A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUAL O VÍNCULO POSSÍVEL?

A educação se inicia em casa, primeiro com o exemplo dos pais no desenvolvimento intelectual, social e cognitivo dos filhos. Mas o mundo moderno traz a culpa de nem sempre poderem estar tão presentes

A correria do dia a dia, desde o momento em que acordamos, quando temos que preparar os filhos para o colégio, o café da manhã, o lanche das crianças e o próprio material de trabalho, entre tantos outros assuntos que precisam ser resolvidos, mantém o nosso ritmo acelerado. Assim começa o dia de milhares de pais que, por conta das dificuldades enfrentadas nas grandes cidades, precisam se virar para terem tempo de exercer um dos maiores desafios da vida, que é ser pai e mãe.

Partindo desse pensamento e de uma demanda de consultório, surgiu a ideia de escrever algo que pudesse ajudar os pais a enfrentar o dia a dia e cuidar de seus pequenos sem se culparem por não poder estar o dia todo ao lado deles. É sabido que durante o período de desenvolvimento das crianças é necessária uma atenção especial, pois esses pequenos absorvem tudo que está a sua volta e ninguém melhor que os próprios pais para passar o que é mais saudável aos seus filhos. Com tantos estímulos hoje em dia, os pais se veem perdidos para chamar a atenção de seus filhos e compartilhar momentos agradáveis em família. A partir do momento em que decidimos ser pais, já temos que saber sobre a responsabilidade de educar e ensinar um ser, que é como um livro em branco, pronto para se escrever uma linda história, é ai que os pais ficam confusos por conta de tantos compromissos, mas precisamos lembrar sempre a eles que essa história será repleta de ensinamentos, preparações, experiências a partir da óptica de vivências e experiências dos próprios pais, de suas condutas, de seus valores.

VÍNCULO DE SEGURANÇA

Anne Fishel, psicóloga e professora clínica associada de Psicologia na Harvard Medical School e diretora e co­ fundadora do projeto The Family Dinner Project, acredita que jantares em família são uma parte vital para nosso bem-estar físico e emocional, e eu vou um pouco além dessa importante pesquisa, não somente os jantares, mas sempre que possível realizaras outras refeições em família, pois, além de trabalharem o bem-estar físico e emocional, também ajudam as crianças a criar e aprender a importância de estarem juntas com a família, para que possam falar sobre seus anseios, desejos e decepções do dia a dia, é um momento único, em que se pode agregar sensações e paladares diferentes a um bom papo, descobrindo assim uma maneira de se sentirem próximos, tanto os filhos como os pais.

Criar esse vínculo de segurança ainda pequenos – as dúvidas e questões que permeiam as crianças durante a  fase de desenvolvimento, a adolescência, fase em que muitas dúvidas surgem, e nessa transição para a vida adulta faz com que eles não precisem utilizar meios não saudáveis para resolver seus problemas, os níveis de estresse, problemas físicos como diabetes, obesidade, problemas cardíacos gerados pela má alimentação também podem ser minimizados quando podem contar com a ajuda dos pais, sabendo que suas dúvidas e problemas poderão ser resolvidos por aqueles em quem confiam, isso faz com que haja uma aprendizagem emocional sem danos maiores ao menor.

Outro ponto importante a ser lembrado é sobre o incentivo. Quando temos alguma situação que pode não ser prazerosa no início, como provar um alimento, por exemplo, ela pode ser modificada e ainda ser estimulada. Nossa memória registra fatos importantes de nossa vida, sejam elas boas ou ruins, mas o que pode fazer a diferença é quando as boas vivências podem ser estimuladas de diversas formas, com atenção, carinho, um ambiente agradável, uma boa relação entre os pais e as pessoas que estão ao redor dessa criança, harmonia no ambiente, todos esses parâmetros ajudam a criança a registrar e fazer uma ligação entre o que está sendo apresentado e a dinâmica em que isso acontece, com isso a possibilidade de ela ter uma receptividade favorável ao alimento recebido, por exemplo, aumenta.

