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EVANGELHO NAS ALTURAS

A entidade religiosa da qual o novo dirigente da Funai para índios isolados já foi missionário compra helicóptero para chegar a aldeias nos confins da Amazônia

No dia 26 de janeiro, um pequeno hangar em Anápolis, interior de Goiás, parecia um templo evangélico. Cadeiras de plástico ocupavam o pátio enquanto um homem entoava canções gospel ao violão. Diante do pequeno grupo, materializada, estava a graça alcançada: um helicóptero R66, avaliado em RS 4 milhões. Numa mensagem em vídeo gravada e transmitida aos fiéis, o missionário Edward Luz dava graças ao Senhor.

“Nós estamos vivendo um momento muito especial nesses dias, quando única e exclusivamente, pela graça e bondade do Senhor, Ele nos supriu com um helicóptero Robinson 66 que será usado no Acre, precisamente na cidade de Cruzeiro do Sul. Um helicóptero que nos ajudará em todo o processo de chegar com mais facilidade nas aldeias onde não há pista de pouso”, disse o missionário.

De longe, o culto diante de um helicóptero poderia parecer apenas incomum. De perto, no entanto, as palavras de Luz indicavam algo mais. Ele é diretor da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), entidade religiosa que atua no país desde os anos 1950 e cujo foco é evangelizar índios.

A promessa de Luz, porém, esbarra em uma barreira legal. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), a entidade dirigida pelo missionário não tem autorização para entrar em terras indígenas. Procurado, o ministério disse que o encontro foi realizado a pedido de Luz e que o tema debatido foi a questão indígena. A MNTB não deu respostas. A reportagem questionou a Funai sobre quais providências o órgão tomaria diante da promessa da MNTB de usar seu novo helicóptero para evangelizar indígenas, mas até o fechamento deste post, o órgão não havia respondido à questão.

Três dias depois do “culto do helicóptero”, a 154 quilômetros de Anápolis, em Brasília, o delegado da Polícia Federal e presidente da Funai, Marcelo Xavier, mudou o regimento da entidade para permitir que indivíduos de fora da administração pública pudessem ocupar a coordenação-geral de proteção a índios isolados e de recente contato.

Para a vaga, nomeou o antropólogo Ricardo Lopes Dias, ex- missionário da MNTB. Durante quase dez anos, ele atuou no Vale do Javari, no Extremo- Oeste do Amazonas, evangelizando índios da etnia matsé. O especialista enalteceu a entidade nos agradecimentos de sua tese de mestrado. “À Missão Novas Tribos do Brasil por ter sido tão importante em minha formação e por ter viabilizado meu tempo no campo”, escreveu Lopes Dias.

Desde 1987, a política oficial do governo brasileiro em relação aos isolados é evitar o contato o máximo possível para impedir que se tornem vítimas de não índios ou das doenças transmitidas por eles e para as quais a maioria dos isolados não tem proteção imunológica.

A chegada de um ex- missionário ao cargo fez com que lideranças indígenas e entidades que atuam na defesa dos direitos humanos reagissem com receio de que a política de não contato pudesse ser flexibilizada ou até mesmo revertida.

“Nesse governo, a gente percebe que essas entidades, que antes tinham de atuar nas sombras, agora estão mais ousadas. Essa declaração de que vão, sim, usar o helicóptero para evangelizar índios mostra a confiança deles em uma mudança do cenário”, afirmou a professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) Marcela Stockler Coelho de Souza.

Em entrevista ao jornal O Globo no fim de janeiro, antes de sua nomeação ser confirmada, Lopes Dias defendeu sua indicação. “Acho que está havendo até uma discriminação pelo fato de eu ser evangélico. Eu sou antropólogo, tenho mestrado e acabei de concluir um doutorado. Tenho conhecimento técnico sobre a situação dos índios no Brasil”, afirmou.

Ele disse que sua atuação será técnica. “Não vou promover a evangelização de índios.” Além disso, afirmou que vai apenas implementar as diretrizes já estabelecidas: “O que posso dizer é que não vou mudar o que vem dando certo. É claro que, se houver coisas que a gente deva mudar, vamos mudar”.

O Ministério Público Federal (MPF) chegou a mover uma ação civil pública contra a nomeação, alegando que a ida de Lopes Dias para o cargo representava um claro conflito de interesse por causa de sua ligação com a entidade. A Justiça Federal rejeitou o pedido de liminar para anular a escolha.

Antes mesmo de a nomeação ter sido confirmada, o filho de Luz, o antropólogo Edward Mantoanelli  Luz, afirmou que a comunidade  missionária  influenciou na indicação de Lopes Dias ao cargo.

