OUTROS OLHARES

VOLTA À TRADIÇÃO

Estudo mostra que a antiga cirurgia aberta para tratamento de câncer do colo do útero é mais eficaz do que a moderna videolaparoscopia e tem menor risco

Um estudo publicado recentemente pela revista científica New England Journal of Medicine chacoalhou a comunidade médica mundial e trouxe à tona discussões sobre qual o melhor método de cirurgia nos casos de câncer do colo do útero, um dos que mais atinge mulheres. Ao longo de dez anos, 33 centros médicos espalhados pelo mundo trabalharam intensamente avaliando quase 700 pacientes para saber qual era a melhor técnica de operação e chegaram à conclusão de que a mais antiga, a aberta, ainda era a melhor porque garantia êxito de 93% contra a recidiva da doença comparado aos 85% de efetividade da moderna videolaparoscopia.

O choque foi grande entre os médicos, que viam na cirurgia por aparelhos, menos invasiva, um grande avanço para pacientes. Afinal, a recuperação era mais rápida sem um grande corte na barriga. Por isso, a técnica evoluiu para outras intervenções abdominais desde a década de 90. Mas, no caso do câncer de útero, não foi o que o se viu na prática, conforme detectou o estudo, que contou com a participação da equipe do Hospital Albert Einstein.

Para surpresa geral, o grupo tratado por laparoscopia tinha um risco de 1,6 até 8,5 vezes maior de ter a doença de volta e, portanto, mais chance de morte. Isso porque, diferente da aberta, a manipulação por equipamentos pode elevar as chances de contato das células cancerígenas e contaminação abdominal.

BUSCA DE RESULTADO

Segundo o ginecologista do Einstein responsável pelo estudo no Brasil, Mariano Tamura, a medicina sempre busca melhorar procedimentos para que o paciente tenha recuperação rápida, menos sequelas e maior sobrevida. “Em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde as pessoas não têm acesso à prevenção, a sobrevida é crucial”, diz.

O câncer de colo de útero afeta mulheres entre 40 a 45, sexual e economicamente ativas, tornando o cenário dramático. Em 99% dos casos há ocorrência de HPV e, geralmente, este câncer é mais agressivo. “Diferente do câncer de mama que atinge mulheres acima de 50, o de colo de útero tem uma etapa pré-maligna, o que ajuda nas chances de sobrevida”, diz ele.

Para o ginecologista do Hospital Sírio Libanês, Alexandre Pupo, o estudo mexeu com o mundo médico porque representa um refluxo da tecnologia. “Nas mudanças, deixamos de fazer coisas importantes, como isolamento da massa tumoral para que não haja contaminação de células cancerosas na cavidade abdominal. Mas medicina é baseada em estudos e comparações para oferecer o melhor aos pacientes e teremos de dar um passo atrás”, diz o especialista em oncologia ginecológica.
Mas para o Sistema Único de Saúde (SUS) pode representar uma economia, uma vez que os equipamentos são caros. “Como a cirurgia aberta requer menos recursos, os profissionais devem usar as técnicas tradicionais”, diz Tamura.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

26 DE FEVEREIRO

O DRAMA DAS DROGAS

… e não sirvamos o pecado como escravos (Romanos 6.6b).

A “cracolândia”, na cidade de São Paulo, o maior centro urbano da América do Sul, é um retrato repulsivo da catástrofe das drogas. Homens e mulheres, jovens e adolescentes, vivem perambulando nesse espaço, destruídos por esse vício maldito e mortal. A repressão da lei e a ação da polícia não conseguem debelar esse câncer social. No século da liberdade, nossa juventude está escravizada pelas drogas. Mais de 90% dos municípios brasileiros estão assolados pela influência avassaladora do crack. Já existem até marchas em defesa da liberação da maconha, porta de entrada para as outras drogas mais pesadas. Milhões de lares estão desesperados por verem seus filhos rendidos à escravidão do vício. São milhões de jovens que abortaram seus sonhos e jogaram sua vida no calabouço do vício. Esses jovens são o tormento dos pais.

