OUTROS OLHARES

NA GARUPA

Avenidas congestionadas e trânsito caótico compõem um cenário que se repete mundo afora. E isso não é diferente em Lagos, capital comercial da Nigéria. Para melhorar a mobilidade na cidade, nos últimos anos surgiram diversas empresas de mototáxi na região – serviço que rapidamente caiu no gosto dos cidadãos nigerianos. Para ter uma ideia do sucesso, as startups Max.ng e Gokad levantaram, cada uma, 5 milhões de dólares em investimentos para expandir suas operações para logística e correio. Contudo, em janeiro, uma decisão do governo mudou os planos dessas companhias. Pelo Twitter, a administração do estado de Lagos anunciou a proibição dos serviços de mototáxi, sob a justificativa de que eles contribuíam para aumentar a desordem do trânsito nos grandes centros. Com a medida, estima-se que 8 milhões de motoqueiros percam o emprego.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 18 DE MARÇO

A FELICIDADE DE TER O SENHOR COMO PASTOR

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará (Salmos 23.1).

A ovelha de Jesus é feliz. Jesus é o bom, o grande e o supremo pastor das ovelhas. Como bom pastor, deu a vida pelas ovelhas. Como grande pastor, vive para as ovelhas. Como supremo pastor, voltará para as ovelhas. Jesus supre todas as necessidades das suas ovelhas. Ele as conduz aos pastos verdejantes e às águas tranquilas. Ele as guia pelas veredas da justiça e refrigera-lhes a alma. Jesus é o pastor que caminha com suas ovelhas pelo vale da sombra da morte e as consola com sua vara e seu cajado. As ovelhas de Jesus têm alegria e honra, pois o Senhor unge a sua cabeça com óleo e faz o seu cálice transbordar. Jesus oferece às suas ovelhas bondade e misericórdia todos os dias e depois as recebe na glória. As ovelhas de Jesus têm provisão, companhia e segurança eterna. Jesus as protege dos lobos e as protege do mal. Mesmo passando pelos vales mais escuros da vida e enfrentando até mesmo as sombras da morte, as ovelhas de Jesus não precisam temer, pois o seu pastor já venceu a morte. Ele já arrancou o aguilhão da morte e agora oferece a elas, de graça, pela fé, a vida eterna. A vida eterna é comunhão profunda e contínua com Jesus. Ele, o bom, o grande e o supremo pastor é a própria essência da vida eterna. Jesus caminha conosco aqui e nós habitaremos com ele por toda a eternidade!

GESTÃO E CARREIRA

FORA DA CAIXA

Com o objetivo de motivar os funcionários e se diferenciar dos concorrentes, companhias investem em benefícios que fogem do padrão. Descubra as vantagens dessa prática

Ver as montanhas lá do alto num passeio de balão, passar a semana inteira fazendo trilhas em meio à natureza, tirar o fim de semana para relaxar em um SPA. Por si sós, essas atividades fazem a alegria de muita gente, mas os olhos brilham ainda mais quando elas são oferecidas pelas empresas, como uma recompensa pelo bom trabalho prestado. Para se diferenciar da concorrência ou aumentar o engajamento, diversas companhias estão apostando em benefícios que vão além dos prêmios financeiros e provocam surpresa – e boas lembranças – aos funcionários.

A ideia, no fundo, está alinhada com um termo que vem ganhando os holofotes das campanhas de marketing e vendas nos últimos anos: a experiência. Em um mercado acirrado, oferecer algo único ao consumidor (seja uma excelente jornada de consumo, seja um atendimento positivamente fora do padrão, seja um brinde singular) é essencial para criar conexão entre consumidores e marcas.

