POST Nº 3.000

O PODER DOS ALIMENTOS

Entenda como uma alimentação equilibrada é uma importante aliada para o equilíbrio emocional

Está cada vez mais comprovado que os alimentos que consumimos causam algum impacto em nosso organismo – e isso vale tanto para os efeitos positivos quanto para os negativos. E, como sabemos, uma alimentação equilibrada é importante em diversos aspectos de nosso bem-estar, principalmente para nossa saúde mental.

DO PRATO PARA O CORPO

”A alimentação para situações de transtorno psicológico tem uma grande importância, contribuindo com muitos benefícios para o organismo, pois o nutre com vitaminas, sais minerais e demais nutrientes que estão faltando para seu equilíbrio. Por isso, que tudo que você come se aplica também ao seu bom humor”, explica a nutricionista Andrea Marim.

E, assim como nos casos de dietas para emagrecimento, não existe segredo: uma alimentação balanceada pode fazer a diferença também para o seu humor. “Sabemos que dietas restritivas levam alterações de humor, como irritabilidade, alterações de humor e fadiga. Por outro lado, dietas equilibradas com aporte adequados de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) e micronutrientes (vitaminas e minerais) auxiliam na formação de hormônios e neurotransmissores capazes de regular a atividade cerebral”, salienta a nutricionista Patrícia Cruz.

COLOQUE NO PRATO

Apresentamos algumas sugestões de alimentos ricos em substâncias e nutrientes essenciais para a saúde mental

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É BOM EVITAR!

• AÇÚCAR: de vez em quando, um doce melhora o ânimo de qualquer pessoa. O problema é quando a pessoa consome um alimento cheio de açúcar. Nesse caso, a glicose é liberada rapidamente na corrente sanguínea e absorvida pelas células do corpo para satisfazer suas necessidades energéticas. Isso ativa o pâncreas, que tende a liberar uma grande quantidade de insulina a fim de auxiliar na absorção desse açúcar. Dessa maneira, o nível de glicose no sangue sofre uma variação muito abrupta, que pode interferir no humor: inicialmente, a pessoa se sente eufórica com a ingestão de açúcar, mas pode sofrer uma rápida redução dos níveis no sangue, que leva à tontura e à dor de cabeça. Nesses casos, o indivíduo sente-se agitado e confuso porque o cérebro é privado do seu combustível maior.

• DIETAS MUITO RESTRITIVAS: “dietas ricas em gorduras e proteínas que isentam os carboidratos podem acentuar quadros de irritabilidade ou agressividade, por exemplo”, reforça Patrícia. Então, antes de partir para um cardápio diferente, consulte um especialista para saber se isso não vai afetar seu organismo de maneira negativa.

• ÁLCOOL: o álcool presente em várias bebidas é rapidamente absorvido pelo organismo, em um processo parecido com o açúcar. E, da mesma maneira, aumenta os sintomas de hipoglicemia após o consumo.

• CAFEÍNA: o consumo excessivo de bebidas à base de cafeína, como refrigerantes de cola, alguns tipos de chá e café, podem causar malefícios para o humor. “Um experimento concluiu que 480 gramas de cafeína, o equivalente a cinco xícaras de café expresso, em apenas 15 minutos foi o suficiente para desencadear crises em pacientes com pânico ou depressão associada ao pânico”, explica Andrea Marim. Isso porque a substância provoca uma descarga de hormônios do estresse, além de intensificar os sintomas de nervosismo e agitação.

SEM FOME, SEM ESTRESSE

A nutricionista Andrea Marim dá uma dica valiosa: não ficar de barriga vazia. “Ficar muito tempo sem comer reduz os níveis de glicose, o que pode afetar negativamente o humor. Assim, o correto é alimentar-se sempre, de três em três horas”.

OUTROS OLHARES

A LUTA CONTRA OS FRAUDADORES DE COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Só na UFRJ já foram 280 denúncias de possíveis crimes desde a implantação do sistema. Segundo a universidade, dos 186 já analisados, 96 foram considerados aptos a ocuparem as vagas reservadas para pretos, pardos e indígenas (PPI)

Loira, de cabelos lisos, com a pele branca e os olhos verdes, uma das estudantes aprovadas no curso de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) justificou sua entrada pelo sistema de cotas raciais dizendo “se considerar parda” e ser de uma família de negros.

