GESTÃO E CARREIRA

UM NOVO PARADIGMA

O ritmo das mudanças no mundo dos negócios coloca em xeque a busca por melhores resultados. Como o desenvolvimento da liderança positiva pode potencializar altos níveis de performance e engajamento

Tanto quanto uma empresa precisa estar constantemente atualizada para se destacar no mercado, os líderes necessitam se manter na dianteira de inovação e criatividade para garantir seu espaço ao sol. Nesse contexto, ganham destaque as competências da liderança potencializadas por conceitos e premissas da Psicologia Positiva – a liderança positiva.

O líder positivo, direcionado a obter de seus liderados os mais altos níveis de performance, deixa de ser um líder comum ao transformar as forças da sua equipe em molas propulsoras de desempenho.

Em sua posição de liderança, ele possui a habilidade de nutrir as características positivas de seus colaboradores, dando oportunidades para que eles alinhem suas atividades às suas forças e valores.

Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, atribui o sucesso ao autoconhecimento: “O sucesso vem para aqueles que conhecem a si mesmos – suas forças, seus valores e como eles obtêm sua melhor performance”. Mas o que torna uma pessoa um líder extraordinário? E mais, como esse líder pode utilizar a liderança positiva para elevar os resultados de seus liderados e, ao mesmo tempo, engajar- se em um processo de autodesenvolvimento?

A figura do líder não é nova; ela está presente e vem se transformando ao longo de diferentes épocas, contextos e de acordo com variáveis cenários e complexidades. Ao longo dos séculos, os significados atribuídos ao que constitui e origina a liderança foram se transformando de acordo com a investigação de diferentes teorias.

Considerando-se a evolução da liderança na contemporaneidade, percebe-se que a figura do líder evoluiu de um perfil centrado em si mesmo e nos próprios interesses até chegar ao perfil valorizado atualmente, prezando por relações orgânicas que buscam equilibrar desejos e diversidade em direção a objetivos comuns.

John Zenger e Joseph Folkman, autores do best-seller O Líder Extraordinário, após analisarem 200 mil assesments de 20 mil gerentes, concluíram o seguinte: os líderes fora d o comum alcançam de forma constante resulta dos que ultrapassam aqueles atingidos pelos líderes considerados apenas “bons”.

Além disso, a partir de sua liderança, o turn over diminui drasticamente, a motivação entre os liderados aumenta, assim como os níveis de satisfação dos clientes. Ou seja: a liderança eficaz gera ondas de resultados positivos de ponta a ponta.

A liderança, de fato, costuma atrair a atenção dos pesquisadores que buscam entender o que constitui o perfil dos indivíduos que se destacam à frente de equipes e do próprio desenvolvimento. Sob esse ponto de vista, num aspecto crucial para a liderança positiva é o elo que no uso das forças dos indivíduos.

Há quase uma década, o Instituto Gallup divulgou os resultados de um projeto de pesquisa de 30 anos que iniciou uma conversa global sobre o tema das forças no contexto da liderança positiva.

Foram pesquisados 1 milhão de times, 50 mil líderes e 200 mil liderados, e descobriu-se que houve 73% de aumento no engajamento quando o líder valorizou as forças individuais versus 9% de aumento no engajamento quando o líder não valorizou as forças individuais.

Os resultados, publicados no livro Strengths-Based Leadership (Liderança baseada em forças), indicam que não basta que o líder conheça suas forças; ele também deve saber usá-las de modo a evidenciar o que ele possui de melhor e extrair o melhor das pessoas mesmo em face de situações desafiadoras ou adversas. Dessa forma, o uso das forças de caráter e virtudes do indivíduo, entre outros pontos, é um tema extremamente caro para a liderança positiva.

De forma complementar, a pesquisa do Gallup se concentra não apenas em observar como os líderes se comportam, mas também os liderados. Um líder que avança sem seguidores caminha em direção a nada. Dez mil liderados foram analisados e responderam a duas perguntas: (1) Qual líder tem a influência mais positiva em sua vida diária? (2) Liste três palavras que melhor descrevam o que essa pessoa contribui para sua vida.

Os resultados foram notavelmente simples e profundos. As quatro coisas que os liderados querem de seus líderes são confiança, compaixão, estabilidade e esperança. Na verdade, não muito longe do que Aristóteles disse há 2.500 anos – as pessoas querem que os líderes tenham ethos (confiança), pathos (compaixão) e logos (estabilidade e esperança).

O perfil do líder é, portanto, marcado pela pluralidade de forças que, atuando conjuntamente, distinguem-no em meio aos líderes meramente ordinários. Assim, uma das características que mais se destacam nos líderes de sucesso é sua postura como modelo de atitudes e comportamentos positivos que ele deseja enxergar refletidos em outras pessoas.

Para tanto, isso se dá pela via do exemplo. Quando o líder se destaca por suas atitudes, e essas, por sua vez, concretizam-se em forma de comportamentos exemplares, o líder se torna uma referência, alguém que está ali como fonte de inspiração para que todos à sua volta busquem a excelência incansavelmente e com prazer.

É por isso que, ao representarem modelos positivos para seus liderados, esses líderes conquistam mais comprometimento, cooperação, apoio e resultados.

FLORA VICTORIA – é presidente da SBCoaching Trainng, mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela Universidade da Pensilvânia, especialista em Psicologia Positiva aplicada ao coaching. Autora de obras acadêmicas de referência, ganhou o título de embaixadora oficial da Felicidade no Brasil por Martin Seligman. É fundadora da SBCoachng Social.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.