O mesmo princípio se aplica às organizações e a seus funcionários: quanto mais significativas forem as vivências dos empregados dentro das companhias, mais identificados com a empregadora eles ficarão. Isso tem a ver com o novo entendimento de carreira, que deixa de ser mera sequência de cargos e se transforma numa sequência de experiências significativas. Para conquistar isso, é preciso apelar ao emocional – ser o patrocinador de um fim de semana numa praia paradisíaca pode contar mais pontos do que pagar um bônus. Essa percepção é comprovada cientificamente. Uma pesquisa da Universidade de Cornell, publicada em 2014, mostra que, em geral, as pessoas sentem o mesmo nível de felicidade ao receberem uma experiência ou um bem material. Mas, no longo prazo, a satisfação com os bens materiais diminui, enquanto a satisfação com as experiências tende a aumentar.

A demanda por benefícios que incluam experiências e viagens vem, principalmente, do RH. Na Viva! Experiências, companhia especializada nesse mercado, 70% dos pedidos corporativos são feitos pela área de gestão de pessoas. “Abrimos em 2009 para atender o público geral, mas desde 2014 nosso foco é o corporativo, que corresponde a 97% de nossa receita”, diz André Susekind, CEO da Viva! Experiências. O concorrente de André, Jorge Nahas, CEO da O Melhor da Vida, também está de olho nesse nicho. “As empresas veem a rotatividade aumentar e entendem que precisam tratar melhor os funcionários, por isso estão buscando novas formas de se relacionar com eles”, diz Jorge, que viu sua empresa crescer 50% nos últimos dois anos por causa da demanda corporativa. “Esses benefícios dão a oportunidade de os colaboradores fazerem algo novo e de compartilharem com a família ou com os amigos – o que vale mais do que uma TV.”

LOUCOS POR PONTOS

Em 2018, a Dasa, dona de laboratórios como Delboni Auriemo e Lavoisier, começou um movimento para repaginar o relacionamento com os funcionários – o objetivo era prover aos times uma experiência tão boa quanto a que a instituição pretende dar aos clientes. O resultado da pesquisa de clima, que mostrava que os empregados queriam políticas de reconhecimento não financeiro, foi a motivação para o RH ousar nos benefícios. Além de fazer um calendário de comemorações de datas especiais para reunir e engajar as equipes, a Dasa criou um sistema de acúmulo de pontos voltado para todos os 6.000 integrantes da área comercial (incluindo coordenadores e recepcionistas, por exemplo). O investimento da empresa no desenvolvimento do site foi de cerca de 2 milhões de reais e, entre os prêmios, estão ingressos para cinema, viagens e jantares no restaurante Outback – um dos favoritos do pessoal. A pontuação é coletiva: cada uma das mais de 800 unidades comerciais da Dasa tem uma meta que, quando atingida, rende pontos para toda a equipe. “O modelo trouxe um engajamento muito grande, as pessoas conversam sobre o que gostariam de fazer”, diz Eric Telles, analista de novos negócios e responsável pela campanha de incentivos na área comercial.

Até agora, mais de 1 milhão de pontos foram utilizados. Os resultados são divulgados para toda a companhia e a Dasa incentiva os funcionários a compartilhar fotos de suas experiências. “O objetivo é que o funcionário tenha um momento de descontração em algo que faça sentido. Desvinculamos do que é financeiro e permitimos que ele crie uma memória”, afirma Flávia Pontes, superintendente de RH na Dasa.

OLHO NO LANCE

As viagens de incentivo não são do Vale do Silício”, afirma Luís Abrahão, sócio-diretor da Top Service, antiga Stella Barros. “Ao proporcionar uma experiência que de outra forma não seria alcançável, a empresa gera um prêmio que vale muito mais do que o equivalente em dinheiro.”

Na Aon, consultoria de gerenciamento, as viagens para a área comercial existem há mais de uma década. Mas são pensadas no detalhe. “A campanha precisa estar relacionada aos objetivos da empresa e ao perfil dos trabalhadores”, diz Eduardo Takahashi, vice-presidente executivo para soluções comerciais de riscos da Aon Brasil. A campanha gera minipremiações ao longo do ano (corno uma patinete elétrica e outros gadgets tecnológicos), mas o grande prêmio é uma viagem para a equipe vencedora – formada, em média, por 20 funcionários.