Muitos deles acabam morrendo precocemente. Traficantes armados até os dentes controlam setores da cidade e espalham a morte por nossas ruas. Esquemas de corrupção, com interesses inconfessos, dão cobertura a essa estrutura de morte. Esses agentes do mal seduzem crianças e adolescentes nas portas das escolas e apanham muitos deles para sua rede mortífera. Precisamos ligar o sinal de alerta e mobilizar-nos para frear essa onda de morte. Família, Igreja e Estado precisam dar as mãos nessa cruzada em favor da família.

GESTÃO E CARREIRA

A MULHER POR TRÁS DO BMG

Entenda por que a diversidade passou a ser um dos focos da instituição financeira comandada pela executiva Ana Karina Bortoni.

Ela perdeu o pai ainda menina. Aprendeu com a mãe a nunca olhar para trás, preservando o otimismo e sempre buscando maneiras de agir de forma positiva. Hoje, os eninamentos maternos provaram ser decisivos para a executiva Ana Karina Bortoni Dias, tanto na gestão de sua vida pessoal quanto nos desafios diários que enfrenta no comando do banco BMG. Entre seus compromissos inadiáveis, está o de dedicar um tempo da agenda diária para si mesma. Quando não está desempenhando suas funções no mais alto posto do Banco BMG, Ana Karina aproveita suas horas livres para ir à academia, ao cinema com o marido e a filha e curtir a família. Você pode se perguntar onde ela encontra tempo para realizar todas essas atividades, mas essa é uma das qualidades da liderança feminina.

O estereótipo grey hair (grisalho, que indica um homem de meia idade) como o ideal para presidentes de grandes empresas sempre esteve presente numa sociedade machista. Mas existem mulheres que encararam os desafios, superaram os obstáculos e conseguiram construir uma carreira vitoriosa.

É o caso de Ana Karina. Hoje aos 47 anos, ela ocupa o cargo mais alto dentro da instituição financeira e sem perder a feminilidade. Membro do conselho de administração e CEO do BMG, a executiva acredita que suas habilidades combinam com a empresa que, por sua vez, abre espaço para que as mulheres progridam dentro da empresa. Prova disso é que dos dez conselheiros do banco, quatro são do sexo feminino. E mais: entre os três membros independentes, duas vagas são ocupadas por mulheres.

Ana Karina afirma que no BMG a diversidade vem sendo discutida em todos os aspectos. Segundo ela, existem algumas ações temáticas dentro da instituição cujo objetivo principal é diminuir o abismo entre homens e mulheres. Além disso, outras questões de diversidade, não apenas de gênero, também são tema de reflexões constantes. “Nós não estamos perfeitos, mas temos todos esses assuntos como preocupação central”, diz a executiva. “Por isso, achamos importante discutir esses temas na empresa”.

RESPEITO

Como grande parte das mulheres, Ana Karina já passou por situações constrangedoras no local de trabalho. “Minha carreira foi construída, majoritariamente, em espaços masculinos. Em diversas reuniões, eu era a única mulher na sala”, conta. “Mesmo num ambiente que valoriza e acredita no potencial da mulher, esse tipo de situação existe. É triste”, afirma ela, que nunca se deixou abater. Mestre em Química pela Universidade de Brasília, conduziu projetos no Centro Brasileiro de Serviços e Pesquisas em Proteína.

Em 2003, iniciou sua jornada na Mckinsey, empresa de consultoria organizacional americana. Sete anos depois, tornou-se sócia da companhia, após se especializar em projetos no segmento de finanças. Seguiu trabalhando duro, até ser nomeada, em março do ano passado, presidente do Conselho de Administração do BMG. No banco, Ana Karina é inspiração para os colaboradores e assume que a influência de um líder é uma de suas características no gerenciamento de equipes. “O líder tem dois papéis: inspirar pessoas e traçar o caminho da empresa. Mas não fará isso sozinho. Tem de haver uma equipe qualificada para ajudá-lo”, declara. “O líder tem de ser um mentor, uma espécie de coach. E também precisa contribuir para o desenvolvimento da sua equipe.”