Outros alunos brancos, já avançados no curso de Medicina da Unicamp, faziam até deboche e contavam piadas para colegas sobre o fato de terem passado no vestibular se valendo das cotas — cujo objetivo é reduzir a desigualdade racial.

Negros ainda são sub-representados nas universidades públicas brasileiras, compondo 50,3% dos alunos, apesar de corresponderem a 55,8% da população, segundo dados do IBGE em 2018.

Diversas universidades públicas estão recebendo e investigando denúncias sobre alunos que tentaram driblar o sistema.

Só na UFRJ já foram 280 denúncias de possíveis fraudes nas cotas raciais desde a implantação do sistema. Segundo a universidade, dos 186 já analisados, 96 foram considerados aptos a ocuparem as vagas reservadas para pretos, pardos e indígenas (PPI).

Na Universidade Estadual da Bahia, um aluno branco de cabelo ruivo entrou no curso de Medicina neste ano através das cotas — o que está sendo investigado.

A USP investiga 41 denúncias. A Unicamp desligou nove alunos e a Unesp expulsou 30 que tiveram as autodeclarações consideradas inválidas.

As denúncias são resultado de uma grande mobilização do movimento negro para identificar e combater fraudes nas cotas e evitar que haja abusos no direito, conquistado após anos de luta.

“A gente não queria estar discutindo isso, queria que existisse um bom senso e um respeito à lei. Mas, como não existe, temos que recorrer a métodos mais eficazes”, diz o advogado Lucas Módolo, que criou com colegas um grupo de combate à fraudes quando ainda era aluno de Direito da USP.

“Quantos alunos negros tiveram o direito de estudar tolhido por culpa desses fraudadores?”, questiona frei Davi, da ONG Educafro, que fez denúncias de fraudes em cotas para mais de 20 universidades.

As reclamações chegaram até a entidade de diversas formas. “A gente garante total tranquilidade e anonimato para quem faz”, diz Davi.

“Aconteceu muito de alunos da Educafro e outros alunos solidários, dentro de sala de aula, ouvirem comentários e deboches sobre pessoas fraudando as cotas”, conta.

Módolo explica que o Comitê Antifraude da USP, criado por alunos e com caráter extraoficial, não tem o objetivo de avaliar se alguém pode ou não ser considerado pardo.

“Somos um canal de recepção de denúncias que depois repassamos para as faculdades”, afirma. “Não temos como finalidade fazer essa avaliação, nem temos competência. O objetivo é pressionar para que essa avaliação aconteça.”

“Na USP nenhum fraudador foi expulso”, diz Módolo. “Por causa da inércia da universidade, as fraudes têm sido usadas como argumento por grupos revisionistas para defender que não existam cotas.”

“Ainda existe a necessidade de reconhecer que a desigualdade racial é um problema de racismo, não só um problema socioeconômico.”

Nas redes sociais, a hashtag #afroconveniência tem sua sido usada para denunciar a prática de brancos se dizerem afrodescendentes quando convém — para abusar de cotas, por exemplo —, mas usarem os privilégios de ser branco durante todo o resto do tempo. Diversos ativistas negros postaram fotos dizendo “Meu avô é branco, logo sou branco. Estranhou?” para reforçar essa ideia.

“O argumento do ‘tenho um avô pardo’ não faz sentido no Brasil, onde você é julgado e sofre preconceito pelo fenótipo”, diz à BBC News Gislaine Silva, que também faz parte do Comitê Antifraude da USP.

“Nós negros não vamos deixar que se use a universidade para beneficiar pessoas brancas desonestas”, diz Frei Davi.

COMBATE E PREVENÇÃO

A USP foi uma das últimas universidades públicas a implementar o sistema de cotas, em 2018. Para participar, é preciso se declarar preto, pardo ou indígena e optar pela opção de concorrer pelas cotas.

A universidade não faz análise das autodeclarações feitas no vestibular, e não existe um grupo específico só para analisar denúncias de fraude à cotas raciais. Elas são avaliadas pela Comissão de Acompanhamento da Política de Inclusão da USP, a mesma que avalia questões socioeconômicas.

O movimento negro defende que deveria existir um grupo para analisar as denúncias e que haja não apenas combate, mas prevenção às fraudes.

“A universidade já tinha que, desde o início, ter reconhecido a necessidade da prevenção na entrada, de avaliar as declarações após o vestibular”, diz Módolo.