No dia 29 de janeiro, na sede da Funai em Altamira, Pará, o antropólogo comemorava. “Nós vamos colocar um novo presidente na CGIIRC (a coordenação Para os Índios isolados). Acabamos de indicar uma nova pessoa para a CGIIRC, acho que você já deve ter lido, e vamos formalmente mudar essa política”, disse, em áudio transcrito pelo MPF na ação para tentar anular a nomeação de Lopes Dias.

Edward filho foi preso há duas semanas ao tentar impedir uma fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (lbama) em uma terra indígena no Pará.

Fundada nos Estados Unidos, a MNTB originalmente se chamava New Tribes Mission. Chegou aqui na década de 1950 e, de lá para cá, despertou a desconfiança de autoridades brasileiras.

Em 1961, por exemplo, um inquérito policial elaborado por militares que atuavam na região do AltoRio Negro, Amazonas, dizia que os missionários estrangeiros estavam “doutrinando inúmeros índios da etnia baníua, criando com isso um ambiente tão hostil que padres brasileiros eram recebidos agressivamente”.

O Inquérito informava ainda que os missionários haviam criado um clima de ”ódio” e que, em algumas áreas, eles proibiram o contato entre índios católicos e protestantes. Foi em 1991 que a missão sofreu seu maior golpe desde sua chegada ao Brasil. Naquele ano, a Funai expulsou missionários da MNTB da área em que vivem índios da etnia zoé, que foram contatados recentemente. A expulsão aconteceu após a morte de, pelo menos , 37 indígenas que teriam contraído gripe transmitida pelos religiosos.

Mais recentemente, missionários ligados à entidade viraram réus acusados pelo MPF de aliciar índios zoés para trabalharem como escravos na coleta de castanha no Oeste do Pará. O caso ainda está tramitando na Justiça Federal.

Luz, que prometeu usar o helicóptero para chegar às aldeias, se encontrou com a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, no dia 28 de Janeiro de 2019.

Damares é uma das fundadoras da organização não governamental Atini – Voz Pela Vida, que também atua com a questão indígena. A ministra é protagonista da polêmica adoção de uma índia da etnia camaiurá.

À época da reunião, a Funai tinha acabado de ser retirada do Ministério da Justiça e Segurança Pública e estava sob a responsabilidade de Damares. Na pauta: a questão indígena e a educação familiar.

Deacordo com um levantamento realizado pela 6° Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria-Geral da República, responsável pelos casos envolvendo os direitos indígenas, entre 2005 e 2019 foram instaurados 22 procedimentos, entre ações civis públicas e inquéritos, para investigar o ingresso de missionários em terras indígenas.

ALIENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 11 DE MARÇO

A FELICIDADE É UMA ORDEM DE DEUS

Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos (Filipenses 4.4).

A felicidade é o cardápio do dia na mesa da humanidade. Ansiamos por ela e a desejamos com todas as forças da nossa alma. Fomos criados para a felicidade. Fomos salvos para a maior de todas as felicidades. A felicidade não é uma opção, é uma ordem de Deus. O apóstolo Paulo, mesmo numa prisão, escreveu aos filipenses: Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez digo: alegrai-vos. A alegria não é uma emoção superficial e passageira, porém a mais profunda felicidade que coexiste com a dor. Paulo diz que devemos alegrar-nos sempre. É claro que a vida não é um parque de diversões. Enfrentamos lutas e cruzamos vales escuros. Mas nossa felicidade não é um bem-estar epidérmico e fugaz, mas uma experiência profunda e duradoura. Nossa alegria, além de imperativa, é também ultracircunstancial. Não depende de circunstâncias. Mas qual é o núcleo dessa felicidade: Dinheiro? Prazer? Sucesso? Não! Paulo diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Jesus é o cerne dessa alegria. Ele é o conteúdo da nossa felicidade. Nossa felicidade não é um sentimento. Nossa felicidade não é apenas ausência de coisas ruins nem apenas presença de coisas boas. Nossa felicidade é uma Pessoa, nossa felicidade é Jesus!

GESTÃO E CARREIRA

O CORPO FALA NO TRABALHO

A linguagem não verbal não é valorizada e falta treinamento nas empresas a fim de capacitar colaboradores. Ela pode ajudar no relacionamento de uma equipe multi e interdisciplinar

Segundo alguns estudos realizados nos EUA, vários tipos de comportamentos e sinais da linguagem corporal podem construir um sentimento de inclusão e fortalecer os laços entre os membros e os lideres de uma equipe. Assim, a linguagem não verbal quando bem usada como elemento de formação de equipes inclui uma remoção de barreiras físicas e eletrônicas entre as pessoas.

