A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O UNIVERSO SIMBÓLICO DOS BEBÊS

Além de alimentação, higiene e carinho as crianças precisam, em especial nos primeiros meses de vida, daquilo que os especialistas chamam de “presença de qualidade” – que também inclui ausências – por parte dos adultos com quem convivem

Cuidamos de nossos bebês. Procuramos mantê-los limpos, alimentados, sem incômodos físicos. Eles são aquecidos, embalados e grande parte dos pais e cuidadores ficam atentos ao desenvolvimento cognitivo – traduzido em aquisições cognitivas como sorrir, segurar objetos, sentar e, mais tarde, andar e falar. Porém, a vida mental das crianças em seus primeiros 24 meses de vida ainda costuma ser encarada com pouca importância. Nossa tendência é acreditar que os pequenos exigem, sobretudo, cuidados físicos e motores. Mas a experiência clínica mostra que o laço entre pais e filhos no início da vida é decisivo para o desenvolvimento global. A criança precisa da intimidade e proteção por parte dos adultos com quem convive – o que vai além da necessidade de cuidados básicos. Bebês necessitam de presença de qualidade. Isso, porém, não significa que o cuidador, em geral a mãe, deva estar totalmente disponível em tempo integral – as faltas também são imprescindíveis.

A possibilidade de desenvolver vínculos afetivos com nossos semelhantes se constrói muito cedo e a orienta nossas relações por toda a vida. São imprescindíveis momentos de ternura, palavras doces, cócegas, brincadeiras e canções de ninar. Esses gestos favorecem a constituição psíquica, afetiva e social dos pequenos, que dependem desse laço para sobreviver.

Durante os primeiros anos de vida, o bebê é completamente dependente dos cuidados maternos (ou de quem exerce essa função, a de nomear e dar sentido às suas formas de expressão) e se encontra em uma espécie de fusão com a mãe. O que quer o recém-nascido que grita? É na medida em que o cuidador interpreta o choro como fome que pode oferecer o leite quente. Ou dar o colo, quando supõe que a criança precisa de um afago. Por meio desse universo simbólico, a mãe oferece ao bebê certa imagem de si mesma – assim, além de suprir suas necessidades físicas, ela o inscreve na ordem simbólica, como bem coloca o psicanalista francês Jacques Lacan. Inicialmente o que se estabelece, portanto, é uma relação em que o recém-nascido está sujeito às vontades da mãe, pois a satis- fação de suas necessidades depende de como ela recebe e significa suas expressões, argumenta a psicanalista Michele Roman Faria em Constituição do sujeito e estrutura familiar: complexo de Édipo de Freud a Lacan (Cabral, 2014).

No Seminário 5, Lacan fala da necessidade de instaurar a mãe como alguém que pode ou não estar presente. Assim, a ilusão de ser “tudo” para alguém é desfeita pelas ausências e presenças da figura materna, a partir das quais o bebê sente que à mãe também falta algo e que ele não é suficiente para dar conta de tudo o que ela quer. O criador da psicanálise, Sigmund Freud, nos ensina que é por meio desse movimento que a criança passa à simbolização e desvincula sua dependência do desejo materno. Esse distanciamento tem a ver com aquilo que Lacan chama de função paterna, em que o pai, explica Roman Faria, entra como representante de uma interdição, tomando o lugar daquele a quem a criança atribui a ausência da figura materna. Tudo o que faz esse corte, como a mãe ter de trabalhar e passar uma boa parte do dia longe da criança, por exemplo, é entendido aqui como função paterna e não exige necessariamente a presença real do pai, mas sim algo que represente a separação entre mãe e criança.

A partir dessa ideia, aliás, podemos concluir que a família não necessariamente precisa ser a tradicional (pai, mãe e filho). Em qualquer configuração – monoparental (em que há somente um dos pais), homoparental (com duas mães ou dois pais), pluriparental (com pais no segundo ou terceiro casamento, por exemplo, com filhos de outras uniões que passam a conviver como irmãos) – as funções materna e paterna podem estar presentes. O que está em jogo é a transmissão de algo que influencia o desenvolvimento. Dificuldades nesse complexo núcleo de relações podem estar ligadas a sofrimentos psíquicos na infância.