Isso normalmente é feito através da chamada heteroidentificação, quando uma comissão avalia se a autodeclaração racial feita pela pessoa é autêntica.

Frei Davi defende que o processo seja sempre no ingresso, o que é muito menos traumático para a pessoa e muito mais simples de ser resolvido do que desligar um aluno que já faz o curso há anos. “Todas as universidades justas, éticas e responsáveis têm comitê preventivo”, afirma.

Além do desligamento de 30 pessoas, a Unesp implantou um comitê de heteroidentificação em 2017. A Unicamp também implantou um comitê de verificação no ingresso.

O pró-reitor de graduação da USP, Edmund Chada Baracat, diz que a questão é de extrema importância para a universidade, mas que o processo de avaliação das denúncias leva tempo e que é preciso “uma averiguação que seja respeitosa”.

“Esse processo é um processo muito delicado, porque lida com pessoas, portanto temos que ser muito sensatos na avaliação”, diz Baracat.

Ele afirma que, devido ao tamanho da universidade e ao grande número de ingressos, fazer uma avaliação das declarações no vestibular seria inviável.

“Esse ano foram pouco mais de 2 mil alunos pretos, pardos e indígenas. Se a gente chamar 2 mil estudantes, demorando 15 ou 20 minutos cada um, quanto tempo vai levar? Isso seria inviável”, afirma.

O Comitê Antifraude recebeu mais de 450 de vários cursos da USP e elaborou três dossiês: um para a faculdade de Direito, um para a de Medicina e um terceiro para os outros cursos.

Baracat diz que 41 denúncias “com indícios mínimos de materialidade” estão sendo avaliadas pela universidade. Também há dois processos administrativos em andamento contra estudantes que, segundo a sindicância feita pela USP, podem ter fraudado suas declarações.

O movimento negro criticou uma recomendação da USP de que fossem feitos boletins de ocorrência em casos de suspeitas de fraudes. “Apesar de muitas pessoas falarem que isso é um crime e pode ser resolvido no Ministério Público, a USP tem a competência para fazer isso por si própria e evitar uma judicialização difícil e custosa”, afirma Lucas Módolo.

Mas Baracat diz que os BOs não são uma exigência, mas uma das modalidades em que a universidade aceita denúncias. “Pode fazer uma denúncia sem ter um boletim, mas precisa ter indícios de que a denúncia é verdadeira. Ou seja, fotos, perfis da pessoa nas redes sociais, algum tipo de prova. Isso elimina o denuncismo irresponsável”, afirma.

A QUESTÃO DA MISCIGENAÇÃO

Além de analisar as denúncias de fraudes, a UFRJ implantou neste ano um comitê de 54 pessoas para fazer a heteroidentificação para todos os ingressantes pelo sistema de cotas no vestibular.

Foram cerca de 1,5 mil alunos ingressantes avaliados nas duas primeiras chamadas, em um processo que durou uma semana. Diversos não foram considerados aptos para ingressar pelas cotas — o número exato ainda não foi consolidado porque o processo acabou de terminar.

Mas afinal, como é feita essa avaliação e como lidar com as sutilezas de identificar a identidade racial de alguém em um país miscigenado como o Brasil?

“A miscigenação sempre foi usada no Brasil para alimentar o mito da democracia racial, ou seja, de que no Brasil haveria uma categoria homogênea de mestiços que seriam tratados de forma igual”, diz a especialista em História dos negros no Brasil Denise Góes, que coordena o comitê de avaliação de denúncias da UFRJ.

“Isso só serve para perpetuar a desigualdade em um país que não trata todos como iguais”, diz ela.

“Historicamente o racismo no Brasil é baseado no fenótipo, ou seja, nas características aparentes das pessoas, como cor de pele, traços e cabelo”, afirma Marcelo Pádula, que coordena o comitê de heteroidentificação da UFRJ.

“Quanto mais características que identificam uma pessoa como negra, mais chances de sofrer com o racismo. Quanto mais características brancas, maiores as chances de inclusão social.”

COMO É FEITA A IDENTIFICAÇÃO RACIAL

Denise Goés afirma que autodeclaração foi uma vitória no fortalecimento do movimento, porque muitas pessoas não conseguiam nem se ver como negras devido ao mito da democracia racial. “Por um lado, foi vitória da afirmação da identidade negra. Mas, do ponto de vista de política pública, ela não é suficiente.”