São gestos simples que não necessitam de uma elaboração complexa para que possam auxiliar no processo de uma cultura organizacional positiva. Como, por exemplo: uso do movimento com as mãos abertas ao falar, acenos de cabeça positivamente para incentivar a continuar falando e sincronizar a própria linguagem corporal com os outros criando um espelhamento.

Qualquer pessoa, de forma sutil, pode replicar em sua própria postura o que o outro está demonstrando com as posições dos braços e expressões faciais. Essa é uma boa maneira de fortalecer o relacionamento entre os membros de uma equipe.

O psicólogo Adrian Furnham, em seu livro A Linguagem Corporal no Trabalho, apresenta um repertório gestual básico comum em muitas culturas ocidentais com seus respectivos significados, que demonstram como determinados gestos possuem um código preestabelecido dentro de alguns grupos sociais.

Ele mesmo, que é britânico nascido na África do Sul, especialista em gerenciamento e professor de Psicologia na University College London, afirma que a maior parte das pessoas já tem um grande conhecimento desses gestos conscientes que podem, inclusive, ter um significado diferente em outras culturas.

Assim, já existe um código que funciona como um cabedal inicial para uma comunicação por meio de sinais não verbais emitidos por uma pessoa. Da mesma forma que existe uma norma social para que duas pessoas escolham, de forma automática e inconsciente, quem vai abrir espaço na calçada para não ocorrer um choque entre elas. Esse código muda dependendo da cultura local, embora nunca tenha sido escrito ou divulgado.

Na verdade, esses códigos comunicacionais só têm real valor quando os dois indivíduos que participam da comunicação atribuem significado. Dessa forma, cada ambiente cultural pode ter muitos signos próprios, já que estão imersos nas pessoas que deles fazem uso de forma natural e espontânea. Os gestos surgem como complementação do que está sendo dito ou funcionam sozinhos sem que nenhuma palavra seja emitida.

Isso reforça o pensamento de que é possível a elaboração de um gestual de apoio à comunicação no ambiente de trabalho, principalmente quando os colaboradores, por um motivo ou outro, não podem usar a linguagem verbal. Nesse caso pode ser criado um código através de posturas, gestos e expressões faciais de forma consciente para potencializar o entrosamento da equipe e o próprio relacionamento com o mercado consumidor, quando da relação direta.

Os gestos conscientes, que podem variar de uma cultura para outra, também informam bastante sobre a própria cultura e a ausência de um vocabulário extenso. Esses gestos são simbólicos, carregam informações que só os integrantes do sistema (cultura) podem decodificar.

Quando não há palavras que completem o significado de algo, os membros dessa comunidade são levados a usar as mãos para completar o que querem dizer. Assim, acentua Charles Darwin, povos com um universo de linguagem diminuto são levados a gesticular mais que outros que possuem amplo vocabulário.

Nem tudo pode ser transposto pelos gestos. Um exemplo da dificuldade de expor o pensamento sem recursos linguísticos é tentar explicar para outra pessoa, no idioma português, o que é uma escada caracol sem usar o apoio das mãos para desenhar no ar o formato dessa estrutura. Desmond Morris, zoólogo inglês, em seu livro Body talk: a World Guide to Gestures, apresenta quase mil gestos que têm o propósito de complementar a linguagem falada em vários países do mundo.

Alguns países, como a Itália, possuem um imenso arsenal de posturas que só têm um significado para a população local. A origem desses gestos, que são direcionados a uma comunidade específica, como a cidade de Nápoles, na Itália, por exemplo, se perde no tempo, quando a miscigenação de diferentes culturas com idiomas distintos provavelmente levou os indivíduos a criarem formas alternativas de comunicação.

Muitos são os gestos conscientes que podem ser entendidos em uma cidade ou em um país e podem ter outro ou nenhum significado em um local distinto.

Da mesma forma, cada empresa pode elaborar um cabedal linguístico próprio visando uma interação maior entre os integrantes da equipe e uma linha de afeto maior com os seus clientes.

Isso não é novidade: a Disney usa em seus parques.

Todos os membros do elenco – como são chamados os colaboradores da Disney – aprendem, durante seu período de treinamento, que gestos devem usar e quais jamais podem apresentar durante o tempo que atuam dentro dos parques temáticos. Gestos estudados e elaborados para não criar resistências entre as diferentes culturas que visitam as atrações e que permitem uma comunicação clara para os outros integrantes do elenco.