OUTROS OLHARES

VIDA E MORTE NA BALANÇA

O drama de quem está na longa fila por uma cirurgia bariátrica no Brasil – país onde a obesidade mata mais que arma de fogo

A cozinheira Maurícia Pereira de Souza, de 36 anos, espera desde 2014 para fazer cirurgia bariátrica. Como a fila não anda, sua vida também está estagnada. Desempregada, esbarra sempre no peso de seus 146 quilos para conseguir trabalho. “Estive numa casa em que a patroa, quando abriu a porta e me viu, disse que não era nem para eu entrar. Ela perguntou: “Como é que você vai limpar o rodapé:” Outra vez, Souza foi chamada para cuidar dos filhos de uma delegada. Iam à uma festa. Quando entrou no carro, com as duas cadeirinhas, teve de se encaixar. Depois da festa, a delegada disse que Souza era muito boa, mas que não cabia no carro. “Da última vez, fui para uma entrevista num supermercado. Tenho ensino médio (completo) e habilidade para falar com os outros. A outra menina tinha a sétima série, não abria a boca, mas foi contratada. Ela vestia 38. O que importa é a aparência. Você se sente lá no chão. Eu me sinto inferior a qualquer outra pessoa”.

Sem trabalho, falta dinheiro para comprar os remédios de que precisa, além da insulina, que toa três vezes por dia e pega no posto de saúde. O preço da alimentação é outro complicador na perda de peso: em Belford Roxo, Rio de Janeiro, onde mora, a padaria próxima vende cinco pãezinhos por R$1. O saco do pão integral sai geralmente por R$11. A médica pediu que evitasse arroz, feijão, para não descontrolar a glicemia, e comesse mais legumes e proteínas. No dia em que recebeu a equipe de reportagem em sua casa, Souza tinha apenas repolho na geladeira. Carne não deu para comprar.

A causa da obesidade de Souza só foi descoberta recentemente, quando passou pelo psicólogo do processo da bariátrica. Foi com ele que ela rememorou os abusos sexuais sofridos aos 9 anos na casa da tia. Para evitar voltar ao lugar onde encontrava o abusador, acabou se fechando em casa com a irmã e aprendeu a cozinhar. A comida era o refúgio para a dor e uma forma de desviar as atenções dela. “Queria que olhassem para quem quer que fosse menos para mim. Por outro lado, hoje sinto muito preconceito. Às vezes a pessoa gorda não é assim porque quer, mas por causa de alguma coisa que fizeram com ela. É muito fácil julgar por fora, mas saber o que está dentro é difícil”.

Mais que um problema de inserção social, a obesidade, em muitos casos, é uma questão de vida ou morte. Uma análise em 27 países da América Latina e do Caribe realizada recentemente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que o excesso de peso e a obesidade são responsáveis por 300 mil mortes por ano – quase o dobro do número de pessoas assassinadas na região. No Brasil, 116.976 pessoas morreram devido às doenças causadas pela obesidade em 2015, último ano com dados disponíveis.

Na dificuldade e na espera por uma cirurgia, a cozinheira Souza não está sozinha. Dados do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados pelo Ministério da Saúde, classificam as pessoas de acordo com o índice que mede o grau de obesidade, conhecido pela sigla IMC. De acordo com o último levantamento, 13,6 milhões de brasileiros possuem IMC acima de 35. Para quem está na faixa entre 35 e 40 e tem doenças associadas, como diabetes e hipertensão, o tratamento indicado é a cirurgia bariátrica. O mesmo vale para pessoas com mais de 40 de IMC – limite em que começa a obesidade mórbida -, independentemente de terem alguma enfermidade ligada ao peso. Diante dessa demanda de milhões de pacientes, a resposta do governo tem sido minúscula, o que explica as filas que demoram anos.