Por causa da forma como o racismo funciona no país, diz, a identificação para avaliar se alguém está apto para ocupar as vagas destinadas aos negros é feita com base no fenótipo, não com base em questões culturais ou ancestralidade.

Isso significa que ser filho ou neto de negros não é suficiente para garantir o acesso às cotas raciais se a pessoa é lida pela sociedade como branca, ou seja, se não sofre preconceito racial.

“As cotas são uma política de reparação para quem sofre racismo”, diz Pádula.

Na prática, a heteroidentificação na UFRJ é feita por uma comissão avaliadora, formada por alunos, docentes e funcionários que passaram por uma capacitação de 60 a 90 horas.

A capacitação inclui a história da constituição do racismo no Brasil, tem um contraponto com o racismo norte-americano (mais baseado em origem e questões culturais) e em outros países, e há exercícios práticos de heteroidentificação.

No total são 54 pessoas, mas cada ingressante é avaliado por uma subcomissão de 5 pessoas.

Cada ingressante comparece pessoalmente a uma entrevista, no qual os avaliadores observam se a pessoa tem fenótipos negros, ou seja, características físicas — cor de pele, cabelo, traços do rosto — que as identificam como negros.

“Não é só uma única característica, é o conjunto da percepção e integração de todos esses sinais”, explica Pádula.

Ter a pele mais escura nem sempre é suficiente. “Há uma série de pessoas que tem tons de pele não-brancos, como descendentes de árabes ou japoneses de okinawa, mas que não são vítimas do racismo”, diz Lucas Módolo.

Pádula afirma que a comissão não é um ‘tribunal racial’ para definir a identidade das pessoas, mas apenas uma avaliação sobre se ela está apta ou não para ter acesso às vagas de cotas.

Além disso, quem discorda do resultado tem a possibilidade de recorrer.

“A gente pega casos muito óbvios, que comprovam que não é uma questão de dúvida sobre a identidade de uma pessoa parda, mas de abuso mesmo. Não é à toa que, de longe, o curso com mais fraudes foi medicina, o mais difícil de entrar”, afirma Goés.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 28 DE FEVEREIRO

A FONTE DA FELICIDADE

Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente (Salmo 16.11).

A felicidade é um anseio legítimo. Nós a buscamos todos os dias da vida. No entanto, a felicidade não é um lugar aonde se vai, mas uma maneira como se caminha. Salomão procurou a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama, mas descobriu que tudo era vaidade. A felicidade que ele procurou em todas essas fontes, encontrou-a em Deus. O verdadeiro propósito da vida é a felicidade, pois o fim último da vida é Deus. O propósito principal do homem é glorificar a Deus e nele se deleitar para sempre. Deus nos criou para a maior de todas as felicidades, a felicidade de amá-lo, fruí-lo e desfrutar de sua intimidade. É na presença de Deus que existe plenitude de alegria. É na sua destra que encontramos delícias perpétuas. Muitos buscam a felicidade no dinheiro; outros na fama e no prazer; e outros ainda no sucesso. Mas descobrem que no fim dessa linha só existe uma miragem, não a verdadeira felicidade. A felicidade verdadeira não está no ter, mas no ser. A fonte da felicidade não está nas coisas, mas em Deus;

Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente (Salmo 16.11).

A felicidade é um anseio legítimo. Nós a buscamos todos os dias da vida. No entanto, a felicidade não é um lugar aonde se vai, mas uma maneira como se caminha. Salomão procurou a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama, mas descobriu que tudo era vaidade. A felicidade que ele procurou em todas essas fontes, encontrou-a em Deus. O verdadeiro propósito da vida é a felicidade, pois o fim último da vida é Deus. O propósito principal do homem é glorificar a Deus e nele se deleitar para sempre. Deus nos criou para a maior de todas as felicidades, a felicidade de amá-lo, fruí-lo e desfrutar de sua intimidade. É na presença de Deus que existe plenitude de alegria. É na sua destra que encontramos delícias perpétuas. Muitos buscam a felicidade no dinheiro; outros na fama e no prazer; e outros ainda no sucesso. Mas descobrem que no fim dessa linha só existe uma miragem, não a verdadeira felicidade. A felicidade verdadeira não está no ter, mas no ser. A fonte da felicidade não está nas coisas, mas em Deus; não está na terra, mas no céu. Os encantos deste mundo não podem nos fazer felizes, mas Deus pode, pois ele nos criou, nos formou, nos remiu, nos chamou pelo nome e dele somos. Quando nós o conhecemos e o amamos, então somos verdadeiramente felizes.