Não se trata de uma solução para todos os problemas comunicacionais: é uma ferramenta que pode ser usada para aprimorar os resultados.

Nada pode ser dispensável quando falamos de melhorar desempenhos. Qualquer elemento que possa alavancar a produtividade deve ser levado muito a sério para quem deseja alcançar bons resultados.

O professor Dr. JOÃO OLIVEIRA é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.pscb.br). Entre seus livros estão: Relacionamento em Crise; Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções; Jogos para Gestão de Pessoas/ Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana; Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Corporais e Faciais (Wak Editora).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUAL O VÍNCULO POSSÍVEL?

A educação se inicia em casa, primeiro com o exemplo dos pais no desenvolvimento intelectual, social e cognitivo dos filhos. Mas o mundo moderno traz a culpa de nem sempre poderem estar tão presentes

A correria do dia a dia, desde o momento em que acordamos, quando temos que preparar os filhos para o colégio, o café da manhã, o lanche das crianças e o próprio material de trabalho, entre tantos outros assuntos que precisam ser resolvidos, mantém o nosso ritmo acelerado. Assim começa o dia de milhares de pais que, por conta das dificuldades enfrentadas nas grandes cidades, precisam se virar para terem tempo de exercer um dos maiores desafios da vida, que é ser pai e mãe.

Partindo desse pensamento e de uma demanda de consultório, surgiu a ideia de escrever algo que pudesse ajudar os pais a enfrentar o dia a dia e cuidar de seus pequenos sem se culparem por não poder estar o dia todo ao lado deles. É sabido que durante o período de desenvolvimento das crianças é necessária uma atenção especial, pois esses pequenos absorvem tudo que está a sua volta e ninguém melhor que os próprios pais para passar o que é mais saudável aos seus filhos. Com tantos estímulos hoje em dia, os pais se veem perdidos para chamar a atenção de seus filhos e compartilhar momentos agradáveis em família. A partir do momento em que decidimos ser pais, já temos que saber sobre a responsabilidade de educar e ensinar um ser, que é como um livro em branco, pronto para se escrever uma linda história, é ai que os pais ficam confusos por conta de tantos compromissos, mas precisamos lembrar sempre a eles que essa história será repleta de ensinamentos, preparações, experiências a partir da óptica de vivências e experiências dos próprios pais, de suas condutas, de seus valores.

VÍNCULO DE SEGURANÇA

Anne Fishel, psicóloga e professora clínica associada de Psicologia na Harvard Medical School e diretora e co­ fundadora do projeto The Family Dinner Project, acredita que jantares em família são uma parte vital para nosso bem-estar físico e emocional, e eu vou um pouco além dessa importante pesquisa, não somente os jantares, mas sempre que possível realizaras outras refeições em família, pois, além de trabalharem o bem-estar físico e emocional, também ajudam as crianças a criar e aprender a importância de estarem juntas com a família, para que possam falar sobre seus anseios, desejos e decepções do dia a dia, é um momento único, em que se pode agregar sensações e paladares diferentes a um bom papo, descobrindo assim uma maneira de se sentirem próximos, tanto os filhos como os pais.

Criar esse vínculo de segurança ainda pequenos – as dúvidas e questões que permeiam as crianças durante a  fase de desenvolvimento, a adolescência, fase em que muitas dúvidas surgem, e nessa transição para a vida adulta faz com que eles não precisem utilizar meios não saudáveis para resolver seus problemas, os níveis de estresse, problemas físicos como diabetes, obesidade, problemas cardíacos gerados pela má alimentação também podem ser minimizados quando podem contar com a ajuda dos pais, sabendo que suas dúvidas e problemas poderão ser resolvidos por aqueles em quem confiam, isso faz com que haja uma aprendizagem emocional sem danos maiores ao menor.

Outro ponto importante a ser lembrado é sobre o incentivo. Quando temos alguma situação que pode não ser prazerosa no início, como provar um alimento, por exemplo, ela pode ser modificada e ainda ser estimulada. Nossa memória registra fatos importantes de nossa vida, sejam elas boas ou ruins, mas o que pode fazer a diferença é quando as boas vivências podem ser estimuladas de diversas formas, com atenção, carinho, um ambiente agradável, uma boa relação entre os pais e as pessoas que estão ao redor dessa criança, harmonia no ambiente, todos esses parâmetros ajudam a criança a registrar e fazer uma ligação entre o que está sendo apresentado e a dinâmica em que isso acontece, com isso a possibilidade de ela ter uma receptividade favorável ao alimento recebido, por exemplo, aumenta.

