidade da Califórnia, mostra que as recordações são armazenadas no hipocampo ou no córtex frontal de acordo com a “idade” da memória.

Por meio de ressonância magnética funcional (MRI), foi registrada a atividade do cérebro de 15 voluntários saudáveis e sem histórico familiar de doenças neurodegenerativas, enquanto eles respondiam a 160 perguntas sobre notícias divulgadas pela mídia ao longo dos últimos 30 anos. O experimento parece simples, mas Christine e Squire tiveram de considerar vários fatores que podiam interferir no resultado. Por exemplo, quando somos questionados sobre algo que aconteceu, nosso cérebro, ao mesmo tempo que processa a pergunta, aciona a memória para respondê-la. Dessa forma, os neurocientistas tinham de atentar se o que ativava uma região neural específica era a elaboração da pergunta ou a recordação. Esperaram alguns minutos depois de cada questão e se certificaram de que cada voluntário a havia entendido. Outro fator a ser considerado era se as lembranças estavam associadas a episódios da vida pessoal dos voluntários, o que podia torná-los mais fáceis de evocar.

ARQUIVOS MENTAIS

Em geral, nossa capacidade de lembrar um fato diminui com o tempo. Logo, os voluntários obviamente se recordaram melhor dos acontecimentos mais recentes que dos mais antigos. Os pesquisadores observaram, no entanto, que não havia uma relação direta com o tempo transcorrido desde o acontecimento e a riqueza da lembrança: com frequência, os participantes falaram de recordações muito antigas de maneira muito detalhada. Ao analisarem as imagens cerebrais captadas durante as respostas. Christine e Squire verificaram que a atividade do hipocampo e da amígdala (estrutura do lobo temporal medial que empresta um colorido emocional aos acontecimentos) era menos expressiva quando os indivíduos evocavam fatos remotos. No entanto, essa redução foi verificada apenas em relação a episódios que ocorreram até 12 anos antes – surpreendentemente, quando as recordações tinham mais de uma década,.

essas regiões voltavam a apresentar atividade. Observou-se que a ativação nos lobos temporais frontais, parietais e laterais era mais intensa quando os participantes se lembravam de fatos mais antigos, mas se mantinha constante quando eles falavam de suas memórias mais “frescas”.

Esse estudo pode ajudar a entender distúrbios que causam lapsos de memória, como Alzheimer e Parkinson, e mesmo lesões que não parecem estar associadas a nenhuma doença neurodegenerativa. H.M., que apresentava alterações no hipocampo, não tinha apenas dificuldade de armazenar memórias recentes, mas também fatos anteriores ao surgimento de suas crises de amnésia. Curiosamente, a maioria das pessoas se lembra com nitidez de ocorrências de um passado longínquo, enquanto acontecimentos nem tão antigos nem tão recentes são esquecidos gradualmente. O estudo de Christine e Squire sugere que, com o passar do tempo, o armazenamento de uma lembrança migra do hipocampo para o córtex frontal.

Lashley, em parte, estava certo. Mas por que as velhas lembranças são transferidas do hipocampo para o córtex frontal? Talvez porque acionar memórias antigas exija sinapses mais fortes e um maior número de associações. Pesquisas recentes apontam que a elaboração da memória nessa parte do cérebro é mais complexa, envolvendo uma rede neuronal extensa e mais conexões. Podemos supor, portanto, que o córtex frontal é uma estrutura mais apta a recuperar lembranças codificadas há mais tempo.

DO ESTIMULO À FIXAÇÃO

Quando se forma uma nova memória, uma rede específica de neurônios é elaborada em diversas estruturas cerebrais, principalmente no hipocampo, e depois a lembrança é gravada da mesma maneira no córtex, local de armazenamento definitivo. Durante todo esse processo, são produzidas proteínas que ajudarão na construção das sinapses, a comunicação entre os neurônios.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.