A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ALEITAMENTO MATERNO PODE INFLUIR NA INTELIGÊNCIA DO BEBÊ

Estudo revela a contribuição da genética e de fatores ambientais para o desenvolvimento da capacidade cognitiva nos primeiros meses de vida

É antigo (e sempre atual) o debate sobre o papel tanto dos genes quanto das vivências proporcionadas pelas experiências sensoriais e interações afetivas e sociais no desenvolvimento da inteligência das crianças.

Hoje em dia, a maioria dos especialistas concorda que a capacidade cognitiva depende tanto da carga genética herdada de nossos ancestrais quanto dos estímulos aplicados na hora certa. Mas isso ainda não satisfaz cientistas ávidos por quantificar a contribuição relativa destes fatores e compreender melhor por que somos tão diferentes dos demais primatas.

Um estudo publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) por pesquisadores do Reino Unido. Estados Unidos e Nova Zelândia mostrou como a genética pode modular a relação entre aleitamento materno (uma influência ambiental) e inteligência. Embora não seja uma regra, alguns experimentos já mostraram que crianças amamentadas no peito costumam obter melhores resultados em testes de quociente de inteligência (QI) quando comparadas a outras que não viveram essa experiência.

Por trás dessa correlação podem estar alguns lipídeos, que só existem no leite materno e têm papel importante no desenvolvimento do sistema nervoso dos bebês. Os cientistas acompanharam vários aspectos da evolução intelectual de crianças – amamentadas ou não – e detectaram variações de um determinado gene, o FADS2, essencial para o controle das vias metabólicas daqueles lipídeos.

Foram analisadas duas amostras populacionais, uma na Nova Zelândia e outra do Reino Unido. Do ponto de vista genético, os participantes do estudo foram divididos em três grupos: sem variação do gene FADS2 (CC), heterozigoto para essa variação (GC) e homozigoto (GG). As amostras foram balanceadas para eliminar a influência de outros fatores, como nível socioeconômico, idade gestacional e peso no nascimento. O OI das crianças foi avaliado aos 7,9, 11 e 13 anos.

Os resultados confirmam a relação entre aleitamento e maior facilidade para apreensão de conteúdo, memorização e resolução de problemas. A exceção foi o grupo GG. Em outras palavras:  para quem é homozigoto para a variação do gene FADS.2, tanto faz ser amamentado ou não, em termos de quociente intelectual. Isso sugere que, para nossos ancestrais, de um tempo em que não havia mamadeira ou fórmulas, tal perfil pode ter tido alguma influência nas diferenças individuais de inteligência.

Segundo pesquisadores, além de serem úteis para estudos sobre a influência da genética no comportamento, esses resultados ajudam a esclarecer que muitas questões de biologia não podem ser reduzidas à dicotomia genética-ambiente, mas vão além delas. As interações entre esses fatores é complexa e pode oferecer incontáveis desdobramentos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.