GESTÃO E CARREIRA

O CORPO FALA NO TRABALHO

A linguagem não verbal não é valorizada e falta treinamento nas empresas a fim de capacitar colaboradores. Ela pode ajudar no relacionamento de uma equipe multi e interdisciplinar

Segundo alguns estudos realizados nos EUA, vários tipos de comportamentos e sinais da linguagem corporal podem construir um sentimento de inclusão e fortalecer os laços entre os membros e os lideres de uma equipe. Assim, a linguagem não verbal quando bem usada como elemento de formação de equipes inclui uma remoção de barreiras físicas e eletrônicas entre as pessoas.

São gestos simples que não necessitam de uma elaboração complexa para que possam auxiliar no processo de uma cultura organizacional positiva. Como, por exemplo: uso do movimento com as mãos abertas ao falar, acenos de cabeça positivamente para incentivar a continuar falando e sincronizar a própria linguagem corporal com os outros criando um espelhamento.

Qualquer pessoa, de forma sutil, pode replicar em sua própria postura o que o outro está demonstrando com as posições dos braços e expressões faciais. Essa é uma boa maneira de fortalecer o relacionamento entre os membros de uma equipe.

O psicólogo Adrian Furnham, em seu livro A Linguagem Corporal no Trabalho, apresenta um repertório gestual básico comum em muitas culturas ocidentais com seus respectivos significados, que demonstram como determinados gestos possuem um código preestabelecido dentro de alguns grupos sociais.

Ele mesmo, que é britânico nascido na África do Sul, especialista em gerenciamento e professor de Psicologia na University College London, afirma que a maior parte das pessoas já tem um grande conhecimento desses gestos conscientes que podem, inclusive, ter um significado diferente em outras culturas.

Assim, já existe um código que funciona como um cabedal inicial para uma comunicação por meio de sinais não verbais emitidos por uma pessoa. Da mesma forma que existe uma norma social para que duas pessoas escolham, de forma automática e inconsciente, quem vai abrir espaço na calçada para não ocorrer um choque entre elas. Esse código muda dependendo da cultura local, embora nunca tenha sido escrito ou divulgado.

Na verdade, esses códigos comunicacionais só têm real valor quando os dois indivíduos que participam da comunicação atribuem significado. Dessa forma, cada ambiente cultural pode ter muitos signos próprios, já que estão imersos nas pessoas que deles fazem uso de forma natural e espontânea. Os gestos surgem como complementação do que está sendo dito ou funcionam sozinhos sem que nenhuma palavra seja emitida.

Isso reforça o pensamento de que é possível a elaboração de um gestual de apoio à comunicação no ambiente de trabalho, principalmente quando os colaboradores, por um motivo ou outro, não podem usar a linguagem verbal. Nesse caso pode ser criado um código através de posturas, gestos e expressões faciais de forma consciente para potencializar o entrosamento da equipe e o próprio relacionamento com o mercado consumidor, quando da relação direta.

Os gestos conscientes, que podem variar de uma cultura para outra, também informam bastante sobre a própria cultura e a ausência de um vocabulário extenso. Esses gestos são simbólicos, carregam informações que só os integrantes do sistema (cultura) podem decodificar.

Quando não há palavras que completem o significado de algo, os membros dessa comunidade são levados a usar as mãos para completar o que querem dizer. Assim, acentua Charles Darwin, povos com um universo de linguagem diminuto são levados a gesticular mais que outros que possuem amplo vocabulário.

Nem tudo pode ser transposto pelos gestos. Um exemplo da dificuldade de expor o pensamento sem recursos linguísticos é tentar explicar para outra pessoa, no idioma português, o que é uma escada caracol sem usar o apoio das mãos para desenhar no ar o formato dessa estrutura. Desmond Morris, zoólogo inglês, em seu livro Body talk: a World Guide to Gestures, apresenta quase mil gestos que têm o propósito de complementar a linguagem falada em vários países do mundo.

Alguns países, como a Itália, possuem um imenso arsenal de posturas que só têm um significado para a população local. A origem desses gestos, que são direcionados a uma comunidade específica, como a cidade de Nápoles, na Itália, por exemplo, se perde no tempo, quando a miscigenação de diferentes culturas com idiomas distintos provavelmente levou os indivíduos a criarem formas alternativas de comunicação.

Muitos são os gestos conscientes que podem ser entendidos em uma cidade ou em um país e podem ter outro ou nenhum significado em um local distinto.

Da mesma forma, cada empresa pode elaborar um cabedal linguístico próprio visando uma interação maior entre os integrantes da equipe e uma linha de afeto maior com os seus clientes.

Isso não é novidade: a Disney usa em seus parques.

Todos os membros do elenco – como são chamados os colaboradores da Disney – aprendem, durante seu período de treinamento, que gestos devem usar e quais jamais podem apresentar durante o tempo que atuam dentro dos parques temáticos. Gestos estudados e elaborados para não criar resistências entre as diferentes culturas que visitam as atrações e que permitem uma comunicação clara para os outros integrantes do elenco.

Não se trata de uma solução para todos os problemas comunicacionais: é uma ferramenta que pode ser usada para aprimorar os resultados.

Nada pode ser dispensável quando falamos de melhorar desempenhos. Qualquer elemento que possa alavancar a produtividade deve ser levado muito a sério para quem deseja alcançar bons resultados.

O professor Dr. JOÃO OLIVEIRA é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.pscb.br). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise; Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções; Jogos para Gestão de Pessoas/ Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana; Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Corporais e Faciais (Wak Editora).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.