Em 2018, apenas 11.402 operações de redução de estômago foram feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Dia Mundial de Combate à Obesidade, celebrado no começo de outubro, dados atualizados mostraram um aumento no número de intervenções de quase 12% no primeiro semestre em relação ao mesmo per´[iodo do ano passado, mas o número foi considerado insuficiente. “A oferta pelo SUS até vem aumentando, mas é totalmente incompatível com a demanda e a necessidade”, afirmou Marcos Leão Villas Bôas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

A também cozinheira Jucéia Damasceno, de 48 anos, moradora do Rio de Janeiro, com IMC 54, espera há sete anos para fazer a cirurgia. Já era para ter sido atendida, mas há cinco anos teve um problema de saúde e ficou internada justamente na data da consulta. Perdeu a vez. Há dois anos, entrou outra vez na fila. “É muito tempo de espera, mas estou fazendo os exames e acho que agora vai. Preciso da cirurgia porque sou diabética e hipertensa. Tenho uma ferida na perna que não está cicatrizando por causa da diabetes e do peso. Se eu emagrecer, vai fechar mais rápido”, afirmou Damasceno.

Como ela já sabe, a operação bariátrica é indicada para pacientes que não conseguiram perder peso depois de dois anos de acompanhamento médico. Mas emagrecer não é uma tarefa fácil para pessoas com doenças associadas, como problemas nas articulações ou hipertensão, que tornam a prática de atividade física muito complicada e até perigosa. “Depois que a pessoa chega a determinado peso, é quase impossível emagrecer bastante por livre e espontânea vontade, por mais que ela tente”, disse Villas Bôas.

Quando Benedita Antônia Camelo, de 51 anos, chegou ao INC 80, um médico pediu urgência em seu caso. Foi chamada para a consulta e recebeu a orientação de voltar em três meses, com 10% a menos de peso. Emagreceu, mas, segundo ela, sua ficha não havia sido lançada no sistema. Nova consulta, novo pedido de perda de peso em outros três meses. Em julho, finalmente conseguiu fazer a bariátrica. “Não vou mentir: eu descontava tudo na comida, achava que aquilo tiraria as coisas ruins de minha mente”, lembrou. “Os obesos gostam muito de massa. Uma lasanha inteira da caixinha não me satisfazia, 1 litro de refrigerante não matava minha vontade”, afirmou. Pouco mais de três meses após a cirurgia, Camelo já perdeu cerca de 40 quilos. Depois de quase dez anos “trancada em casa”, num final de semana de outubro foi ao chá de bebê da filha. “Antes da cirurgia eu não andava, então não teria ido”. Além do grande evento, ela celebra poder desempenhar pequenas atividades como varrer a casa e ajudar os netos a colocar os tênis. Sonha em arrumar um emprego, mas, enquanto não consegue renda fixa, pequenas economias fazem diferença: “Eu gastava muito com comida. Agora, com R$ 10 já posso comer a semana toda. Meu marido compra legumes, eu faço uma sopa. Um pedacinho de batata, de abóbora já alimenta. Como meia laranja e guardo o resto para depois. Antes, 1 quilo de comida não me satisfazia”.

Os benefícios descritos por ela foram identificados num estudo com 500 pacientes para avaliar aspectos socioeconômicos da vida de pacientes depois de um ano da operação. A pesquisa feita pelo Programa de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro revela que, passados 12 meses. 86% dos pacientes não usam medicamentos e que o gasto com alimentação, material de higiene e vestuário adaptado cai, em média, 50%.

Embora as cirurgias tenham um histórico positivo no tratamento da obesidade, elas não são promessas de magreza eterna. Estudos internacionais indicam que entre 20% e 40% dos pacientes têm reganho de peso depois de dois anos. Esse aumento equivale a engordar, pelo menos, entre 10% e 20% sobre o menor peso alcançado no pós-operatório, mas há casos de pessoas que recuperam todo o peso perdido. Muitas questões costumam interferir no período logo após a diminuição do estômago, entre elas reações a medicamentos, problemas clínicos como hipotireoidismo e, também, aspectos comportamentais. Foi esse ângulo que a psiquiatra Maria Francisca Mauro, do Programa de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), decidiu abordar.