GESTÃO E CARREIRA

CONTRATAM-SE FUNCIONÁRIOS MOTIVADOS

Entenda como os novos conceitos de motivação influenciam as empresas e qual a importância para os funcionários

Nos últimos anos, tornou­ se constante ouvir que uma nova geração de profissionais está surgindo no mercado de trabalho e que outra está prestes a desaparecer. É comum vermos notícias de que os inovadores membros da geração Y (pessoas nascidas entre os anos de 1981 a 1997) vieram para revolucionar todos os conceitos mercadológicos que possuímos. Além disso, informações de que eles têm trazido propostas como novas ideias ao ambiente empresarial são constantes nas revistas especializadas no assunto. E um dos muitos novos princípios trazidos pelos millennials (outro dos nomes da geração Y) se refere ao entendimento sobre o que é motivação no trabalho. Essa nova geração de profissionais traz diferentes valores sobre o que realmente estimula o trabalhador. Tal alteração rebate conceitos antigos sobre questões motivacionais, como aumento de salários. “Cada pessoa se motiva de uma forma diferente e em diferentes momentos da vida. Por exemplo, um jovem solteiro e recém-formado provavelmente se motivará mais com desafios ou com um líder inspirador do que com dinheiro. Agora, para um profissional que acabou de ter um filho, talvez o fator financeiro seja importante neste momento ou a flexibilidade de horários”, conta a coach empresarial Leylah Macluf. A afirmação de Leylah demonstra que nem sempre questões como dinheiro são o suficiente para deixar um profissional engajado com suas funções na empresa. Uma pesquisa da Corporate Responsability Magazine demonstrou que os novos conceitos dos millennials já estão em prática no mercado, quando 81% dos entrevistados afirmaram que não aceitariam uma oferta de trabalho feita por uma empresa com má reputação, mesmo estando desempregados. Ou seja, a investigação mostrou que o fator financeiro fica de lado quando o assunto é motivação em se trabalhar em determinado lugar. Porém, o que de fato é ser motivado no trabalho e o que devemos fazer para alcançar esse status?

CONHECENDO A TAL MOTIVAÇÃO

De acordo com Daniela do Lago, especialista em comportamento no trabalho, as pessoas frequentemente confundem motivação com outros sentimentos, o que dificulta a compreensão sobre o que realmente significa essa palavra. “Elas acham motivação tem a ver com animação, e com estado de espírito, com energia, e não tem nada a ver”, explica. “Motivação significa: motivo para ação. Tem a ver com necessidade. Isso quer dizer que ela muda a cada momento. Quando se alcança uma necessidade, ela se altera e, em seguida, vem a próxima. Ela também é diferente para cada pessoa. E, se eu tenho um motivo, eu vou agir na direção desse objetivo”, completa a especialista. Daniela esclarece que essa confusão com estado de espírito é um dos erros mais comuns que empregadores e empregados cometem. “Tem dias que eu estou feliz, tem dias que eu estou chateado. E mesmo chateado, eu continuo na direção do meu motivo. Há várias pessoas alegres que são desmotivadas e pessoas tristes e motivadas. Mesmo estando chateadas, a pessoa segue em busca do objetivo.

ALÉM DE PAGAR AS CONTAS

Quando o funcionário está motivado na empresa em que trabalha, as melhoras para a companhia podem ser significativas. Não somente por questões de produtividade, mas também qualidade na produção. Um dos maiores erros para o funcionário se sentir de fora do ambiente de produção é ele não entender a importância da sua ação para o todo, ou mesmo não ter conhecimento sobre o motivo de realizar aquela atividade. “Quando você tem consciência da razão no seu trabalho, você emprega mais energia, analisa melhor as situações e, automaticamente, seus resultados serão melhores”, comenta Daniela. “Tudo começa com autoconhecimento. As pessoas precisam despertar para o que elas estão fazendo, para o motivo que as faz trabalhar. Sem responder que trabalham para ‘pagar as contas’. Ora, todos fazem isso! Mas não é somente por isso que você trabalha. Temos que entender nosso propósito, nossa atuação nisso tudo” opina a especialista.