Além de levar os empregados para países como Estados Unidos, Irlanda e Inglaterra, um dos diferenciais é proporcionar às equipes a possibilidade de assistir a competições esportivas diretamente do camarote – o pessoal já viu jogos de basquete da NBA, partidas de tênis e campeonatos de golfe masculino e feminino. Além, é claro, de acompanhar disputas do Manchester United da tribuna – a Aon é uma antiga patrocinadora do time inglês. Os funcionários também são convidados a conhecer os atletas e tirar fotos com eles. “Usamos isso para falar de espírito esportivo, competitividade e diversidade”, diz Eduardo. Quando voltam da viagem, os ganhadores compartilham suas histórias com os colegas. “Essas experiências quebram a rotina e tornam o ambiente mais engajado”, diz Adriana Zanni, vice-presidente de RH da Aon para a América Latina.

Além disso, assim como a Dasa, a Aon oferece a seus empregados um leque de premiações – que não se limitam às viagens. Manter essa diversidade é importante porque, nem sempre, as pessoas serão motivadas pelas mesmas coisas. Para encontrar a melhor experiência para cada funcionário, vale a máxima do marketing: “Conheça profundamente seu cliente e antecipe suas necessidades”.

RECEITA BÁSICA

Cinco passos para companhias que querem oferecer premiações inusitadas

SEJA CLARO: As metas das pontuações que geram prémios devem ser transparentes para evitar frustrações e sensação de favorecimento

COMUNIQUE COM EFICIÊNCIA: Os resultados devem ser comunicados para toda a companhia, reforçando que foram atingidos de acordo com os critérios predefinidos pela empresa

PENSE NA DIVERSIDADE: As premiações precisam estar alinhadas com os interesses de cada público – para companhias presentes em várias localidades, vale oferecer benefícios diferentes de acordo com o que faz mais sentido para cada região do país

ABRA OS OUVIDOS: Converse com os empregados e com as lideranças para entender quais são os desejos e definir as recompensas

SEJA COERENTE: Só faz sentido oferecer benefícios fora do padrão se o pacote básico (plano de saúde, vale-transporte e vale-refeição, por exemplo) estiver funcionando e satisfazendo os funcionários.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LUGAR DAS LEMBRANÇAS

Estudo sugere que as recordações são armazenadas em diferentes regiões do cérebro, de acordo com a “idade” da memória.

Há um século, o psicólogo americano Karl Lashley condicionou camundongos a encontrar a saída de um labirinto. Em seguida, provocou lesões aleatórias no córtex cerebral de cada um dos animais, na tentativa de atingir a região que armazenasse o que ele chamava de “engrama”, isto é, fragmentos de informações, e colocou os roedores novamente no labirinto – ele acreditava que aquele que tivesse o ‘lugar da memória” prejudicado não conseguiria sair. No entanto, todos eles agiram como se já conhecessem o local, achando a saída com facilidade. independentemente da região do córtex afetada. Lashley cogitou que as recordações não eram fixadas em um lugar específico do cérebro, mas armazenadas de forma difusa no sistema neural. O que determinava essa distribuição, porém, permanecia um mistério.

Décadas depois, a neurocientista canadense Brenda Milner descreveu o caso do americano Henry Molaison, conhecido como H.M, que sofria de amnésia e de problemas de memória espacial e tinha dificuldade de aprender novas habilidades motoras. Após relacionar os sintomas e observar o cérebro do paciente. Brenda e outros colegas concluíram que o hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais, parecia ter papel decisivo na consolidação de lembranças, pois é o local onde se dá a conversão da informação em memória de curta e longa duração. Mais recentemente, foi demonstrado que o córtex frontal também está envolvido no processo. Agora, um estudo conduzido pelos neurocientistas Christine Smith e Larry Squire, da Universidade da Califórnia, mostra que as recordações são armazenadas no hipocampo ou no córtex frontal de acordo com a “idade” da memória.

