OUTROS OLHARES

ENVELHECIMENTO SEM AMPARO

Aumento da expectativa de vida, em meio à precariedade dos serviços do governo, condena idosos à permanência indefinida no mercado de trabalho. Gastos adicionais com a saúde dos mais velhos serão de R$ 50 bilhões até 2027

A empregada doméstica gaúcha Tereza Beatriz Viega, de 77 anos, moradora da região central de São Paulo, é o típico caso de uma idosa brasileira desamparada. Ela poderia estar em casa, aproveitando sua pensão alimentícia e cuidando dos netos. Mas a realidade torna isso impossível. Ela não ganha o suficiente e precisa trabalhar duro. Para conseguir um posto de trabalho depois de dois anos sem emprego formal, Tereza circulou pelas ruas da cidade e no transporte público com um cartaz em suas mãos, com a inscrição “o trabalho fica, a esmola vai embora, por misericórdia me arrume um emprego. Obrigado”. Felizmente ela conseguiu o tão sonhado emprego. Seu pedido chegou aos ouvidos do gerente geral de recursos humanos do supermercado Extra, do grupo Pão Açúcar, Anderson Brugnera, que a contratou. “Ela nos surpreendeu com sua coragem e dedicação”, afirma Brugnera. Tereza, por sua vez, não reclama de sua situação e diz que pretende trabalhar até os 100 anos. “Você não pode imaginar quanta dignidade esse emprego me trouxe”, desabafa.

O que resta aos idosos hoje no Brasil é arrumar um emprego porque, se depender do Estado, eles ficarão numa situação de abandono. O aumento da expectativa de vida dos brasileiros, que cresce três meses ao ano, pressiona os cofres públicos, expõe a precariedade da previdência pública, aumenta a necessidade de uma previdência privada para aumentar a renda e acaba com o sonho da velhice tranquila. Os brasileiros com mais de 60 anos somam, atualmente, cerca de 30 milhões de pessoas, o equivalente a 15% da população. Desse total, pelo menos 350 mil idosos estão em busca de emprego e 41% dos ocupados, na informalidade. A situação de falta de trabalho ocorre por diversas causas. Uma delas é o preconceito de muitas empresas brasileiras com os trabalhadores idosos. Outra é a baixa escolaridade ocasionada pelo histórico de pobreza da maioria, que dificulta ou torna impossível uma reinserção no mercado de trabalho. Nesses casos, as pessoas acabam se virando como podem ou contam com a ajuda de familiares para sobreviver.

Desde 1940, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou o primeiro censo demográfico no País, a expectativa de vida da população subiu de 45,5 anos, em média, para mais de 76. Houve um aumento de 30 anos na longevidade e nem a sociedade nem o poder público se prepararam para esse envelhecimento. “O processo de modernização da sociedade contribuiu para que as pessoas vivessem mais, mas o Estado não se preparou para acolher essa nova população idosa”, diz o geógrafo do IBGE Marcio Minamiguchi. “Ano após ano percebemos o aumento contínuo da longevidade”. Junta-se a isso, para aumentar a pressão sobre a Previdência Social, uma importante diminuição na taxa de fecundidade. “Desde 1970 notamos que houve uma diminuição do índice de fertilidade”, afirma o geógrafo. Há 50 anos, as mulheres brasileiras tinham mais de cinco filhos e hoje a média é de dois filhos. A tendência, já confirmada em números, é de que um em cada quatro brasileiros tenha mais de 65 anos, em 2060. Então, pela primeira vez, haverá mais idosos de que crianças no País.

GASTOS PÚBLICOS

Em 2018, segundo o IBGE, a parcela da população com mais de 65 anos era de 10,5%, mas esse percentual vem crescendo e alcançará 15% em 2034 e 25,5% em 2060. Diante desse quadro, haverá uma pressão permanente para a elevação dos gastos públicos, principalmente na área da saúde. Uma estimativa da Secretaria do Tesouro Nacional divulgada na semana passada indica que haverá necessidade de gastos adicionais de R$ 50,7 bilhões entre 2020 e 2027 para garantir serviços de saúde e medicamentos para a população que está envelhecendo. A maior parte dessas despesas estará concentrada em assistência farmacêutica e em atendimentos hospitalares e ambulatoriais, que envolvem casos de média e alta complexidade. Apesar da necessidade crescente de recursos, no ano passado o governo deixou de aplicar R$ 9 bilhões em saúde.

