GESTÃO E CARREIRA

COLABORATIVOS E EXIGENTES

As características da nova geração de profissionais que está mudando a cultura das empresas brasileiras

Quando falamos sobre gerações no mercado de trabalho, é importante notar que as marcas geracionais brasileiras são diferentes das europeias, americanas e canadenses. A nova geração no país começa a nascer em 1986 e traz consigo características dos Y e Z: foram socializados com a internet e vivenciaram, ainda na adolescência, as redes sociais.

Esses jovens iniciaram a trajetória profissional entre 2009 e 2010 e, naquela época, encontraram empresas totalmente despreparadas para recebê-los. A reação inicial das companhias foi de hostilidade. Apenas depois de algum tempo as empregadoras entenderam que necessitavam desesperadamente desse pessoal, pois o Brasil vivia um momento de grande oferta de vagas e falta de mão de obra.

Nesse mesmo período iniciamos nossa pesquisa As Melhores Empresas para Começar a Carreira, com o objetivo de compreender a relação desses jovens com o mercado de trabalho e de mapear as políticas e práticas das organizações para atraí-los e retê-los. Já são nove anos de análise e três pontos chamam a minha atenção:

*** Nossos respondentes têm de 18 a 26 anos de idade, e ainda não percebemos uma grande mudança geracional. Isso quer dizer que esses profissionais têm visão de mundo e valores semelhantes aos daqueles que ouvimos de 2009 a 2011. Temos indícios de que os que nasceram a partir de 2005 constituirão, estes, sim, uma nova geração. Mas eles só entrarão no mercado de trabalho no início de 2020;

*** Os mais novos dão importância à cooperação ainda mais os que já se conectaram com a inteligência artificial. Esse comportamento é natural para eles, ao passo que minha geração (dos Baby-Boomers) e a Geração X têm dificuldade para isso. Nós fomos educados para competir;

*** Em pesquisas qualitativas, percebemos uma relação de amor e ódio dos X com a nova geração. Amor por perceber que os mais jovens possuem coragem para tomar atitudes que eles nunca tomaram – e ódio exatamente pela mesma razão. Esse sentimento ambíguo estimula os mais velhos a refletir sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, algo fundamental para os mais novos. Quando são perguntados sobre o que é trabalho, a maior parte desses funcionários diz que é fonte de satisfação e prazer.

Essa nova geração entrou no mercado em um momento de escassez de talentos, e as organizações foram pressionadas a se ajustar às suas exigências. Esse fato gerou, em algumas empresas analisadas por nós, mudanças culturais, revisão dos parâmetros de contratação e valorização das lideranças. Creio que no início dos anos 20 deste milênio poderemos avaliar o impacto dessa geração obstinada na transformação das organizações.

Desde já, no entanto, eu percebo esses jovens como artífices de um Brasil melhor para todos os cidadãos. Afinal, são pessoas mais predispostas à colaboração, menos tolerantes às inconsistências e à falta de coerência na gestão organizacional e mais exigentes quanto ao espaço para se posicionar nas questões que lhes dizem respeito.

JOEL DUTRA – É professor do departamento de administração da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e especializado em gestão de pessoas

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.