LIMITES E PERMISSIVIDADE

A personalidade e o caráter vão se moldando à medida que os pais passam valores e experiências adquiridos ao longo da vida para que a criança possa ter uma orientação a ser seguida. No ambiente familiar, além dos pais, os avós e tios também entram com a reponsabilidade de dar bons exemplos aos pequenos, uma vez que eles são como um ímã, irão absorver e atrair tudo que estiver ao alcance para a aprendizagem física, motora, intelectual e psicológica. Uma família mais estruturada emocionalmente e financeiramente tem possibilidades de ter acesso a um conhecimento maior e atualizações sobre como agir em situações adversas durante esse período de aprendizagem da criança.

Asfamílias menos favorecidas deveriam ter a oportunidade do alcance a essas informações em escolas, rede pública, entidades que trabalham com esse assunto, mas infelizmente sabemos que isso é mais difícil de acontecer, gerando problemas sociais e psicológicos para essas crianças epais, que são demonstrados diariamente através dos canais de comunicação.

Quando falamos de limites e permissividade, entramos num campo muito delicado, pois os limites são necessários para nossas crianças aprenderem que nem tudo podemos, e quando ela for maior saberá lidar com as frustrações impostas pela vida e sociedade. A dificuldade dos pais em falar “não” vai ao encontro da culpa que sentem de não poder estar ao lado do filho, acompanhando seu desenvolvimento intensamente e diariamente, e com isso “acreditam” que estão fazendo a coisa certa quando se propõem a deixar a criança fazer o que quer e quando quer, criando uma ilusão de eliminação de sua “culpa” porém estudos e pesquisas demonstram que os jovens hoje percebem a necessidade de limites, pois se sentem livres demais e preocupados em ter que decidir sobre as adversidades que aparecem em sua vida, mesmo que aparentemente possam dizer que preferem resolver sozinhos. Quando os pais impõem limites, não estamos falando de algo genérico, e sim de cuidado, carinho, atenção, tão necessários para uma criança. A partir do momento em que uma mãe ou um pai diz “não” ao seu filho, ela ou ele está tentando, dentro de sua certeza, proteger seu filho de algo que os pais acreditam ser prejudicial a ele, pois ninguém nasce sabendo como resolver os problemas que aparecem e não temos um manual que vem junto com a criança dizendo como será cada passo, vamos aprendendo a resolver as questões à medida que as experienciamos, que vivemos, e isso não significa que os filhos não podem opinar. Seria muito bom se houvesse diálogo entre pais e filhos e os problemas fossem resolvidos em conjunto, se chegassem a um veredito melhor para todos, e se você acredita que os pequeninos não podem participar está enganado.

DIÁLOGO ENTRE TODOS

Se for mantido o diálogo, a atenção, o carinho, e se passar clareza e objetividade para resolver uma dificuldade apresentada pelo seu filho, ele terá condições de entender. Pode ocorrer de, no primeiro momento, não haver um entendimento e aparecer a birra, que também pode ser trabalhada em cima do problema apresentado anteriormente, mas se os pais conseguirem fazer com que a criança vivencie e discuta essa relação, a probabilidade de compreensão da criança aumentará diante das ações e resultados obtidos. Isso é aprendizagem! Ela levará para sua vida tudo que vivenciar e aprender durante sua vida, sabendo lidar melhor com as situações difíceis esaberá comemorar suas vitórias, pois não é necessário somente resolver os problemas, mas a comemoração pela finalização de um problema leva a pessoa a se estimular cada vez mais para enfrentar os outros desafios, afinal, saberá que depois vêm o bem-estar e a realização em vencer o obstáculo.

É possível criar um hábito a partir da inserção e participação intensa dos pais e das crianças, como por, exemplo, a preparação de uma alimentação saudável com a ajuda dos pequenos. Essa pode ser uma aprendizagem mútua com resultados incríveis de descobertas, experimentações, limites, permissões, cumplicidade, confiança, prazeres e muito mais conhecimento desse mundo infantil delicioso de vivenciar ao lado dos nossos filhos, e se não vivenciarmos isso, para que serviria todo o desejo de ser pai e mãe, tudo na vida tem o ônus e o bônus, só precisamos aprender a lidar e utilizar o ônus em nosso favor, transformando-o em crescimento e aprendizagem, e o bónus nós podemos compartilhar com quem amamos e com quem desejamos que também consiga vencer seus obstáculos.