Além de necessário, já que o Estado não garante proteção suficiente aos idosos, o trabalho dos mais velhos é uma forma de conter o ônus demográfico que se verifica quando o crescimento da população em idade ativa acontece em ritmo inferior ao do aumento da população total. É exatamente o que vem sendo registrado desde 2018 no País. Há cada vez menos gente em idade ativa. E cada vez mais dependentes de aposentadorias e pensões, que vão exigir os gastos adicionais na saúde nos próximos anos. O ônus demográfico tende a se intensificar na medida em que cai progressivamente a taxa de natalidade e a população em idade ativa envelhece e deixa o mercado de trabalho. Indivíduos mais produtivos param de atuar e dão espaço para os teoricamente menos produtivos. Mas a máquina não pode parar. Uma atenuante para o ônus demográfico é a continuidade do trabalho dos idosos.

EMPREGOS PARA IDOSOS

Pensando na precariedade da situação dos mais velhos, a Secretaria de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos do Rio de Janeiro lançou o programa Empregabilidade, que oferece 250 vagas para o pessoal da terceira idade. “Induzimos as empresas a serem amigas da terceira idade”, diz Felipe Michel, secretário da pasta. O programa conta com a participação de quinze companhias de grande e médio porte e, segundo o secretário, em apenas um mês 700 pessoas foram empregadas. “Com o apoio da imprensa, das empresas e da sociedade, o nosso programa vai crescer”, afirma. Graças a essa iniciativa da secretaria, a auxiliar de enfermagem Enídia dos Santos, de 66 anos, moradora da Pavuna, na zona norte do Rio, conseguiu voltar ao mercado de trabalho, depois de dois anos desempregada. Ela não se aposentou porque não comprovou a contribuição para o INSS. “Vi o anuncio na televisão e corri para a Prefeitura. Quem contrata diz que, na minha idade, não temos mais saúde e disposição para o trabalho”, conta. “Tenho plenas condições de trabalhar e adoro minha profissão”. Empresas como o Pão de Açúcar, onde Tereza Viega foi empregada, também tem uma política de recursos humanos que destina uma parte de suas vagas para os mais velhos. Dos 30 mil funcionários da empresa, 10% têm mais de 50 anos.

No Brasil, infelizmente, quando alguém ultrapassa os 65 anos entra numa zona de risco de abandono e precariedade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que uma nação é idosa quando o número de pessoas com essa idade ultrapassa 8% do total da população. O País atingiu essa condição há muito tempo e as condições como os brasileiros estão envelhecendo causam enorme preocupação. Segundo o médico José Mário Tupiná Machado, chefe do serviço de geriatria da Santa Casa de Curitiba, é muito difícil num país subdesenvolvido garantir uma velhice adequada para a população e há entraves socioeconômicos que impedem que a maioria das pessoas consiga envelhecer mantendo uma boa qualidade de vida, com acesso à renda e a cuidados essenciais. Pensar nos gargalos da administração pública e nas deficiências na implementação do Estatuto do Idoso e da Política Nacional do Idoso é algo desanimador, segundo Machado. A população de baixa renda tem pouco acesso a geriatras e dificuldade para ser atendida por médicos especialistas.

O Sistema Único de Saúde (SUS) que é o grande aparato de prestação de saúde em nível nacional sofre com problemas de gerenciamento e as pessoas demoram a receber atendimento. Acrescenta-se a isso questões referentes ao governo federal, que dificulta para boa parte dessa população o Beneficio de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo para maiores de 65 anos que não conseguem manter-se e nem ser mantidos por suas famílias. Cerca de 20% das pessoas que conseguem receber o benefício precisam fazer isso pela via judicial. As despesas do governo com o BPC cresceram de R$ 6 bilhões em 2004 para R$ 53,8 bilhões em 2018, mostrando que há uma crescente demanda dos idosos em situação de penúria pelo benefício. Nos próximos anos, essas despesas devem crescer ainda mais. Enquanto aumenta a expectativa de vida, o risco da miséria absoluta ronda a população de idosos brasileiros.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 29 DE FEVEREIRO

A LEI DO SENHOR RESTAURA A ALMA

A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma… (Salmo 19.7a).

Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Vemos no esplendor do universo seu poder e na obra da criação sua majestade. Deus deixou suas digitais impressas na criação. A vastidão dos mundos estelares, as galáxias com seus múltiplos sóis e estrelas, tudo é prova da grandeza insondável do Criador. Se a natureza, porém, proclama uma mensagem aos olhos, a lei do Senhor anuncia uma mensagem aos ouvidos. Se a criação anuncia o poder de Deus, sua lei fala a respeito de sua graça. A lei do Senhor é fonte de consolo, porque é perfeita e restaura a alma. Os corações mais atribulados encontram na Palavra de Deus uma fonte de refrigério. Os que andam errantes veem nela uma luz a lhes clarear o caminho. Os que jazem nas sombras espessas da confusão mental recebem da Palavra verdadeira sabedoria. Por intermédio da Palavra encontramos vida, pois ela é espírito e vida. Encontramos libertação, pois Jesus disse: Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8.32). Por intermédio da Palavra somos sondados por Deus, pois, à medida que a lemos, ela nos investiga. Pela Palavra somos santificados, pois Jesus afirmou em sua oração: Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade (João 17.17). Dwight L. Moody disse com razão: “A Palavra afastará você do pecado, ou o pecado afastará você da Palavra”.