COM OS MESMOS PRINCÍPIOS

Outro fator fundamental para que o funcionário se sinta adaptado à produção em que trabalha é conhecer os princípios que regem sua companhia. “A cultura da empresa é algo muito forte, ela é fator predominante para motivação. Molda o comportamento das pessoas, dos líderes e muda a maneira de se fazer negócios. Pessoas extraordinárias podem falhar em uma empresa e em outras, brilharem. Por isso, o conselho é: ‘busque empresas que você tenha alinhamento cultural e de crenças”‘, recomenda Leylah. “Uma companhia pode ser a empresa dos sonhos de uma pessoa e o pior pesadelo de outra – não existe uma cultura perfeita, existe uma cultura apropriada para cada estilo profissional”, complementa. “Todos nós escolhemos nosso trabalho. Se você tem essa consciência, o porquê de fazer o que faz, sua contribuição fica melhor. Assim, o indivíduo não se sente refém de um lugar, ele entende por que deve estar ali”, explica Daniela do Lago. “Se todo mundo deseja um bom ambiente, deve começar por si mesmo, com cada um fazendo sua autoanálise, de dentro para fora e não de fora para dentro”, indica.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ELES SÃO “FORTES”, ELAS SÃO “CHATAS”

Mulheres e poder – O homem que grita e dá um murro na mesa pode ser considerado grosseiro, mas também é visto como forte. Se uma mulher agir de forma semelhante, fala-se de descontrole, loucura e, não raro, surgem comentários maldosos sobre sua vida particular

Apesar dos avanços e das transformações sociais, é possível que muita gente ainda acredite que, para não terem problemas no âmbito profissional, as mulheres devessem aceitar os modelos que ainda imperam no imaginário masculino: aquela que deseja ser conquistada, a secretária que faz tudo sem nunca pedir nada em troca, a mãe que acolhe e apoia. Mas felizmente muitas já se sentem em condições de assumir o protagonismo, mostrando capacidade, exigindo seus direitos e competindo pelo que desejam. Essa atitude deixa muitos – e muitas – colegas desconfortáveis. Disso resulta uma equação simplista: mais poder para “elas”, menos para “eles”. Mesmo em cargos de chefia, muitas mulheres enfrentam a resistência velada, por exemplo, quando decisões tomadas em sua ausência, como se houvesse um nível sutil de acesso que não lhes é permitido.

A reação explícita a essa situações, entretanto, pode custar caro. Em geral, existe uma crença tácita: só quem tem taxa elevada de testosterona está autorizado a revelar a própria arrogância e a intervir de forma agressiva. O homem que grita e dá um murro na mesa pode ser considerado grosseiro, mas também é visto como forte. Se uma mulher agir de forma semelhante, fala-se de descontrole, loucura e, não raro, surgem comentários maldosos sobre sua vida pessoal. Quando uma mulher tem prestígio e é determinada, geralmente já é definida como intransigente – mesmo por aqueles que não convivem com ela. Possivelmente, prevalece um estereótipo difícil de superar: a competência feminina ameaça mais que a masculina – e isso vale tanto para homens quanto para outras mulheres. Além disso, neles a arrogância costuma ser perdoada, mas nelas não: ele é forte; ela é chata.

Recentemente uma pesquisa da Universidade de Michigan indicou que os estrógenos podem ter papel semelhante no organismo, independentemente do gênero. Um teste revela o aumento da produção de hormônios nas mulheres que têm um comportamento dominante nas situações de conflito. Outros estudos, entretanto, mostram que elas são menos propensas à dominação social e mais inclinadas a tomar atitudes que favoreçam o igualitarismo, enquanto eles tendem a favorecer as hierarquias. Além disso, estão mais propensos a valorizar o próprio trabalho, aceitando compensações e reconhecimentos, ainda que não merecidos.

Já as mulheres muitas vezes sentem que devem render ainda mais, como se as rondasse a culpa de ter feito “um pouco menos” – mesmo que na prática isso não se confirme. E as críticas mais mordazes, não raro, vêm de outras mulheres – o que é compreensível, pois pretendem que as outras também sejam perfeitas. Em geral, o processo se repete em casa, na relação entre mães e filhas. Resultado: espera-se de uma mulher na chefia mais compreensão e de uma subordinada, mais esforço. Talvez não seja por acaso que as mulheres se afirmem principalmente em alguns setores. Quando não estão ocupando posições importantes por motivos familiares, geralmente são as executivas de setores como jurídico, comunicação, finanças. Porém, é pouco provável que se tornem figuras carismáticas, que arrebatam as massas.