Por meio de ressonância magnética funcional (MRI), foi registrada a atividade do cérebro de 15 voluntários saudáveis e sem histórico familiar de doenças neurodegenerativas, enquanto eles respondiam a 160 perguntas sobre notícias divulgadas pela mídia ao longo dos últimos 30 anos. O experimento parece simples, mas Christine e Squire tiveram de considerar vários fatores que podiam interferir no resultado. Por exemplo, quando somos questionados sobre algo que aconteceu, nosso cérebro, ao mesmo tempo que processa a pergunta, aciona a memória para respondê-la. Dessa forma, os neurocientistas tinham de atentar se o que ativava uma região neural específica era a elaboração da pergunta ou a recordação. Esperaram alguns minutos depois de cada questão e se certificaram de que cada voluntário a havia entendido. Outro fator a ser considerado era se as lembranças estavam associadas a episódios da vida pessoal dos voluntários, o que podia torná-los mais fáceis de evocar.

ARQUIVOS MENTAIS

Em geral, nossa capacidade de lembrar um fato diminui com o tempo. Logo, os voluntários obviamente se recordaram melhor dos acontecimentos mais recentes que dos mais antigos. Os pesquisadores observaram, no entanto, que não havia uma relação direta com o tempo transcorrido desde o acontecimento e a riqueza da lembrança: com frequência, os participantes falaram de recordações muito antigas de maneira muito detalhada. Ao analisarem as imagens cerebrais captadas durante as respostas. Christine e Squire verificaram que a atividade do hipocampo e da amígdala (estrutura do lobo temporal medial que empresta um colorido emocional aos acontecimentos) era menos expressiva quando os indivíduos evocavam fatos remotos. No entanto, essa redução foi verificada apenas em relação a episódios que ocorreram até 12 anos antes – surpreendentemente, quando as recordações tinham mais de uma década,.

essas regiões voltavam a apresentar atividade. Observou-se que a ativação nos lobos temporais frontais, parietais e laterais era mais intensa quando os participantes se lembravam de fatos mais antigos, mas se mantinha constante quando eles falavam de suas memórias mais “frescas”.

Esse estudo pode ajudar a entender distúrbios que causam lapsos de memória, como Alzheimer e Parkinson, e mesmo lesões que não parecem estar associadas a nenhuma doença neurodegenerativa. H.M., que apresentava alterações no hipocampo, não tinha apenas dificuldade de armazenar memórias recentes, mas também fatos anteriores ao surgimento de suas crises de amnésia. Curiosamente, a maioria das pessoas se lembra com nitidez de ocorrências de um passado longínquo, enquanto acontecimentos nem tão antigos nem tão recentes são esquecidos gradualmente. O estudo de Christine e Squire sugere que, com o passar do tempo, o armazenamento de uma lembrança migra do hipocampo para o córtex frontal.

Lashley, em parte, estava certo. Mas por que as velhas lembranças são transferidas do hipocampo para o córtex frontal? Talvez porque acionar memórias antigas exija sinapses mais fortes e um maior número de associações. Pesquisas recentes apontam que a elaboração da memória nessa parte do cérebro é mais complexa, envolvendo uma rede neuronal extensa e mais conexões. Podemos supor, portanto, que o córtex frontal é uma estrutura mais apta a recuperar lembranças codificadas há mais tempo.

DO ESTIMULO À FIXAÇÃO

Quando se forma uma nova memória, uma rede específica de neurônios é elaborada em diversas estruturas cerebrais, principalmente no hipocampo, e depois a lembrança é gravada da mesma maneira no córtex, local de armazenamento definitivo. Durante todo esse processo, são produzidas proteínas que ajudarão na construção das sinapses, a comunicação entre os neurônios.