GESTÃO E CARREIRA

CHOPE PERFEITO COM AJUDA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Com sede em São Francisco, Pubinno planeja expandir operação pela Europa e alcançar valor de mercado acima de US$ 1 bilhão até 2023

A busca pela temperatura ideal e colarinho perfeito em uma tulipa de chope motivou o uso de inteligência artificial para controlar o fluxo entre o barril e a torneira.

E a startup que idealizou esta solução se tornou uma empresa com potencial para alcançar um valor de mercado acima de US$ 1 bilhão até 2023.

Esta é a expectativa dos sócios da Pubinno, que atualmente opera mais de 2 mil torneiras de chope na Espanha, no México, em Israel e no Chipre.

De acordo com a Bloomberg, a startup planeja expandir sua operação para Reino Unido e República Tcheca. Can Algul, cofundador da empresa, espera que sua valorização cresça para US$ 30 milhões na rodada de investimentos em andamento.

“Nós estamos conversando com investidores da Turquia, de Israel e dos EUA”, disse Algul à Bloomberg. “Nós queremos completar a rodada no fim do segundo trimestre”.

Fundada em Istambul, a Pubinno transferiu posteriormente sua sede para São Francisco, na Califórnia.

A solução tecnológica desenvolvida pela empresa consiste em projetar e produzir hardwares e softwares que são acoplados às torneiras de chope com objetivo de extrair a bebidas em condições ideais, além de reduzir o desperdício.

Os atuais investidores, que incluem o cofundador da Trivago, Rolf Schroemgens, e Nevzat Aydin, diretor executivo e fundador da Delivery Hero, são donos de 30% da companhia.

Apesar da sede nos Estados Unidos, os equipamentos da Pubinno são produzidos em um fábrica localizada na Turquia, sendo que cada unidade é composta por mais de 160 peças adquiridas de fornecedores de países como China e Suíça.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEDUTORAS CALORIAS

Calorias – o valor energético dos alimentos ativa o sistema cerebral da recompensa tanto quanto o sabor, desencadeando o desejo por determinadas comidas; descobertas devem ajudar no combate a transtornos alimentares e obesidade

QUANDO COMER E QUANDO PARAR?

Se há algo que nos iguala é a fome. Mas que mecanismo biológico é esse que nos diz quando comer e quando parar? Há muito tempo se considera que, em grande parte, dois processos neurobiológicos influenciam a ingestão de comida: um, que controla a necessidade de comer, e outro, que rege o desejo por determinados alimentos. No cérebro, o hipotálamo regula o controle homeostático da dieta, recebendo, coordenando e reagindo aos indícios e sinais metabólicos enviados pelo sistema digestivo. Essa área cerebral integra as informações e nos “diz” quando precisamos comer para manter o peso corporal em um nível preestabelecido, como se fosse um termostato programado para avisar quando o ambiente atingisse uma temperatura específica.

No entanto, é evidente que os centros neurais superiores que -controlam o apetite também tenham influência sobre nossos hábitos alimentares. Um desses centros é o sistema de gratificação e recompensa da dopamina. É fácil identificar a ação desse sistema: por exemplo, quando temos vontade de uma taça de sorvete de chocolate depois do jantar, ou seja, de uma comida em um momento em que não estamos sentindo fome, mas sim porque a desejamos.

Em muitas situações, este anseio por certos pratos prevalece sobre a necessidade, levando-nos a consumir produtos saborosos, mesmo quando não precisamos suprir nosso organismo. De forma geral, nossa incapacidade de renunciar a esses alimentos que tanto nos recompensam derrota o controle homeostático, contribuindo para o surgimento da obesidade.

Sabemos que o hipotálamo regula a quantidade do que consumimos com base nos valores metabólicos (quando temos fome, procuramos alimentos com mais calorias); mas ainda falta entender se o sistema de recompensa da dopamina também é sensível ao valor energético da comida. Em outras palavras, o sistema de recompensa da dopamina se ocupa também das calorias, ou somente do gosto e do prazer, como durante muito tempo os cientistas acreditaram?