LIMITES E PERMISSIVIDADE

A personalidade e o caráter vão se moldando à medida que os pais passam valores e experiências adquiridos ao longo da vida para que a criança possa ter uma orientação a ser seguida. No ambiente familiar, além dos pais, os avós e tios também entram com a reponsabilidade de dar bons exemplos aos pequenos, uma vez que eles são como um ímã, irão absorver e atrair tudo que estiver ao alcance para a aprendizagem física, motora, intelectual e psicológica. Uma família mais estruturada emocionalmente e financeiramente tem possibilidades de ter acesso a um conhecimento maior e atualizações sobre como agir em situações adversas durante esse período de aprendizagem da criança.

Asfamílias menos favorecidas deveriam ter a oportunidade do alcance a essas informações em escolas, rede pública, entidades que trabalham com esse assunto, mas infelizmente sabemos que isso é mais difícil de acontecer, gerando problemas sociais e psicológicos para essas crianças epais, que são demonstrados diariamente através dos canais de comunicação.

Quando falamos de limites e permissividade, entramos num campo muito delicado, pois os limites são necessários para nossas crianças aprenderem que nem tudo podemos, e quando ela for maior saberá lidar com as frustrações impostas pela vida e sociedade. A dificuldade dos pais em falar “não” vai ao encontro da culpa que sentem de não poder estar ao lado do filho, acompanhando seu desenvolvimento intensamente e diariamente, e com isso “acreditam” que estão fazendo a coisa certa quando se propõem a deixar a criança fazer o que quer e quando quer, criando uma ilusão de eliminação de sua “culpa” porém estudos e pesquisas demonstram que os jovens hoje percebem a necessidade de limites, pois se sentem livres demais e preocupados em ter que decidir sobre as adversidades que aparecem em sua vida, mesmo que aparentemente possam dizer que preferem resolver sozinhos. Quando os pais impõem limites, não estamos falando de algo genérico, e sim de cuidado, carinho, atenção, tão necessários para uma criança. A partir do momento em que uma mãe ou um pai diz “não” ao seu filho, ela ou ele está tentando, dentro de sua certeza, proteger seu filho de algo que os pais acreditam ser prejudicial a ele, pois ninguém nasce sabendo como resolver os problemas que aparecem e não temos um manual que vem junto com a criança dizendo como será cada passo, vamos aprendendo a resolver as questões à medida que as experienciamos, que vivemos, e isso não significa que os filhos não podem opinar. Seria muito bom se houvesse diálogo entre pais e filhos e os problemas fossem resolvidos em conjunto, se chegassem a um veredito melhor para todos, e se você acredita que os pequeninos não podem participar está enganado.

DIÁLOGO ENTRE TODOS

Se for mantido o diálogo, a atenção, o carinho, e se passar clareza e objetividade para resolver uma dificuldade apresentada pelo seu filho, ele terá condições de entender. Pode ocorrer de, no primeiro momento, não haver um entendimento e aparecer a birra, que também pode ser trabalhada em cima do problema apresentado anteriormente, mas se os pais conseguirem fazer com que a criança vivencie e discuta essa relação, a probabilidade de compreensão da criança aumentará diante das ações e resultados obtidos. Isso é aprendizagem! Ela levará para sua vida tudo que vivenciar e aprender durante sua vida, sabendo lidar melhor com as situações difíceis esaberá comemorar suas vitórias, pois não é necessário somente resolver os problemas, mas a comemoração pela finalização de um problema leva a pessoa a se estimular cada vez mais para enfrentar os outros desafios, afinal, saberá que depois vêm o bem-estar e a realização em vencer o obstáculo.

É possível criar um hábito a partir da inserção e participação intensa dos pais e das crianças, como por, exemplo, a preparação de uma alimentação saudável com a ajuda dos pequenos. Essa pode ser uma aprendizagem mútua com resultados incríveis de descobertas, experimentações, limites, permissões, cumplicidade, confiança, prazeres e muito mais conhecimento desse mundo infantil delicioso de vivenciar ao lado dos nossos filhos, e se não vivenciarmos isso, para que serviria todo o desejo de ser pai e mãe, tudo na vida tem o ônus e o bônus, só precisamos aprender a lidar e utilizar o ônus em nosso favor, transformando-o em crescimento e aprendizagem, e o bónus nós podemos compartilhar com quem amamos e com quem desejamos que também consiga vencer seus obstáculos.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.