Mauro fez uma avaliação psiquiátrica de 109 pacientes com pelo menos cinco anos de cirurgia e constatou que 52% dos pacientes continuam com algum diagnóstico psiquiátrico, como depressão (39%), compulsão alimentar (37%) e uso excessivo de álcool (13%). “Os dados reforçam os resultados de um estudo nacional que mostra que 57,8% de candidatos a essa cirurgia apresentam algum quadro psiquiátrico prévio à cirurgia. Na população geral, por exemplo, cerca de 4% têm transtorno de compulsão alimentar. Entre os candidatos à cirurgia, já são 17%. Entre depressão e obesidade há marcadores biológicos compartilhados, então quem tem um problema tem mais chance de desenvolver o outro”, afirmou a psiquiatra, que defende o acompanhamento prévio e posterior do paciente. “A cirurgia é eficaz e tem benefícios incontestáveis. Mas a gente tem de entender que os pacientes que vão para essa intervenção têm questões psiquiátricas que precisam ser cuidadas”. Como apontou Mauro, os pacientes saem do hospital e voltam para a mesma vida, a mesma casa, a mesma família.

Parte dos médicos argumenta que deveria ser papel do governo dar à questão da obesidade um olhar semelhante ao que já é comum no caso de doenças provocadas pelo tabaco. É fato que o governo tem sofrido mais pressão, com o pedido de novas medidas, como campanhas para estimular o consumo de alimentos naturais, além da redução da carga tributária de alimentos básicos e menos calóricos. “O grande mal da obesidade são as comidas industrializadas, que a população de baixa renda acaba consumindo mais porque é mais barata e menos perecível”, disse Cid Pitombo, que coordena o Programa de Cirurgia Bariátrica do Estado do Rio de Janeiro.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu, no dia 23 de setembro, uma consulta pública sobre rotulagem nutricional nos alimentos industrializados, mas o modelo proposto foi considerado insuficiente por diversas organizações, entre elas a Aliança pela Alimentação Saudável e Adequada, da qual fazem parte mais de 30 entidades, como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Conselho Federal de Nutricionistas. Diversos países já adotaram medidas mais duras para tentar conter o número de obesos. Na Irlanda, desde 2018 as bebidas adoçadas estão sujeitas a novos impostos e os consumidores pagam mais por elas. No Japão, um dos países mais magros do mundo, a Lei Metabo exige que empresas que tenham muitos funcionários com alta circunferência abdominal promovam medidas para emagrecimento, como atividades físicas. Já na Itália, os restaurantes têm de informar se o alimento é congelado, sob pena de multa.

GESTÃO E CARREIRA

ESSA TAL DE “EMPLOYEE EXPERIENCE”

Quando se fala em experiência do colaborador, se fala em ouvi-lo sempre

A Experiência do Colaborador ou EX (Employee Experience) é o conjunto de percepções e sentimentos dos profissionais a respeito de suas interações com as empresas na qual trabalham. Criar uma boa experiência do colaborador não se resume a oferecer videogames, piscina de bolinhas, escorregadores coloridos ou ter geladeira com garrafas de cerveja à vontade. Falar de experiência do colaborador é uma estratégia muito mais complexa, porque envolve os sentimentos e as impressões do profissional em relação à empresa e influencia diretamente na reputação da marca empregadora (Employer Branding).

Basicamente, a estrutura da real experiência do colaborador é dada pela intersecção entre as expectativas e necessidades dos colaboradores com a proposta da empresa para atendê-las, criando uma organização onde as pessoas realmente queiram trabalhar.

Mas isso não é tão simples quando falamos sobre pessoas, com diferentes personalidades, objetivos, motivações e aspirações. É aí que se encontra o grande desafio: conhecer seus colaboradores e identificar suas necessidades para depois trabalhar implementando estratégias que atendam esses desejos, criando experiências personalizadas e positivas de trabalho.

Quando falamos de experiência do colaborador, estamos falando que é essencial ouvir o colaborador sempre, afinal essa experiência é dele e para ele. A escuta ativa é a base para a criação de uma experiência positiva e é preciso ouvir de maneira aberta, transparente e frequente o colaborador, obviamente, pensando também no feedback e plano de ação das escutas.

O resultado do esforço de se trabalhar de maneira correta e consistente a experiência do colaborador é visível e diretamente relacionado com os resultados do negócio. As empresas que investem em employee experience apresentam 2,9 vezes mais receita e 4,3 vezes mais lucro por colaborador. Além disso, empresas que proporcionam boas experiências, reduzem seu turnover em até 40% e conquistam a fidelidade de seus colaboradores, garantindo um time de alta performance por muito mais tempo, segundo Jacob Mirgan, autor do livro The Employee Experience Advantage.