Para Ana Karina, independentemente do cargo que ocupe, todo profissional deve saber o que é importante para si e tentar mudar sua rotina para conciliar vida pessoal e profissional. “Você não consegue abraçar o mundo, mas pode ser objetivo, escolher suas batalhas, focar nisso e fazer o que acredita”, afirma a executiva. Com essa convicção, ela chegou ao posto mais alto do Banco BMG. Uma mulher, mãe, filha e esposa que conquistou tudo o que sonhava — e se esforça para dar a mesma chance a outras mulheres.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DETOX DIGITAL

Novos métodos de terapia ensinam as pessoas a se desconectarem da internet, ao mesmo tempo em que se submetem a uma profunda mudança de hábitos

O dia a dia nas grandes cidades brasileiras inevitavelmente acaba nos levando para uma hiperconexão. Durante uma parada no trânsito, ao aguardarmos por uma consulta médica, no transporte público então… Às vezes até passamos do ponto por ficar navegando na internet. Fica automática a ação de puxar o smartphone do bolso para saber de tudo um pouco: notícias de última hora, dar uma olhada no aplicativo com indicação de como chegar mais rápido, e claro, bisbilhotar a vida alheia e acessar o WhatsApp. Quando esse comportamento pode ser tornar um problema? No momento em que deixamos de fazer as coisas comuns de forma simples e prazerosa para estar conectados. Ou quando o comportamento se altera de tal forma que nos sentimos incomodados pelo fato de não estar com celular no bolso.

NECESSIDADE DE RUPTURA

A empresária Fernanda Ralton Semler, 42, dona do Botanique Hotal & SPA, passou por essa situação. “Cheguei ao ponto de não conseguir tomar banho com naturalidade, ficava pensando nas mensagens que estava recebendo”, conta. Nesse momento, em 2013, Semler já era mãe, e percebeu que havia a necessidade de uma ruptura e criou o spa e um serviço diferenciado, o detox digital. A desintoxicação eletrônica foi um reencontro com sua individualidade. Segundo ela, o detox digital está calcado na autenticidade e na profundidade de pesquisa em tudo que envolve a desintoxicação. O programa faz parte de um tratamento exclusivo, que inclui três diárias num pacote que passa de cinco mil reais, “o projeto é sucesso, se tornou o carro chefe do hotel”. Por conta da “abstinência” individual, ainda é difícil a adesão plena, 70% das pessoas que já se submeteram ao detox não conseguem fazer a terapia a contento e pedem o celular de volta. Entre os 30% restantes, que repetem a terapia sazonalmente e entendem o conceito, está Bruna Fioreti, 36, comunicadora, business coach e especialista em branding pessoal. Ela afirma que atividades de detox, individuais e em grupo, não deixam tempo nem para lembrar do celular. “A experiência off-line tirou necessidade até de segurar o aparelho”, diz.

A terapia propõe que, ao retomar as atividades, as pessoas levem a vida de outra forma, pois hiperconectividade está ligada a algo que a medicina chama de via de recompensa, em uma área do cérebro localizada na parte frontal conectada à dopamina, que dá sensação de bem-estar. Para o médico psiquiatra Marcelo Daudt Von der Heyde, da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o longo período de conexão afeta principalmente jovens, podendo levar a alterações no córtex frontal. “Em um cérebro em maturação pode haver pouca estimulação de algumas áreas”. O professor diz que em média, a cada seis minutos nos conectamos à internet, o conjunto das perturbações provocadas pelos estímulos digitais tem relação direta com estresse. Isso é tão forte como a dependência de drogas e álcool. Podemos associar ao fenômeno de “membro fantasma”, quando a pessoa perde um braço ou uma perna e, mesmo assim, sente falta