ESTUDOS TENTA ENTENDER “O PRAZER” NA INGESTÃO DE COMIDAS CALÓRICAS

Na Universidade Duke, o pesquisador brasileiro Ivan de Araujo e um grupo de colegas tentaram descobrir isso usando uma linhagem de ratos geneticamente modificados para que não tivessem um receptor específico, sem o qual não é possível sentir sabores doces. Os resultados do trabalho, publicados em um artigo no periódico científico Neuron, mostraram que qualquer mudança no comportamento de recompensa desses animais não poderia ser atribuída à percepção do sabor. Se os roedores preferissem as comidas doces, não seria por causa do gosto, mas porque esses alimentos têm mais calorias, o que traria satisfação independentemente da sensação despertada no paladar.

Na primeira fase de testes os pesquisadores demonstraram que os ratos geneticamente modificados eram insensíveis às doces propriedades de recompensa da sacarose (o açúcar de mesa) – e preferiam a água pura. Os animais sem a mutação, ao contrário, mostravam uma forte preferência pela água em que a sacarose tinha sido dissolvida.

Posteriormente, foi oferecido aos dois grupos de roedores tanto água pura quanto adoçada. A ideia era descobrir se os ratos geneticamente modificados podiam associar as soluções adoçadas à contribuição calórica – porque alimentos doces contêm mais calorias. O resultado foi que todos consumiram muito mais sacarose: embora não fossem capazes de sentir o sabor doce, os espécimes geneticamente modificados haviam aprendido a preferir a água adoçada. Isso indica que os animais sem os receptores para o doce conseguiram diferenciar as propriedades calóricas da sacarose sem sentir seu sabor – o que faz os cientistas supor que existe algo que, por sua própria natureza, é prazeroso na ingestão de comidas calóricas.

COM SACAROSE: em um estudo, mesmo os ratos geneticamente modificados para não sentir sabores mostraram preferência por água adoçada

Para tirar a prova, os testes foram repetidos usando-se um adoçante artificial, a sucralose, que tem sabor doce, mas não contém calorias. Os ratos normais continuaram preferindo o sabor doce e consumiram mais água com sucralose, mas os geneticamente modificados, não. Esses resultados já indicavam que a percepção do valor metabólico pode influenciar a ingestão de comida. Porém, ainda faltava saber se o sistema de recompensa da dopamina, do qual se conhece a ativação em resposta ao sabor doce, também estava envolvido no controle das calorias.

Araújo e seus colegas utilizaram uma técnica conhecida como microdiálise nos ratos geneticamente modificados e constataram que a contribuição calórica aumenta os níveis de dopamina em uma área específica do cérebro, o núcleo accumbens, independentemente do gosto que tenha o alimento. De fato, enquanto nos ratos normais tanto a sacarose como a sucralose provocavam o aumento da dopamina além dos níveis considerados padrão, nos modificados o aumento de dopamina surgia apenas com o açúcar “de verdade”, indicando assim que era a contribuição calórica (e não o sabor doce) que ativava o sistema de recompensa.

Embora isso prove que as calorias influenciam o sistema cerebral nos ratos geneticamente modificados qualquer que seja o sabor dos alimentos ingeridos, nos normais a sacarose não aumenta os níveis de dopamina mais que o adoçante artificial. Isso leva a pensar que as calorias não aumentam a sensação de recompensa mais que a presença do sabor. E há ainda um ponto a ser enfatizado: em todas as experiências conduzidas por Araújo estava previsto que os animais passassem um período de privação de comida e água. A ativação do sistema de recompensa da dopamina, por parte da contribuição calórica descrita na pesquisa, poderia ter sido alterada pelas condições de privação alimentar das cobaias.

ALÉM DA SATISFAÇÃO

Esse estudo traz à tona novas perguntas. Como o sistema de recompensa da dopamina reconhece a quantidade calórica? Existem açúcares (a frutose, por exemplo) que influenciam o sistema cerebral de maneira diferente? E o fenômeno se verifica também quando as calorias provêm de tipos variados de comida? São perguntas a responder, para que seja possível compreender as verdadeiras causas da obesidade. Entender a capacidade que determinados alimentos têm de estimular o sistema da recompensa nos ajudará a elaborar métodos eficazes para reduzir o desejo por comida uma vez que a necessidade tenha sido satisfeita.

A pesquisa acrescenta informações a estudos que indicam que processos metabólicos não são de domínio exclusivo do hipotálamo. Entre os sinais captados por essa área cerebral e os centros superiores neurais que determinam o desejo por comida existe uma relação muito mais complexa do que durante muito tempo se acreditou. Classificar a alimentação como prática hedonista ou homeostática pode ser não apenas redundante, mas levar a um caminho errado. Afinal, quando se trata de alimentação, necessidade e desejo não são assim tão separados.