Segundo o estudo The Financial Impact of a Positive Employee Experience, da IBM, as empresas com melhores índices de Employee Experience dobram seus resultados em vendas e têm um retorno sobre ativos três vezes maior.

 Na pesquisa da Manpower chamada Millennial Careers: 2020 Vision Facts, Figures and Practical Advice from Workforce Experts, feita com mais de 19 mil profissionais, relata que 1/3 da força de Trabalho em 2020 será do que chamamos de “geração Y”, ou, “geração milênio” (os que nasceram entre 1980 e 1990) e esses jovens profissionais buscam:

  • Oportunidade de crescimento
  • Reconhecimento
  • Compromisso Social
  • Ambiente de Trabalho Prazeroso
  • Remuneração e Benefícios

Essa mudança de perfil dos profissionais reflete também no que eles esperam do ambiente corporativo, pois essa geração foca em propósito e experiência, portanto, trabalhar a experiência do colaborador deixou de ser secundário para tornar-se diferencial competitivo das empresas para atração, retenção de talentos e reputação de marca empregadora.

Mas, antes de começar a trabalhar a experiência do colaborador é necessário a empresa entender realmente o que é o conceito de experiência para não cair na superficialidade e nas ações táticas que tem algum reflexo a curto prazo, mas não se sustentam.

A experiência do colaborador não é um processo, nem uma injeção de adrenalina de engajamento pontual, mas sim uma mentalidade para ser gerida, que demanda inputs constantes e ajustes de rota o tempo todo.

Employee Experience é composto pela combinação de três ambientes que as empresas podem controlar: cultura, tecnologia e espaço físico/ambiente. Todas as experiências dos colaboradores giram em torno desses três pilares. Segundo Jacob Morgan, se você for o colaborador, Cultura é como você se sente, Tecnologia são as ferramentas e recursos que você tem acesso para o seu trabalho e Espaço Físico é o ambiente no qual você trabalha. O resultado desses pontos é o que chamamos de experiência do colaborador.

Fazer o gerenciamento desses três ambientes de forma estratégica, ouvindo seus colaboradores e co-criando com eles, achando a intersecção possível entre desejos e necessidades dos colaboradores e possibilidades reais de atender isso por parte das empresas é o jogo. Se não houver entendimento, convencimento, apropriação do conceito de Employee Experience por parte da liderança, além da vontade genuína de ouvir os colaboradores e implementar ações de melhoria dessa experiência para o colaborador, não vai funcionar.

O tema é novo e de complexa execução justamente porque envolve ouvir pessoas, captar sensações, necessidades, interações e refletir isso de forma factível para melhorar a experiência do colaborador.

Um dos erros mais comuns é o básico e óbvio: ouvir os colaboradores. É muito difícil para as empresas ouvirem seus colaboradores sem julgamento, com empatia e com foco em mudanças possíveis e significativas para ambos os lados. Mudar requer coragem e as empresas não estão preparadas para ouvir críticas, muito menos para ter que repensar processos que hoje funcionam para elas, mas não para os colaboradores.

Antes de pensar em processos, pense em como as pessoas vão interagir com eles, ou seja, como será a experiência do colaborador dentro da sua estratégia. Implementar um novo sistema, por exemplo, sem trabalhar a gestão de mudança ou se conectar aos colaboradores para ouvir feedbacks deles e fazer a construção conjunta dessa implementação ou mesmo sem treinar adequadamente as pessoas para as novas tecnologias, pode acarretar em grandes perdas para o negócio, que podem ir desde a perda de produtividade até mesmo à retaliação ao sistema. Inclua o colaborador no processo e não o processo no colaborador.

Em vez de reprojetar as principais práticas de trabalho em torno dos funcionários, as empresas estão mantendo suas práticas de trabalho desatualizadas e tentando dar aos seus funcionários atrativos, pensando que os farão felizes. É o caso das empresas que acham que felicidade no trabalho é oferecer escorregadores coloridos, cerveja e piscina de bolinhas. Muitas vezes o seu colaborador prefere mais equilíbrio entre vida e trabalho ou horários flexíveis. Em vez de supor o que faria seus colaboradores mais felizes no trabalho, pergunte a eles.

Outro erro bastante cometido pelas empresas é não criar uma experiência única. Antes, as empresas pensavam de maneira separada cada um dos seus processos de pessoas, como atração, onboarding, desenvolvimento, retenção, promoção e desligamento.

Com o conceito de employee experience, porém, as organizações passaram a entender que, para o colaborador, isso é uma jornada única, e não uma série de processos fragmentados com começo, meio e fim, por isso, a experiência e a “jornada” são contínuas e interligadas e, assim, devem se conectar de forma quase imperceptível.

Desde o primeiro contato com o candidato até o fim do vínculo empregatício, o colaborador está sendo impactado pela experiência que a empresa oferece. Algumas empresas são tão marcantes que os profissionais as levam “no coração” até mesmo depois do desligamento ou da aposentadoria, tamanhas foram as experiências positivas que a empresa trouxe na vida profissional daquela pessoa. Se o saldo da experiência for positivo, a empresa pode alcançar resultados surpreendentes de engajamento, retenção de talentos, produtividade e reputação de marca empregadora.

Além disso, as empresas colocam mais um obstáculo para construção de suas experiências do colaborador: o orçamento. Uma das grandes justificativas das empresas é não ter dinheiro para promover experiências. Mas quem disse que essas experiências exigem tantos recursos?

Um ambiente de trabalho ergonômico, equipamentos que atendam às demandas dos colaboradores, espaço para a troca de ideias, feedbacks fundamentados e periódicos, personalização da jornada do funcionário ao longo de sua evolução na empresa…tudo isso é experiência! Há milhares de formas de criar experiências positivas, mesmo com baixo orçamento, se sua empresa tiver foco real em ouvir e atender o colaborador. Criatividade alinhada com as necessidades, desejos e expectativas do seu colaborador é o melhor direcionamento.

Para se chegar ao topo das melhores empresas para se trabalhar, a empresa precisa criar uma experiência de fato relevante e positiva, portanto, é necessário deixar de pensar em processos e colocar foco na experiência. É como eu costumo sempre dizer, no final do dia, “It´s all about PEOPLE. It´s all about EXPERIENCE.”

SUZIE CLAVERY – é gerente de Employer Branding do United Health Group Brasil. Foi uma das primeiras profissionais a atuar efetivamente com Employer Branding no Brasil. Criadora da hashtag #NãoSejaEssaEmpresa, é cofundadora do Employer Branding Brasil

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 06 DE FEVEREIRO

O CORDEIRO SUFICIENTE

… eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1.29b).

Jesus é o Cordeiro de Deus. Há quatro textos da Bíblia que falam sobre o cordeiro substituto. O primeiro deles é Gênesis 22. Abraão estava a caminho do monte Moriá com seu filho Isaque. O propósito era sacrificar seu filho em holocausto ao Senhor, quando Isaque lhe perguntou: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? (v. 7). Seu pai lhe respondeu: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro (v. 8). Deus não queria o sacrifício de Isaque, mas o amor e a obediência de Abraão, por isso providenciou um cordeiro substituto, que foi suficiente para salvar Isaque. O segundo texto é Êxodo 12, e ali o cordeiro foi suficiente para uma família. O terceiro texto é Isaías 53, e ali o cordeiro foi suficiente para substituir uma nação. Mas em João 1.29 o Cordeiro de Deus é suficiente para o mundo inteiro. O Cordeiro substituto é Jesus. Ele é poderoso para salvar uma pessoa, uma família, uma nação e o mundo inteiro. Jesus morreu para comprar com o seu sangue aqueles que procedem de toda tribo, língua, povo e nação. Sua morte é a garantia da nossa vida. Seu sangue é o preço da nossa redenção. Sua ressurreição é o penhor da nossa vitória sobre a morte. Não somos salvos pelo nosso merecimento nem pela nossa religiosidade. O Cordeiro de Deus é suficiente para nos salvar totalmente!